{"id":25043,"date":"2017-10-16T00:40:13","date_gmt":"2017-10-16T02:40:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=25043"},"modified":"2017-10-15T15:41:57","modified_gmt":"2017-10-15T17:41:57","slug":"inflacao-surpreendente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/inflacao-surpreendente\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o surpreendente"},"content":{"rendered":"<p>Se colocarem, na sua frente, um copo com \u00e1gua at\u00e9 a metade, voc\u00ea dir\u00e1 que ele est\u00e1 meio cheio ou meio vazio? Esse dilema \u00e9 recorrente em debates econ\u00f4micos, quando o indicador analisado apresenta aspectos negativos e positivos. Quais devem ser enfatizados? Um \u00f3timo exemplo \u00e9 o atual n\u00edvel de infla\u00e7\u00e3o no Brasil, em torno de 2,5% ao ano, num patamar surpreendente e inferior ao piso da meta, de 3% (o centro da meta \u00e9 de 4,5%). Devemos celebrar os pre\u00e7os bem comportados ou lamentar a anemia do Produto Interno Bruto (PIB)? O correto \u00e9 aplaudir o trabalho do Banco Central (BC) ou reclamar do seu conservadorismo nos cortes de juros? Pode parecer estranho, mas todas as alternativas acima est\u00e3o corretas. Elas, na verdade, n\u00e3o s\u00e3o excludentes e h\u00e1 bons argumentos para defend\u00ea-las.<\/p>\n<p>O mais importante, neste momento em que o Pa\u00eds come\u00e7a a sair lentamente da sua maior recess\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 que o BC n\u00e3o pode titubear. H\u00e1 espa\u00e7o para continuar cortando os juros b\u00e1sicos (a Selic est\u00e1 em 8,25% ao ano) em ritmo acelerado, quebrar o recorde hist\u00f3rico da Selic (7,25% ao ano, em 2013) e impulsionar a atividade produtiva. \u00c9 praticamente consenso entre os analistas que a atual gest\u00e3o do BC, sob o comando do economista Ilan Goldfajn, tem mais acertos do que erros. Uma vit\u00f3ria importante, por exemplo, ocorreu no ano passado.<\/p>\n<p>Quando tomou posse, em junho, Ilan, como \u00e9 conhecido no mercado, tinha apenas seis meses para impedir que a infla\u00e7\u00e3o oficial (IPCA), que estava em 8,8% no acumulado em 12 meses, estourasse o teto da meta. A regra previa um alvo de 4,5%, com margem de toler\u00e2ncia de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Poucos analistas acreditavam nesse \u201cmilagre\u201d e alguns at\u00e9 sugeriram que a meta fosse \u201cajustada\u201d. Ilan n\u00e3o aceitou mexer na regra do jogo e cumpriu sua miss\u00e3o. O IPCA encerrou o ano em 6,3%, ap\u00f3s pouco mais de 10% em 2015. O feito, no entanto, n\u00e3o encobre alguns erros e apont\u00e1-los pode contribuir com as pr\u00f3ximas decis\u00f5es da autoridade monet\u00e1ria. \u201cAs cr\u00edticas sempre t\u00eam de ser feitas para que se aprenda com os erros\u201d, diz Gustavo Loyola, que presidiu o BC duas vezes na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel por definir a taxa b\u00e1sica de juros, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que re\u00fane oito diretores e o presidente do BC, demorou a iniciar o ciclo de afrouxamento dos juros diante de um quadro de r\u00e1pida eleva\u00e7\u00e3o do desemprego, que atingiu 14 milh\u00f5es de brasileiros. Nas duas primeiras reuni\u00f5es sob o comando de Ilan, em julho e agosto de 2016, o Copom decidiu manter a Selic inalterada, cortando os juros apenas no encontro seguinte, em outubro. Outra falha ocorreu em fevereiro de 2017, quando o ambiente econ\u00f4mico recessivo demandava uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Na ocasi\u00e3o, a DINHEIRO publicou uma reportagem intitulada \u201cAcelera, Ilan\u201d, na qual foram elencados dez motivos para que o corte de juros fosse intensificado de 0,75 para 1,0 ponto percentual.