{"id":22192,"date":"2017-01-09T03:00:31","date_gmt":"2017-01-09T05:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=22192"},"modified":"2017-01-07T10:45:03","modified_gmt":"2017-01-07T12:45:03","slug":"os-presidentes-num-pais-em-ebulicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/os-presidentes-num-pais-em-ebulicao\/","title":{"rendered":"Os presidentes num Pa\u00eds em ebuli\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>O escritor Fernando Sabino registrou certa vez que \u201cdemocracia \u00e9 oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um\u201d. N\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00e3o melhor para a esperan\u00e7a que marca a chegada de um novo presidente da Rep\u00fablica. Do final do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso a Michel Temer, passando por Lula e Dilma Rousseff.\u00a0Nenhum deles teve trajet\u00f3ria perfeita, sem desvios \u00e9ticos e esc\u00e2ndalos em seus governos. Eles mostraram virtudes e fraquezas no comando do Pa\u00eds. Uns tiveram mais compet\u00eancia que outros para entregar o que a popula\u00e7\u00e3o precisava. Mas, mesmo agora diante da pior crise econ\u00f4mica da hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que temos um Brasil melhor que o de 20 anos atr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p><span>O governo FHC terminou o primeiro mandato com o m\u00e9rito de ter consolidado o plano de estabiliza\u00e7\u00e3o da economia, que tinha como base o Real. Sua grande conquista no campo econ\u00f4mico foi ter acabado com os anos de hiperinfla\u00e7\u00e3o. Houve uma s\u00e9ria de privatiza\u00e7\u00f5es, como a da Vale do Rio Doce, as dos setores el\u00e9trico e de telecomunica\u00e7\u00f5es e de bancos estaduais.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAs privatiza\u00e7\u00f5es no governo Collor eram ideol\u00f3gicas, n\u00e3o eram claras do ponto de vista econ\u00f4mico. No FHC, foi uma reestrutura\u00e7\u00e3o institucional, de entrada e sa\u00edda de recursos, o que contribuiu para o ajuste fiscal\u201d, diz a economista Elena Landau, diretora da \u00e1rea respons\u00e1vel pelo Programa Nacional de Desestatiza\u00e7\u00e3o do governo FHC. \u201cEra uma busca pela efici\u00eancia do Estado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Havia uma enorme expectativa que o seu segundo mandato, que foi aprovado numa controversa emenda constitucional pelo Congresso Nacional, seria de mais avan\u00e7os, principalmente os estruturais. Mas se FHC conseguiu estabelecer um novo regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, o c\u00e2mbio flutuante e a lei de responsabilidade fiscal, deixou inacabada a reformula\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico e n\u00e3o deu sequ\u00eancia \u00e0 reforma da Previd\u00eancia, que come\u00e7ou a ser discutida no seu governo.<\/span><\/p>\n<p><span>Aqueles que defendem os anos FHC dizem que a equipe econ\u00f4mica passou muito tempo preocupada com as diversas crises que se sucederam, como a da Argentina, a dos Tigres Asi\u00e1ticos e da a R\u00fassia, al\u00e9m do apag\u00e3o de energia.\u00a0A chegada de Lula ao Pal\u00e1cio do Planalto foi cercada de muitas d\u00favidas, principalmente no que se refere \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das bases macroecon\u00f4micas que come\u00e7aram a ser consolidadas nos anos anteriores.<\/span><\/p>\n<p><span>Mas Lula, ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teve a sabedoria de aproveitar os avan\u00e7os e dar continuidade ao que tinha sido feito. Ele foi pragm\u00e1tico ao aceitar a heran\u00e7a da pol\u00edtica econ\u00f4mica e deu in\u00edcio a uma s\u00e9rie de reformas microecon\u00f4micas que se mostraram fundamentais para o Pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span>Est\u00e3o inseridas nessas a\u00e7\u00f5es os programas sociais e de transfer\u00eancia de renda. Foi o per\u00edodo em que a quest\u00e3o social entrou para o debate pol\u00edtico e recebeu diversos reconhecimentos internacionais \u2013 o Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 apontado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidos como o respons\u00e1vel que diminui\u00e7\u00e3o da pobreza extrema no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>Seu primeiro mandato \u00e9 considerado por especialistas como um dos mais bem-sucedidos da hist\u00f3ria. A mudan\u00e7a do Lula do segundo mandato tem mais a ver com o titular da cadeira de ministro da Fazenda do que \u00e0 periodicidade eleitoral.