{"id":25370,"date":"2017-11-23T00:39:33","date_gmt":"2017-11-23T02:39:33","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=25370"},"modified":"2017-11-20T15:40:35","modified_gmt":"2017-11-20T17:40:35","slug":"sem-acordos-internacionais-brasil-perde-espaco-no-comercio-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/sem-acordos-internacionais-brasil-perde-espaco-no-comercio-global\/","title":{"rendered":"Sem acordos internacionais, Brasil perde espa\u00e7o no com\u00e9rcio global"},"content":{"rendered":"<p>Sem acordos internacionais de peso e sendo considerado um dos pa\u00edses mais fechados do mundo, o Brasil vem perdendo ano a ano espa\u00e7o no com\u00e9rcio internacional. O Pa\u00eds, que em 2011 chegou a ter uma participa\u00e7\u00e3o de 1,4% nas exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es globais, viu essa fatia cair para 1,1% no ano passado. Entre os maiores exportadores, chegou a ocupar a 22.\u00aa posi\u00e7\u00e3o em 2013, mas caiu para o 26.\u00ba posto no ano passado, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>Embora esteja encolhendo l\u00e1 fora, o Brasil vive um momento em que exporta bem mais do que compra do exterior. De janeiro a outubro, o saldo foi positivo em US$ 58,5 bilh\u00f5es \u2013 o maior super\u00e1vit da s\u00e9rie hist\u00f3rica. S\u00f3 que o desempenho se deve, sobretudo, ao crescimento dos pre\u00e7os das commodities. Nos produtos de maior valor agregado, o Pa\u00eds ainda sofre com a falta de competitividade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cComemorar a alta nas exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 correto, mas o fato de o Brasil ser fechado cobra um pre\u00e7o caro na qualidade das nossas exporta\u00e7\u00f5es. S\u00f3 exporta bem quem consegue importar sem tantas barreiras\u201d, diz a professora da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Lia Valls.<\/p>\n<p>Especialistas consultados pelo Estado lembram que o Brasil \u00e9 corretamente retratado pela OMC como uma economia amplamente movida pelo mercado interno. \u201cTemos um mercado consumidor grande e \u00e9 at\u00e9 natural que as empresas nacionais se voltem para ele\u201d, diz Lia.<\/p>\n<p>Ao se considerar a participa\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es no PIB (indicador constru\u00eddo pelo Banco Mundial), de 12,1% no ano passado, o Brasil acaba figurando na lista dos pa\u00edses mais fechados do mundo. O porcentual \u00e9 menos de um ter\u00e7o que o do M\u00e9xico, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cO baixo grau de integra\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio mundial desestimula tanto a inova\u00e7\u00e3o quanto a competitividade internacional das empresas\u201d, afirma Sandra Rios, do Centro de Estudos de Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (Cindes). \u201cIsso reflete a pol\u00edtica comercial brasileira, que privilegia o desenvolvimento de uma ind\u00fastria integrada verticalmente e voltada para o mercado interno.\u201d<\/p>\n<p>O resultado desse cen\u00e1rio \u00e9 a m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o dos recursos produtivos, a baixa incorpora\u00e7\u00e3o de avan\u00e7os t\u00e9cnicos e a reduzida inser\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional de manufaturados. \u201cNa sa\u00edda da recess\u00e3o econ\u00f4mica, o Pa\u00eds continua dependente do mercado dom\u00e9stico para a retomada do n\u00edvel de atividade da ind\u00fastria\u201d, diz Rios.<\/p>\n<p>Plano B. Com o mercado interno em baixa nos \u00faltimos anos, o que os analistas esperavam era que houvesse uma explos\u00e3o no n\u00famero de empresas brasileiras exportadoras em todos os n\u00edveis, mas isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Mais de 300 empresas deixaram de exportar nas maiores faixas de valor, acima de US$ 5 milh\u00f5es, entre 2013 \u2013 quando a recess\u00e3o ainda n\u00e3o tinha come\u00e7ado \u2013 e outubro deste ano. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os (Mdic).