{"id":21502,"date":"2016-11-10T00:30:08","date_gmt":"2016-11-10T02:30:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=21502"},"modified":"2016-11-09T17:50:42","modified_gmt":"2016-11-09T19:50:42","slug":"brasil-pode-virar-uma-fabrica-de-marianas-diz-greenpeace","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/brasil-pode-virar-uma-fabrica-de-marianas-diz-greenpeace\/","title":{"rendered":"Brasil pode virar uma f\u00e1brica de Marianas, diz Greenpeace"},"content":{"rendered":"<p>Um ano depois que o rompimento da barragem do Fund\u00e3o da mineradora Samarco, da Vale e da BHP, em Mariana (MG)\u00a0matou 19 pessoas e despejou cerca de 50 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos no Rio Doce, o Brasil corre o risco de ver desastres como esse proliferarem por seu territ\u00f3rio. O alerta \u00e9 de Fabiana Alves, coordenadora da campanha de \u00e1gua do Greenpeace.<\/p>\n<p>Em entrevista, ela afirmou que se o projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental for aprovado, o Brasil pode virar palco para \u201cv\u00e1rias f\u00e1bricas de Mariana\u201d.Ela se refere ao PLS 654 de 2015\u00a0proposto pelo senador Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR), que sinaliza regras menos r\u00edgidas e prazos mais curtos para a obten\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a ambiental.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vai ser s\u00f3 o rompimento da barragem Samarco. Outros empreendimentos v\u00e3o ter outros problemas j\u00e1 que n\u00e3o se est\u00e1 levando o licenciamento ambiental a s\u00e9rio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Veja trechos da entrevista que ela concedeu \u00a0na \u00faltima quinta-feira por telefone.<\/p>\n<p><strong>O Minist\u00e9rio P\u00fablico abriu um inqu\u00e9rito contra 22 pessoas e quatro empresas ligadas ao desastre em Mariana, mas nenhum ente governamental foi penalizado. O poder p\u00fablico tamb\u00e9m tem culpa na trag\u00e9dia que aconteceu em Minas Gerais no ano passado?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fabiana Alves:<\/strong>\u00a0Tudo nos d\u00e1 ind\u00edcios de que a Samarco sabia que a barragem poderia romper. No momento em que uma empresa mineradora est\u00e1 atuando, deveria haver um governo verificando se ela est\u00e1 fazendo isso da maneira correta. Ent\u00e3o, h\u00e1, sim, uma responsabilidade governamental.<\/p>\n<p><strong>Onde os governos falharam nesse processo?<\/strong><\/p>\n<p>Vou falar como o governo federal pode continuar falhando nesse processo. Quando voc\u00ea tem passando no Congresso um projeto de \u00a0lei que flexibiliza o licenciamento ambiental em vez de torn\u00e1-lo mais respons\u00e1vel com melhores mecanismos, h\u00e1 um problema que pode resultar em v\u00e1rias f\u00e1bricas de Mariana. N\u00e3o vai ser s\u00f3 o rompimento da barragem Samarco. Outros empreendimentos v\u00e3o ter outros problemas j\u00e1 que n\u00e3o\u00a0se est\u00e1 levando o licenciamento ambiental a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u00c9 importante salientar tamb\u00e9m a responsabilidade do governo estadual de Minas que fechou um acordo com a Samarco, que agora est\u00e1 anulado, dando aval para que a empresa que cometeu o crime seja a respons\u00e1vel total por aquilo que ser\u00e1 feito com os atingidos e com o meio ambiente. A gente est\u00e1 falando de um impacto que vai durar mais de dez anos. Ent\u00e3o, me parece mais algo criado para ingl\u00eas ver.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea disse que o impacto do desastre pode durar mais de dez anos. Nesse per\u00edodo, ser\u00e1 poss\u00edvel ver o Rio Doce recuperado?<\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m atualmente consegue dar essa resposta. Mas diante da situa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea v\u00ea um ano depois do desastre \u2026 Voc\u00ea v\u00ea um rio Gualaxo ainda cheio de lama, com a margem inteirinha com \u00a0um n\u00edvel de ferro muito alto que impede o crescimento de plantas. Voc\u00ea fica imaginando quanto tempo vai levar para recuperar esse rio.\u00a0Tem como recuperar o Rio de maneira correta? Claro que tem. S\u00f3 que falta for\u00e7a de vontade.<\/p>\n<p><strong>Como foi o processo de recupera\u00e7\u00e3o em locais com desastres semelhantes?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de desastre comparado ao que aconteceu aqui.