{"id":23739,"date":"2017-06-26T07:54:35","date_gmt":"2017-06-26T10:54:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=23739"},"modified":"2017-06-26T07:54:35","modified_gmt":"2017-06-26T10:54:35","slug":"apetite-chines-por-carne-muda-rota-da-plantacao-de-soja-pelo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/apetite-chines-por-carne-muda-rota-da-plantacao-de-soja-pelo-mundo\/","title":{"rendered":"Apetite chin\u00eas por carne muda rota da planta\u00e7\u00e3o de soja pelo mundo"},"content":{"rendered":"<p>Os campos em torno da cidade de Mohall, na Dakota do Norte, at\u00e9 recentemente eram uma colagem de linho azul, girass\u00f3is de um amarelo intenso e trigo da cor do \u00e2mbar. Mas hoje, muitos deles mostram um tom verde uniforme, no pico do crescimento da safra de ver\u00e3o deste ano.<\/p>\n<p>A nova paisagem se deve a agricultores como Eric Moberg, cuja semeadeira pneum\u00e1tica plantou milhares de hectares de soja no segundo trimestre. &#8220;H\u00e1 quatro anos, n\u00e3o cultiv\u00e1vamos soja. Agora ela ocupa quase um ter\u00e7o de nossas terras&#8221;.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio no qual ele trabalha, uma plan\u00edcie exposta ao vento na divisa entre os Estados Unidos e o Canad\u00e1, representa uma fronteira no suprimento mundial de alimentos. A \u00c1sia emergente est\u00e1 comendo mais carne de frango e de porco, e a soja que confere m\u00fasculos \u00e0s aves e su\u00ednos se espalhou pelas fazendas do planeta em ritmo mais r\u00e1pido que o de qualquer outra safra, cobrindo \u00e1rea 28% maior do que a ocupada uma d\u00e9cada atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Este ano pode ser o ponto de inflex\u00e3o. Com o plantio quase completo, \u00e9 prov\u00e1vel que a soja tenha superado o milho como safra mais plantada dos Estados Unidos, acreditam os analistas.<\/p>\n<p>A soja avan\u00e7ou profundamente pelo interior do cerrado brasileiro, pelos pampas argentinos e pelo cora\u00e7\u00e3o rural dos Estados Unidos. As safras v\u00eam sendo grandes o suficiente para causar efeito mensur\u00e1vel nas economias do Brasil e dos Estados Unidos, no ano passado. Nos pr\u00f3ximos 10 anos, a soja ter\u00e1 \u00e1rea plantada superior a um bilh\u00e3o de hectares (10 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados) em todo o mundo, com expans\u00e3o maior que a cevada, milho, arroz, sorgo e trigo, de acordo com proje\u00e7\u00f5es do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O triunfo da soja depende da China. As importa\u00e7\u00f5es da safra pelo pa\u00eds triplicaram nos 10 \u00faltimos anos, para um total estimado em 93 milh\u00f5es de toneladas no ano que vem, o equivalente a 66 quilos de soja por habitante\/ano, ou cinco graneleiros ao dia. Delegados do Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio chin\u00eas visitar\u00e3o o Estado norte-americano de Iowa, rico em soja, no m\u00eas que vem, para assinar um acordo que pode incluir uma compra recorde, de acordo com o Conselho de Exporta\u00e7\u00e3o de Soja dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os embarques aumentaram mesmo em um per\u00edodo de oscila\u00e7\u00e3o na demanda chinesa por commodities industriais como o min\u00e9rio de ferro e o cobre. &#8220;O ritmo de crescimento vem sendo fenomenal, e continuado&#8221;, diz Gert-Jan van den Akker, diretor de cadeia de suprimento agr\u00edcola na Cargill, uma companhia de com\u00e9rcio de commodities aliment\u00edcias.