{"id":22842,"date":"2017-03-13T00:12:38","date_gmt":"2017-03-13T03:12:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=22842"},"modified":"2017-03-08T23:16:09","modified_gmt":"2017-03-09T02:16:09","slug":"empresas-brasileiras-ainda-tem-poucas-mulheres-no-conselho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/empresas-brasileiras-ainda-tem-poucas-mulheres-no-conselho\/","title":{"rendered":"Empresas brasileiras ainda t\u00eam poucas mulheres no conselho"},"content":{"rendered":"<p>As mulheres que est\u00e3o aqui deveriam estar pilotando enceradeiras, comentou ir\u00f4nico um dos professores de Helo\u00edsa Bedicks em uma de suas primeiras aulas do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Economia, na d\u00e9cada de 80. A sala era composta, na \u00e9poca, 60% por alunos e 40% por alunas, o que n\u00e3o abalou tal docente de fazer o coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cMe senti muito agredida com aquilo. Hoje sei que \u00e9 uma quest\u00e3o de timing para que mais\u00a0mulheres\u00a0ocupem espa\u00e7o em conselhos e cargos de lideran\u00e7a\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Superintendente-geral do Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa desde 2011, Bedicks foi aluna da primeira turma do curso de conselheiros de administra\u00e7\u00e3o do IBGC, \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo do assunto no Brasil.<\/p>\n<p>Ainda assim, sabe que desbravou um caminho pouqu\u00edssimo explorado por outras executivas.<\/p>\n<p>Uma pesquisa feita em 2016 pelo pr\u00f3prio IBGC apontou que as mulheres ocupam apenas 7,9% do total de assentos dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o das 339 empresas listadas na bolsa brasileira. O percentual teve um avan\u00e7o p\u00edfio desde 2012, quando o mesmo estudo foi feito.<\/p>\n<p>Os motivos abrangem quest\u00f5es culturais complexas e socioecon\u00f4micas, como o fato da mulher ainda ganha menos que o homem, acredita a superintendente.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, esses cargos mais estrat\u00e9gicos s\u00e3o escolhidos por indica\u00e7\u00e3o de outros conselheiros que, por sua vez, escolhem seus pares, geralmente homens\u201d, comenta ela. \u201cMas h\u00e1 tamb\u00e9m as decis\u00f5es cruciais tomadas pelas mulheres ao longo da vida, em especial quando t\u00eam filhos\u201d.<\/p>\n<p>Muitas n\u00e3o conseguem conciliar a vida profissional e pessoal nessa etapa da vida e, no caso da promo\u00e7\u00e3o dos maridos para outros estados, s\u00e3o elas que usualmente abrem m\u00e3o da carreira.<\/p>\n<p>No quadro geral, as mulheres ocupam 40% dos cargos de conselhos das companhias litadas do pa\u00eds, a maioria em \u00e1reas de especializa\u00e7\u00e3o em RH ou Marketing, \u00e1reas fora das usuais de um conselheiro, em geral formado em economia, administra\u00e7\u00e3o, engenharia\u00a0e direito.<\/p>\n<p>\u201cFalta mulheres CFO, COO, CEO no pa\u00eds, falta presen\u00e7a feminina na lideran\u00e7a das grandes empresas e est\u00e1 provado que neg\u00f3cios que investem nisso, se saem melhor\u201d conclui ela.<\/p>\n<p>Em 2013,\u00a0dados mostram\u00a0que companhias com uma ou mais mulheres em seus comit\u00eas executivos obtinham retorno sobre o patrim\u00f4nio 44% maior e margem de lucro antes dos impostos 47% acima do que os registrados por aquelas com apenas homens nessas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Cota ou m\u00e9rito<\/strong><\/p>\n<p>Conselheira da administra\u00e7\u00e3o da gigante de energia CPFL h\u00e1 dois anos, a contadora Ana Maria Elorrieta trabalhou por 35 anos na consultoria PwC antes de se dedicar ao desafio. Sua entrada no conselho foi por indica\u00e7\u00e3o de uma outra conselheira mas, deixa claro, por m\u00e9rito profissional e pelo poder de agregar uma vis\u00e3o diferenciada ao cargo.