<\/span><\/p>\n<p><span>A troca de Palocci, que foi demitido por quebrar o sigilo banc\u00e1rio do caseiro Francenildo Costa, que foi o estopim para o Mensal\u00e3o, por Guido Mantega mudou a diretriz macroecon\u00f4mica. Mantega levou o desenvolvimentismo para dentro do governo e iniciou um embate com o ent\u00e3o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por uma pol\u00edtica mais populista.<\/span><\/p>\n<p><span>Meirelles manteve-se fiel ao controle de infla\u00e7\u00e3o e comprou brigas importantes. Lula soube tourear os dois lados e sair vitorioso, embora seu grande dem\u00e9rito foi n\u00e3o ter aproveitado o per\u00edodo de bonan\u00e7a para fazer as reformas mais importantes da hist\u00f3ria. Ele foi o presidente mais beneficiado pelo ciclo favor\u00e1vel internacional, principalmente pela alta no pre\u00e7o das commodities e da expans\u00e3o da China.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cO segundo mandato de Lula n\u00e3o foi t\u00e3o bom quanto o primeiro, na qualidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Houve muitos problemas de coordena\u00e7\u00e3o fiscal, monet\u00e1ria e credit\u00edcia\u201d, afirma a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, nos EUA. \u201cMas a resposta \u00e0 crise de 2008 foi r\u00e1pida. Os mercados entraram em colapso e as repercuss\u00f5es foram fortes. Naquele momento, o cr\u00e9dito p\u00fablico foi importante para combater os efeitos recessivos e qualquer um faria o mesmo. Mas passada a tempestade deveria ter sido revertido, o que nunca aconteceu.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>Com Dilma Rousseff sucedendo Lula, a expectativa era de manuten\u00e7\u00e3o dos mesmos conceitos que foram bem-sucedidos nos anos anteriores. Mas a presidente manteve Mantega como titular da Fazenda sem colocar um contraponto forte no Banco Central. Alexandre Tombini n\u00e3o tinha a mesma for\u00e7a de bastidor que Meirelles, o que fortaleceu Mantega e deu in\u00edcio \u00e0 derrocada da economia.<\/span><\/p>\n<p><span>Dilma passa a acumular mais erros que acertos e leva ao extremo a pol\u00edtica de protecionismo \u00e0 ind\u00fastria nacional, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos campe\u00f5es nacionais e de queda for\u00e7ada e acentuada dos juros. O congelamento dos pre\u00e7os da energia e dos combust\u00edveis tentava esconder uma infla\u00e7\u00e3o perigosamente em alta. As contas p\u00fablicas estavam enfraquecidas e uma s\u00e9rie de manobras tiveram de ser feitas para adiar a trag\u00e9dia.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAo longo de oito anos, Mantega teve tempo suficiente para experimentar uma pol\u00edtica econ\u00f4mica desastrosa\u201d, diz o brasilianista William Summerhill, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia Los Angeles (UCLA). \u201cO Brasil entra em crise sem ter tido um choque externo. A desacelera\u00e7\u00e3o da China n\u00e3o explica o colapso que o Pa\u00eds vem sofrendo. \u00c9 urgente resolver os problemas fiscais antes que um verdadeiro choque negativo internacional jogue o Pa\u00eds numa situa\u00e7\u00e3o pior.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span>As pedaladas fiscais foram o motivo da aprova\u00e7\u00e3o do impeachment de Dilma Rousseff, que estava em seu segundo mandato e tinha um pa\u00eds dividido em m\u00e3os. Seu governo fica marcado n\u00e3o apenas pela crise econ\u00f4mica, mas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que revelou o maior caso de corrup\u00e7\u00e3o montado por grandes empreiteiras, que financiavam pol\u00edticos em troca de grandes contratos p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p><span>A sa\u00edda de Dilma coloca em cena o vice-presidente Michel Temer, que herdou um pa\u00eds com infla\u00e7\u00e3o de dois d\u00edgitos, retra\u00e7\u00e3o do PIB e uma classe pol\u00edtica abalada pelos seguidos casos de corrup\u00e7\u00e3o. Em pouco mais de seis meses de governo, Temer conseguiu aprovar um Projeto de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) do teto dos gastos p\u00fablicos, que impede o descontrole das finan\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span>O esfor\u00e7o de sua equipe econ\u00f4mica, agora, \u00e9 convencer o Congresso a aprovar a Reforma da Previd\u00eancia, parte essencial do ajuste fiscal. Seu trabalho ainda est\u00e1 inconcluso e somente ser\u00e3o capazes de mostrar se o atual presidente foi capaz de deixar um legado positivo ao seu sucessor. A hist\u00f3ria n\u00e3o terminou.<\/p>\n<p>Fonte: Isto \u00c9 Dinheiro<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor Fernando Sabino registrou certa vez que \u201cdemocracia \u00e9 oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. 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