{"id":25744,"date":"2018-01-03T00:10:51","date_gmt":"2018-01-03T02:10:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=25744"},"modified":"2017-12-27T16:45:01","modified_gmt":"2017-12-27T18:45:01","slug":"pre-sal-responde-por-quase-metade-do-petroleo-produzido-no-pais-e-fatia-de-estrangeiras-chega-a-33","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pre-sal-responde-por-quase-metade-do-petroleo-produzido-no-pais-e-fatia-de-estrangeiras-chega-a-33\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-sal responde por quase metade do petr\u00f3leo produzido no pa\u00eds e fatia de estrangeiras chega a 33%"},"content":{"rendered":"<p>Passados 11 anos do an\u00fancio da sua descoberta, o pr\u00e9-sal j\u00e1 responde por praticamente metade do total de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural produzido no Brasil e tem impulsionado o avan\u00e7o da participa\u00e7\u00e3o das petroleiras estrangeiras no setor. A fatia das empresas privadas j\u00e1 representa 33% do total da produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal. Com a entrada em opera\u00e7\u00e3o do bloco de Libra e a retomada do calend\u00e1rio de leil\u00f5es, a tend\u00eancia \u00e9 que a participa\u00e7\u00e3o da Petrobras caia ainda mais nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Segundo dados da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), a participa\u00e7\u00e3o da Petrobras na produ\u00e7\u00e3o total no pa\u00eds caiu de um patamar acima de 90% at\u00e9 2013 para 77% em 2017. No pr\u00e9-sal, a fatia atual da estatal \u00e9 menor, de 67%.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal vem crescendo ano a ano e alcan\u00e7ou 1,677 milh\u00e3o de barris de \u00f3leo equivalente por dia (boe\/d) em setembro, o correspondente a 49,8% do total produzido no Brasil. Em outubro, houve uma queda de 2,9% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, e a participa\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal ficou em 48,6% do total. Na compara\u00e7\u00e3o anual, entretanto, o volume de \u00f3leo extra\u00eddo cresceu 14,3%.<\/p>\n<p>At\u00e9 2012, o pr\u00e9-sal ainda representava menos de 10% da produ\u00e7\u00e3o total nacional. No final de 2014, j\u00e1 correspondia a 25%. Em 2016, alcan\u00e7ou os 40% e desde ent\u00e3o vem batendo sucessivos recordes. Em junho de 2017, a produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal ultrapassou pela primeira vez a do p\u00f3s-sal. A expectativa agora \u00e9 superar tamb\u00e9m a soma da produ\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-sal e dos campos terrestres.<\/p>\n<p>&#8220;Os 50% j\u00e1 est\u00e3o dados. Se n\u00e3o for no pr\u00f3ximo m\u00eas, vai ser em breve. Praticamente tudo o que \u00e9 novo est\u00e1 no pr\u00e9-sal e a tend\u00eancia \u00e9 que com a entrada dos novos projetos essa participa\u00e7\u00e3o cres\u00e7a ainda mais r\u00e1pido&#8221;, afirma Walter de Vitto, economista da consultoria Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Segundo o analista, o avan\u00e7o das estrangeiras vem ocorrendo gradativamente \u00e0 medida em que muitos dos novos campos que tem entrado em opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o mais 100% da Petrobras. &#8220;No pr\u00e9-sal, a participa\u00e7\u00e3o dessas empresas cresce num ritmo mais r\u00e1pido. H\u00e1 campos em que a Petrobras tem 30%, 40% da produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 natural que ocorra uma dilui\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Atualmente, Shell (Reino Unido), Petrogal (Portugal) e Repsol Sinopec (Espanha) s\u00e3o as \u00fanicas estrangeiras com produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal, com participa\u00e7\u00e3o de 21%, 6% e 5% respectivamente no volume total extra\u00eddo. Outras estrangeiras, no entanto, come\u00e7am a entrar.<\/p>\n<p>O Instituto Brasileiro do Petr\u00f3leo (IBP), que representa as petroleiras no Brasil, estima que a fatia das empresas privadas na produ\u00e7\u00e3o total de petr\u00f3leo no pa\u00eds poder\u00e1 passar de 30% at\u00e9 2030. J\u00e1 no pr\u00e9-sal, as proje\u00e7\u00f5es do mercado apontam para a participa\u00e7\u00e3o ainda maior at\u00e9 o final da pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>&#8220;O pr\u00e9-sal tem apresentado uma produtividade maior do que se imaginava e o custo de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 mais baixo do que se previa, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).