{"id":24745,"date":"2017-09-20T00:22:47","date_gmt":"2017-09-20T03:22:47","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=24745"},"modified":"2017-09-19T18:25:16","modified_gmt":"2017-09-19T21:25:16","slug":"pos-lava-jato-a-petrobras-fica-cada-vez-mais-enxuta-e-menos-estatal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pos-lava-jato-a-petrobras-fica-cada-vez-mais-enxuta-e-menos-estatal\/","title":{"rendered":"P\u00f3s-Lava Jato, a Petrobras fica cada vez mais enxuta e menos estatal"},"content":{"rendered":"<p>A Petrobras da era p\u00f3s-Lava Jato \u00e9 uma empresa menor e cada dia mais preocupada em gerar resultados para seus acionistas, n\u00e3o t\u00e3o voltada aos interesses do Governo, dona de um ter\u00e7o de capital social. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, os investimentos ca\u00edram para menos da metade, e o n\u00famero de trabalhadores vinculados \u00e0 companhia foi drasticamente reduzido. Boa parte de seus ativos est\u00e1 \u00e0 venda, e a empresa procura s\u00f3cios internacionais. A Petrobras n\u00e3o subvenciona mais o combust\u00edvel e tampouco vai privilegiar a ind\u00fastria nacional se esta n\u00e3o for mais competitiva que a estrangeira. \u201cN\u00e3o podemos esperar que tenha uma l\u00f3gica diferente. \u00c9 a l\u00f3gica do neg\u00f3cio. Somos uma empresa e temos que apresentar resultados\u201d, alerta Nelson Silva, diretor de Estrat\u00e9gia, Organiza\u00e7\u00e3o e Sistema de Gest\u00e3o da Petrobras.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que come\u00e7ou em 2014 ao descobrir um complexo esquema de subornos na Petrobras para enriquecer diretores e pol\u00edticos, passou como um rolo compressor sobre a estatal brasileira. O c\u00e1lculo do preju\u00edzo da petroleira com a corrup\u00e7\u00e3o na companhia chegou a 6 bilh\u00f5es de reais, mas esse n\u00e3o foi o \u00fanico golpe. Formava-se a tempestade perfeita: uma recess\u00e3o que reduziu o consumo de combust\u00edveis, instabilidade pol\u00edtica e, sobretudo, a queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. O barril de Brent despencou de 100 d\u00f3lares (311 reais) em 2014 para 50 (155 reais) em 2015, atingindo em cheio as previs\u00f5es financeiras da estatal. O setor petroleiro no mundo todo, n\u00e3o s\u00f3 a Petrobras, viu-se obrigado a revisar seus planos.<\/p>\n<p>A Petrobras se prop\u00f4s a mudar, come\u00e7ando por suas normas internas, para se proteger da corrup\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as na governan\u00e7a \u2013 mais controle e rigidez na contrata\u00e7\u00e3o de diretores e o fim das decis\u00f5es monocr\u00e1ticas \u2013 come\u00e7aram a ser implantadas ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo que estourou durante o Governo de Dilma Rousseff. As reformas estruturais, paradoxalmente, consolidaram-se com Aldemir Bendine, hoje preso acusado de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dilma foi destitu\u00edda, e Michel Temer, tamb\u00e9m denunciado por corrup\u00e7\u00e3o, prometeu uma Petrobras com uma gest\u00e3o empresarial sem interfer\u00eancias pol\u00edticas. A nova equipe, presidida por Pedro Parente, concentrou-se ent\u00e3o na nova estrat\u00e9gia da companhia, baseada principalmente em fazer caixa vendendo ativos e em segurar a d\u00edvida, o calcanhar de Aquiles da maior empresa do Brasil. A nova Petrobras, segundo especialistas consultados pelo EL PA\u00cdS, \u00e9 uma companhia com uma vis\u00e3o mais empresarial, mais dedicada aos acionistas e menos ao seu lado estatal.<\/p>\n<p><strong>A petroleira mais endividada do mundo<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s conquistar o t\u00edtulo de empresa de petr\u00f3leo mais endividada do planeta, com cerca de 125 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (387 bilh\u00f5es de reais) no vermelho, a redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e da conta dos juros tornou-se uma medida urgente. Um abismo separa a companhia de seus competidores. \u201cEnquanto a Petrobras paga cerca de 7,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (22,6 bilh\u00f5es de reais) de juros, a maioria das empresas integradas do setor desembolsa em torno de um bilh\u00e3o a 1,5 bilh\u00e3o (entre 3,1 e 4,65 bilh\u00f5es de reais)\u201d, afirma Nelson Silva. \u201cEssa diferen\u00e7a de seis bilh\u00f5es de d\u00f3lares (18,6 bilh\u00f5es de reais) por ano que estou pagando de juros tira a minha capacidade de investir e pagar dividendos.