{"id":22736,"date":"2017-03-02T10:59:20","date_gmt":"2017-03-02T13:59:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=22736"},"modified":"2017-03-02T10:59:20","modified_gmt":"2017-03-02T13:59:20","slug":"polo-naval-gaucho-teve-2o-maior-corte-de-vagas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/polo-naval-gaucho-teve-2o-maior-corte-de-vagas\/","title":{"rendered":"Polo naval ga\u00facho teve 2\u00ba maior corte de vagas"},"content":{"rendered":"<p>O desemprego na ind\u00fastria naval cresce a passos largos no Brasil. De 2014 (quando come\u00e7aram as demiss\u00f5es no setor) at\u00e9 2016, foram fechados 31.322 postos de trabalho, retra\u00e7\u00e3o de 43,8%.<\/p>\n<p>Eram 71.554 postos de trabalho diretos, contra 40.232 em 2016. Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), com base nos registos do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego.\u00a0A pesquisa analisou estaleiros alocados em 15 munic\u00edpios espalhados em nove estados.\u00a0<\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul foi o segundo estado mais atingido do Brasil, com o fechamento de 4.627 vagas em Rio Grande e S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte. O Rio de Janeiro lidera esse ranking negativo, com retra\u00e7\u00e3o de 7.470 postos nas cidades de Angra dos Reis, Itagua\u00ed, Niter\u00f3i e na capital Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Entre os munic\u00edpios, Rio Grande, com fechamento de 4.357 empregos, liderou o enxugamento no Pa\u00eds. Somente em dezembro houve um corte de 3.089 postos, resultado das demiss\u00f5es da empresa Engevix Constru\u00e7\u00f5es Oce\u00e2nicas (Ecovix), que entrou com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o apenas Rio Grande, mas toda regi\u00e3o Sul est\u00e1 sendo muito prejudicada, caso de cidades como Pelotas e Jaguar\u00e3o. E o pior \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de volta destes empregos&#8221;, afirma o vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos do Rio Grande do Sul, ligada \u00e0 CUT, Enio Santos.<\/p>\n<p>Ele conta que, no ano passado, diversas entidades e empres\u00e1rios fizeram movimentos junto ao poder p\u00fablico federal para tentar reverter a situa\u00e7\u00e3o, o que envolveu encontros com ministros em Bras\u00edlia. Mas, o resultado n\u00e3o foi o esperado. &#8220;Me parece que o projeto \u00e9 terminar com ind\u00fastria naval brasileira e passar a fazer plataformas fora do Pa\u00eds&#8221;, lamenta. No dia 13 de mar\u00e7o, ser\u00e1 realizada uma audi\u00eancia p\u00fablica em Rio Grande para discutir o futuro da ind\u00fastria naval brasileira.<\/p>\n<p>A crise \u00e9 efeito do esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o revelado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e que envolve a Petrobras, maior player de explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural. A estatal reduziu investimentos, que atingiram em cheio o polo ga\u00facho. A situa\u00e7\u00e3o piorou depois que foram flexibilizadas as regras de percentual de nacionaliza\u00e7\u00e3o dos componentes, que era um dos pilares da pol\u00edtica de revitaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria naval instaurada pelo governo do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>A economista do Dieese Cristina Pereira Vieceli comenta que a cl\u00e1usula que alterou o \u00edndice de nacionaliza\u00e7\u00e3o fez com que plataformas passassem a ser constru\u00eddas fora do Brasil, como na \u00c1sia. &#8220;Essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 impactando o dia a dia das cidades que sediam estaleiros, j\u00e1 que a perspectiva \u00e9 de que cada emprego gerado no segmento naval gere mais cinco indiretos&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Santos elogia a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria naval brasileiro, bem como a tecnologia e qualidade da m\u00e3o de obra. &#8220;A alega\u00e7\u00e3o de que fabricar na China custaria 30% menos n\u00e3o procede, especialmente se pensarmos que o investimento feito no Brasil gera empregos e faz toda economia girar&#8221;, aponta o sindicalista.<\/p>\n<p>Um estudo do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp de fevereiro aponta que a mudan\u00e7a das regras de conte\u00fado local afetar\u00e1 a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de valor da cadeia do setor de petr\u00f3leo aos componentes. A Fiesp estima que a cada R$ 1 bilh\u00e3o investidos na explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s e de bens e servi\u00e7os geram R$ 551 milh\u00f5es no PIB e 1.532 empregos. Sem as restri\u00e7\u00f5es, o aporte cairia a apenas R$ 43 milh\u00f5es de acr\u00e9scimo ao PIB e 144 empregos.<\/p>\n<p>Fonte: JCRS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desemprego na ind\u00fastria naval cresce a passos largos no Brasil. 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