{"id":25114,"date":"2017-10-24T01:00:15","date_gmt":"2017-10-24T03:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=25114"},"modified":"2017-10-24T17:04:24","modified_gmt":"2017-10-24T19:04:24","slug":"pre-sal-sustenta-sozinho-alta-da-producao-nacional-de-oleo-e-gas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pre-sal-sustenta-sozinho-alta-da-producao-nacional-de-oleo-e-gas\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9-sal sustenta sozinho alta da produ\u00e7\u00e3o nacional de \u00f3leo e g\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto o pr\u00e9-sal desperta a cobi\u00e7a das maiores petroleiras do mundo e se consolida como a principal fronteira explorat\u00f3ria do Brasil, os demais polos de produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds convivem de um modo geral com o decl\u00ednio de suas atividades e baixa atratividade de investimentos. Dados da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP) mostram que, se n\u00e3o fosse a Bacia de Santos, onde est\u00e3o situadas as maiores descobertas do pr\u00e9-sal, a produ\u00e7\u00e3o nacional caminharia em 2017 para o seu terceiro ano seguido de queda.<\/p>\n<p>A 14\u00aa Rodada de blocos explorat\u00f3rios, em setembro, refor\u00e7ou o quanto as grandes multinacionais est\u00e3o focadas no pr\u00e9-sal: os oito blocos arrematados em \u00e1guas ultraprofundas da Bacia Campos, que margeiam o pol\u00edgono do pr\u00e9-sal e t\u00eam potencial para descobertas desse tipo, responderam por 75% dos compromissos de investimentos assumidos pelas petroleiras na licita\u00e7\u00e3o e por 95% dos b\u00f4nus de assinatura do leil\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram essas \u00e1reas que garantiram o sucesso arrecadat\u00f3rio da rodada, de R$ 3,8 bilh\u00f5es, e onde se deram os lances mais disputados do leil\u00e3o, com participa\u00e7\u00f5es de empresas como Petrobras e Exxon Mobil, Shell, BP, Total, Repsol e a CNOOC.<\/p>\n<p>Fora de Campos, no entanto, as grandes multinacionais mostraram interesse por poucos ativos na Bacia do Esp\u00edrito Santo (CNOOC e Repsol) e em Sergipe-Alagoas (Exxon) &#8211; uma das principais apostas em \u00e1guas profundas fora do eixo tradicional de Campos e Santos. O n\u00famero de blocos negociados na 14\u00aa Rodada (35), inclusive, foi o mais baixo desde 4\u00aa Rodada da ANP, em 2002, quando foram arrematadas 21 \u00e1reas.<\/p>\n<p>O professor do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEE\/UFRJ), Edmar Almeida, destaca que a atratividade da 14\u00aa Rodada est\u00e1 ligada a uma situa\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica espec\u00edfica, o pr\u00e9-sal, e que o baixo interesse pelas demais bacias \u00e9 um sinal amarelo importante para a ind\u00fastria petrol\u00edfera.<\/p>\n<p>Segundo os dados da ANP, a produ\u00e7\u00e3o nacional de \u00f3leo e g\u00e1s acumula, no ano, uma m\u00e9dia de 3,3 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo equivalente (BOE\/dia), o que representa uma alta de 17% (ou de 498 mil BOE\/dia) em rela\u00e7\u00e3o a 2014. Esse crescimento, no entanto, tem sido sustentado basicamente pela Bacia de Santos, que cresceu 190% (917 mil BOE\/dia), enquanto bacias tradicionais, como Campos, Sergipe-Alagoas, Potiguar e Rec\u00f4ncavo caem ano ap\u00f3s ano e j\u00e1 acumulam uma redu\u00e7\u00e3o de 370 mil BOE\/dia no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Algumas das bacias brasileiras t\u00eam sido afetadas, em particular, por efeitos de demanda. Este \u00e9 o caso, por exemplo, de Camamu e Parna\u00edba, que produzem essencialmente g\u00e1s natural e cujas produ\u00e7\u00f5es dependem do comportamento do mercado de consumo &#8211; no caso de Parna\u00edba, do despacho das termel\u00e9tricas da Eneva, no Maranh\u00e3o. De maneira geral, contudo, a redu\u00e7\u00e3o verificada nas demais bacias, fora do pr\u00e9-sal, reflete o decl\u00ednio natural dos campos &#8212; que se acentua quando n\u00e3o h\u00e1 investimentos em projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mercado deposita as esperan\u00e7as sobre a recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos das \u00e1reas maduras no programa de venda de ativos da Petrobras. A expectativa \u00e9 que a estatal, que concentrou seus investimentos basicamente no pr\u00e9-sal, no passado recente, abra espa\u00e7o para que outras empresas, algumas de menor porte e especializadas em campos maduros, invistam na recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o desses ativos.