{"id":21899,"date":"2016-12-15T00:13:45","date_gmt":"2016-12-15T02:13:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=21899"},"modified":"2016-12-15T09:34:26","modified_gmt":"2016-12-15T11:34:26","slug":"demissoes-da-ecovix-provocam-efeito-domino-em-rio-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/demissoes-da-ecovix-provocam-efeito-domino-em-rio-grande\/","title":{"rendered":"Demiss\u00f5es da Ecovix provocam efeito domin\u00f3 em Rio Grande"},"content":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que os rio-grandinos faziam queixas ao ex\u00e9rcito de macac\u00f5es que desembarcara na cidade. Em 2013, os 20 mil trabalhadores do polo naval impulsionavam a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio local, mas tamb\u00e9m provocavam filas em restaurantes, engrossavam congestionamentos e faziam com que os pre\u00e7os de alugu\u00e9is disparassem em raz\u00e3o da demanda. Sequer existiam lugares suficientes para que todos morassem \u2014 at\u00e9 delegacia tornou-se alojamento. O mais antigo munic\u00edpio ga\u00facho questionava o pre\u00e7o a ser pago em prol do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Hoje, o cen\u00e1rio mudou. Rio Grande sente falta do movimento efervescente sin\u00f4nimo de economia em alta. O n\u00famero de metal\u00fargicos nos estaleiros, que havia despencado para 6 mil neste ano, entrou em queda livre na segunda-feira, quando 3,2 mil trabalhadores da Ecovix, o maior dos complexos ainda em opera\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Sul, foram demitidos de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>Fosse somente a dispensa dos metal\u00fargicos, o impacto na economia da cidade seria grande. Mas, em Rio Grande, o consenso indica que o desligamento coletivo causa efeito domin\u00f3 nos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o representam somente 3,2 mil demiss\u00f5es. Existem ainda as empresas terceirizadas e a m\u00e3o de obra indireta, como \u00f4nibus, restaurantes e alugu\u00e9is. Esse n\u00famero de postos de trabalho perdidos pode duplicar. A cidade inteira vai sentir o reflexo, n\u00e3o apenas o pessoal da Ecovix \u2014 prev\u00ea Rog\u00e9rio Betan\u00e7a, um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores das Ind\u00fastrias Metal\u00fargicas e de Material El\u00e9trico de Rio Grande e S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte.<\/p>\n<p>As demiss\u00f5es acentuam a crise financeira que j\u00e1 estava estabelecida. Em meados de 2005, previa-se que a popula\u00e7\u00e3o rio-grandina duplicaria e chegaria a 400 mil com o progresso impulsionado pelos estaleiros. Estimulados pelos governantes, empres\u00e1rios investiram para atender ao crescimento: constru\u00edram hot\u00e9is, inauguraram restaurantes e ampliaram o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>\u2014 Pol\u00edticos chegavam \u00e0 cidade e falavam: &#8220;Voc\u00eas v\u00e3o ver o cavalo passar encilhado? Tem de investir&#8221;. Na realidade, n\u00e3o se conseguiu nem pagar o investimento feito. Esses mais de 3 mil desempregados caem como uma bomba no com\u00e9rcio \u2014 resume o presidente da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas da cidade, Luiz Carlos Zanetti.<\/p>\n<p>Impactados pelo an\u00fancio do corte no quadro da Ecovix, prestadores de servi\u00e7os para a companhia e seus trabalhadores ainda calculam os preju\u00edzos \u00e0 vista. Entre eles, est\u00e1 a Universal Turismo, empresa de \u00f4nibus respons\u00e1vel pelo transporte dos metal\u00fargicos.<\/p>\n<p>A Ecovix representava 30% do faturamento. Com o rompimento imediato do contrato, o propriet\u00e1rio, Renan Lopes, projeta a demiss\u00e3o de ao menos 30 de seus 78 funcion\u00e1rios e contabiliza dificuldades para pagar as rescis\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2014 Havia a promessa de que os estaleiros teriam demanda por novas plataformas da Petrobras durante 20 anos e depois continuariam fazendo reformas em plataformas e navios. Com as demiss\u00f5es, vou liberar o estacionamento dos \u00f4nibus, vender ve\u00edculos e mandar parte do pessoal embora.<\/p>\n<p>Um dos reflexos estava no p\u00e1tio da Universal Turismo lotado ontem \u00e0 tarde, com mais de 50 \u00f4nibus parados. \u00c0s margens da BR-392, em frente ao p\u00f3rtico do Estaleiro Rio Grande, outro sintoma dos desligamentos. Propriet\u00e1rio de um trailer de refei\u00e7\u00f5es coberto de lona frequentado quase que exclusivamente pelos trabalhadores, Jos\u00e9 Machado encerrar\u00e1 as atividades:<\/p>\n<p>\u2014 Todo mundo fica triste, porque \u00e9 uma cadeia que gera emprego. Como o estaleiro parou, tamb\u00e9m vai parar meu estabelecimento, a entrega do g\u00e1s, o fornecimento de gelo, os servi\u00e7os em torno do que a gente faz. S\u00e3o ao menos mais sete desempregados.<\/p>\n<p>No centro da cidade, mais previs\u00f5es de demiss\u00f5es. O restaurante Paladar acostumou-se \u00e0s filas di\u00e1rias na espera para o almo\u00e7o na \u00e9poca em que tr\u00eas plataformas de petr\u00f3leo estavam sendo constru\u00eddas simultaneamente em Rio Grande. Diante da mar\u00e9 positiva, em uma d\u00e9cada, o estabelecimento triplicou de tamanho e ampliou a capacidade para servir 600 refei\u00e7\u00f5es por dia. Ontem n\u00e3o passaram de 300 clientes e ningu\u00e9m teve de aguardar para comer.<\/p>\n<p>\u2014 Foi nos vendido um projeto, e esse projeto foi mentiroso \u2014 diz o propriet\u00e1rio, Miguel Barroco.<\/p>\n<p>Fonte:Agencia RBS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que os rio-grandinos faziam queixas ao ex\u00e9rcito de macac\u00f5es que desembarcara na cidade. 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