{"id":23204,"date":"2017-04-25T10:39:24","date_gmt":"2017-04-25T13:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=23204"},"modified":"2017-04-25T10:39:24","modified_gmt":"2017-04-25T13:39:24","slug":"cresce-demanda-por-credito-para-armazenagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/cresce-demanda-por-credito-para-armazenagem\/","title":{"rendered":"Cresce demanda por cr\u00e9dito para armazenagem"},"content":{"rendered":"<p>A supersafra brasileira de gr\u00e3os na temporada 2016\/17 fez acelerar novamente a tomada de cr\u00e9dito para armazenagem privada no pa\u00eds. Com or\u00e7amento inicial de R$ 1,4 bilh\u00e3o para este ciclo, o Programa para Constru\u00e7\u00e3o e Amplia\u00e7\u00e3o de Armaz\u00e9ns (PCA), gerido pelo BNDES, recebeu uma complementa\u00e7\u00e3o de R$ 600 milh\u00f5es. Mas o banco de fomento j\u00e1 esgotou em mar\u00e7o sua capacidade de empr\u00e9stimo. Com isso, no m\u00eas passado, obteve do Tesouro Nacional o sinal verde para um adicional de R$ 100 milh\u00f5es. E h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que o or\u00e7amento j\u00e1 foi atingido.<\/p>\n<p>&#8220;Os agentes financeiros j\u00e1 nos sinalizaram que a demanda est\u00e1 aquecida e que precisar\u00e3o de mais [cr\u00e9dito]&#8221;, afirmou Tiago Peroba, gerente do departamento de relacionamento institucional e gest\u00e3o de cr\u00e9dito rural do BNDES. &#8220;Estamos pleiteando mais dinheiro, em grande parte remanejado de outras linhas com demanda inferior \u00e0 estimada inicialmente&#8221;. Segundo Peroba, foi a primeira vez que ocorreu uma suplementa\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento no PCA, programa criado na safra 2013\/14.<\/p>\n<p>O reaquecimento da procura por cr\u00e9dito por armazenagem vem na esteira da colheita recorde de gr\u00e3os, o que tem elevado a demanda por financiamento tamb\u00e9m em outros programas agr\u00edcolas do banco de fomento, como o Moderfrota.<\/p>\n<p>Ainda que haja um aumento da oferta de cr\u00e9dito no PCA, o montante ainda \u00e9 bem inferior ao do ciclo 2015\/16, quando havia R$ 2,4 bilh\u00f5es dispon\u00edveis para empr\u00e9stimos. Esse valor, ali\u00e1s, j\u00e1 havia sido bem inferior aos R$ 4,5 bilh\u00f5es disponibilizados na safra 2014\/15. Os recuos refletem as medidas de conten\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit fiscal a partir de 2015.<\/p>\n<p>A retomada da demanda por cr\u00e9dito para a constru\u00e7\u00e3o de armaz\u00e9ns pode ser verificada comparando-se o n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es aprovadas neste primeiro trimestre e no mesmo per\u00edodo de 2016 &#8211; 70 e 58, respectivamente. Em valor, foram aprovados R$ 132 milh\u00f5es entre janeiro-mar\u00e7o de 2016 contra R$ 162 milh\u00f5es neste ano.<\/p>\n<p>Os fabricantes de silos do pa\u00eds confirmam o aumento na procura. De acordo com Jos\u00e9 Viscardi, diretor comercial de armazenagem da GSI, controlada pelo grupo americano AGCO, no primeiro trimestre deste ano houve crescimento de 30% a 35% na demanda por silos na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2016.<\/p>\n<p>Embora haja uma maior procura no segmento, o d\u00e9ficit para armazenagem ainda \u00e9 cr\u00edtico e chega perto das 70 milh\u00f5es de toneladas, estima a Conab. O n\u00famero considera as safras de ver\u00e3o e inverno. O cen\u00e1rio \u00e9 preocupante porque, com as proje\u00e7\u00f5es de safras abundantes de soja n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m nos Estados Unidos, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras podem caminhar mais lentamente do que o inicialmente previsto. Com isso, pode faltar espa\u00e7o para o milho safrinha, plantado sobre as \u00e1reas antes cultivadas com soja.