{"id":23070,"date":"2017-04-07T00:26:06","date_gmt":"2017-04-07T03:26:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=23070"},"modified":"2017-04-05T07:26:50","modified_gmt":"2017-04-05T10:26:50","slug":"projeto-de-instalacao-de-um-novo-porto-abre-polemica-em-sao-francisco-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/projeto-de-instalacao-de-um-novo-porto-abre-polemica-em-sao-francisco-do-sul\/","title":{"rendered":"Projeto de instala\u00e7\u00e3o de um novo porto abre pol\u00eamica em S\u00e3o Francisco do Sul"},"content":{"rendered":"<p>A instala\u00e7\u00e3o de um novo porto em S\u00e3o Francisco do Sul, entre as praias do Forte e do Capri, tem sido alvo de pol\u00eamica e discuss\u00e3o entre moradores, representantes de \u00f3rg\u00e3os ambientais, sindicatos de trabalhadores portu\u00e1rios, empres\u00e1rios e pol\u00edticos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>De um lado, parte da popula\u00e7\u00e3o se mostra preocupada com as consequ\u00eancias ambientais e sociais que o empreendimento or\u00e7ado em US$ 1 bilh\u00e3o \u2013 cerca de R$ 3,13 bilh\u00f5es pela cota\u00e7\u00e3o atual \u2013 pode trazer ao munic\u00edpio. Do outro, h\u00e1 os que defendem o projeto por causa da expectativa de crescimento econ\u00f4mico, com gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p>O local escolhido para a constru\u00e7\u00e3o, a Ponta do Sumidouro, um local bastante procurado por surfistas e pescadores, \u00e9 um dos principais motivos da disc\u00f3rdia. Com restingas e mangues praticamente intocados, ambientalistas argumentam que a \u00e1rea pode ser degradada com a instala\u00e7\u00e3o de um porto.<\/p>\n<p>Por enquanto, o projeto sequer passou pela Funda\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente (Fatma), que analisa o estudo de impacto ambiental e o relat\u00f3rio de impacto ambiental (EIA\/Rima) enviado pela WorldPort, empresa especializada em projetos de infraestrutura de transporte de cargas e idealizadora do Porto Brasil Sul.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o informa que precisa checar se o EIA\/Rima est\u00e1 dentro das regras do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para depois deliberar sobre o pedido de licen\u00e7a ambiental pr\u00e9via (LAP), feito em outubro do ano\u00a0 passado. O processo \u00e9 demorado e pode levar mais de quatro meses. Devido \u00e0 import\u00e2ncia e \u00e0 complexidade do projeto, quatro analistas t\u00e9cnicos em gest\u00e3o ambiental da Fatma estudam o documento.<\/p>\n<p>Por ora, a WorldPort garante que a quest\u00e3o ambiental vem recebendo cuidado especial no projeto e que foram elaborados todos os estudos t\u00e9cnicos necess\u00e1rios para definir a melhor forma de desenvolver o empreendimento. O projeto prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de sete terminais e oito ber\u00e7os de atraca\u00e7\u00e3o na orla da praia do Sumidouro.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, a \u00e1rea de opera\u00e7\u00e3o total prevista para quando o novo porto estiver conclu\u00eddo (1,1 milh\u00e3o de m\u00b2) equivale a mais de sete vezes o tamanho do Porto Itapo\u00e1 hoje (150 mil m\u00b2).<\/p>\n<p>Segundo Marcus Barbosa, diretor da WorldPort, o porto vai impulsionar o desenvolvimento do munic\u00edpio, com uma movimenta\u00e7\u00e3o projetada em 20 milh\u00f5es de toneladas de mercadorias por ano. Ele explica que reuni\u00f5es de esclarecimento est\u00e3o sendo feitas com a comunidade e que o porto s\u00f3 entrar\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de acessos pr\u00f3prios, separados dos existentes nas praias do Forte e do Sumidouro, a partir do entroncamento com a BR-280.<\/p>\n<p>Para convencer a popula\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do projeto, a WorldPort tamb\u00e9m destaca os n\u00fameros. De acordo com a empresa, na fase de constru\u00e7\u00e3o, o Porto Brasil Sul vai gerar tr\u00eas mil empregos diretos, com foco na contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra no munic\u00edpio. Al\u00e9m disso, diz a WorldPort, a arrecada\u00e7\u00e3o de tributos decorrentes dos impactos dos investimentos realizados no projeto ser\u00e1 de R$ 3,7 bilh\u00f5es at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Meio ambiente e falta de estrutura preocupam<\/p>\n<p>Para os integrantes do movimento contr\u00e1rio \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do porto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o lado financeiro que est\u00e1 em jogo. H\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos poss\u00edveis danos ambientais causados pelo futuro empreendimento.