{"id":25296,"date":"2017-11-10T00:34:31","date_gmt":"2017-11-10T02:34:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=25296"},"modified":"2017-11-06T00:36:13","modified_gmt":"2017-11-06T02:36:13","slug":"bndes-preve-queda-dos-investimentos-em-infraestrutura-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/bndes-preve-queda-dos-investimentos-em-infraestrutura-2\/","title":{"rendered":"BNDES prev\u00ea queda dos investimentos em infraestrutura"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo com o plano de privatiza\u00e7\u00f5es do governo e o fim da recess\u00e3o, os investimentos seguem em tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos, segundo levantamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). O mapeamento mostra que os setores de infraestrutura e ind\u00fastria preveem investimentos m\u00e9dios anuais de R$ 225,3 bilh\u00f5es para o per\u00edodo de 2017 a 2020, valor 7% inferior ao realizado em 2016 (R$ 243,3 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Isoladamente, a infraestrutura deve atrair R$ 104,6 bilh\u00f5es por ano, na m\u00e9dia do per\u00edodo. Em 2017, ser\u00e3o R$ 114,9 bilh\u00f5es, 8% a menos do que em 2016 (R$ 124,8 bilh\u00f5es), em termos reais. O valor seguir\u00e1 em decl\u00ednio nos anos seguintes. Em 2019, recuar\u00e1 para R$ 97 bilh\u00f5es. Em 2020, deve girar em torno de R$ 100 bilh\u00f5es. Em todos os anos, deve ficar abaixo do pico hist\u00f3rico registrado em 2012 (R$ 162 bilh\u00f5es). O banco lembra que os projetos podem ou n\u00e3o ser futuramente apoiados financeiramente pelo banco.<\/p>\n<p>Recentemente conclu\u00eddo pelo Comit\u00ea de An\u00e1lise Setorial (CAS) do BNDES, o levantamento considera investimentos dos setores p\u00fablico e privado. S\u00e3o computados projetos iniciados ou planejados, identificados em contatos com empresas e associa\u00e7\u00f5es dos respectivos setores. O mapeamento abrange 100% do setor de infraestrutura e 80% dos setores da ind\u00fastria brasileira. Na m\u00e9dia dos \u00faltimos ano, a proje\u00e7\u00e3o apresentada pelo banco tem uma ader\u00eancia de 95% em rela\u00e7\u00e3o ao realizado.<\/p>\n<p>&#8220;Como o banco tem contato com cada um dos setores e das empresas, a gente tem ideia bem pr\u00f3xima do que eles pretendem fazer nos pr\u00f3ximos anos. Parte desses projetos j\u00e1 foram iniciados, parte ainda vai come\u00e7ar. Mas a tend\u00eancia da infraestrutura, infelizmente, \u00e9 continuar em queda&#8221;, disse o economista Carlos da Costa, que assumiu em agosto deste ano a diretoria das \u00e1reas de Cr\u00e9dito, Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Planejamento e Pesquisa do BNDES.<\/p>\n<p>Dos nove ramos da infraestrutura acompanhados, cinco preveem menos investimentos nos pr\u00f3ximos anos: energia el\u00e9trica, telecomunica\u00e7\u00f5es, aeroportos, saneamento e mobilidade urbana. Energia el\u00e9trica \u00e9 o que mais deve investir ao longo do per\u00edodo, numa m\u00e9dia de R$ 39,5 bilh\u00f5es ao ano at\u00e9 2020. Esse montante previsto, por\u00e9m, \u00e9 31% menor que aplicado em 2016 (R$ 56,9 bilh\u00f5es). &#8220;Em energia el\u00e9trica, o ciclo que tivemos est\u00e1 arrefecendo&#8221;, disse Costa.<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria, por sua vez, os investimentos dever\u00e3o somar R$ 120,6 bilh\u00f5es na m\u00e9dia anual at\u00e9 2020, praticamente est\u00e1vel na compara\u00e7\u00e3o com 2016 (R$ 118,8 bilh\u00f5es). Especificamente em 2020, a proje\u00e7\u00e3o do BNDES aponta para R$ 126 bilh\u00f5es no setor. Embora acima do patamar atual, essa evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 concentrada em poucos ramos industriais e representa apenas a metade do realizado no pico hist\u00f3rico de 2013 (R$ 240,8 bilh\u00f5es), mostra o mapeamento.