<\/p>\n<p>A demanda mundial por produtos b\u00e1sicos como o trigo vem crescendo em paralelo ao crescimento populacional de 1% ao ano. O consumo de soja vem se acelerando ao ritmo de 5% anuais \u2014-superando at\u00e9 mesmo o do milho, o maior benefici\u00e1rio do agressivo programa norte-americano de desenvolvimento de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Qualquer pessoa que fa\u00e7a compras no supermercado sabe que a soja \u00e9 um produto vers\u00e1til, fonte de tofu e de \u00f3leo de cozinha. O agribusiness transformou seus gr\u00e3os em bens como tinta, carpetes e biodiesel. Mas a imensa popularidade da planta da soja se deve ao seu teor de prote\u00edna sem paralelos. Quando mo\u00edda, cerca de 80% da soja se converte em farelo, e as galinhas, porcos e peixes alimentados com ele engordam r\u00e1pido.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a \u00fanica prote\u00edna real que tem todos os amino\u00e1cidos essenciais para uma ra\u00e7\u00e3o completa. Essa \u00e9 a magia da soja&#8221;, dize Soren Schroder, presidente-executivo da Bunge, maior processadora mundial de sementes oleaginosas.<\/p>\n<p>O farelo de soja sustenta os setores de carne nos Estados Unidos, Brasil, Europa e no resto do planeta. Mercados emergentes no Sudeste Asi\u00e1tico e no Oriente M\u00e9dio devem elevar ainda mais o consumo do produto, dizem executivos. Mas a transi\u00e7\u00e3o na dieta da China vem sendo o principal propulsor de crescimento. O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos projeta que a China venha a importar 121 milh\u00f5es de toneladas de soja ao ano, dentro de uma d\u00e9cada, mais de 30% acima do total atual.<\/p>\n<p>CARNE TODO DIA<\/p>\n<p>Em 1989, quando a primeira filial do Kentucky Fried Chicken em Xangai foi aberta no local de um antigo clube para cavalheiros brit\u00e2nicos no Bund, o distrito comercial da cidade, \u00e0 beira-rio, o consumidor chin\u00eas m\u00e9dio comia 20 quilos de carne ao ano. Depois de quase tr\u00eas d\u00e9cadas de avan\u00e7o na renda pessoal, o consumo per capita de carne ultrapassou os 50 quilos anuais.<\/p>\n<p>O KFC agora opera mais de cinco mil lojas na China e abrir\u00e1 centenas de novas unidades no pa\u00eds este ano. O restaurante do Bund se mudou para um endere\u00e7o menos fino, mas em uma visita vespertina recente \u00e0 nova casa n\u00e3o havia um assento vazio, e os fregueses estavam todos ocupados devorando sandu\u00edches e por\u00e7\u00f5es de carne de frango. &#8220;Tudo vende bem aqui&#8221;, disse o gar\u00e7om Wang Shuai.<\/p>\n<p>Um fator que refor\u00e7a a tend\u00eancia \u00e9 o crescimento da popula\u00e7\u00e3o urbana chinesa, da ordem de 20 milh\u00f5es de pessoas ao ano, um ritmo superior ao do crescimento m\u00e9dio da China, porque os moradores de cidades tendem a comer mais carne.<\/p>\n<p>&#8220;Comemos carne todos os dias. \u00c9 quase um exagero&#8221;, diz Ahmat Barat, 41, taxista em Urumqi, a capital da regi\u00e3o de Xinjiang, no noroeste da China. &#8220;Quando eu era menino, n\u00e3o t\u00ednhamos geladeira em casa e s\u00f3 com\u00edamos carne uma ou duas vezes por semana&#8221;.<\/p>\n<p>Para satisfazer esse apetite, o setor de cria\u00e7\u00e3o de animais da China emergiu de pequenas opera\u00e7\u00f5es &#8220;caseiras&#8221;, nas quais porcos eram alimentados com sobras de comida, para se tornar uma opera\u00e7\u00e3o industrial. Dados do Minist\u00e9rio da Agricultura chin\u00eas citados por diplomatas norte-americanos demonstram que as granjas que criam galinhas em larga escala cresceram de dois ter\u00e7os para mais de 90% das unidades do setor na China, e que a cria\u00e7\u00e3o de porcos em larga escala avan\u00e7ou de 16% do setor em 2005 para um total estimado em 50% em 2015. A Cargill, por exemplo, construiu um centro de cria\u00e7\u00e3o de frangos de US$ 360 milh\u00f5es na prov\u00edncia de Anhui, capaz de processar 65 milh\u00f5es de galinhas por ano.