<\/p>\n<p>O Copom, no entanto, preferiu repetir a dose de 0,75 e s\u00f3 adotou redu\u00e7\u00f5es de 1,0 ponto percentual a partir da reuni\u00e3o seguinte, em abril. De l\u00e1 para c\u00e1, foram feitos mais tr\u00eas cortes neste mesmo ritmo. Parte da cautela do BC tamb\u00e9m decorreu de um receio de que a crise pol\u00edtica inviabilizasse o ajuste fiscal, com impactos negativos no c\u00e2mbio. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica, o humor do mercado financeiro vem melhorando, inclusive, por conta de um cen\u00e1rio internacional favor\u00e1vel aos pa\u00edses emergentes. \u201cO Banco Central foi surpreendido por muitas not\u00edcias positivas, que foram benignas para a infla\u00e7\u00e3o, como um adiamento no aumento dos juros nos Estados Unidos\u201d, diz Loyola.<\/p>\n<p>O conservadorismo do BC ajuda a explicar por que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o baixa agora. \u201cO BC demorou demais para cortar os juros\u201d, afirma Heron do Carmo, professor da USP e consultor da .MAP (l\u00ea-se ponto MAP), que h\u00e1 d\u00e9cadas analisa os cen\u00e1rios inflacion\u00e1rios. Se o Copom tivesse sido mais ousado, o PIB n\u00e3o estaria t\u00e3o an\u00eamico e, por tabela, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o permaneceria abaixo do piso da meta. No acumulado em 12 meses, at\u00e9 setembro, o IPCA, medido pelo IBGE, registra alta de apenas 2,54%. \u00c9 incorreto, no entanto, colocar apenas na conta da pol\u00edtica de juros do BC a responsabilidade pela queda surpreendentemente da infla\u00e7\u00e3o. \u201cOs tr\u00eas principais fatores que explicam o IPCA abaixo do piso da meta s\u00e3o a recess\u00e3o econ\u00f4mica, a supersafra agr\u00edcola e o c\u00e2mbio bem comportado\u201d, diz Fabio Rom\u00e3o, economista e especialista em infla\u00e7\u00e3o da LCA Consultores. Desses tr\u00eas itens, a pol\u00edtica monet\u00e1ria teria efeito relevante apenas sobre a recess\u00e3o, com impacto limitado no c\u00e2mbio e nulo na safra.<\/p>\n<p>O economista da LCA explica que agroneg\u00f3cio tem sido um grande aliado no combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a safra recorde 2016-2017 foi t\u00e3o exitosa, sem intercorr\u00eancias clim\u00e1ticas, que acabou gerando queda real nos pre\u00e7os dos alimentos. Com um peso de 25% no IPCA, o grupo \u201calimenta\u00e7\u00e3o e bebidas\u201d acumula uma defla\u00e7\u00e3o de 2,1% nos \u00faltimos 12 meses encerrados em setembro. \u201cOutro setor que reduziu os pre\u00e7os foi o de eletroeletr\u00f4nicos, ajudado pela valoriza\u00e7\u00e3o cambial de 3% neste ano\u201d, diz Rom\u00e3o. Houve ainda uma contribui\u00e7\u00e3o importante do setor de vestu\u00e1rio, cujos pre\u00e7os desaceleraram por conta da queda do consumo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante salientar que uma infla\u00e7\u00e3o baixa \u00e9 positiva para a economia, pois aumenta a renda real das pessoas e impulsiona o consumo. O problema est\u00e1 numa infla\u00e7\u00e3o excessivamente baixa, distante do centro da meta de 4,5%, num contexto em que a expans\u00e3o do PIB ainda \u00e9 inferior a 1%. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma not\u00edcia extraordinariamente positiva\u201d, diz Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. \u201cSe todos acharem normal a infla\u00e7\u00e3o ficar abaixo do piso da meta, amanh\u00e3 pode surgir algu\u00e9m que ache normal que ela fica acima do teto.\u201d O boletim Focus, que colhe semanalmente as previs\u00f5es de cerca de cem institui\u00e7\u00f5es financeiras, prev\u00ea que o IPCA encerre o ano em 2,98%.<\/p>\n<p>Fonte; Isto \u00c9 Dinheiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se colocarem, na sua frente, um copo com \u00e1gua at\u00e9 a metade, voc\u00ea dir\u00e1 que ele est\u00e1 meio cheio ou meio vazio? 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