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que mais mulheres se tornar\u00e3o conselheiras \u00e0 medida que os pr\u00f3prios conselhos de administra\u00e7\u00e3o das empresas brasileiras se tornem mais profissionais\u201d, diz Elorrieta. \u201cQuanto mais plurais, com especialistas em \u00e1reas distintas e de g\u00eaneros diversos, melhores eles ser\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Questionadas sobre o quanto cotas poderiam ajudar nesse avan\u00e7o, tanto Bedicks quanto Elorrieta concordam: meritocracia \u00e9 o melhor caminho, ainda que o menos r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Ambas usam o argumento de que a ado\u00e7\u00e3o de cotas nas empresas cria o risco de escolher pessoas menos qualificadas para apenas cumprir com a obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, j\u00e1 que h\u00e1 muitas profissionais altamente qualificadas no mercado\u201d, afirma a conselheira da CPFL.<\/p>\n<p>O sistema de cotas para mulheres em conselhos de administra\u00e7\u00e3o ajudou\u00a0a fazer da Noruega a l\u00edder entre os pa\u00edses com mais diversidade de g\u00eanero na fun\u00e7\u00e3o\u00a0\u2013 a porcentagem por l\u00e1 \u00e9 de 40,5%. Fran\u00e7a, \u00c1frica do Sul e Holanda tamb\u00e9m figuram entre as dez na\u00e7\u00f5es mais bem posicionadas no quesito \u2013 Brasil ocupa o 26\u00ba lugar no ranking.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o acreditamos que algo imposto pelo governo seja ben\u00e9fico, mas conscientizamos as empresas de que a diversifica\u00e7\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 o melhor caminho\u201d, afirma Bedicks.<\/p>\n<p>O IBGC tem um programa de mentoria para executivas interessadas em atuar em conselhos que j\u00e1 est\u00e1 na segunda turma, uma troca de experi\u00eancias entre conselheiros atuantes com 23 profissionais\u00a0interessadas em trabalhar na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cMuitas j\u00e1 sa\u00edram do programa como conselheiras por puro m\u00e9rito\u201d, diz a superintendente.<\/p>\n<p><strong>Diversidade nas empresas<\/strong><\/p>\n<p>Uma pesquisa exclusiva da PwC analisa o que as companhias podem fazer para atrair e reter mais talentos femininos e ressalta a import\u00e2ncia de incorporar a diversidade no neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O levantamento intitulado \u201cGanhando a luta pelo talento feminino: como obter a vantagem da diversidade atrav\u00e9s do recrutamento inclusivo\u201d entrevistou 4.792 profissionais (3.934 mulheres, 845 homens) de diferentes tipos de empresas e pa\u00edses. Em paralelo, 328 respons\u00e1veis por diversidade ou recrutamento em grandes companhias foram ouvidos.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, a pesquisa mostra a consci\u00eancia dos CEO\u00b4s de que muito pouco foi feito por eles para o\u00a0avan\u00e7o em equidade de g\u00eanero nas companhias \u2013 ainda que hoje eles tenham uma vontade real\u00a0de fazer com que isso\u00a0aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>O estudo mostra que 76% dos empregadores incorporaram diversidade e inclus\u00e3o em suas bandeiras, ainda que apenas 28% tenham um programa formal de reten\u00e7\u00e3o de mulheres e\u00a0oportunidades iguais de progresso dentro da empresa. Dia da mulher: entenda os direitos das mulheres nas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas\u2013 Patrocinado\u00a0<\/p>\n<p>A possibilidade de progredir na carreira \u00e9 uma das tr\u00eas caracter\u00edsticas mais atraentes para executivos, sejam homens ou mulheres. Mas para a maioria delas (67%), o fato da corpora\u00e7\u00e3o\u00a0ter um modelo de gest\u00e3o inclusivo pesa muito mais na hora de aceitar uma proposta.<\/p>\n<p>Ainda assim, 28% das entrevistadas disseram ter a percep\u00e7\u00e3o de que os empregadores s\u00e3o tendenciosos ao optaram em favor de candidatos homens na hora de contratar \u2013 a porcentagem era menor, de 16%, em 2011, quando um estudo semelhante foi feito.<\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres que est\u00e3o aqui deveriam estar pilotando enceradeiras, comentou ir\u00f4nico um dos professores de Helo\u00edsa Bedicks em uma de suas primeiras aulas do curso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-22842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22842"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22843,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842\/revisions\/22843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}