{"id":24181,"date":"2017-08-09T00:45:38","date_gmt":"2017-08-09T03:45:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=24181"},"modified":"2017-08-07T22:46:52","modified_gmt":"2017-08-08T01:46:52","slug":"industrias-naval-e-metal-mecanica-demitiram-4-mil-pessoas-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/industrias-naval-e-metal-mecanica-demitiram-4-mil-pessoas-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastrias naval e metal-mec\u00e2nica demitiram 4 mil pessoas em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p>Mais de 4 mil trabalhadores foram dispensados pelas ind\u00fastrias naval e metal-mec\u00e2nica nos seis primeiros meses deste ano, segundo um levantamento feito pelo Sindicato dos Trabalhadores Metal\u00fargicos de Pernambuco. As demiss\u00f5es ocorreram em pelo menos 11 empresas que se concentram no Complexo Industrial Portu\u00e1rio de Suape, incluindo dois estaleiros e f\u00e1bricas que produzem desde lata, autope\u00e7as, eletrodom\u00e9sticos e at\u00e9 insumos para a constru\u00e7\u00e3o civil. \u201c\u00c9 muito preocupante. \u00c9 um desemprego em s\u00e9rie de pais de fam\u00edlia que v\u00e3o passar mais de ano para voltar ao mercado de trabalho\u201d, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metal\u00fargicos de Pernambuco, Henrique Gomes. Somente um estaleiro demitiu 40 funcion\u00e1rios e uma empresa de esquadrias, 35 pessoas.<\/p>\n<p>\u201cE estamos contabilizando somente as demiss\u00f5es que passaram pelo Sindicato. Na pr\u00f3xima semana, ser\u00e3o homologadas 162 demiss\u00f5es\u201d, afirma Henrique. O Sindicato s\u00f3 homologa as demiss\u00f5es de empregados que passaram mais de um ano trabalhando. Os demais desligamentos s\u00e3o conclu\u00eddos sem a anu\u00eancia das entidades de classe.<\/p>\n<p>A demiss\u00e3o nesse caso \u00e9 a face mais perversa da crise econ\u00f4mica que paralisa a economia. \u201cA maior parte dessas empresas reduziu a produ\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o t\u00eam mercado\u201d, conta Henrique. Isso significa que a maioria dessas companhias desativaram algumas linhas de produ\u00e7\u00e3o pela queda no consumo. Outro problema que atinge os trabalhadores \u201c\u00e9 a falta de um programa de qualifica\u00e7\u00e3o que leve o desempregado a migrar para outra atividade\u201d que esteja precisando de trabalhadores.<\/p>\n<p>Cerca de 20% de todas as demiss\u00f5es homologadas pelo sindicato s\u00e3o de trabalhadores que atuavam no setor naval. Na hist\u00f3ria recente do Estado, tanto o setor metal-mec\u00e2nico assim como os estaleiros passaram por dias gloriosos com o crescimento da economia que ocorreu no fim da primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>O Estaleiro Atl\u00e2ntico Sul (EAS) chegou a ser o s\u00edmbolo da retomada da ind\u00fastria naval no Pa\u00eds com navios petroleiros encomendados pela Transpetro, a subsidi\u00e1ria da Petrobras na \u00e1rea de transporte. A inaugura\u00e7\u00e3o do primeiro navio feito pelo EAS, o Jo\u00e3o C\u00e2ndido, ocorreu em 2012, sob a vista de mais de 5 mil funcion\u00e1rios que trabalhavam no local, na esperan\u00e7a de anos promissores.<\/p>\n<p><strong>IMPASSE<\/strong><\/p>\n<p>Na ind\u00fastria metal-mec\u00e2nica, \u00e9 mais f\u00e1cil a produ\u00e7\u00e3o voltar a aumentar, quando a economia do Pa\u00eds engatar um crescimento. J\u00e1 a crise da ind\u00fastria naval \u00e9 mais dif\u00edcil de resolver. Primeiro, navios n\u00e3o s\u00e3o bens de consumo. A ind\u00fastria naval brasileira n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o competitiva como algumas que est\u00e3o nesse mercado, como a coreana e a japonesa, entre outras. E, por \u00faltimo, a implanta\u00e7\u00e3o recente do setor no Brasil ocorreu fomentada pela Petrobras, atingida por dois problemas s\u00e9rios: perdas financeiras causadas pela falta de reajuste no pre\u00e7o dos combust\u00edveis e a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, a qual revelou um esquema de corrup\u00e7\u00e3o bilion\u00e1rio envolvendo diretores da petrol\u00edfera, pol\u00edticos, executivos e donos de algumas das principais construtoras do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA Petrobras n\u00e3o vai contratar (embarca\u00e7\u00f5es) sen\u00e3o houver demanda real e as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4mica-financeiras forem convenientes. Como esse \u00e9 um cen\u00e1rio improv\u00e1vel, deveria haver uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica governamental apoiando os estaleiros que est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es e t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de se tornarem competitivos no m\u00e9dio e curto prazo\u201d, resume o professor do renomado Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Floriano Pires.<\/p>\n<p>Para ele, os estaleiros com esse perfil (de serem competitivos no m\u00e9dio ou curto prazo) incluem o Estaleiro Atl\u00e2ntico Sul (EAS) e o Vard Promar \u2013 ambos instalados em Suape \u2013 e outros de porte menor espalhados pelo Pa\u00eds. E acrescenta: \u201cSe ficar ao sabor do mercado, a expectativa \u00e9 de que fechem todos os estaleiros\u201d.<\/p>\n<p>O EAS emprega cerca de 3,8 mil pessoas, mas s\u00f3 tem mais cinco navios encomendados pela Transpetro que dever\u00e3o ser entregues at\u00e9 o fim de 2019, colocando o futuro do empreendimento em d\u00favida. O Vard Promar tem quatro navios encomendados, dos quais dois est\u00e3o praticamente prontos. \u201cAs demiss\u00f5es que ocorreram no Vard ontem foram porque os trabalhadores das primeiras linhas de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam mais o que fazer por falta de encomendas. Pode ser que a empresa consiga vender umas embarca\u00e7\u00f5es numa licita\u00e7\u00e3o da Marinha, mas por enquanto \u00e9 s\u00f3 ilus\u00e3o\u201d, lamenta Henrique Gomes. O representante do Vard Promar n\u00e3o foi localizado. E assim o Brasil constr\u00f3i uma dos cap\u00edtulos mais tristes da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Fonte: JC Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 4 mil trabalhadores foram dispensados pelas ind\u00fastrias naval e metal-mec\u00e2nica nos seis primeiros meses deste ano, segundo um levantamento feito pelo Sindicato dos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":20501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-24181","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24181"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24182,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24181\/revisions\/24182"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}