\u201d Silva continua: \u201cSe minha situa\u00e7\u00e3o financeira fosse como a dos meus competidores, poderia investir todo ano numa unidade inteira de pr\u00e9-sal. Com a plataforma, os po\u00e7os, as linhas de produ\u00e7\u00e3o capazes de produzir 150.000 barris por dia&#8230; O custo de oportunidade disso \u00e9 imenso. Da\u00ed a urg\u00eancia de reduzir a d\u00edvida.\u201d<\/p>\n<p>O valor devido atingiu um ponto t\u00e3o cr\u00edtico em 2015 que, para pag\u00e1-lo, a Petrobras teria precisado usar toda a sua gera\u00e7\u00e3o de caixa durante mais de cinco anos. O limite considerado razo\u00e1vel internamente \u00e9 metade disso. N\u00e3o \u00e9 o ideal, mas \u00e9 a partir desse coeficiente que se considera que uma empresa possui condi\u00e7\u00f5es de financiamento no mercado. \u201cGrande parte dessa d\u00edvida foi contra\u00edda com decis\u00f5es de investimento em projetos, hoje parados, que n\u00e3o deram retorno e causaram um grande estresse na empresa\u201d, explica Silva.<\/p>\n<p>Para fazer caixa, a empresa cortou gastos e come\u00e7ou a se desfazer de ativos n\u00e3o estrat\u00e9gicos e menos rent\u00e1veis \u2013 uma abordagem j\u00e1 iniciada em 2012. A nova Petrobras tende tamb\u00e9m a se dedicar quase exclusivamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e venda de \u00f3leo e g\u00e1s, deixando para tr\u00e1s os neg\u00f3cios de fertilizantes, petroqu\u00edmica, produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis e distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo, considerados \u201c\u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas\u201d e que \u201cn\u00e3o geravam valor para os acionistas\u201d.<\/p>\n<p>A sa\u00edda da Petrobras dessas \u00e1reas incomoda os especialistas do setor. \u201cClaro que \u00e9 muito mais f\u00e1cil que a Petrobras, cuja produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se compara com a das outras petroleiras, seja apenas exportadora de petr\u00f3leo\u201d, afirma Luis Eduardo Duque, ex-assessor da dire\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP). \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil exportar petr\u00f3leo bruto do que abastecer o mercado interno, mas, nessa equa\u00e7\u00e3o financeira de recupera\u00e7\u00e3o da Petrobras, n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica industrial para o Brasil. A Petrobras sempre foi um motor da industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\u201d Jean-Paul Prates, presidente do Centro de Estrat\u00e9gias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), tamb\u00e9m reivindica o papel da empresa na economia nacional. \u201cA fun\u00e7\u00e3o da Petrobras n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 produzir petr\u00f3leo e dar dinheiro aos acionistas. \u00c9 fazer parte da gest\u00e3o energ\u00e9tica do pa\u00eds. Se n\u00e3o fosse assim, seria uma empresa privada qualquer.\u201d<\/p>\n<p>A venda de ativos tem tamb\u00e9m seus defensores. \u201cExiste todo um argumento financeiro de que as empresas verticalmente integradas, que v\u00e3o do po\u00e7o de petr\u00f3leo ao posto de gasolina, s\u00e3o mais rent\u00e1veis e enfrentam menos riscos. Mas, na pr\u00e1tica, vimos ao longo de 20 anos que nem mesmo as grandes empresas internacionais conseguem adotar esse modelo\u201d, explica Edmilson Moutinho, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cNo caso da Petrobras, havia tamb\u00e9m uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica e de pol\u00edtica de Estado, segundo a qual cabia \u00e0 empresa ter a cadeia de abastecimento completa. Postos de gasolina, distribui\u00e7\u00e3o, refinarias&#8230; nenhum desses setores \u00e9 t\u00e3o estrat\u00e9gico que n\u00e3o possa estar em m\u00e3os de outras empresas\u201d, diz o professor, que no entanto aponta uma preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cSe h\u00e1 um segmento em que a gente precisa da Petrobras \u00e9 a \u00e1rea de g\u00e1s, que, antes de qualquer energia renov\u00e1vel, vai ocupar um papel importante na matriz energ\u00e9tica mundial. N\u00e3o acredito que o Brasil seja capaz de desenvolver estrategicamente esse setor atrav\u00e9s de agentes privados.\u201d<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o de custos<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s questionar cada uma das atividades e gastos da empresas e renegociar contratos, a companhia tamb\u00e9m reduziu o quadro de funcion\u00e1rios. Muitos deles foram convidados a sair. De 2014 a 2016, cerca de 15.000 trabalhadores tamb\u00e9m aderiram a um programa de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria. Em dezembro de 2013, havia 320.152 funcion\u00e1rios subcontratados trabalhando interna ou externamente para a companhia, um n\u00famero que em junho de 2017 j\u00e1 havia ca\u00eddo para 98.395, considerando apenas os profissionais terceirizados que trabalham regularmente nas instala\u00e7\u00f5es da empresa.