{"id":25769,"date":"2018-01-08T00:58:38","date_gmt":"2018-01-08T02:58:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=25769"},"modified":"2018-01-09T11:02:50","modified_gmt":"2018-01-09T13:02:50","slug":"brasil-sobe-em-ranking-que-avalia-a-complexidade-das-exportacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/brasil-sobe-em-ranking-que-avalia-a-complexidade-das-exportacoes\/","title":{"rendered":"Brasil sobe em ranking que avalia a complexidade das exporta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o de exporta\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras impulsionado pela crise econ\u00f4mica fez o Brasil melhorar sua posi\u00e7\u00e3o na classifica\u00e7\u00e3o da complexidade econ\u00f4mica das exporta\u00e7\u00f5es. O pa\u00eds avan\u00e7ou nesse ranking do 50\u00ba lugar para o 42\u00ba lugar de 2012 para 2016. No mesmo per\u00edodo, por\u00e9m, a China passou da 22\u00aa para a 17 \u00aaposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar da melhora dos dois pa\u00edses no per\u00edodo, a evolu\u00e7\u00e3o foi diversa. O Brasil ocupava o 28\u00ba lugar em 1999. Desde ent\u00e3o, sofreu redu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no \u00cdndice de Complexidade Econ\u00f4mica (ICE) dos embarques. A melhora s\u00f3 veio ap\u00f3s 2014. O valor do \u00edndice brasileiro, por\u00e9m, era melhor em 2012 (0,162) do que em 2016 (-0,084). Ou seja, a evolu\u00e7\u00e3o no ranking nesses quatro anos n\u00e3o aconteceu devido \u00e0 maior complexidade econ\u00f4mica brasileira. Os demais pa\u00edses tiveram queda mais expressiva no \u00edndice no per\u00edodo, o que resultou na melhora da posi\u00e7\u00e3o relativa do Brasil.<\/p>\n<p>Na China, apesar de ligeiras oscila\u00e7\u00f5es, houve avan\u00e7o cont\u00ednuo do \u00edndice de complexidade a partir de 1999, quando o pa\u00eds ocupava o 45 \u00ba lugar. Ou seja, \u00e0 \u00e9poca, quase 20 posi\u00e7\u00f5es abaixo da do Brasil. Entre 2012 e 2016, o \u00edndice da China manteve-se igual (1,01). Tamb\u00e9m como reflexo da piora de desempenho dos demais pa\u00edses, e estabilidade levou a China ao avan\u00e7o de posi\u00e7\u00f5es no ranking.<\/p>\n<p>Os dados est\u00e3o em estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) feito com base nos indicadores do Atlas de Complexidade Econ\u00f4mica elaborado por pesquisadores da Universidade de Harvard e do Instituto Tecnol\u00f3gico de Massachusetts. O levantamento do Iedi cruzou os dados do atlas com as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis de com\u00e9rcio internacional por produto.<\/p>\n<p>A complexidade das exporta\u00e7\u00f5es, explica Rafael Cagnin, economista do Iedi, \u00e9 considerado determinante para o crescimento de longo prazo dos pa\u00edses. &#8220;Alguns conjuntos de produtos no n\u00facleo do tecido produtivo s\u00e3o essenciais para dinamizar outras atividades produtivas, por conta de seus efeitos de encadeamento e transbordamento, ou seja, por estabelecerem mais conex\u00f5es com o restante das atividade econ\u00f4micas&#8221;, diz o estudo. Nesse grupo de produtos, aponta Cagnin, est\u00e3o os produtos eletr\u00f4nicos, m\u00e1quinas, materiais para constru\u00e7\u00e3o, qu\u00edmicos e produtos relacionados \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como resultado do esfor\u00e7o de exporta\u00e7\u00e3o, aponta o estudo, o embarque brasileiro de manufaturados cresceu 1,8% no bi\u00eanio 2015\/2016, enquanto as exporta\u00e7\u00f5es mundiais desses bens recuaram na mesma intensidade. O desempenho n\u00e3o tirou o Brasil de uma posi\u00e7\u00e3o marginal no ranking da exporta\u00e7\u00e3o de manufaturados, mas mesmo assim o pa\u00eds avan\u00e7ou do 31\u00ba lugar para o 30\u00ba, entre 2015 e 2016. A fatia das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras passou de 0,59% para 0,61% do com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>O estudo do Iedi tamb\u00e9m analisou as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e chinesas para os pa\u00edses dos blocos Mercosul, Aladi e Nafta, levando em considera\u00e7\u00e3o o \u00edndice de complexidade do produto.