{"id":23967,"date":"2017-07-19T00:05:30","date_gmt":"2017-07-19T03:05:30","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=23967"},"modified":"2017-07-18T18:06:52","modified_gmt":"2017-07-18T21:06:52","slug":"por-que-a-china-nao-quer-que-suas-grandes-empresas-invistam-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/por-que-a-china-nao-quer-que-suas-grandes-empresas-invistam-no-exterior\/","title":{"rendered":"Por que a China n\u00e3o quer que suas grandes empresas invistam no exterior"},"content":{"rendered":"<p>A China anunciou neste ano que destinar\u00e1 US$ 124 bilh\u00f5es (cerca de R$ 400 milh\u00f5es) para investir globalmente em uma iniciativa chamada de Nova Rota da Seda. Mas por que o pa\u00eds est\u00e1 limitando os investimentos de suas grandes empresas no exterior?<\/p>\n<p>Parte da resposta se encontra no centro de Madri, na Espanha, num arranha-c\u00e9u que simboliza uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es do gigante asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>O edif\u00edcio Espanha foi adquirido em 2014 pelo grupo empresarial chin\u00eas Wanda, um conglomerado com investimentos em im\u00f3veis, turismo e lazer que pertence ao segundo homem mais rico do pa\u00eds, Wang Jianlin.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Wang provavelmente pensou que tinha feito um bom neg\u00f3cio: ele pagara 265 milh\u00f5es de euros (cerca de R$ 990 milh\u00f5es, em valores atuais) no im\u00f3vel \u2014um ter\u00e7o menos do que o valor pago pelo propriet\u00e1rio anterior. Mas \u00e0s vezes o barato sai caro. Quando Wanda comprou o pr\u00e9dio, ele estava abandonado h\u00e1 quase uma d\u00e9cada e precisava de uma reforma integral.<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos ent\u00e3o avaliaram que o melhor a ser feito era demolir o edif\u00edcio e reconstru\u00ed-lo. A prefeitura de Madri, por sua vez, reagiu firmemente: se tratava de um dos edif\u00edcios mais emblem\u00e1ticos da cidade e estava protegido pela legisla\u00e7\u00e3o como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>A Wanda prometeu que a reconstru\u00e7\u00e3o respeitaria o projeto original. Mesmo assim, o governo local insistiu que a fachada do pr\u00e9dio fosse preservada, embora isso nunca tenha sido feito antes, e especialistas n\u00e3o pudessem garantir que a obra fosse ser bem sucedida, diante do tamanho do edif\u00edcio.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, Wanda entregou os pontos e p\u00f4s o im\u00f3vel \u00e0 venda. Segundo a imprensa chinesa, a aventura espanhola custou ao empres\u00e1rio cerca de US$ 30 milh\u00f5es (cerca de R$ 100 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>COMPRAS COMPULSIVAS<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, empresas chinesas protagonizaram uma onda de compras ao redor do mundo.<\/p>\n<p>A China &#8211; que tenta ser uma economia de mercado, mas sem renunciar aos r\u00edgidos controles governamentais- reduziu restri\u00e7\u00f5es para investimentos de empresas chinesas no exterior na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O objetivo era evitar que as reservas de divisas estrangeiras no pa\u00eds chegassem a um volume incontrol\u00e1vel e tamb\u00e9m facilitar a aquisi\u00e7\u00e3o de recursos e tecnologia que permitissem \u00e0s empresas crescer.<\/p>\n<p>Mas essa etapa parece estar chegando ao fim, j\u00e1 que o governo de Xi Jinping come\u00e7ou, no ano passado, a impor limites que foram ainda mais refor\u00e7ados na \u00faltima semana.<\/p>\n<p>&#8220;Ele pediu ao setor banc\u00e1rio para ficar alerta para o bem de todos os chineses&#8221;, disse \u00e0 BBC Kent Deng, professor de Hist\u00f3ria da Economia da London School of Economics.<\/p>\n<p>O organismo respons\u00e1vel pelo setor banc\u00e1rio determinou que os bancos avaliassem como est\u00e3o expostos \u00e0s grandes empresas, ou seja, que consequ\u00eancias sofreriam, caso essas companhias entrassem em crise.<\/p>\n<p>As autoridades n\u00e3o informaram exatamente de que empresas se tratavam, mas as a\u00e7\u00f5es da Wanda e dos grupos Fosun e HNA come\u00e7aram a cair dias depois.<\/p>\n<p>&#8220;O dinheiro deve permanecer na economia nacional. Qualquer quantia grande que saia das fronteiras est\u00e1 sujeita ao controle do regulador financeiro desde o \u00faltimo dia 1\u00ba de julho&#8221;, disse Deng.