<\/p>\n<p>Segundo ele, o pr\u00e9-sal brasileiro e o Oriente M\u00e9dio s\u00e3o hoje as duas \u00e1reas do mundo mais interessantes para as petroleiras e com maior potencial para aumentar a produ\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero po\u00e7os em produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal subiu para 79 em outubro, ante 66 no mesmo m\u00eas do ano passado. &#8220;Apesar de serem muito profundos, a opera\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal requer furar poucos po\u00e7os, o que torna o custo muito mais atraente&#8221;, afirma Vitto.<\/p>\n<p>Atualmente, s\u00e3o 14 campos. Embora a Petrobras ainda seja a \u00fanica operadora no pr\u00e9-sal, em v\u00e1rios campos a estatal divide a produ\u00e7\u00e3o com parceiros. No campo de Lula, respons\u00e1vel por 60% de toda a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, a Shell tem participa\u00e7\u00e3o de 25% e a Petrogral, 10%. Em Sapinho\u00e1, o 2\u00ba maior campo, cons\u00f3rcio \u00e9 formado por Petrobras (45%), Shell (30%) e Repsol Sinopec (25%).<\/p>\n<p>No dia 30 de novembro, foi declarada a comercialidade no campo de Libra, o primeiro do pa\u00eds sob o regime de partilha, marcando o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o do cons\u00f3rcio formado por Petrobras (40%), Shell (20%), a francesa Total (20%), e as chinesas CNPC (10%) e CNOOC Limited (10%).<\/p>\n<p>No final de outubro, outras 6 \u00e1reas do pr\u00e9-sal foram arrematadas, e pela 1\u00aa vez sem a obrigatoriedade da Petrobras como operadora. Entre as empresas que tamb\u00e9m passar\u00e3o a explorar o pr\u00e9-sal est\u00e3o Statoil (Noruega), ExxonMobil, (EUA), BP Energy (Reino Unido) e QPI (Catar).<\/p>\n<p>&#8220;O ritmo de produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal s\u00f3 n\u00e3o vai aumentar mais porque ficamos 6 anos sem realizar nenhum leil\u00e3o&#8221;, afirma Pires, destacando que costuma levar de 7 a 10 anos entre o leil\u00e3o e o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Perspectivas para o pr\u00e9-sal<\/strong><\/p>\n<p>A Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), vinculada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), projeta que, considerando apenas a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no pa\u00eds, a participa\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal chegar\u00e1 a 58% em 2020, atingindo 74% at\u00e9 2026. Considerando o calend\u00e1rio de leil\u00f5es programados at\u00e9 2019, a EPE prev\u00ea que a produ\u00e7\u00e3o total no Brasil poder\u00e1 dobrar em 10 anos, chegando a 5,2 milh\u00f5es de bpd at\u00e9 2026.<\/p>\n<p>O crescimento da produ\u00e7\u00e3o das petroleiras, entretanto, tamb\u00e9m depende de vari\u00e1veis como evolu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o internacional do barril de petr\u00f3leo e disposi\u00e7\u00e3o de investimentos das empresas.<\/p>\n<p>Com a retomada de um calend\u00e1rio de rodadas de licita\u00e7\u00e3o e o fim da regra que obrigava a Petrobras a ser a operadora \u00fanica do pr\u00e9-sal, a expectativa \u00e9 de retomada gradual dos investimentos no setor e um ritmo de crescimento maior da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O governo melhorou o ambiente de neg\u00f3cios e os \u00faltimos leil\u00f5es mostraram o que esse sinal pode trazer de resultados&#8221;, afirma Antonio Guimar\u00e3es, secret\u00e1rio-executivo do IBP, citando as ofertas mais ousadas vistas nos leil\u00f5es de setembro e outubro.<\/p>\n<p>Ele destaca, entretanto, que as petroleiras contam tamb\u00e9m com uma maior flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras de conte\u00fado local e a conclus\u00e3o no Congresso Nacional da vota\u00e7\u00e3o da MP do Repetro, que prev\u00ea incentivos tribut\u00e1rios para a ind\u00fastria de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A Shell, a segunda maior produtora hoje no Brasil com participa\u00e7\u00e3o de 11,69%, disse ao G1 que as perspectivas para o Brasil s\u00e3o &#8220;bastante promissoras&#8221;, principalmente depois de ter arrematado 3 novas \u00e1reas do pr\u00e9-sal, sendo duas delas como operadora.