{"id":22305,"date":"2017-01-18T02:20:51","date_gmt":"2017-01-18T04:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=22305"},"modified":"2017-01-11T17:51:25","modified_gmt":"2017-01-11T19:51:25","slug":"porto-seco-entre-brasil-e-argentina-fica-sem-dono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/porto-seco-entre-brasil-e-argentina-fica-sem-dono\/","title":{"rendered":"Porto seco entre Brasil e Argentina fica sem dono"},"content":{"rendered":"<p>O transporte ferrovi\u00e1rio entre Brasil, Argentina e Uruguai poder\u00e1 ficar comprometido a partir do m\u00eas que vem. A Rumo ALL, empresa do Grupo Cosan que administra dois portos secos (terminal alfandegado) em Uruguaiana e Santana do Livramento, decidiu sair do neg\u00f3cio e devolver a permiss\u00e3o dada pelo governo federal para prestar o servi\u00e7o. Em carta enviada \u00e0 estatal ferrovi\u00e1ria argentina Belgrano, obtida pelo Estado, a empresa afirma que encerrar\u00e1 as opera\u00e7\u00f5es a partir de 31 de janeiro.<\/p>\n<p>Embora a decis\u00e3o de devolver os dois portos j\u00e1 vinha sendo esbo\u00e7ada desde o ano passado, a not\u00edcia pegou o governo federal no contrap\u00e9. Segundo fontes, ningu\u00e9m ainda sabe como resolver o problema. Uma nova permiss\u00e3o demoraria algum tempo para sair e poderia prejudicar a importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de produtos pelo corredor. H\u00e1 quem aposte numa solu\u00e7\u00e3o de mercado, que seria transferir para outra empresa a administra\u00e7\u00e3o os portos.<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio dos Transportes afirmou que quem responde pelo assunto \u00e9 a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O \u00f3rg\u00e3o regulador, por sua vez, disse que instaurou procedimento interno para apurar a informa\u00e7\u00e3o e se manifestar\u00e1 no momento oportuno.<\/p>\n<p>No fundo, uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 que a devolu\u00e7\u00e3o dos portos secos interrompa o tr\u00e1fego ferrovi\u00e1rio. A malha sul, como \u00e9 conhecida, inclui o Corredor do Mercosul para o Uruguai no porto seco de Sant&#8217;Ana do Livramento e de Uruguaiana, que leva mat\u00e9ria-prima para as f\u00e1bricas e ind\u00fastrias argentinas.<\/p>\n<p>Importadores, exportadores e despachantes j\u00e1 enviaram uma s\u00e9rie de correspond\u00eancias pra a ANTT, Minist\u00e9rio dos Transportes e Casa Civil alertando para o problema. O caso tamb\u00e9m est\u00e1 sendo acompanhado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal no Paran\u00e1. Num dos trechos de carta enviada ao ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, os representantes do com\u00e9rcio exterior temem que, com a decis\u00e3o da Rumo, tratados internacionais de integra\u00e7\u00e3o de aduanas sejam descumpridos. E questionam sobre a possibilidade de a ANTT fazer uma nova licita\u00e7\u00e3o para a malha sul.<\/p>\n<p>Em nota, a Rumo admite que em 31 de janeiro far\u00e1 a devolu\u00e7\u00e3o da permiss\u00e3o dos portos secos. Segundo a empresa, que j\u00e1 demitiu os funcion\u00e1rios do recinto alfandegado, o contrato foi firmado em 2006 com a Uni\u00e3o, pela antiga ALL. Em 2011, diz a companhia, a Receita emitiu uma portaria autorizando a devolu\u00e7\u00e3o. &#8220;A opera\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o n\u00e3o faz parte da estrat\u00e9gia da Rumo que, desde a fus\u00e3o com a ALL, conclu\u00edda em 2015, vem realizando grandes investimentos para promover o crescimento do modal ferrovi\u00e1rio. O transporte ferrovi\u00e1rio de cargas segue normalmente na regi\u00e3o&#8221;, destacou a empresa.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com exportadores, que preferem n\u00e3o se identificar, a empresa vem minando o com\u00e9rcio exterior pelo corredor, especialmente no trecho Tatu\u00ed (SP) &#8211; Uruguaiana (RS). Um usu\u00e1rio da malha afirma que at\u00e9 2015 transportava cerca de 1.500 cont\u00eaineres. No ano passado, a Rumo liberou apenas 200 cont\u00eaineres. O resto teve de usar o transporte rodovi\u00e1rio. Entre os produtos transportados pelo corredor, est\u00e1 bauxita, hidr\u00f3xido de alum\u00ednio, cer\u00e2mica e papel em bobina. No ano passado, foram despachados 5.500 cont\u00eaineres. Na d\u00e9cada passada, esse n\u00famero ultrapassou as 20 mil unidades. &#8220;Um transporte que durava 12, 15 dias passou a 40 dias. Isso faz com que o cliente fuja da ferrovia&#8221;, disse um usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo essa fonte, h\u00e1 um movimento para alertar o governo sobre o risco de extin\u00e7\u00e3o desse trecho. Atualmente, nesse trecho, a ferrovia representa cerca de 15% do com\u00e9rcio entre Brasil e Argentina feito por transporte terrestre. A ferrovia \u00e9 usada mais por cargas de menor valor agregado e de produtos n\u00e3o perec\u00edveis. Ainda que esteja caindo, o transporte sobre trilhos no corredor baliza o pre\u00e7o do frente rodovi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Fonte:O Estado de S. Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O transporte ferrovi\u00e1rio entre Brasil, Argentina e Uruguai poder\u00e1 ficar comprometido a partir do m\u00eas que vem. 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