<\/p>\n<p>Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, a expectativa \u00e9 que, a medida que novas petroleiras assumam a opera\u00e7\u00e3o desses campos maduros, o aumento dos investimentos se d\u00ea rapidamente.<\/p>\n<p>&#8220;Investimentos em campos maduros t\u00eam impactos mais r\u00e1pidos para a retomada dos investimentos do que os leil\u00f5es de blocos explorat\u00f3rios. Como a Petrobras praticamente abandonou os campos maduros, acredito que a recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas se dar\u00e1 de forma r\u00e1pida&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Sa\u00edda da Petrobras das \u00e1reas maduras deve possibilitar a retomada dos investimentos pelos agentes privados<\/p>\n<p>A Petrobras possui, hoje, 100 concess\u00f5es, mar\u00edtimas e terrestres, em fase de desinvestimentos. Esses ativos, situados em \u00e1reas maduras, correspondem a uma produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s de 111 mil BOE\/dia, ou 4,2% do volume total produzido pela petroleira brasileira. A companhia tamb\u00e9m assinou, no fim do m\u00eas passado, um acordo com a norueguesa Statoil para estudos de parcerias conjuntas na recupera\u00e7\u00e3o de campos maduros no p\u00f3s-sal da Bacia de Campos.<\/p>\n<p>Um estudo desenvolvido pelo GEE\/UFRJ, em parceria com o Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo (IBP), mostra, contudo, que os projetos fora da \u00e1rea do pr\u00e9-sal apresentam uma economicidade desafiadora e que, portanto, \u00e9 fundamental que o governo enfrente as barreiras que possam travar investimentos nas bacias mais maduras.<\/p>\n<p>Este ano, por exemplo, a ANP aprovou a redu\u00e7\u00e3o, de 10% para 5%, das al\u00edquotas de royalties sobre a produ\u00e7\u00e3o incremental proporcionada pela revitaliza\u00e7\u00e3o de campos maduros. Com incentivos aos investimentos, a ag\u00eancia v\u00ea potencial para que o fator de recupera\u00e7\u00e3o (quantidade de \u00f3leo recuper\u00e1vel dentro de uma reserva) das \u00e1reas maduras da Bacia de Campos seja ampliado de 24% para 30%. A ANP estima que, para cada ponto percentual a mais de aumento no fator, s\u00e3o gerados US$ 18 bilh\u00f5es em investimentos e 2,2 bilh\u00f5es de barris de reservas.<\/p>\n<p>O estudo da UFRJ sugere tamb\u00e9m, entre outras medidas, a redu\u00e7\u00e3o dos riscos no licenciamento ambiental; e o compartilhamento de infraestrutura de transporte e estocagem e uma pol\u00edtica de compras do petr\u00f3leo por refinarias nacionais.<\/p>\n<p>Almeida destaca a import\u00e2ncia da desconcentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do pr\u00e9-sal. Segundo ele, a decad\u00eancia das bacias mais maduras pode at\u00e9 n\u00e3o comprometer a autossufici\u00eancia brasileira na oferta de \u00f3leo e g\u00e1s no curto e m\u00e9dio prazos, mas impede a maximiza\u00e7\u00e3o dos impactos econ\u00f4micos dos investimentos do setor em todo o territ\u00f3rio nacional; e a seguran\u00e7a no abastecimento, garantida pela diversifica\u00e7\u00e3o de fontes.<\/p>\n<p>O professor destaca, ainda, a import\u00e2ncia de se incentivar a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s em \u00e1guas rasas e em terra, para garantir um suprimento competitivo ao mercado.<\/p>\n<p>&#8220;Vale ressaltar que a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural em \u00e1guas profundas apresenta grandes desafios por seus custos de escoamento e, particularmente no pr\u00e9-sal, custos relevantes de produ\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da profundidade dos reservat\u00f3rios e n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o, afetando assim sua comercialidade&#8221;, comenta o professor, em artigo publicado no blog &#8220;Infopetro&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n<div class=\"jwDisqusForm\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o pr\u00e9-sal desperta a cobi\u00e7a das maiores petroleiras do mundo e se consolida como a principal fronteira explorat\u00f3ria do Brasil, os demais polos de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17857,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25114","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25114"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25115,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25114\/revisions\/25115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}