{"id":24849,"date":"2017-09-29T00:09:04","date_gmt":"2017-09-29T03:09:04","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=24849"},"modified":"2017-09-28T21:12:52","modified_gmt":"2017-09-29T00:12:52","slug":"relatorio-projeta-danos-de-um-eventual-vazamento-de-oleo-na-foz-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/relatorio-projeta-danos-de-um-eventual-vazamento-de-oleo-na-foz-do-amazonas\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio projeta danos de um eventual vazamento de \u00f3leo na foz do Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>Um vazamento de petr\u00f3leo na bacia da foz do rio Amazonas tem at\u00e9 72% de probabilidade de atingir Trinidad e Tobago, no pior cen\u00e1rio. Al\u00e9m disso, seria desastroso para a seguran\u00e7a alimentar e subsist\u00eancia de comunidades de pescadores que vivem no Amap\u00e1 e Par\u00e1. Poderia danificar seriamente uma das mais importantes descobertas da ecologia marinha das \u00faltimas d\u00e9cadas &#8211; os recifes de corais da foz do Amazonas.<\/p>\n<p>Estes dados est\u00e3o no estudo &#8220;Amaz\u00f4nia em \u00e1guas profundas: como o petr\u00f3leo amea\u00e7a os corais da Amaz\u00f4nia&#8221;, feito por pesquisadores contratados pelo Greenpeace. O trabalho, que ser\u00e1 lan\u00e7ado hoje e ao qual o Valor teve acesso, analisa os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) apresentados ao Ibama pelas empresas interessadas na explora\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, a francesa Total e a brit\u00e2nica BP.<\/p>\n<p>&#8220;O recife do Amazonas \u00e9, provavelmente, um dos maiores do mundo e \u00e9 um corredor de conex\u00e3o entre a fauna que ocorre no Caribe e a do Brasil&#8221;, destaca o bi\u00f3logo Ronaldo Francini, um dos 40 autores envolvidos com um artigo publicado na &#8220;Science Advances&#8221; e que revelou a exist\u00eancia do bioma nas \u00e1guas turvas do encontro do rio Amazonas com o Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um recife profundo, que come\u00e7a em 60 metros de profundidade e vai at\u00e9 200 metros&#8221;, continua. Recifes com estas caracter\u00edsticas s\u00e3o menos sens\u00edveis \u00e0 mudan\u00e7a do clima do que os rasos, al\u00e9m de serem fontes de biodiversidade e terem potencial biotecnol\u00f3gico. Ele lembra ainda que no Norte do pa\u00eds est\u00e1 a segunda maior zona cont\u00ednua de manguezais, que s\u00e3o considerados ber\u00e7\u00e1rios de esp\u00e9cies marinhas. Os manguezais, somados aos recifes de corais, criam um bioma \u00fanico e ainda desconhecido. &#8220;Podemos estar matando a galinha de ovos de ouro&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam inconsist\u00eancias nos EIA. Em agosto, o Ibama deu ultimato \u00e0 Total, pedindo que a empresa responda \u00e0s pend\u00eancias listadas pelos t\u00e9cnicos da ag\u00eancia de licenciamento ambiental. A Total j\u00e1 tentou tr\u00eas vezes aprovar o licenciamento, mas os t\u00e9cnicos do Ibama consideraram os estudos de impacto inconclusivos e deficientes. &#8220;Caso o empreendedor n\u00e3o atenda aos pontos demandados pela equipe t\u00e9cnica mais uma vez, o processo de licenciamento ser\u00e1 arquivado&#8221;, avisou a presidente Suely Ara\u00fajo. A maior preocupa\u00e7\u00e3o do Ibama \u00e9 o risco de um eventual vazamento causar um incidente internacional.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora se conhece apenas 5% da \u00e1rea do recife amaz\u00f4nico. &#8220;Sentimos falta tamb\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas&#8221;, diz a ec\u00f3loga Verena Almeida, que analisou os EIA pela \u00f3tica socioambiental. A regi\u00e3o \u00e9 importante para a pesca de peixes como o pargo e a lagosta. &#8220;Se um problema afetar diretamente os corais, ir\u00e1 comprometer a vida daquelas popula\u00e7\u00f5es&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores contratados pela ONG re\u00fane especialistas em geologia, hidrologia, biologia marinha e aspectos socioecon\u00f4micos. No estudo est\u00e3o relatadas as tentativas mal-sucedidas de explorar petr\u00f3leo na bacia da Foz do Amazonas. Foram 95 po\u00e7os perfurados desde o fim dos anos 60. Destes, 27 foram abandonados por acidentes mec\u00e2nicos. Nove empresas estrangeiras perfuraram 21 po\u00e7os de prospec\u00e7\u00e3o e a Petrobras investiu US$ 1 bilh\u00e3o em 71 perfura\u00e7\u00f5es em \u00e1guas rasas na regi\u00e3o. &#8220;Ainda assim, nenhum reservat\u00f3rio de hidrocarbonetos, petr\u00f3leo ou g\u00e1s comercialmente e\/ou tecnicamente vi\u00e1vel foi encontrado at\u00e9 agora&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o muitos os pontos problem\u00e1ticos&#8221;, diz Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace. O estudo destaca, por exemplo, que lugares com situa\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica pouco conhecida, onde o solo \u00e9 inst\u00e1vel e as condi\u00e7\u00f5es oceanogr\u00e1ficas dif\u00edceis, s\u00e3o algumas condi\u00e7\u00f5es que a ind\u00fastria do petr\u00f3leo considera que ampliam o risco de explos\u00e3o em perfura\u00e7\u00f5es no mar. Esses fatores &#8220;est\u00e3o todos presentes nos empreendimentos na bacia da foz do Amazonas, que potencializam o risco de acidentes&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil e o mundo j\u00e1 t\u00eam diversas solu\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas para n\u00e3o depender das energias f\u00f3sseis&#8221;, diz Almeida. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 por que abrir nova fronteira de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em um mundo que est\u00e1 saindo dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um vazamento de petr\u00f3leo na bacia da foz do rio Amazonas tem at\u00e9 72% de probabilidade de atingir Trinidad e Tobago, no pior cen\u00e1rio. 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