{"id":22428,"date":"2017-01-31T08:54:16","date_gmt":"2017-01-31T10:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=22428"},"modified":"2017-01-31T08:54:16","modified_gmt":"2017-01-31T10:54:16","slug":"enseada-pede-recuperacao-extrajudicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/enseada-pede-recuperacao-extrajudicial\/","title":{"rendered":"Enseada pede recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial"},"content":{"rendered":"<p>A Enseada Ind\u00fastria Naval, empresa cujos s\u00f3cios s\u00e3o as brasileiras Odebrecht, OAS e UTC mais a japonesa Kawasaki, chegou a acordo com grupo de credores para reestruturar d\u00edvidas de R$ 1,3 bilh\u00e3o. A reestrutura\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita por meio de recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial protocolada na Justi\u00e7a do Rio na sexta\u00adfeira \u00e0 noite. O processo, que ainda precisar\u00e1 ser homologado pelo judici\u00e1rio, envolve fornecedores e d\u00edvida banc\u00e1ria de curto prazo. O endividamento de longo prazo ficou\u00a0de fora, pois est\u00e1 equacionado.<\/p>\n<p>Com a medida, a Enseada pretende elaborar um plano de neg\u00f3cios para gerar receitas e pagar os credores em prazo que pode chegar, no pior cen\u00e1rio, at\u00e9 19 anos \u00ad no melhor, a cinco anos. A empresa tamb\u00e9m quer atrair novos investimentos\u00a0para a \u00e1rea onde instalou o estaleiro, em Maragogipe, no Rec\u00f4ncavo baiano. O estaleiro entrou em dificuldades depois da derrocada da Sete Brasil, seu \u00fanico cliente, que pediu recupera\u00e7\u00e3o judicial no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;A recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial nos permite uma melhor organiza\u00e7\u00e3o uma vez que j\u00e1 largamos com um plano negociado com a maioria dos credores&#8221;, disse ao Valor Fernando Barbosa, presidente da Enseada Ind\u00fastria Naval. Os termos da\u00a0recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial foram definidos em comum acordo com um grupo de credores que representa mais de 64% do valor da d\u00edvida reestruturada. A empresa optou por incluir no processo somente as opera\u00e7\u00f5es da Bahia reunidas nas instala\u00e7\u00f5es em Maragogipe. A opera\u00e7\u00e3o no Rio, onde tem contratos com a Petrobras para a convers\u00e3o de cascos de navios\u00a0em plataformas de produ\u00e7\u00e3o para a cess\u00e3o onerosa do pr\u00e9\u00adsal, ficou de fora da recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n<p>Guilherme Abud, diretor jur\u00eddico da Enseada, disse que a empresa optou por incluir na a\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o um grupo espec\u00edfico de credores. A lista considera fornecedores das sondas para Sete Brasil, de empresas envolvidas na constru\u00e7\u00e3o\u00a0do estaleiro Enseada e fornecedores vinculados a atividades administrativas e corporativas. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que incluir esse grupo de credores na a\u00e7\u00e3o extrajudicial &#8220;blinda&#8221; a empresa de eventuais discuss\u00f5es futuras sobre sucess\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, estamos aptos a atrair [novos] investidores [para o estaleiro] sem ter que recorrer a medidas mais traum\u00e1ticas como seria a recupera\u00e7\u00e3o judicial&#8221;, disse.<br \/>Ele avaliou que a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e9 um processo mais simples do que a judicial, pois a empresa vai \u00e0 Justi\u00e7apara homologar um acordo j\u00e1 acertado com a maioria dos credores. Na pr\u00e1tica, disse Abud, \u00e9 como se a Enseada tivesse\u00a0criado uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), figura jur\u00eddica prevista na nova lei de fal\u00eancias que protege investidores e herdarem d\u00edvidas passadas.<\/p>\n<p>Barbosa disse que o plano de neg\u00f3cios da Enseada prev\u00ea v\u00e1rios cen\u00e1rios. Um deles considera a possibilidade de continuidade de algum neg\u00f3cio com a Sete Brasil. Pelo plano original, a Enseada faria seis unidades de perfura\u00e7\u00e3o para a\u00a0Sete, mas depois de todos os problemas enfrentados pela empresa de sondas h\u00e1 mais d\u00favidas do que certezas sobre o futuro de pelo menos parte desses contratos.