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s o rompimento das barragens, havia alguma maneira de impedir que o desastre tomasse essas propor\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>As hidrel\u00e9tricas que existiam pelo meio do caminho chegaram a segurar parte da lama. Mesmo assim, voc\u00ea tem que ter um plano de seguran\u00e7a adequado em casos de acidente. Como a Samarco n\u00e3o tinha, fica dif\u00edcil saber como eles poderiam ter segurado essa lama. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante ter um documento s\u00e9rio de impactos em caso de acidentes, \u00a0porque a\u00ed se pensa, por exemplo, se a lama for a todo rio Doce, que partes do rio poderiam conter essa lama\u2026<\/p>\n<p><strong>O que falta no Brasil, em termos de legisla\u00e7\u00e3o, para evitar que casos semelhantes aconte\u00e7am?<\/strong><\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental \u00e9 um erro. Isso n\u00e3o pode acontecer. Isso n\u00e3o \u00e9 desenvolvimento. Voc\u00ea achar que vai desenvolver um pa\u00eds com constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura impr\u00f3pria \u00e9 um erro. Desenvolvimento est\u00e1 associado \u00e0 seguran\u00e7a das pessoas e do meio ambiente, e \u00e0 qualidade de vida das pessoas. Esse licenciamento ambiental que est\u00e1 em curso no Congresso vai na contram\u00e3o de tudo isso.<\/p>\n<p>Outra coisa \u00e9 o novo C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o que tem que ser muito bem olhado e cuidado. A parte de seguran\u00e7a de grandes barragens tem que estar muito bem expl\u00edcito, a parte de verifica\u00e7\u00e3o para auferir se elas est\u00e3o operando em condi\u00e7\u00f5es seguras ou n\u00e3o. Hoje o governo diz que n\u00e3o tem equipe t\u00e9cnica para isso, ent\u00e3o, recebe os laudos das empresas. \u00a0No momento em que o governo recebe um laudo da pr\u00f3pria empresa, recebe apenas o que a empresa quiser dizer para ele.<\/p>\n<p><strong>Se nada disso mudar, qual \u00e9 a chance de vermos\u00a0novamente uma trag\u00e9dia como a de Mariana?<\/strong><\/p>\n<p>As chances s\u00e3o muito grandes. A flexibiliza\u00e7\u00e3o de licenciamento ambiental \u00e9 um erro. Licenciamento ambiental que n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o comunidades ribeirinhas, popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. \u00a0O Ibama anulou [a licen\u00e7a da hidrel\u00e9trica do] Tapaj\u00f3s, mas e no futuro? Se flexibiliza licenciamento ambiental, voc\u00ea pode ter um complexo gigantesco no Tapaj\u00f3s que vai afetar milhares de pessoas, como aconteceu em Belo Monte.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m das mortes, das pessoas desabrigadas, um ano depois desse desastre, quais s\u00e3o as consequ\u00eancias\u00a0que ainda saltam aos olhos?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Estamos numa luta hoje de pessoas que foram indiretamente afetadas pelo desastre e que a empresa Samarco n\u00e3o aceita como atingidos. Um exemplo s\u00e3o os pescadores na foz do Rio Doce que \u00a0n\u00e3o t\u00eam mais como pescar porque houve uma mortandade de peixes muito grande e [os que sobraram] t\u00eam muita dificuldade de se recuperar porque a turbidez da \u00e1gua est\u00e1 muito alta. Turbidez significa que a \u00e1gua est\u00e1 escura e com menos oxig\u00eanio. Mas a Samarco n\u00e3o reconhece como atingido.<\/p>\n<p>H\u00e1 locais em que o gado est\u00e1 tomando \u00e1gua do rio e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o de contamina\u00e7\u00e3o da cadeia alimentar. Esse tipo de contamina\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio n\u00e3o vai ser percebida agora, s\u00f3 ser\u00e1 percebida daqui 20 anos. Se daqui 20 anos as pessoas estiverem com sintomas de contamina\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, v\u00e3o lembrar que foi por causa desse desastre que aconteceu em 2015 ou v\u00e3o associar a outra coisa? \u00c9 muito preocupante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano depois que o rompimento da barragem do Fund\u00e3o da mineradora Samarco, da Vale e da BHP, em Mariana (MG)\u00a0matou 19 pessoas e despejou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18705,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-21502","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21502"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21503,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21502\/revisions\/21503"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18705"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}