<\/p>\n<p>A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, e uma das principais exportadoras de manufaturados do Pa\u00eds, viu suas vendas externas de compressores para refrigera\u00e7\u00e3o ca\u00edrem 40% nos \u00faltimos cinco anos (leia mais na B3).<\/p>\n<p>O crescimento no n\u00famero de exportadores ocorreu apenas na base, entre os que comercializaram at\u00e9 US$ 5 milh\u00f5es no ano. Essas empresas de menor porte foram as que ajudaram a puxar o total de exportadores. Em 2013, 21,8 mil companhias venderam ao exterior, considerando todas as faixas. Neste ano, at\u00e9 outubro, o total chegou a 24,3 mil.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), publicada em 2016, ajuda a entender alguns dos problemas do exportador brasileiro para se manter no mercado internacional: custo de transporte e tarifas de portos e aeroportos.<\/p>\n<p>\u201cNo passado, a gente reclamava dos pa\u00edses que colocavam barreiras, hoje os maiores entraves s\u00e3o internos\u201d, diz o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro. Ele lembra que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras tamb\u00e9m s\u00e3o muito concentradas nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. \u201cO Brasil acaba dependendo em dobro das commodities, tanto para melhorar o saldo do Pa\u00eds quanto para que seus vizinhos consigam comprar mais produtos brasileiros.\u201d<\/p>\n<p><strong>Governo admite que abertura est\u00e1 atrasada<\/strong><\/p>\n<p>Integrantes do governo brasileiro reconhecem que o Pa\u00eds est\u00e1 atrasado em abrir o seu mercado e, com isso, desperdi\u00e7a oportunidades de crescimento econ\u00f4mico. \u201cDepois da abertura do mercado nos anos 1990, as tarifas de importa\u00e7\u00e3o ca\u00edram muito pouco\u201d, observou o secret\u00e1rio de Acompanhamento Econ\u00f4mico, Mansueto Almeida.\u00a0<\/p>\n<p>Ele considera que a maior integra\u00e7\u00e3o comercial \u00e9 essencial para impulsionar o crescimento. Citou como exemplo a Embraer, que compete no mercado mundial porque importa o que h\u00e1 de melhor para seus avi\u00f5es (leia mais abaixo). Uma economia forte, disse, exporta muito, mas tamb\u00e9m importa muito.\u00a0<\/p>\n<p>Essa, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 a realidade de toda a ind\u00fastria. Setores mais afetados pela competi\u00e7\u00e3o de importados apontam a elevada carga tribut\u00e1ria, a infraestrutura ruim e a falta de cr\u00e9dito para justificar sua fragilidade.<\/p>\n<p>Embora tenha ca\u00eddo duas posi\u00e7\u00f5es no ranking global do relat\u00f3rio Doing Business, do Banco Mundial, o Brasil avan\u00e7ou dez posi\u00e7\u00f5es em facilidade de com\u00e9rcio. Isso \u00e9 resultado dos poucos avan\u00e7os na implementa\u00e7\u00e3o do Portal \u00danico na \u00e9poca em que o relat\u00f3rio foi feito, segundo o secret\u00e1rio de Com\u00e9rcio Exterior, Abr\u00e3o \u00c1rabe Neto. O Portal re\u00fane as duas dezenas de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que atuam no com\u00e9rcio exterior.\u00a0<\/p>\n<p>O atual governo tamb\u00e9m busca ampliar os acordos comerciais do Brasil. O maior deles \u00e9 o do Mercosul com a Uni\u00e3o Europeia. Est\u00e3o na mira o Canad\u00e1, o Efta (Su\u00ed\u00e7a, Noruega, Isl\u00e2ndia e Liechtenstein), a Coreia do Sul e os pa\u00edses da Asean (Tail\u00e2ndia, Filipinas, Mal\u00e1sia, Cingapura, Indon\u00e9sia, Brunei, Vietn\u00e3, Mianmar e Laos).\u00a0<\/p>\n<p>Fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem acordos internacionais de peso e sendo considerado um dos pa\u00edses mais fechados do mundo, o Brasil vem perdendo ano a ano espa\u00e7o no com\u00e9rcio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":22095,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25370"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25370\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25371,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25370\/revisions\/25371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}