<\/p>\n<p>Barbosa disse que a Enseada tem quase R$ 3 bilh\u00f5es em cr\u00e9ditos a receber da Sete Brasil. &#8220;\u00c9 algo que desorganiza as finan\u00e7as da empresa.&#8221; O cr\u00e9dito se refere a contratos de constru\u00e7\u00e3o dos navios\u00adsondas, dos quais um j\u00e1 tem mais de 75%\u00a0de obra pronta e outro, 35%. Procurada, a Sete n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p>Outras alternativas para a Enseada, numa uma estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o de atividades, \u00e9 desenvolver outros neg\u00f3cios ligados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o naval e offshore, como a constru\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos e &#8220;topsides&#8221;, que equipam plataformas de petr\u00f3leo,\u00a0bem como a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de integra\u00e7\u00e3o dessas unidades. Licenciado e autorizado a funcionar como terminal de uso privativo, o estaleiro da Enseada tamb\u00e9m pode se voltar para opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias como movimenta\u00e7\u00e3o de carga geral e gran\u00e9is (s\u00f3lidos e l\u00edquidos, incluindo combust\u00edveis). Outra aposta, como terminal portu\u00e1rio, \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o de\u00a0cargas de projeto (equipamentos industriais para f\u00e1bricas).<\/p>\n<p>Espa\u00e7o n\u00e3o falta em Maragogipe para desenvolver essas atividades. O estaleiro foi instalado em terreno com \u00e1rea total de 1,6 milh\u00e3o de metros quadrados, dos quais cerca de 500 mil metros quadrados est\u00e3o dedicados a uma \u00e1rea de reserva. Os\u00a0restantes 1,1 milh\u00e3o de metros quadrados foram terraplenados, mas s\u00f3 metade dessa \u00e1rea est\u00e1 hoje ocupada com as instala\u00e7\u00f5es industriais do estaleiro. H\u00e1, portanto, algo como 600 mil metros quadrados que podem ser desenvolvidos\u00a0com novas atividades, disse Barbosa.<\/p>\n<p>Frente \u00e0s dificuldades da Sete Brasil, a Enseada n\u00e3o chegou a realizar todo o investimento previsto para o estaleiro, de R$ 3,2 bilh\u00f5es. Desembolsou 82% do total, ou R$ 2,6 bilh\u00f5es, sendo que R$ 1 bilh\u00e3o foi aportado em financiamentos\u00a0concedidos pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) via Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF), que atuaram como agentes financeiros na opera\u00e7\u00e3o. O valor emprestado pelo fundo, corrigido, soma cerca de R$ 1,2 bilh\u00e3o, mas n\u00e3o foi\u00a0inclu\u00eddo na a\u00e7\u00e3o extrajudicial, pois o empr\u00e9stimo conta com garantias reais da Enseada. A empresa, diz Barbosa, est\u00e1 adimplente com BB e Caixa. Disse que as duas institui\u00e7\u00f5es foram informadas da decis\u00e3o da companhia de pedir\u00a0recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n<p>Em meio a essa reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, a Enseada pode tamb\u00e9m terminar com mudan\u00e7as em sua base acion\u00e1ria. Barbosa n\u00e3o quis falar sobre o assunto, mas informa\u00e7\u00f5es de mercado d\u00e3o conta de que a UTC estaria em negocia\u00e7\u00f5es com\u00a0a Odebrecht para vender sua participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria na Enseada. At\u00e9 agora os s\u00f3cios permanecem com suas participa\u00e7\u00f5es inalteradas na holding que os re\u00fane, a Enseada Ind\u00fastria Naval Participa\u00e7\u00f5es S.A. A Odebrecht tem 50% e OAS e UTC,<br \/>25% cada uma.<\/p>\n<p>Essa holding tem 70% da empresa operacional, a Enseada Ind\u00fastria Naval S.A., que entrou com a a\u00e7\u00e3o extrajudicial. Os 30% restantes s\u00e3o da Kawasaki, que j\u00e1 provisionou US$ 200 milh\u00f5es desse neg\u00f3cio em seu balan\u00e7o. Os japoneses j\u00e1\u00a0discutem sa\u00edda da sociedade.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Enseada Ind\u00fastria Naval, empresa cujos s\u00f3cios s\u00e3o as brasileiras Odebrecht, OAS e UTC mais a japonesa Kawasaki, chegou a acordo com grupo de credores&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":22429,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-22428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22428"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22428\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22430,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22428\/revisions\/22430"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}