{"id":23997,"date":"2017-07-24T00:59:38","date_gmt":"2017-07-24T03:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=23997"},"modified":"2017-07-19T10:01:12","modified_gmt":"2017-07-19T13:01:12","slug":"dragagem-em-santos-afeta-trafego-de-navios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/dragagem-em-santos-afeta-trafego-de-navios\/","title":{"rendered":"Dragagem em Santos afeta tr\u00e1fego de navios"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto o porto de Santos (SP) deveria estar se capacitando para receber os navios da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, deu um passo para tr\u00e1s. No dia 29 de junho, o assoreamento no canal de navega\u00e7\u00e3o do porto, o principal do pa\u00eds, interrompeu a sa\u00edda de dois navios &#8211; um da Maersk Line e outro da MSC, por risco de encalhe. O porto \u00e9 administrado pela Companhia Docas do Estado de S\u00e3o Paulo (Codesp), respons\u00e1vel pela contrata\u00e7\u00e3o das dragagens de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A perda de profundidade levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do calado m\u00e1ximo operacional em quase um metro, de 13,2 para 12,3 metros, j\u00e1 parcialmente recuperada. Hoje, o calado m\u00e1ximo operacional est\u00e1 em 12,6 metros.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que as maiores embarca\u00e7\u00f5es que frequentam Santos &#8211; respons\u00e1vel por um ter\u00e7o da balan\u00e7a comercial &#8211; n\u00e3o conseguem mais operar \u00e0 plena capacidade. Isso significa perda entre 5 mil e 15 mil toneladas por navio de grande porte, dependendo da embarca\u00e7\u00e3o. Em termos de receita de frete mar\u00edtimo, os armadores deixaram para traz o equivalente a US$ 23 milh\u00f5es at\u00e9 sexta-feira.<\/p>\n<p>&#8220;A estimativa \u00e9 conservadora, porque algumas empresas n\u00e3o passaram informa\u00e7\u00f5es por quest\u00f5es estrat\u00e9gicas&#8221;, afirma Jos\u00e9 Roque, diretor-executivo do Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Sem poder entrar \u00e0 plena carga em Santos, porto inescap\u00e1vel para os navios de importa\u00e7\u00e3o pelo fato de o centro comprador do pa\u00eds ser o Estado de S\u00e3o Paulo, alguns navios est\u00e3o tendo de fazer uma parada extra em portos que n\u00e3o estavam na rota\u00e7\u00e3o para &#8220;aliviar&#8221; carga e se enquadrar no calado permitido do cais santista. \u00c9 custo em cadeia.<\/p>\n<p>De imediato, a carga fica para traz; no m\u00e9dio prazo, o armador tem de compensar valor do que \u00e9 dispensado e tende a elevar o frete. No fim do dia, sobe o custo Brasil.<\/p>\n<p>A alta taxa de assoreamento em Santos, um porto mais suscet\u00edvel ao impacto de ressacas, j\u00e1 imp\u00f5e um limite ao carregamento das embarca\u00e7\u00f5es. Os grandes navios t\u00eam de esperar a mar\u00e9 subir &#8211; o que adiciona um metro no calado m\u00e1ximo permitido &#8211; para sa\u00edrem ou entrarem totalmente carregados. Situa\u00e7\u00e3o que restringe a rotatividade no cais.<\/p>\n<p>A perda de quase um metro na opera\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 vez causou revolta em terminais portu\u00e1rios. Sobretudo porque a Codesp recolhe tarifas dessas empresas pela realiza\u00e7\u00e3o da dragagem.<\/p>\n<p>A Codesp tem contrato com a empresa Dragabr\u00e1s para a manuten\u00e7\u00e3o da profundidade do canal de navega\u00e7\u00e3o. Questionada, a estatal n\u00e3o explicou por que o calado foi reduzido j\u00e1 que a dragagem deveria ser cont\u00ednua, nem quanto tempo o trecho que perdeu profundidade teria ficado sem receber o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um retrocesso. O maior porto da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o pode ter esse tipo de problema em 2017&#8221;, diz o principal diretor da Maersk Line na Costa Leste da Am\u00e9rica do Sul, Antonio Dominguez. A empresa calcula uma perda de 220 Feus (cont\u00eainer de 40 p\u00e9s) que deixam de ser carregados por cada navio que precisa operar com calado acima do atual limite. &#8220;Essa situa\u00e7\u00e3o anualizada \u00e9 insustent\u00e1vel&#8221;, afirma Jo\u00e3o Momesso, diretor de trade e marketing da companhia. A Maersk, como outros armadores, vem de uma sequ\u00eancia de anos de preju\u00edzo, devido aos fretes baixos.<\/p>\n<p>A perda de capacidade para as companhias de navega\u00e7\u00e3o seria maior se a pr\u00f3xima classe de navios, com oferta para 12 mil Teus (cont\u00eaineres de 20 p\u00e9s) e calados maiores, j\u00e1 estivesse em \u00e1guas brasileiras. S\u00f3 n\u00e3o chegaram porque os volumes de com\u00e9rcio exterior brasileiro ainda n\u00e3o se recuperaram a ponto de justificar a vinda dessas embarca\u00e7\u00f5es &#8211; mas tamb\u00e9m porque a profundidade de portos &#8220;inescap\u00e1veis&#8221; como Santos n\u00e3o permite.<\/p>\n<p>&#8220;Se Santos \u00e9 uma esp\u00e9cie de camisa de for\u00e7a para o armador na importa\u00e7\u00e3o, o mesmo j\u00e1 n\u00e3o acontece na exporta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 algum tempo os armadores j\u00e1 pulverizam a carga em outros portos do Sul. As prioridades do porto de Santos parecem ser mais pol\u00edticas, relegando a segundo plano sua relev\u00e2ncia no com\u00e9rcio exterior&#8221;, diz Leandro Barreto, s\u00f3cio da Solve Shipping e coordenador do curso de gest\u00e3o de transportes da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Administra\u00e7\u00e3o (FIA)<\/p>\n<p>Principal armador no Brasil, a Hamburg S\u00fcd lamenta que Santos &#8211; cujos terminais t\u00eam investido em estrutura e equipamentos e num momento de volta das exporta\u00e7\u00f5es &#8211; tenha de restringir capacidade de navio. No servi\u00e7o para o Norte da Europa, o mais importante da empresa e onde est\u00e3o alocados seus maiores navios, cerca de 8% dos carregamentos est\u00e3o comprometidos. &#8220;\u00c9 muito significativo. A primeira semana foi dram\u00e1tica, porque tivemos de tirar \u00e1gua de lastro, que \u00e9 o que equilibra o navio. Desde ent\u00e3o estamos fazendo um controle de booking&#8221;, afirma Jos\u00e9 Roberto Salgado, diretor de opera\u00e7\u00e3o e log\u00edstica.<\/p>\n<p>Procurada, em nota, a Codesp informou ao Valor que est\u00e1 &#8220;atuando com a dragagem no trecho 1 para retomar a profundidade de projeto&#8221; e que uma nova batimetria (levantamento da profundidade real) vai ser apresentada \u00e0 Capitania dos Portos para que seja &#8220;homologado o calado operacional adequado&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o porto de Santos (SP) deveria estar se capacitando para receber os navios da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, deu um passo para tr\u00e1s. 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