<\/p>\n<p>Conforme Anderson Peretti, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria da Enseada do Acara\u00ed, os manguezais das praias do Forte e do Capri s\u00e3o um ber\u00e7\u00e1rio natural de in\u00fameras esp\u00e9cies marinhas e ser\u00e3o muito prejudicados se o projeto de constru\u00e7\u00e3o for autorizado.<\/p>\n<p>\u2013 Imagina como isso aqui vai ficar quando come\u00e7arem a construir o porto? V\u00e3o destruir um ambiente que demorou milhares de anos para se formar \u2013 argumenta Peretti, apontando para as placas de sinaliza\u00e7\u00e3o existentes no local, que indicam ser \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>A presidente da Associa\u00e7\u00e3o Movimento Ecol\u00f3gico Carij\u00f3s (Ameca), Nilse Prim Borges, refor\u00e7a que o impacto da constru\u00e7\u00e3o de um empreendimento desse porte pode ser irrevers\u00edvel, pois vai mexer com todo um ecossistema.<\/p>\n<p>\u2013 Temos que mostrar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o os impactos ambientais que podem acontecer. Eles (os empreendedores) ter\u00e3o de aterrar uma \u00e1rea enorme para instalar o porto. E de onde vir\u00e1 e por onde passar\u00e1 toda essa terra? \u2013 indaga.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Organizador do primeiro encontro de moradores contr\u00e1rios \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do porto, Tiago Tavares Constante afirma estar muito preocupado com o futuro empreendimento. Para ele, a praia do Forte \u00e9 um local singular em S\u00e3o Francisco, com um ecossistema diferenciado que encanta moradores e visitantes.<\/p>\n<p>\u2013 Ser\u00e1 um absurdo permitir a constru\u00e7\u00e3o de um porto neste local. N\u00e3o \u00e9 um bom neg\u00f3cio destruir o que temos de melhor e mais precioso para beneficiar meia d\u00fazia de pessoas \u2013 salienta.<\/p>\n<p>Os trabalhadores do Porto de S\u00e3o Francisco do Sul tamb\u00e9m s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 chegada do novo empreendimento. Vander Luiz da Silva, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Sindicatos dos Trabalhadores Avulsos e Demais Sindicatos de Trabalhadores da Orla Portu\u00e1ria de S\u00e3o Francisco do Sul (Intersindical), diz que a promessa de abertura de tr\u00eas mil empregos n\u00e3o \u00e9 verdadeira. Segundo ele, isso \u00e9 uma ilus\u00e3o porque a grande maioria dos trabalhadores vir\u00e1 de outras cidades e Estados.<\/p>\n<p>\u2013 Temos de fazer esse debate com a comunidade. Essa luta \u00e9 de todos n\u00f3s. Antes de pensar em construir um novo porto, as autoridades deveriam pensar em obras de infraestrutura e mobilidade, como a da BR-280 \u2013 diz.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Luiz de Almeida Gon\u00e7alves, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores de Itamirim e Ubatuba, considera o projeto descabido, pois haver\u00e1 aumento significativo de tr\u00e1fego de caminh\u00f5es na BR-280 sem que ela esteja preparada.<\/p>\n<p>\u2013 Eles (empreendedores) est\u00e3o mais preocupados em ganhar dinheiro \u00e0s custas do povo e da destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>Empres\u00e1rios se mostram favor\u00e1veis ao projeto<\/strong><\/p>\n<p>Diferentemente dos moradores e representantes de \u00f3rg\u00e3os ambientais, as lideran\u00e7as empresariais de S\u00e3o Francisco do Sul se disseram favor\u00e1veis \u00e0 instala\u00e7\u00e3o do novo porto. H\u00e1 o entendimento de que o projeto vai dar um forte impulso \u00e0 economia da cidade.<\/p>\n<p>\u2013 Entendemos que \u00e9 uma grande oportunidade para o varejo francisquense, visto que ir\u00e1 gerar grande quantidade de empregos desde a sua instala\u00e7\u00e3o at\u00e9 a opera\u00e7\u00e3o, contribuindo para a movimenta\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de riquezas na nossa cidade, uma vez que temos m\u00e3o de obra habilitada para o exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es exigidas para o empreendimento \u2013 destaca Andreas Hock Siewerdt, presidente CDL de S\u00e3o Francisco do Sul.