{"id":23023,"date":"2017-03-31T00:39:48","date_gmt":"2017-03-31T03:39:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=23023"},"modified":"2017-03-30T09:44:39","modified_gmt":"2017-03-30T12:44:39","slug":"teor-de-enxofre-no-oleo-combustivel-maritimo-deve-ser-reduzido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/teor-de-enxofre-no-oleo-combustivel-maritimo-deve-ser-reduzido\/","title":{"rendered":"Teor de enxofre no \u00f3leo combust\u00edvel mar\u00edtimo deve ser reduzido"},"content":{"rendered":"<p>O transporte mar\u00edtimo tem um grande desafio nos pr\u00f3ximos anos: alcan\u00e7ar a meta estabelecida pela IMO (Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional) de redu\u00e7\u00e3o do teor de enxofre dos combust\u00edveis usados no setor. Acordo ratificado no ano passado estabelece que o limite deve passar dos atuais 3,5% para 0,5%, a partir de 2020. Com isso, a participa\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es dos navios na polui\u00e7\u00e3o do ar em todo o mundo dever\u00e1 cair de 5% para 1,5%, de acordo com a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A medida, que visa essencialmente reduzir as emiss\u00f5es de SO2 (di\u00f3xido de enxofre) no meio ambiente, deve ser adotada em car\u00e1ter obrigat\u00f3rio e igual para os navios de todos os Estados Partes \u2013 que integram a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) -, evitando distor\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 competitividade comercial. Por outro lado, pa\u00edses em desenvolvimento, como Brasil, China, \u00cdndia e A?frica do Sul, entendem que deve ser seguido o princ\u00edpio b\u00e1sico da \u201cResponsabilidade Comum, mas Diferenciada\u201d, estabelecido pelo Protocolo de Quioto.<\/p>\n<p>Durante a COP 22 (Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Clima), ocorrida em novembro de 2016, no Marrocos, o Brasil ratificou sua inten\u00e7\u00e3o de reduzir 37% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2025, com indicativo de cortar 43%, at\u00e9 2030. Para que isso aconte\u00e7a, diminuir a emiss\u00e3o de gases por parte das embarca\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>A nova regra da IMO estava condicionada aos resultados de um estudo sobre a viabilidade da produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel com menores n\u00edveis de enxofre o qual indicou que haver\u00e1 insumo limpo, dispon\u00edvel e suficiente a partir de 2020 para toda a frota mar\u00edtima. Os dados tamb\u00e9m mostraram que a redu\u00e7\u00e3o pode evitar 134 mil mortes prematuras na \u00c1sia, 32 mil na \u00c1frica e 20 mil na Am\u00e9rica Latina, devido aos problemas causados \u00e0 sa\u00fade pela emiss\u00e3o dos poluentes.<\/p>\n<p>A norma deve ter grande impacto no mundo todo, uma vez que grandes navios porta-cont\u00eaineres de 15 mil a 18 mil TEUs (unidade equivalente a 20 p\u00e9s) consomem at\u00e9 300 toneladas de \u00f3leo pesado com alta concentra\u00e7\u00e3o de enxofre por dia em alto-mar, enquanto um t\u00edpico navio petroleiro consome cerca de 100 toneladas por dia.<\/p>\n<p>Para M\u00e1rio Mendon\u00e7a, assessor internacional do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima), o estudo n\u00e3o foi conclusivo, pois levou em considera\u00e7\u00e3o proje\u00e7\u00e3o de dados de dif\u00edcil concretiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 2020. \u201cExiste uma d\u00favida sobre a capacidade das refinarias em produzir esse combust\u00edvel em todo o mundo, uma vez que, por serem empresas privadas, podem n\u00e3o se interessar comercialmente em manufaturar tal produto\u201d, afirma. Ele argumenta que o estudo avaliou que boa parte dos navios poderiam instalar sistemas de limpeza dos gases de exaust\u00e3o (scrubbers) nas descargas dos motores, o que justificaria o uso de combust\u00edveis com uma porcentagem maior de enxofre.