<\/p>\n<p>Os dados mostram que num contexto de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na Am\u00e9rica Latina, associada \u00e0 queda de pre\u00e7os das commodities e baixo dinamismo do com\u00e9rcio internacional, o Brasil procurou se adaptar ao avan\u00e7o da concorr\u00eancia chinesa. Isso se deu n\u00e3o somente com base no embarque de commodities, que s\u00e3o produtos de baixa complexidade, bem como de bens da ind\u00fastria de m\u00e1quinas, em especial do setor automotivo, com \u00edndices de complexidade mais elevados, aproveitando-se de acordos comerciais selados com alguns pa\u00edses dessas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Isso ajuda a entender, destaca Cagnin, por que de 2012 a 2015 h\u00e1 uma interrup\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia de aumento da especializa\u00e7\u00e3o dos embarques brasileiros em produtos pouco din\u00e2micos, o que se detecta entre 2008 e 2012. Al\u00e9m da recess\u00e3o dom\u00e9stica, que fez o setor produtivo voltar os olhos para fora, tamb\u00e9m contribu\u00edram para isso a aprecia\u00e7\u00e3o da moeda chinesa e a deprecia\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o Brasil tamb\u00e9m passou a apostar na exporta\u00e7\u00e3o de produtos mais complexos, por\u00e9m, a China destacou-se com produtos ainda mais sofisticados, sobretudo eletr\u00f4nicos, resultado que tamb\u00e9m pode ser associado \u00e0 assinatura de acordos comerciais de pa\u00edses latino-americanos com pa\u00edses externos \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados mostram que o Brasil avan\u00e7ou, mas frente \u00e0 concorr\u00eancia chinesa os avan\u00e7os permanecem limitados. &#8220;A estrat\u00e9gia para os pr\u00f3ximos anos \u00e9 aumentar as exporta\u00e7\u00f5es de manufaturados de maior complexidade.&#8221; Para Cagnin, \u00e9 preciso adotar uma pol\u00edtica industrial e tecnol\u00f3gica de est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o somente de produtos com \u00edndice elevado de complexidade, como pe\u00e7as e acess\u00f3rios para ve\u00edculos, dentre outros que puxaram o embarque brasileiro de manufaturados.<\/p>\n<p>&#8220;O melhor caminho \u00e9 tamb\u00e9m aproveitar as compet\u00eancias que j\u00e1 existem e caminhar para bens similares a esses j\u00e1 produzidos&#8221;, avalia o economista. \u00c9 tamb\u00e9m importante, aponta o estudo, participar de acordos comerciais que envolvam produtos de maior complexidade, principalmente naquelas regi\u00f5es em que o Brasil j\u00e1 tem la\u00e7os comerciais estreitos em manufaturados.<\/p>\n<p>Considerando a balan\u00e7a comercial em 2012 e 2016, aponta o estudo, o Brasil teve super\u00e1vit nos dois per\u00edodos -US$ 19,4 bilh\u00f5es em 2012 e US$ 47,7 bilh\u00f5es em 2016. Em 2016, o saldo positivo foi resultado de um recuo maior das importa\u00e7\u00f5es do que das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Olhando a composi\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, destaca o estudo, os produtos minerais, os alimentos e produtos vegetais representavam cerca de 50% da pauta de exporta\u00e7\u00e3o brasileira em 2012. Em 2016, esses tr\u00eas grupos mantiveram sua import\u00e2ncia, mas a participa\u00e7\u00e3o de produtos de transporte e de origem animal avan\u00e7ou, de 8,2% para 11% e de 6,3% para 7,6%, respectivamente.<\/p>\n<p>Na pauta de exporta\u00e7\u00e3o chinesa, nos dois per\u00edodos analisados, predominavam os produtos manufaturados e mais elaborados, com destaque para m\u00e1quinas, produtos da ind\u00fastria t\u00eaxtil e metais.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o de exporta\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras impulsionado pela crise econ\u00f4mica fez o Brasil melhorar sua posi\u00e7\u00e3o na classifica\u00e7\u00e3o da complexidade econ\u00f4mica das exporta\u00e7\u00f5es. 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