<\/p>\n<p>Companhias criadas para fornecer alimenta\u00e7\u00e3o a esses animais geraram fortunas para magnatas chineses como Bao Hongxing, presidente-executivo do Twins Group, o maior produtor chin\u00eas de ra\u00e7\u00e3o su\u00edna, cujo patrim\u00f4nio \u00e9 estimado em US$ 1,8 bilh\u00e3o. Refletindo a alta nas vendas, o contrato futuro de farelo de soja da bolsa de commodities da cidade de Dalian se tornou o instrumento futuro mais negociado nos mercados mundiais de futuros agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>A China pode ser a terra natal da soja, mas as safras do pa\u00eds raramente ultrapassam os 15 milh\u00f5es de toneladas anuais. O custo de produ\u00e7\u00e3o da safra dom\u00e9stica \u00e9 mais alto que o da soja importada, e por isso a demanda \u00e9 sustentada primordialmente por uma proibi\u00e7\u00e3o de uso de soja geneticamente modificada em alimentos de consumo di\u00e1rio.<\/p>\n<p>A restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplica \u00e0 soja usada para ra\u00e7\u00e3o animal e para a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de cozinha, e por isso os insumos usados nessas atividades hoje v\u00eam principalmente de safras estrangeiras com tra\u00e7os alterados por bioengenharia para, por exemplo, promover maior resist\u00eancia a pesticidas. Os l\u00edderes da China abriram as portas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de soja embora tenham mantido a pol\u00edtica de autossufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de cereais de consumo b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Em resposta, as empresas est\u00e3o construindo uma cadeia de produ\u00e7\u00e3o internacional cada vez mais elaborada para a soja. A Cargill, em parceria com o grupo chin\u00eas New Hope, inaugurou em abril uma usina de moagem de soja de US$ 100 milh\u00f5es, em um porto perto de Pequim. Do lado oposto do Pac\u00edfico, a United Grain recentemente investiu US$ 80 milh\u00f5es para transportar soja e milho por meio de seu terminal de exporta\u00e7\u00e3o no rio Col\u00fambia, no Estado norte-americano de Washington.<\/p>\n<p>&#8220;Enviamos cinco navios por m\u00eas transportando exclusivamente soja&#8221;, e eles &#8220;tipicamente v\u00e3o para a China&#8221;, diz Brent Roberts, da United Grains, subsidi\u00e1ria da Mitsui, do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais de 1,5 mil quil\u00f4metros ao leste, em Lansford, Dakota do Norte, a cooperativa de gr\u00e3os CHS SunPrairie, presidida por Moberg, est\u00e1 construindo um ramal ferrovi\u00e1rio que permitir\u00e1 que trens transportem a safra local sem paradas, direto para a costa do Pac\u00edfico. &#8220;Sei que boa parte da carga \u00e9 embarcada l\u00e1 e parte direto para a China&#8221;, disse Moberg, com os jeans enlameados depois de um dia de trabalho na planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os agricultores norte-americanos est\u00e3o muito cientes da import\u00e2ncia do com\u00e9rcio com a China.<\/p>\n<p>Depois que Donald Trump foi eleito presidente com uma plataforma protecionista, o &#8220;Global Times&#8221;, um jornal estatal chin\u00eas em Pequim, alertou que &#8220;as importa\u00e7\u00f5es de soja e milho dos Estados Unidos ser\u00e3o suspensas&#8221; caso o novo governo norte-americano cumpra sua amea\u00e7a de impor tarifas punitivas \u00e0s importa\u00e7\u00f5es chinesas.<\/p>\n<p>O relacionamento entre Washington e Pequim se provou mais amistoso do que era esperado, at\u00e9 o momento, e os executivos do setor, dos dois lados do Pac\u00edfico, n\u00e3o mostram sinais de alarme. O embaixador de Trump \u00e0 China \u00e9 Terry Branstad, antigo governador do Iowa, um Estado agr\u00edcola.