<\/p>\n<p>J\u00e1 Jos\u00e9 Roque, diretor-executivo do Sindamar (Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima do Estado de S\u00e3o Paulo), garante que o Brasil est\u00e1 preparado para a mudan\u00e7a, pois todo o combust\u00edvel fornecido pela Petrobras, h\u00e1 mais de oito anos, j\u00e1 vem com teor de enxofre m\u00e1ximo de 0,75%. \u201cAs emiss\u00f5es de gases poluentes do Brasil ca\u00edram 50% em cinco anos, mesmo com contribui\u00e7\u00e3o para o aquecimento global maior na \u00faltima d\u00e9cada\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo o Plano Setorial de Transporte e de Mobilidade Urbana para Mitiga\u00e7\u00e3o da Mudan\u00e7a do Clima, elaborado em 2012, o transporte aquavi\u00e1rio brasileiro dever\u00e1 ser respons\u00e1vel por 4% do total das emiss\u00f5es de CO2.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente afirma que o pa\u00eds, como membro da IMO e signat\u00e1rio da Conven\u00e7\u00e3o MARPOL (Conven\u00e7\u00e3o Internacional para a Preven\u00e7\u00e3o da Polui\u00e7\u00e3o por Navios), dever\u00e1 tomar todas as medidas cab\u00edveis para cumprir o prazo estabelecido para disponibilizar o uso do combust\u00edvel mar\u00edtimo com menor teor de enxofre. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m garante que as refinarias brasileiras s\u00e3o plenamente capazes de produzir o combust\u00edvel com teor reduzido de enxofre, visto que j\u00e1 produzem \u00f3leo diesel mar\u00edtimo com essa especifica\u00e7\u00e3o, voltado principalmente para embarca\u00e7\u00f5es m\u00e9dias e pequenas.<\/p>\n<p>A ANP (Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis) afirma que o pa\u00eds est\u00e1 preparado no que diz respeito ao \u00f3leo diesel mar\u00edtimo, usado em motores auxiliares de grandes embarca\u00e7\u00f5es e em motores de propuls\u00e3o dos navios de pequeno e m\u00e9dio porte. J\u00e1 sobre os \u00f3leos combust\u00edveis mar\u00edtimos, usados em embarca\u00e7\u00f5es de grande porte, a situa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 sendo avaliada. A ag\u00eancia ressalta que o petr\u00f3leo extra\u00eddo em campos no Brasil apresenta teor de enxofre relativamente reduzido, fato que pode facilitar a mudan\u00e7a e que a regulamenta\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel utilizado no pa\u00eds se inspira na norma internacional ISO 8217, que trata das especifica\u00e7\u00f5es dos combust\u00edveis mar\u00edtimos.<\/p>\n<p>Emiss\u00f5es<\/p>\n<p>Os navios comerciais emitem diversos poluentes, entre os quais, SO2 e CO2. Al\u00e9m disso, dados da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, mostram que o CO2 liberado pelas embarca\u00e7\u00f5es representa cerca de 3% de todo o elemento emitido pelas atividades humanas. A frota mar\u00edtima mundial emite ainda quase 30% dos \u00f3xidos de nitrog\u00eanio.<\/p>\n<p>Dados da ONU mostram que o setor aquavi\u00e1rio participa com 80% do com\u00e9rcio mundial em volume e com 70% em valor. No Brasil, segundo a Antaq (Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios), somente no primeiro semestre de 2016, os portos p\u00fablicos e os terminais privados movimentaram 491 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Fonte: Revista MF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O transporte mar\u00edtimo tem um grande desafio nos pr\u00f3ximos anos: alcan\u00e7ar a meta estabelecida pela IMO (Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional) de redu\u00e7\u00e3o do teor de enxofre&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":19483,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-23023","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23023"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23023\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23024,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23023\/revisions\/23024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}