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de funcion\u00e1rios est\u00e1 diretamente relacionada com a paralisa\u00e7\u00e3o dos investimentos da empresa. Em fun\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de investimentos, v\u00e1rias obras pararam porque n\u00e3o eram prioridade ou porque n\u00e3o geravam retorno. Grande parte desse n\u00famero est\u00e1 relacionada a pessoas que deixam de trabalhar para a petroleira atrav\u00e9s de firmas contratadas, segundo a empresa.<\/p>\n<p><strong>L\u00f3gica empresarial<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo uma l\u00f3gica empresarial, n\u00e3o mais governamental, a Petrobras tamb\u00e9m mudou sua pol\u00edtica de fixa\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da gasolina e hoje reflete, quase diariamente, as varia\u00e7\u00f5es do pre\u00e7o do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Durante o Governo Dilma, que esteve ligada \u00e0 Petrobras durante 13 anos, primeiro como ministra das Minas e Energia e depois como integrante do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, a companhia foi usada como instrumento de pol\u00edtica econ\u00f4mica. A Petrobras oferecia pre\u00e7os mais baratos que os do mercado internacional, subsidiando a diferen\u00e7a. Um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) estima que essa pol\u00edtica de pre\u00e7os de combust\u00edveis gerou perdas de cerca de 60 bilh\u00f5es de reais. A estatal, segundo a OMC, \u201ccobria a diferen\u00e7a entre os pre\u00e7os do mercado mundial e o pre\u00e7o nacional de combust\u00edveis\u201d. Segundo o relat\u00f3rio, \u201cessa pol\u00edtica custou bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 empresa e contribuiu para transform\u00e1-la na petroleira mais endividada do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Para Jean-Paul Prates, do CERNE, o debate do controle de pre\u00e7os sempre est\u00e1 inserido na discuss\u00e3o sobre qual deve ser o papel do Governo na estatal. Ou seja: se o Governo deve ser mais ou menos controlador. Prates defende um meio termo. \u201cN\u00e3o sou a favor de um controle total, mas sim de que o pa\u00eds possa aplicar o benef\u00edcio de ser autossuficiente na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. O Brasil deve ter vantagens para a sua economia e ind\u00fastria. N\u00e3o tem por que se impor as mesmas condi\u00e7\u00f5es e estar exposto ao mesmo risco e volatilidade do mercado que o Jap\u00e3o, que n\u00e3o produz uma gota de petr\u00f3leo\u201d, afirma. Para ele, \u00e9 importante ter um mecanismo de ajuste peri\u00f3dico transparente e previs\u00edvel, sujeito a crit\u00e9rios-chave como a infla\u00e7\u00e3o, o valor do d\u00f3lar\/euro e os pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e dos combust\u00edveis. \u201cAssim, voc\u00ea deixa o mercado funcionar e n\u00e3o isola o Brasil, mas tampouco deixa o consumidor brasileiro t\u00e3o exposto como o americano ou o japon\u00eas, que dependem totalmente do mercado global. Do contr\u00e1rio, de que adianta ser um pa\u00eds que alcan\u00e7ou a autossufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo [em 2006]?\u201d<\/p>\n<p><strong>Abertura ao capital estrangeiro<\/strong><\/p>\n<p>A busca do equil\u00edbrio financeiro tamb\u00e9m levou a Petrobras a procurar s\u00f3cios e investimentos estrangeiros. Mudan\u00e7as aprovadas pelo Governo, como o fim da obrigatoriedade da Petrobras como operadora nos campos do pr\u00e9-sal e a flexibiliza\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias para contratar um m\u00ednimo de servi\u00e7os e produ\u00e7\u00e3o de empresas brasileiras, hoje atraem companhias de fora do mercado nacional. \u201cEssas mudan\u00e7as que favorecem o investimento e a nossa necessidade de desinvestir, sob o ponto de vista financeiro e estrat\u00e9gico, est\u00e3o criando condi\u00e7\u00f5es para o investimento de capital. E n\u00e3o s\u00f3 estrangeiro\u201d, afirma Silva.