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vejo como eles poderiam deixar de comprar nossos produtos&#8221;, disse Dusty Lodoen, agricultor em Westhope, Dakota do Norte, que visitou a China como parte de uma delega\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/p>\n<p>Os agricultores norte-americanos v\u00eam perdendo mercado para rivais da Am\u00e9rica do Sul, no entanto. No ano passado, o Brasil supriu mais de metade das importa\u00e7\u00f5es de soja da China, os Estados Unidos 35% e a Argentina 10%, de acordo com o adido agr\u00edcola dos Estados Unidos em Pequim. A Conab, ag\u00eancia brasileira de estat\u00edsticas agr\u00edcolas, diz que a safra do pa\u00eds este ano foi de vigorosos 114 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>IMPACTO AMBIENTAL<\/p>\n<p>A soja transformou o cerrado em torno de Sorriso, uma cidade no Estado do Mato Grosso cuja popula\u00e7\u00e3o disparou de 17 mil para 83 mil habitantes, em 25 anos. &#8220;A soja \u00e9 o carro-chefe, o motor de Sorriso. Nossos agricultores s\u00e3o verdadeiros her\u00f3is nacionais&#8221;, diz o prefeito Ari Laftin.<\/p>\n<p>Sorriso s\u00f3 se estabeleceu como cidade em 1986, cerca de uma d\u00e9cada depois que &#8220;colonos&#8221;, em sua maioria descendentes de italianos, transformaram as terras brutas em fazendas como parte de um projeto de coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. &#8220;N\u00e3o havia ruas asfaltadas, telefones, eletricidade&#8221;, recorda Rodrigo Pozzobon, o delegado local da Aprosoja, uma cooperativa de plantadores de soja.<\/p>\n<p>Agora, agricultores fazem jogging no parque, sob um sol escaldante, tocam mensagens de WhatsApp com o ministro da Agricultura brasileiro Blairo Maggi &#8211; ele mesmo um bilion\u00e1rio da soja-, dirigem Land Rovers, usam rel\u00f3gios de marca, e desafiam a pior recess\u00e3o na hist\u00f3ria do pa\u00eds. De acordo com o IBGE, a renda per capita de Sorriso dobrou, de R$ 27.569 em 2010 para R$ 57.087 no ano passado, e \u00e9 uma das mais altas do Brasil.<\/p>\n<p>Na safra de 2017, os 2,23 milh\u00f5es de toneladas produzidos pelos agricultores de Sorriso fizeram da cidade a maior produtora do Brasil. &#8220;Nosso maior mercado \u00e9 a China&#8221;, diz Pozzobon.<\/p>\n<p>Pedro Dejneka, da consultoria MD Commodities, diz que Sorriso e a cidade vizinha, Sinop, costumavam representar a ponta norte do setor da soja. Agora s\u00e3o a &#8220;fronteira sul&#8221;, ele diz. E a despeito do excedente de gr\u00e3os em todo o planeta, a \u00e1rea cultivada da soja deve se expandir dramaticamente no Brasil e Argentina, nos pr\u00f3ximos 10 anos, o que inclui a ocupa\u00e7\u00e3o de &#8220;terras n\u00e3o cultivadas&#8221;, de acordo com o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Isso causa consterna\u00e7\u00e3o quanto ao cerrado, a \u00e1rea que absorver\u00e1 a maior parte das novas planta\u00e7\u00f5es no Brasil. Embora a Amaz\u00f4nia tenha sido protegida contra mais desmatamento para produ\u00e7\u00e3o de soja por uma &#8220;morat\u00f3ria da soja&#8221; assinada pelo setor agr\u00edcola e o governo em 2006, o pacto n\u00e3o cobre o cerrado.<\/p>\n<p>Ativistas ecol\u00f3gicos v\u00eam pressionando o Brasil para incluir o cerrado na morat\u00f3ria, e tamb\u00e9m pressionam tradings internacionais como a Bunge e a Cargill para que assumam o compromisso de n\u00e3o comprar soja produzida em terras recentemente convertidas ao uso agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Glenn Hurowitz, do grupo ambientalista Mighty, diz que embora gado, papel e \u00f3leo de palma sejam for\u00e7as de desflorestamento, &#8220;vemos oportunidade imediata de reduzir dramaticamente o desflorestamento para produ\u00e7\u00e3o de soja devido \u00e0 natureza internacional do mercado da soja&#8221;.