{"id":22710,"date":"2017-02-24T00:00:21","date_gmt":"2017-02-24T03:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=22710"},"modified":"2017-02-23T15:31:46","modified_gmt":"2017-02-23T18:31:46","slug":"dreyfus-aposta-em-marajo-para-crescer-no-arco-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/dreyfus-aposta-em-marajo-para-crescer-no-arco-norte\/","title":{"rendered":"Dreyfus aposta em Maraj\u00f3 para crescer no Arco Norte"},"content":{"rendered":"<p>\u00daltima entre as grandes tradings de commodities agr\u00edcolas a se posicionar no corredor do Tapaj\u00f3s, a Louis Dreyfus Company fechou a compra de um terreno na ilha de Maraj\u00f3, no Par\u00e1, onde pretende construir seu primeiro porto na principal rota de escoamento de gr\u00e3os do Arco Norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A multinacional optou por uma \u00e1rea de quase dois mil metros de frente e \u00e1guas mais calmas localizada em uma antiga fazenda na regi\u00e3o conhecida como Enseada do Malato. \u00c9 ali que a Dreyfus pretende fazer o transbordo das barca\u00e7as para navios graneleiros destinados ao exterior, com capacidade m\u00e1xima de movimenta\u00e7\u00e3o de 9 milh\u00f5es de toneladas ao ano. Se tudo ocorrer como esperado, diz a empresa.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos fazendo tudo certo, com cuidado. Queremos fazer [o terminal] l\u00e1, mas sempre podem surgir novas quest\u00f5es&#8221;, diz Luis Barbieri, diretor para Oleaginosas da Dreyfus no Brasil, referindo-se \u00e0 presen\u00e7a ainda inicial na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A compra do terreno em Maraj\u00f3 \u00e9 a \u00faltima etapa de um projeto log\u00edstico no Arco Norte que consumir\u00e1 estimados R$ 1 bilh\u00e3o em investimentos pela empresa. A Dreyfus tamb\u00e9m investir\u00e1 em frota pr\u00f3pria de barca\u00e7as e empurradores e no terminal de transbordo de gr\u00e3os em Santarenzinho, a alguns quil\u00f4metros de Miritituba, onde a maior parte dos terminais fluviais da concorr\u00eancia j\u00e1 foi levantada.<\/p>\n<p>Segundo Barbieri, a companhia aguarda a emiss\u00e3o das licen\u00e7as de praxe para dar in\u00edcio aos trabalhos no Tapaj\u00f3s. A expectativa \u00e9 que a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o de Santarenzinho saia no fim de 2017, o que tornaria o terminal operacional em meados de 2019. &#8220;Mas sempre que falei uma data, eu atrasei&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Maraj\u00f3, a hist\u00f3ria pode ser mais longa. Por esse motivo, Barbieri diz estar conversando tamb\u00e9m, paralelamente, com dois potenciais parceiros log\u00edsticos na regi\u00e3o. O &#8220;plano B&#8221; seria a tentativa de garantir o fluxo da Dreyfus em um cen\u00e1rio de descasamento do cronograma das obras portu\u00e1rias.<\/p>\n<p>O executivo \u00e9 cauteloso em falar sobre os planos para a ilha paraense. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a Dreyfus mapeou v\u00e1rias possibilidades de terrenos para implementar seu corredor fluvial. A Enseada do Malato atraiu pelo calado &#8211; de 15 a 35 metros, a depender do local, \u00f3timo para a atracagem de grandes embarca\u00e7\u00f5es. Mas a empresa queria &#8220;ir com calma&#8221;, apesar da dianteira de Bunge, Cargill, ADM, Amaggi, Glencore e Hidrovias do Brasil, todas j\u00e1 navegando pelo rio Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p>A vantagem de chegar depois, neste caso, trouxe o benef\u00edcio do aprendizado com o erro do outro. Na Par\u00e1, corre o dito de que para cada casa h\u00e1 sempre quatro andares &#8211; alus\u00e3o ao caos fundi\u00e1rio que permite a disputa de um im\u00f3vel por v\u00e1rios &#8220;donos&#8221;. A OTP, da Odebrecht, viveu isso em Miritituba &#8211; a titularidade do seu terreno foi questionada depois por um local.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o quer\u00edamos brecha para questionamento jur\u00eddico ou conflitos com a comunidade. Nossos advogados foram at\u00e9 a Portugal estudar o processo de sesmarias, quem vendeu pra quem [a terra]. Temos um dossi\u00ea desse tamanho&#8221;, diz o executivo, representando com as m\u00e3os o volume de pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Conflitos com os ribeirinhos tamb\u00e9m s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o. No ano passado, a Bunge foi alvo de questionamentos por supostos inc\u00f4modos \u00e0 comunidade de um pequeno bra\u00e7o do Tapaj\u00f3s, onde passou a fundear as suas barca\u00e7as.<\/p>\n<p>Nesse processo, a Dreyfus contratou a The Nature Conservancy (TNC), organiza\u00e7\u00e3o ambiental com alto expertise em Amaz\u00f4nia, para fazer o diagn\u00f3stico de Maraj\u00f3. Apesar da localiza\u00e7\u00e3o boa, a ilha \u00e9 conhecida pela grave disparidade social, abandono do Estado, conflitos entre quilombolas e fazendeiros e, mais recentemente, com os arrozeiros. S\u00f3 na \u00e1rea de influ\u00eancia da Dreyfus, em Malato, vivem hoje cerca de 400 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&#8220;A gente precisava entender as externalidades de um projeto que \u00e9 complexo&#8221;, afirma Barbieri.<\/p>\n<p>Ao fim de seis meses de audi\u00eancias p\u00fablicas e an\u00e1lises de pontos cegos do impacto do seu neg\u00f3cio na regi\u00e3o, a Louis Dreyfus diz estar mais apta ao di\u00e1logo com &#8220;stakeholders&#8221;. No in\u00edcio do ano passado, contratou Eloiso Ara\u00fajo, ex-Vale, para ser o primeiro Gerente de Sustentabilidade no Par\u00e1.<\/p>\n<p>A &#8220;licen\u00e7a social&#8221; que a companhia buscou para atuar no Tapaj\u00f3s ainda ter\u00e1 de se provar com o tempo. Por ora, a subsidi\u00e1ria brasileira ter\u00e1 de lidar com outras vari\u00e1veis que determinar\u00e3o o ritmo de implementa\u00e7\u00e3o de seu novo corredor para o Norte: um caixa mais baixo e compromissos financeiros vultosos j\u00e1 firmados, como o seu futuro terminal graneleiro em Santos, que arrematou em leil\u00e3o junto com a Cargill, por R$ 303 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00daltima entre as grandes tradings de commodities agr\u00edcolas a se posicionar no corredor do Tapaj\u00f3s, a Louis Dreyfus Company fechou a compra de um terreno&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":22711,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-22710","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22710"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22712,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22710\/revisions\/22712"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}