{"id":21598,"date":"2016-11-21T00:28:52","date_gmt":"2016-11-21T02:28:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=21598"},"modified":"2016-11-21T08:31:13","modified_gmt":"2016-11-21T10:31:13","slug":"matopiba-esta-perto-do-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/matopiba-esta-perto-do-limite\/","title":{"rendered":"Matopiba est\u00e1 perto do limite"},"content":{"rendered":"<p>Foco de boa parte dos investimentos realizados para alavancar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os no pa\u00eds, o Matopiba est\u00e1 pr\u00f3ximo do limite de sua capacidade de expans\u00e3o. A regi\u00e3o, que atraiu nos \u00faltimos anos centenas de produtores rurais em busca de terras baratas, tem hoje um estoque de \u00e1rea com aptid\u00e3o para soja bastante restrito: menos de tr\u00eas milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o faz parte de um mapeamento in\u00e9dito com o objetivo de identificar as \u00e1reas mais aptas para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Cerrado. O bioma tornou-se a &#8220;nova fronteira&#8221; agr\u00edcola brasileira depois da exaust\u00e3o de regi\u00f5es rurais consolidadas no Sul e Sudeste e das limita\u00e7\u00f5es ambientais para o plantio na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Realizado pela consultoria Agroicone, o estudo faz uma recomenda\u00e7\u00e3o surpreendente: os produtores devem evitar o Matopiba (conflu\u00eancia de Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e o Oeste da Bahia) e priorizar investimentos nas \u00e1reas de Cerrado localizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s, Minas Gerais e at\u00e9 em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;A compra de terras baratas em Matopiba foi um racioc\u00ednio equivocado do ruralismo de fronteira, baseado no ganho patrimonial. Mas n\u00e3o tem tanta terra com aptid\u00e3o para soja. E a crise clim\u00e1tica ser\u00e1 pior ali que em Goi\u00e1s, por exemplo&#8221;, diz Arnaldo Carneiro Filho, diretor de Gest\u00e3o Territorial Inteligente da Agroicone e um dos autores de &#8220;A expans\u00e3o da soja no Cerrado&#8221;. Sem pestanejar, ele sentencia: &#8220;A expans\u00e3o agr\u00edcola em Matopiba \u00e9 certamente uma roubada&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, h\u00e1 hoje no Cerrado ao menos 25,4 milh\u00f5es de hectares &#8211; territ\u00f3rio do tamanho do Paran\u00e1 &#8211; de terras j\u00e1 antropizadas (alteradas pelo homem) e com alta aptid\u00e3o para a agricultura. A extens\u00e3o mostra que \u00e9 poss\u00edvel plantar sem desmatar \u00e1reas nativas remanescentes, como defendem ambientalistas, governo e j\u00e1 parte do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Mas a maior parte dessa \u00e1rea de alta aptid\u00e3o, ou 22,5 milh\u00f5es de hectares, est\u00e1 fora das delimita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas do Matopiba. S\u00e3o pastagens espalhadas pelo Brasil central. No Matopiba restam s\u00f3 2,8 milh\u00f5es de hectares de pastos com as condi\u00e7\u00f5es ideais similares para o plantio de gr\u00e3os, levando-se em considera\u00e7\u00e3o declividade e altitude de terrenos.<\/p>\n<p>Olhando por outro lado, h\u00e1 no Matopiba o dobro (6,4 milh\u00f5es de hectares) de pastagens com baixa aptid\u00e3o \u00e0 soja, um risco potencial de investimento para desavisados.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do Agroicone levantou dados georreferenciados sobre o bioma, permitindo entender a din\u00e2mica da ocupa\u00e7\u00e3o e o uso do solo entre 2000 e 2014, per\u00edodo de grande avan\u00e7o da soja na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesses 14 anos, o plantio de soja no Cerrado cresceu 87%, quase 70% em \u00e1reas j\u00e1 ocupadas com outras culturas e pastagem. No Matopiba a soja se espraiou sobretudo sobre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa: 780 mil hectares (68% da \u00e1rea semeada) entre 2000 e 2007 e 1,3 milh\u00e3o de hectares (62%) no per\u00edodo seguinte.<\/p>\n<p>Se contabilizadas as \u00e1reas de alta aptid\u00e3o com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o Matopiba ganharia 4,2 milh\u00f5es de hectares de capacidade de expans\u00e3o de gr\u00e3os, contra 8,3 milh\u00f5es de hectares no restante do Cerrado. &#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 preciso desmatar. H\u00e1 pasto suficiente, com aptid\u00e3o, para converter a gr\u00e3o&#8221;, diz Carneiro.<\/p>\n<p>A delimita\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o da soja no Matopiba segundo a aptid\u00e3o das \u00e1reas \u00e9 um vetor novo que embaralha o cen\u00e1rio preocupante de quem se posicionou na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os problemas clim\u00e1ticos registrados nas \u00faltimas tr\u00eas safras &#8211; intensificados em 2015\/16 pelo El Ni\u00f1o &#8211; levantaram d\u00favidas sobre a viabilidade de plantar gr\u00e3os nessa regi\u00e3o do pa\u00eds, respons\u00e1vel por quase 10% da produ\u00e7\u00e3o nacional. Muitos que compraram terras em Matopiba viram o ch\u00e3o trincar sob o calor nesses anos e a renda evaporar, elevando as dificuldades financeiras de produtores em grande parte j\u00e1 descapitalizados.<\/p>\n<p>Segundo Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane produtores, as restri\u00e7\u00f5es existem na &#8220;nova fronteira&#8221;. Ele diz que as melhores terras foram compradas por quem chegou primeiro e que a &#8220;mudan\u00e7a de m\u00e3os&#8221; de propriedades com menor rentabilidade deve se intensificar agora.<\/p>\n<p>&#8220;Houve uma corrida para Matopiba, mas os [produtores] &#8216;top&#8217; n\u00e3o foram para l\u00e1. Por que voc\u00ea acha que um Era\u00ed Maggi n\u00e3o est\u00e1 em Matopiba?&#8221;, questiona. &#8220;Muitos foram porque era barato e quebraram a cara. Tem pastagem, mas \u00e9 caatinga (sic). E a cada cinco safras, tr\u00eas quebram. A sa\u00edda \u00e9 evoluir em tecnologia e na produtividade&#8221;.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o grande afluxo de aportes permitiu o avan\u00e7o para \u00e1reas marginais no Matopiba, elevando a frustra\u00e7\u00e3o gerada com terrenos pouco aptos ou custosos para render boas produtividades. Nesse contexto, empresas como Vanguarda e SLC passaram a olhar com aten\u00e7\u00e3o para regi\u00f5es consolidadas, como Mato Grosso, em detrimento do Matopiba.<\/p>\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foco de boa parte dos investimentos realizados para alavancar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os no pa\u00eds, o Matopiba est\u00e1 pr\u00f3ximo do limite de sua capacidade de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18586,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-21598","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21598"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21599,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21598\/revisions\/21599"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}