{"id":23525,"date":"2017-05-31T00:32:18","date_gmt":"2017-05-31T03:32:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=23525"},"modified":"2017-05-30T10:47:59","modified_gmt":"2017-05-30T13:47:59","slug":"rio-grande-sofre-com-derrocada-de-estaleiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/rio-grande-sofre-com-derrocada-de-estaleiros\/","title":{"rendered":"Rio Grande sofre com derrocada de estaleiros"},"content":{"rendered":"<p>Instalado \u00e0 beira da Lagoa dos Patos, o p\u00f3rtico gigante, trazido da Finl\u00e2ndia, era o s\u00edmbolo da prosperidade do munic\u00edpio de Rio Grande (RS). Com 117 metros de altura e 210 metros de largura, o equipamento \u2013 pintado de um amarelo berrante \u2013 era visto de qualquer canto da cidade, que fervilhava com o avan\u00e7o do polo naval e seus tr\u00eas estaleiros. Hoje esse mesmo p\u00f3rtico, que custou cerca de R$ 400 milh\u00f5es, est\u00e1 parado ao lado de milhares de toneladas de a\u00e7o no Estaleiro Rio Grande (ERG).<\/p>\n<p>De s\u00edmbolo de bonan\u00e7a, o equipamento virou o retrato dos preju\u00edzos que o setor causou na cidade. No dia 9 de dezembro do ano passado, o ERG \u2013 que tem como s\u00f3cios a Engevix e o Funcef \u2013 teve seus contratos rescindidos com a Petrobr\u00e1s e demitiu cerca de 3 mil funcion\u00e1rios de uma s\u00f3 vez. Em seguida, entrou com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial para equacionar uma d\u00edvida de R$ 7,5 bilh\u00f5es. Nem deu tempo de terminar o casco da P-71, que ficou pela metade.<\/p>\n<p>A derrocada do estaleiro teve efeito imediato na economia da cidade. Empres\u00e1rios que investiram na expans\u00e3o dos neg\u00f3cios est\u00e3o endividados e sem dinheiro para honrar os compromissos firmados; trabalhadores perderam o emprego e n\u00e3o t\u00eam perspectivas de recoloca\u00e7\u00e3o no mercado; e o \u00edndice de criminalidade cresceu. \u201cO retrato do que se v\u00ea aqui \u00e9 de um impacto social violento e de uma retra\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da regi\u00e3o\u201d, afirma o prefeito de Rio Grande, Alexandre Duarte Lindenmeyer.<\/p>\n<p><strong>O colapso dos estaleiros<\/strong><\/p>\n<p>No auge da constru\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es, os tr\u00eas estaleiros do polo naval (Rio Grande, QGI \u2013 Queiroz Galv\u00e3o Iesa e EBR \u2013 Estaleiros do Brasil) empregavam cerca de 24 mil trabalhadores e giravam uma economia que crescia em torno de 20% ao ano. Al\u00e9m do ERG parado, os outros dois tamb\u00e9m seguem o mesmo caminho. O QGI tem mais dois meses de trabalho e o EBR vai at\u00e9 o fim deste ano. Se nada for feito, outros cerca de 4 mil funcion\u00e1rios ser\u00e3o demitidos e v\u00e3o engrossar a lista de desempregados na cidade.<\/p>\n<p>O efeito multiplicador do polo naval funciona para o bem e para o mal. Com a queda na demanda, os empres\u00e1rios locais tamb\u00e9m passaram a demitir. O empres\u00e1rio Luiz Carlos Hil\u00e1rio conta que ampliou a rede hoteleira na cidade para atender a demanda do polo e agora est\u00e1 com elevada capacidade ociosa. \u201cDependendo do m\u00eas, a ocupa\u00e7\u00e3o fica entre 30% e 40%. No auge dos estaleiros, tinha 98%\u201d, diz ele, que \u00e9 dono de quatro hot\u00e9is em Rio Grande. Para se adequar \u00e0 nova realidade, a solu\u00e7\u00e3o foi cortar custos e reduzir o pre\u00e7o da di\u00e1ria. \u201cAinda assim, esses dias um dos hot\u00e9is n\u00e3o tinha nenhum h\u00f3spede. Isso nunca tinha ocorrido antes.\u201d<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de Renan Guterres Lopes \u00e9 ainda pior. Ele investiu numa frota de \u00f4nibus para atender as empresas do polo naval e hoje n\u00e3o sabe o que fazer com os \u00f4nibus. Para piorar, Lopes pegou empr\u00e9stimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e hoje n\u00e3o tem caixa para pagar a d\u00edvida. Quando os primeiros estaleiros come\u00e7aram a chegar a Rio Grande, a empresa de Lopes, a Universal, tinha apenas nove \u00f4nibus para atender os clientes. Conforme o polo avan\u00e7ava, ele aumentava o n\u00famero de ve\u00edculos, at\u00e9 chegar a 90 \u00f4nibus. Hoje, os carros est\u00e3o sucateados no p\u00e1tio, alguns sem motor e sem pneu. \u201cDaqui a pouco eu vou doar \u00f4nibus, pois \u00e9 mais barato do que bancar o custo dos ve\u00edculos parados.\u201d<\/p>\n<p>Estabelecimentos que tinham rela\u00e7\u00e3o indireta com o polo naval tamb\u00e9m sofreram um baque com o fechamento do ERG e redu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os na QGI e EBR, al\u00e9m da retra\u00e7\u00e3o da economia. Diante da perspectiva da popula\u00e7\u00e3o dobrar em dez anos, a cidade ganhou dois shoppings centers. Um deles foi conclu\u00eddo no meio da crise. Sem demanda, lojas e restaurantes foram fechados e quem continua de p\u00e9 est\u00e1 renegociando os contratos de aluguel. \u201cEm toda a cidade, 10% do com\u00e9rcio fechou as portas\u201d, afirmou o presidente da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas (CDL Rio Grande), Luiz Carlos Teixeira Zanetti. O pr\u00f3prio executivo fechou uma de suas tr\u00eas lojas de material de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Instalado \u00e0 beira da Lagoa dos Patos, o p\u00f3rtico gigante, trazido da Finl\u00e2ndia, era o s\u00edmbolo da prosperidade do munic\u00edpio de Rio Grande (RS). 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