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Empresarial da cidade (Acisfs), Francisco Ant\u00f4nio Ramos, tem posicionamento parecido. Ele acrescenta que nem todas as informa\u00e7\u00f5es sobre o novo empreendimento foram repassadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Por isso, existe um forte descontentamento entre os moradores. Ramos ressalta que o projeto \u00e9 interessante e que, com as audi\u00eancias p\u00fablicas, os esclarecimentos dados pela empresa poder\u00e3o ajudar no entendimento.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 claro que respeitamos os pescadores, os banhistas e o meio ambiente, mas n\u00e3o podemos deixar de levar em conta o tamanho do projeto. Ele prev\u00ea a gera\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mil empregos diretos e indiretos. \u00c9 um n\u00famero muito significativo e que vai mexer com toda a economia da cidade a longo prazo \u2013 avalia.<\/p>\n<p>Ramos lembra tamb\u00e9m que qualquer projeto de investimento que seja feito hoje em S\u00e3o Francisco do Sul depender\u00e1 da duplica\u00e7\u00e3o da BR-280, algo que ainda n\u00e3o saiu do papel e nem tem prazo para come\u00e7ar.<\/p>\n<p>\u2013 Alguma coisa precisa ser feita urgentemente com a BR-280, porque, do contr\u00e1rio, at\u00e9 os investimentos em turismo ser\u00e3o prejudicados \u2013 completou.<\/p>\n<p>Press\u00e3o para leis que impe\u00e7am a constru\u00e7\u00e3o<br \/>A mobiliza\u00e7\u00e3o contra a instala\u00e7\u00e3o do Porto Brasil Sul ganhou novos aliados na \u00faltima quinta-feira em S\u00e3o Francisco do Sul. O projeto foi discutido durante sess\u00e3o da C\u00e2mara de Vereadores de S\u00e3o Francisco do Sul com pronunciamentos de l\u00edderes comunit\u00e1rios e da classe sindical.<\/p>\n<p>Em decis\u00e3o un\u00e2nime, os nove parlamentares da casa aprovaram a mo\u00e7\u00e3o apresentada pelo vereador Salvador Luiz Gomes, o Dod\u00f4, pedindo mudan\u00e7as na lei portu\u00e1ria vigente e a reabertura da discuss\u00e3o sobre o atual plano diretor, modificado em 2013.<\/p>\n<p>\u2013 Vou apresentar um projeto de lei para revogar as altera\u00e7\u00f5es feitas na lei portu\u00e1ria e no plano diretor (em 2013). Isso precisa ser novamente discutido \u2013 refor\u00e7ou Dod\u00f4.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o do Legislativo francisquense contou com a presen\u00e7a de dezenas de pessoas contr\u00e1rias ao projeto de instala\u00e7\u00e3o do novo porto. Algumas empunhavam cartazes com frases como \u201cN\u00e3o \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da Praia do Forte\u201d ou \u201cDinheiro n\u00e3o compra a biodiversidade\u201d.<\/p>\n<p>Frases de ordem como \u201cFora, porto!\u201d tamb\u00e9m eram entoadas em v\u00e1rios momentos da sess\u00e3o. O vereador Dorlei Jo\u00e3o Antunes, que pediu a palavra ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes comunit\u00e1rios, tamb\u00e9m apoiou o movimento e se mostrou preocupado com os pescadores, que tamb\u00e9m podem ser afetados com a instala\u00e7\u00e3o do empreendimento.\u00a0<\/p>\n<p>O prefeito de S\u00e3o Francisco do Sul, Renato Gama Lobo, foi procurado pela reportagem para falar sobre o projeto do novo porto, mas devido a compromissos agendados, n\u00e3o p\u00f4de ser ouvido. Segundo a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do prefeito, ele poder\u00e1 se manifestar apenas daqui 15 dias, pois est\u00e1 com a agenda lotada at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<div>Fonte: G1\/SC<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A instala\u00e7\u00e3o de um novo porto em S\u00e3o Francisco do Sul, entre as praias do Forte e do Capri, tem sido alvo de pol\u00eamica e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":23071,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-23070","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23070"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23072,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23070\/revisions\/23072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}