{"id":25250,"date":"2017-11-08T00:00:16","date_gmt":"2017-11-08T02:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=25250"},"modified":"2017-11-06T00:01:42","modified_gmt":"2017-11-06T02:01:42","slug":"mitos-cercam-aumento-da-produtividade-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/mitos-cercam-aumento-da-produtividade-no-pais\/","title":{"rendered":"Mitos cercam aumento da produtividade no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>O aumento no n\u00famero de anos de estudos n\u00e3o tem sido suficiente para incrementar a produtividade\u00a0do pa\u00eds. A rela\u00e7\u00e3o direta entre ensino e ganho produtivo \u00e9 um dos mitos para explicar a estagna\u00e7\u00e3o do Brasil no ranking da produtividade, segundo an\u00e1lise feita por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Outras mistifica\u00e7\u00f5es questionadas pelos economistas s\u00e3o de que s\u00f3 o aumento da formalidade basta para melhorar a efici\u00eancia e que o pa\u00eds j\u00e1 resolveu seus problemas de improdutividade em alguns setores.<\/p>\n<p>No livro Anatomia da Produtividade no Brasil, os economistas reconhecem que os investimentos p\u00fablicos em educa\u00e7\u00e3o\u00a0cresceram sucessivamente nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), os gastos passaram de 3,8%, em 1994, para 6,0%, em 2014. Consequentemente, houve um grande aumento da escolaridade no per\u00edodo, por exemplo, com um maior n\u00famero de pessoas ingressando no ensino superior.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a capixaba Monique Morozin, de 23 anos. Ela se formou em engenharia de Petr\u00f3leo e G\u00e1s no meio da crise que p\u00f4s a Petrobras no centro dos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e atingiu em cheio o setor de petr\u00f3leo. Sem emprego na \u00e1rea, ela voltou a ajudar os pais, que vendem farinha de mandioca em uma feira de produtores locais em Guarapari (ES).<\/p>\n<p>\u201cQuando comecei o curso, a gente imaginava que era uma chance de mudar a realidade da fam\u00edlia. Sempre ajudei os meus pais na produ\u00e7\u00e3o e na venda dos produtos na feira, mas quando ganhei a bolsa integral para estudar engenharia, achava que isso mudaria nosso padr\u00e3o de vida\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de reduzir o valor do investimento em ensino, mas o que o Brasil fez em termos de educa\u00e7\u00e3o s\u00f3 atacou parte do problema, a gente tem a quest\u00e3o da baixa qualidade e o elevado abandono do ensino m\u00e9dio. Ao contr\u00e1rio do que se imaginava, o aumento do n\u00edvel educacional praticamente n\u00e3o se reverteu em ganhos de produtividade\u201d, diz Bruno Ottoni, um dos coautores do estudo.<\/p>\n<p>Para o economista, mesmo que o brasileiro passe mais tempo em sala de aula, isso n\u00e3o ser\u00e1 aproveitado se o pa\u00eds n\u00e3o tiver um ambiente de neg\u00f3cios que gere empregos de qualidade.<\/p>\n<p>No caso da arquiteta Isabel do Carmo, de 28 anos, a queda no n\u00famero de projetos durante os anos de crise deu um empurr\u00e3o para que ela montasse a Flor da Cidade, uma microempresa de arranjos que oferece pacotes de assinatura. \u201cCom o mercado em baixa, acabei descobrindo uma nova voca\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ottoni lembra que o per\u00edodo de crise ajudou a diminuir os ganhos no padr\u00e3o de vida: a alta m\u00e9dia anual de 0,2% da produtividade do trabalho de 1980 a 2017 se refletiu em aumento de 0,7% ao ano da renda per capita.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o quero ser grande<\/strong><\/p>\n<p>O estudo do Ibre aponta, ainda, que uma das causas para o Brasil amargar baixa produtividade \u00e9 o grande n\u00famero de pequenas empresas e de empreendedores informais. Os dados mais recentes do mercado de trabalho apontam que a volta do emprego \u00e9 impulsionada pelas micro e pequenas empresas.<\/p>\n<p>\u201cA empresa existe desde 1971. Se o ambiente de neg\u00f3cios fosse menos dif\u00edcil, a gente poderia investir mais e diversificar o neg\u00f3cio. Mas a gente n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o, no atual cen\u00e1rio econ\u00f4mico, de planejar estrat\u00e9gias mais longas\u201d, conta S\u00e9rgio Kyrillos, s\u00f3cio da f\u00e1brica de tesouras e grampos de cabelo La Lupe.<\/p>\n<p>Sem condi\u00e7\u00f5es de competir, fazer grandes aportes de capital e produzir em maior escala, o pequeno empres\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 incentivado a n\u00e3o crescer para n\u00e3o deixar de ser enquadrado em regimes diferenciados de tributa\u00e7\u00e3o, como o Simples.<\/p>\n<p>No caso da informalidade, a produtividade agregada do setor formal \u00e9 cerca de 3,4 vezes superior ao do informal, segundo dados de 2009. A realoca\u00e7\u00e3o significativa do emprego do setor informal para o formal explica 87% do ganho de produtividade agregada entre 2003 e 2009.<\/p>\n<p><strong>Ilhas produtivas<\/strong><\/p>\n<p>Um outro mito quando se discute a produtividade, explica Armando Castelar, tamb\u00e9m do Ibre\/FGV, \u00e9 o de que o pa\u00eds tem setores produtivos. Segundo o economista, o Brasil tem ilhas de produtividade em diferentes setores, com exemplos de empresas e produtores agropecu\u00e1rios que se destacam.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil deu um exemplo mundial ao deixar de ser um pa\u00eds de inseguran\u00e7a alimentar para se transformar em um dos maiores\u00a0<em>players<\/em>. Isso foi conquistado com tecnologia, com aumento produtivo\u201d, diz Celso Moretti, diretor da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p>\u201cComo a maioria das propriedades \u00e9 familiar, ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o para aumentar a produtividade. O Matopiba (regi\u00e3o entre Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia) tem \u00e1reas de pastagens degradadas que podemos recuperar.\u201d <\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento no n\u00famero de anos de estudos n\u00e3o tem sido suficiente para incrementar a produtividade\u00a0do pa\u00eds. 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