<\/p>\n<p>Dos 12 ramos da ind\u00fastria acompanhados pelo BNDES, a atividade de petr\u00f3leo e g\u00e1s ser\u00e1 a \u00fanica com crescimento relevante dos investimentos nos pr\u00f3ximos anos. Ser\u00e3o R$ 71,3 bilh\u00f5es ao ano at\u00e9 2020, 15% acima dos n\u00edveis verificados no ano passado (R$ 61,8 bilh\u00f5es). Mesmo assim, o montante n\u00e3o supera a m\u00e9dia verificada no quadri\u00eanio anterior (R$ 89,45 bilh\u00f5es), que foi marcado pelo desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o em campos do pr\u00e9-sal e a constru\u00e7\u00e3o de grandes refinarias pela Petrobras.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o na pesquisa o aumento dos investimentos m\u00e9dios nos pr\u00f3ximos quatro anos, em rela\u00e7\u00e3o a 2016, nos setores de qu\u00edmica (23%) e eletroeletr\u00f4nicos (24%). Por outro lado, tendem a ser substancialmente menores na ind\u00fastria automotiva (-51%) e de papel e celulose (-43%), por exemplo. Em termos absolutos, o ramo de alimentos \u00e9 o segundo que mais vai investir por ano at\u00e9 2020 (R$ 9,4 bilh\u00f5es) atr\u00e1s da atividade petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>Segundo economistas, o baixo n\u00edvel de investimento no pa\u00eds est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 falta de confian\u00e7a de parte do empresariado com o futuro da economia e tamb\u00e9m aos problemas fiscais dos governos. Apesar da melhora recente da produ\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria tamb\u00e9m segue ociosa, o que adia a necessidade de investimentos. O n\u00edvel de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada na ind\u00fastria brasileira segue baixa, em 77,8% em agosto, conforme indicador divulgado recentemente pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI).<\/p>\n<p>&#8220;O consumidor est\u00e1 se animando, mas isso n\u00e3o vai ser suficiente para acabar com a capacidade ociosa da ind\u00fastria no ano que vem. A ind\u00fastria de porte m\u00e9dio come\u00e7ou a se desalavancar recentemente, continua com medo do futuro&#8221; avalia Cl\u00e1udio Frischtak, s\u00f3cio da Inter.B Consultoria.<\/p>\n<p>Para o diretor do BNDES, o quadro geral dos investimentos revela que, apesar da recupera\u00e7\u00e3o da economia, o setor empresarial est\u00e1 reticente com o futuro do pa\u00eds. Ele atribui isso a frustra\u00e7\u00e3o com o desempenho da economia nos \u00faltimos anos. &#8220;Os empres\u00e1rios se endividaram h\u00e1 quatro anos porque acreditavam no pa\u00eds. Eles perderam dinheiro e agora est\u00e3o parecendo cachorro mordido por cobra, que tem medo de lingui\u00e7a&#8221;, diz Costa.<\/p>\n<p>Para o diretor do BNDES, o quadro ainda pode mudar, desde que haja um planejamento estrat\u00e9gico amplo capaz de retomar a confian\u00e7a dos empres\u00e1rios nos rumos do pa\u00eds. O diretor prop\u00f5e que o banco seja &#8220;orquestrador&#8221; desse planejamento, oferecendo estudos, f\u00f3rum de discuss\u00e3o e ambiente de articula\u00e7\u00e3o para que emerja essa nova vis\u00e3o sobre o futuro do pa\u00eds. &#8220;O BNDES precisa ter papel de protagonismo na articula\u00e7\u00e3o empresarial p\u00fablica sobre que tipo de pa\u00eds queremos construir para o futuro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que o banco tem cr\u00e9dito dispon\u00edvel para atender \u00e0 demanda das empresas nos pr\u00f3ximos anos. Ressalta, contudo, a import\u00e2ncia da negocia\u00e7\u00e3o para devolu\u00e7\u00e3o de recursos ao Tesouro, o que pode influenciar a disponibilidade futura de recursos. O Tesouro pede a devolu\u00e7\u00e3o de R$ 130 bilh\u00f5es emprestados ao banco nos \u00faltimos anos. O diretor diz que o BNDES segue em conversas com o governo sobre o tema, sem defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com o plano de privatiza\u00e7\u00f5es do governo e o fim da recess\u00e3o, os investimentos seguem em tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17897,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25296"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25297,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25296\/revisions\/25297"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}