<\/p>\n<p>\u201cA nova estrat\u00e9gia da empresa mostra que ela precisa se capitalizar. E um dos caminhos \u00e9 retomar o que foi feito na \u00e9poca de Fernando Henrique Cardoso [1995-2002], que estabelecia sociedades com outras petroleiras. Essa pol\u00edtica est\u00e1 sendo estimulada porque \u00e9 uma forma de colocar dinheiro na empresa\u201d, explica o consultor do setor Adriano Pires, diretor fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, muito cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o petista da companhia. \u201cNa \u00e9poca do Partido dos Trabalhadores [2003-2016], existia um discurso nacionalista de que o petr\u00f3leo e o pr\u00e9-sal eram nossos. Acreditava-se numa Petrobras [que podia existir] sozinha, sem precisar de mais ningu\u00e9m\u201d, lembra Pires. Mas ele observa que a concentra\u00e7\u00e3o de poder sobre a petroleira vale para quando ela est\u00e1 em tempos de vacas gordas e magras. \u201cAl\u00e9m de monopolista, era a \u00fanica compradora de bens e servi\u00e7os do Brasil gra\u00e7as \u00e0s pol\u00edticas de conte\u00fado local, o que acabou destruindo a cadeia produtiva. Quando a Petrobras come\u00e7ou a ter dificuldades, as empresas que trabalhavam para ela pararam\u201d, diz Pires.<\/p>\n<p><strong>As empresas brasileiras n\u00e3o ter\u00e3o por que ser favoritas<\/strong><\/p>\n<p>Reduzir as exig\u00eancias de conte\u00fado local, abrindo oportunidades para os chineses, canadenses e norte-americanos, \u00e9 uma das quest\u00f5es mais pol\u00eamicas na ind\u00fastria que orbita em torno da Petrobras. Dilma sempre defendeu que valia a pena a Petrobras pagar um pouco mais no in\u00edcio para priorizar a produ\u00e7\u00e3o de equipamentos, plataformas e sondas nacionais. Em seguida, segundo ela, a ind\u00fastria ganharia escala e seria competitiva. A estrat\u00e9gia seria recompensada no m\u00e9dio prazo porque os pre\u00e7os cairiam e a Petrobras contaria com uma rede de distribuidores, favorecendo a empresa e a ind\u00fastria nacional. Mas o modelo fracassou.<\/p>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas de conte\u00fado local foram questionadas e perderam sentido no mundo inteiro. Uma empresa quer o melhor distribuidor, o que entrega antes, mais barato e com maior qualidade\u201d, explica Moutinho, do Instituto de Energia e Ambiente da USP. \u201cEssa pol\u00edtica gerou empregos e resgatou investimentos, mas estava replicando um v\u00edcio: a cria\u00e7\u00e3o de empresas pouco competitivas e sem nenhum compromisso com a tecnologia e a pesquisa. Boa parte desses neg\u00f3cios que dependem da Petrobras n\u00e3o tem nenhuma capacidade de vender seus equipamentos em nenhum outro lugar do mundo. \u00c9 o conte\u00fado local que queremos? N\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<p>Essa nova forma de fazer as coisas incomoda a ind\u00fastria nacional, em muitos casos dependente das atividades da maior empresa do pa\u00eds. \u201cA Petrobras sempre ajudou as empresas locais e se interessava em ter produtos e distribuidores nacionais. Isso agora deixou de ser importante \u2013 e enfrentar\u00e1 resist\u00eancia de nossa parte\u201d, lamenta C\u00e9sar Prata, presidente do Conselho de \u00d3leo e G\u00e1s da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq). \u201cOitenta por cento das empresas brasileiras s\u00e3o pequenas e m\u00e9dias, e n\u00e3o t\u00eam essa facilidade para se desnacionalizar e sobreviver.\u201d Duque, ex-assessor da dire\u00e7\u00e3o da ANP, completa: \u201cNingu\u00e9m nega que seja bom haver uma abertura no setor e mais empresas estrangeiras nesse cen\u00e1rio. Isso \u00e9 bom para o Brasil. Mas os cortes da empresa n\u00e3o podem impor custos excessivos ao pa\u00eds. A Petrobras n\u00e3o pode fazer o que quer, tem que considerar o Brasil.\u201d<\/p>\n<p>Silva, que assumiu ap\u00f3s o impeachment de Dilma, tem outra opini\u00e3o: a Petrobras tem que contratar quem entregar mais r\u00e1pido, barato e com a melhor qualidade, seja qual for a nacionalidade do distribuidor. \u201cComo comprador de equipamentos, para fazer justi\u00e7a aos meus acionistas, tenho que comprar o que for melhor, mais barato e mais r\u00e1pido. Quero comprar o m\u00e1ximo poss\u00edvel no Brasil sempre que [o fornecedor] for competitivo. N\u00e3o podemos esperar que tenha uma l\u00f3gica diferente.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Tribuna Hoje<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Petrobras da era p\u00f3s-Lava Jato \u00e9 uma empresa menor e cada dia mais preocupada em gerar resultados para seus acionistas, n\u00e3o t\u00e3o voltada aos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17775,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-24745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24745"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24746,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24745\/revisions\/24746"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17775"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}