<\/p>\n<p>A Bunge e a Cargill apoiam a morat\u00f3ria e se comprometeram a eliminar produtos de \u00e1reas desflorestadas de suas cadeias de suprimento. As empresas, ONGs e agricultores est\u00e3o discutindo se a soja deve ou n\u00e3o ser inclu\u00edda nas restri\u00e7\u00f5es. &#8220;A defini\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 e n\u00e3o est\u00e1 proibido causa muito debate, como voc\u00ea pode imaginar&#8221;, disse Schroder, da Bunge.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os recentes da soja est\u00e3o bem abaixo dos picos de alguns anos atr\u00e1s, gra\u00e7as a uma sucess\u00e3o de boas safras na Am\u00e9rica do Norte e na Am\u00e9rica do Sul. Mas isso n\u00e3o reduziu o plantio de novas \u00e1reas.<\/p>\n<p>&#8220;Por anos e anos&#8221;, disse o agricultor norte-americano Guy Solemsaas, entrevistado durante uma visita a um ocupado comerciante de sementes de Mohall, &#8220;a demanda vem sendo simplesmente incr\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>MUDAN\u00c7A NO CLIMA<\/p>\n<p>A Dakota do Norte, um Estado remoto e desprovido de acesso ao mar, \u00e9 o mais frio da regi\u00e3o cont\u00edgua dos Estados Unidos. Isso historicamente o tornava inapropriado para o plantio da soja, que prospera em condi\u00e7\u00f5es quentes e de alta umidade. Mas a tecnologia, as for\u00e7as de mercado e a mudan\u00e7a do clima alteraram esse panorama.<\/p>\n<p>Companhias de sementes como a Monsanto criaram variedades que resistem \u00e0 temporada curta de crescimento da regi\u00e3o e aproveitam as longas horas de luz solar durante o ver\u00e3o.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o da China como destinat\u00e1ria de soja favorece locais como a Dakota do Norte, relativamente pr\u00f3ximo dos portos da costa do Pac\u00edfico por meio das ferrovias BNSF e Canadian Pacific.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos a apenas tr\u00eas semanas da China&#8221;, diz Nancy Johnson, da Associa\u00e7\u00e3o de Plantadores de Soja da Dakota do Norte.<\/p>\n<p>O Estado tamb\u00e9m se tornou mais chuvoso, apesar da seca deste ano. Isso elevou o rendimento das safras e reabasteceu de \u00e1gua seus atoleiros glaciais, gerando um habitat melhor para os p\u00e1ssaros. Os ataques de p\u00e1ssaros a planta\u00e7\u00f5es de girass\u00f3is levaram os agricultores a optar pela soja, cujas sementes ficam protegidas por uma casca, como semente oleaginosa de cultivo mais seguro.<\/p>\n<p>A Dakota do Norte vem passando por aquecimento mais r\u00e1pido do que o de qualquer outro Estado norte-americano, diz Adnan Aky\u00fcz, o climatologista do Estado. &#8220;O clima est\u00e1 dando mais oportunidade ao agricultor da Dakota do Norte para sair de sua zona de conforto e come\u00e7ar a plantar safras usualmente plantadas mais ao sul&#8221;.<\/p>\n<p>Executivos locais de agricultura concordam, ainda que divirjam sobre a causa. &#8220;A \u00e1rea de geada est\u00e1 recuando mais e mais, agora&#8221;, diz Jeff Kittell, diretor comercial de um silo da Borger Ag &amp; Energy em Russell. &#8220;N\u00e3o sou grande f\u00e3 do aquecimento global. Mas \u00e9 o que temos. E est\u00e1 resultando em maior cultivo de soja&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Folha SP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os campos em torno da cidade de Mohall, na Dakota do Norte, at\u00e9 recentemente eram uma colagem de linho azul, girass\u00f3is de um amarelo intenso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":22306,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-23739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23739"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23740,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23739\/revisions\/23740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}