<\/p>\n<p>INVESTIMENTOS IRRACIONAIS<\/p>\n<p>Somente em 2016, os investimentos chineses no exterior cresceram para mais de US$ 169 bilh\u00f5es (cerca de R$ 550 bilh\u00f5es) no ano, segundo dados do centro de estudos AEI (American Enterprise Insitute).<\/p>\n<p>Neste ano, a quantidade de investimentos anunciados foi ainda maior. Mas quantidade e qualidade s\u00e3o coisas diferentes, e o padr\u00e3o qualitativo desses aportes n\u00e3o convenceu as autoridades asi\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Segundo o jornal Washington Post, o ministro chin\u00eas do Com\u00e9rcio, Zhong Shan, qualificou os investimentos feitos no ano passado como &#8220;cegos e irracionais&#8221;.<\/p>\n<p>Embora tenha admitido que poucas empresas tivessem cometido esses &#8220;erros&#8221;, ele foi contundente: &#8220;Algumas j\u00e1 pagaram o pre\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<p>O ministro ainda lamentou que diversas empresas &#8220;tiveram impacto negativo na nossa imagem nacional&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente do Banco Popular Chin\u00eas foi mais expl\u00edcito, e afirmou que essas empresas n\u00e3o cumpriam exig\u00eancias e pol\u00edticas para investimentos no exterior, j\u00e1 que visavam a setores &#8220;que n\u00e3o trazem muito benef\u00edcio \u00e0 China&#8221;, como esportes e entretenimento.<\/p>\n<p>&#8220;Projetos de investimento como estes s\u00e3o vistos como um vazio legal para lavagem de dinheiro e sa\u00edda de capitais&#8221;, disse Deng.<\/p>\n<p>UMA MOEDA INTERNACIONAL<\/p>\n<p>A China quer evitar em seu territ\u00f3rio situa\u00e7\u00f5es como as que viveu o Jap\u00e3o ou os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por exemplo, empresas americanas acumulam cerca de US$ 2,6 trilh\u00f5es no exterior (cerca de R$ 8,5 trilh\u00f5es), segundo a consultoria Capital Economics. Trata-se de dinheiro obtido pelos lucros de suas opera\u00e7\u00f5es no exterior e que n\u00e3o foi repatriado para evitar a cobran\u00e7a de impostos por autoridades fiscais americanas.<\/p>\n<p>&#8220;As reservas de divisas estrangeiras na China ca\u00edram muito rapidamente e s\u00e3o necess\u00e1rias para dar apoio ao iuan na tentativa de torn\u00e1-lo uma moeda internacional&#8221;, afirma Deng.<\/p>\n<p>Apesar das advert\u00eancias e medidas chinesas, algumas empresas continuaram anunciando investimentos. Algo que, segundo Deng, acabaram tendo que cancelar.<\/p>\n<p>&#8220;Os investimentos recentes ser\u00e3o cancelados pelo Estado de forma unilateral&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Empresas chinesas pararam com essa onda de compras descontroladas. Na verdade, aquelas firmas bem informadas e conectadas completaram antes do fim de 2016 todas as compras que interessavam&#8221;, garantiu.<\/p>\n<p>Para ele, as restri\u00e7\u00f5es anunciadas pelo governo s\u00e3o &#8220;muito pequenas e chegam tarde demais&#8221;.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o por que a China impulsiona uma campanha de investimentos globais para a qual destina milh\u00f5es de d\u00f3lares?<\/p>\n<p>Porque o pa\u00eds asi\u00e1tico quer ter opera\u00e7\u00f5es no exterior, mas em setores que lhe interessam. A Nova Rota da Seda est\u00e1 dedicada a investimentos em infraestrutura.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria desses projetos ajudam a China a exportar o seu excedente de a\u00e7o, cimento, locomotivas, navios, barcos e cont\u00eaineres. Estes s\u00e3o os projetos que se promovem nas mais altas esferas&#8221;, concluiu Deng.\u00a0<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Folha SP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A China anunciou neste ano que destinar\u00e1 US$ 124 bilh\u00f5es (cerca de R$ 400 milh\u00f5es) para investir globalmente em uma iniciativa chamada de Nova Rota&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":6620,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-23967","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23967"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23967\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23968,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23967\/revisions\/23968"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}