<\/p>\n<p>O desequil\u00edbrio entre a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e a capacidade de armazenagem no pa\u00eds \u00e9 evidente. Nos \u00faltimos dez anos, a capacidade est\u00e1tica de armazenagem cresceu 27,7%, ao passo que a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os avan\u00e7ou 58,1% no mesmo intervalo, de acordo com a Conab. &#8220;O crescimento da armazenagem est\u00e1 sendo aritm\u00e9tico e a produ\u00e7\u00e3o cresce em progress\u00e3o geom\u00e9trica&#8221;, afirmou Arlindo Moura, presidente da Terra Santa (antiga Vanguarda Agro), uma das maiores companhias de gr\u00e3os e fibras do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com o lan\u00e7amento do PCA, na safra 2013\/14, o governo tentou reduzir o d\u00e9ficit de armazenagem de gr\u00e3os no pa\u00eds, mas a recess\u00e3o e a descapitaliza\u00e7\u00e3o dos produtores frustraram os planos. &#8220;O PCA nasceu como uma grande esperan\u00e7a para o setor&#8221;, afirmou Olivier Colas, vice-presidente da Kepler Weber, l\u00edder no mercado brasileiro de armazenagem de gr\u00e3o. Com taxas de juros inicialmente bem atrativas, de 3,5% ao ano no Plano Safra 2013\/14, o programa animou muitos agricultores a constru\u00edrem novos armaz\u00e9ns, segundo ele.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa empresa aproveitou esse programa e elevou em cerca de 37% a capacidade de armazenagem&#8221;, disse Arlindo Moura, da Terra Santa. Com a crise econ\u00f4mica e financeira, o PCA perdeu sua for\u00e7a a partir de 2015. E, em 2016, o programa foi renovado por mais um ano, mas com menos recursos e taxas de juros bem mais altas, de 8,5% ao ano.<\/p>\n<p>Como os novos investimentos n\u00e3o devem levar a um aumento expressivo de capacidade de armazenagem j\u00e1 nesta safra, o cen\u00e1rio \u00e9 incerto. Especialmente porque o ritmo de comercializa\u00e7\u00e3o da soja no atual ciclo est\u00e1 mais lento. Os \u00faltimos dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu\u00e1ria (Imea), mostram que, at\u00e9 o momento, foram vendidas 63,3% da safra estimada de 31 milh\u00f5es de toneladas no Estado, 7,5 pontos percentuais abaixo do ciclo anterior.<\/p>\n<p>No caso do milho a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante. Foram vendidas 43% da previs\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de 26,5 milh\u00f5es de toneladas no Estado. A fatia \u00e9 quase 40 pontos percentuais inferior \u00e0 de igual per\u00edodo de 2016.<\/p>\n<p>Os dados da comercializa\u00e7\u00e3o no Estado podem indicar que nesta temporada sobrar\u00e1 milho para fora dos silos, disse Endrigo Dalcin, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). &#8220;Em 2013, a gente teve milho a c\u00e9u aberto e tudo indica que teremos de novo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es Sudeste e Sul tamb\u00e9m poder\u00e1 haver problema de estocagem. &#8220;\u00c9 que nem cachorro buscando o rabo. A gente aumenta o estoque e os produtores aumentam a \u00e1rea&#8221;, brincou Luiz Mariotto, gerente administrativo e financeiro da cooperativa paulista de Cap\u00e3o Bonito. Hoje, a cooperativa consegue armazenar no m\u00e1ximo 60 mil toneladas de gr\u00e3os, o equivalente a 30% da necessidade dos cooperados.<\/p>\n<p>A Cocamar, uma das maiores cooperativas do Paran\u00e1, com sede em Maring\u00e1, tamb\u00e9m prev\u00ea problemas para armazenar a produ\u00e7\u00e3o da safra 2016\/17. Os \u00faltimos investimentos que a cooperativa fez em armaz\u00e9ns foram em 2015. Em tr\u00eas anos, acrescentou 200 mil toneladas \u00e0 sua capacidade est\u00e1tica, que soma hoje 1,2 milh\u00e3o de toneladas. Na toada que vai a comercializa\u00e7\u00e3o desta safra, por\u00e9m, seria preciso uma capacidade de ao menos 1,5 milh\u00e3o de toneladas, segundo Jos\u00e9 C\u00edcero Aderaldo, vice-presidente da Cocamar.<\/p>\n<p>Enquanto os novos armaz\u00e9ns n\u00e3o se tornam realidade para atender a demanda, a expectativa \u00e9 de que o silos-bolsa ganhem espa\u00e7o, segundo produtores. &#8220;O problema \u00e9 que muitos animais podem furam esses silos&#8221;, lamentou Arlindo Moura, da Terra Santa. Embora n\u00e3o seja ideal, esse tipo de armazenagem pode ser a salva\u00e7\u00e3o para muitos agricultores. &#8220;Para um per\u00edodo curto vai bem, mas n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo&#8221;, afirmou ele.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A supersafra brasileira de gr\u00e3os na temporada 2016\/17 fez acelerar novamente a tomada de cr\u00e9dito para armazenagem privada no pa\u00eds. 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