<\/p>\n<p>&#8220;Somente em projetos j\u00e1 existentes no Brasil, a Shell est\u00e1 investindo um total de US$ 10 bilh\u00f5es por ano, entre 2016 e 2020. No entanto, com o resultado do \u00faltimo leil\u00e3o, estes investimentos tendem a crescer ainda mais&#8221; , disse Andr\u00e9 Ara\u00fajo, presidente da Shell no Brasil.<\/p>\n<p>Ele acrescentou ainda que a previsibilidade decorrente de uma agenda com novas rodadas de leil\u00e3o at\u00e9 2019 e regras mais claras aumenta a confian\u00e7a dos investidores.<\/p>\n<p>A Repsol Sinopec, que j\u00e1 possui participa\u00e7\u00e3o em 2 campos do pr\u00e9-sal e anunciou descobertas na Bacia de Santos, aposta no mercado de g\u00e1s natural. &#8220;Temos projetos importantes em nossa carteira, que s\u00e3o de amadurecimento de longo prazo e entrar\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o na pr\u00f3xima d\u00e9cada, com muitos anos pela frente&#8221;, destaca o presidente da companhia no Brasil, Leonardo Junqueira.<\/p>\n<p><strong>Queda dos investimentos da Petrobras<\/strong><\/p>\n<p>O avan\u00e7o das estrangeiras sobre o pr\u00e9-sal ocorre em um momento em que a Petrobras reduziu investimentos. A estatal, que investiu cerca de US$ 43,4 bilh\u00f5es em 2010, prev\u00ea investir US$ 16 bilh\u00f5es em 2017.<\/p>\n<p>&#8220;A Petrobras n\u00e3o tem hoje o ritmo que tinha. S\u00f3 de pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida, a Petrobras gastou no ano passado US$ 7,5 bilh\u00f5es. Com esse dinheiro, ela poderia aumentar a produ\u00e7\u00e3o por ano em 150 mil bpd&#8221;, estima Pires.<\/p>\n<p>Em 2016, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Petrobras cresceu apenas 0,75% ao passo que a produ\u00e7\u00e3o total no pa\u00eds cresceu 3,2%, segundo a ANP.<\/p>\n<p>De acordo com o Plano de Neg\u00f3cios e Gest\u00e3o da estatal, a meta de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil foi fixada em 2,77 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia (bpd) para 2021, ante os 2,13 milh\u00f5es registrados em novembro.<\/p>\n<p>Apesar das limita\u00e7\u00f5es de caixa, a Petrobras levou 3 das 6 \u00e1reas arrematadas no \u00faltimo leil\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o de 40% a 50% dos cons\u00f3rcios, e j\u00e1 anunciou que pretende exercer direito de prefer\u00eancia em 3 das 5 \u00e1reas da 4\u00aa rodada do pr\u00e9-sal, previsto para junho de 2018.<\/p>\n<p>Para os analistas, o maior protagonismo de petroleiras estrangeiras n\u00e3o significa, entretanto, um enfraquecimento da Petrobras, uma vez que a estatal continuar\u00e1 mantendo uma posi\u00e7\u00e3o dominante no mercado e atuando como a principal operadora do pr\u00e9-sal. &#8220;Ainda \u00e9 muito raro um campo operado por outra empresa e sem participa\u00e7\u00e3o da Petrobras&#8221;, destaca Vitto.<\/p>\n<p>Segundo Guimar\u00e3es, a maior participa\u00e7\u00e3o de estrangeiros garantir\u00e1 um maior crescimento da produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, maior arrecada\u00e7\u00e3o de royalties para os cofres p\u00fablicos. E no caso da explora\u00e7\u00e3o sob regime de partilha, mais repasse de \u00f3leo excedente para a Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Boa parte do que foi vendido agora nos leil\u00f5es s\u00f3 ir\u00e1 come\u00e7ar a produzir na pr\u00f3xima d\u00e9cada, entre 2024 e 2027, isso se descobrirem petr\u00f3leo nessas \u00e1reas. Os tempos da ind\u00fastria do petr\u00f3leo s\u00e3o longos, \u00e9 por isso que \u00e9 preciso fazer leil\u00f5es todo ano porque o resultado s\u00f3 come\u00e7a a ser visto muito tempo depois&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 11 anos do an\u00fancio da sua descoberta, o pr\u00e9-sal j\u00e1 responde por praticamente metade do total de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural produzido no Brasil&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":6839,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25744","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25744"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25744\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25745,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25744\/revisions\/25745"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}