{"id":21373,"date":"2016-10-26T00:38:42","date_gmt":"2016-10-26T02:38:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=21373"},"modified":"2016-10-26T08:39:45","modified_gmt":"2016-10-26T10:39:45","slug":"burocracia-e-impostos-barram-o-brasil-na-corrida-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/burocracia-e-impostos-barram-o-brasil-na-corrida-digital\/","title":{"rendered":"Burocracia e impostos barram o Brasil na corrida digital"},"content":{"rendered":"<p>Os smartphones\u00a0est\u00e3o por todas as partes \u2014 nos \u00f4nibus, vag\u00f5es do metr\u00f4, ruas, praias, escolas, salas de reuni\u00e3o, shows de rock, igrejas e jogos de futebol. Os usos s\u00e3o os mais diversos. Com eles, \u00e9 poss\u00edvel responder a e-mails, ouvir m\u00fasica por streaming, navegar pelas redes sociais, ler as \u00faltimas not\u00edcias, jogar, enviar mensagens e \u2014 sim \u2014 tamb\u00e9m d\u00e1 para fazer chamadas. Tamanha obsess\u00e3o pelo aparelho faz dos brasileiros os campe\u00f5es mundiais em uso de smartphones.<\/p>\n<p>Passamos cerca de 4 horas online por dia \u2014 quase o dobro do tempo de coreanos, americanos e brit\u00e2nicos. Mas um dos maiores passatempos nacionais \u00e9, infelizmente, apenas isso: um passatempo. No Brasil, a contribui\u00e7\u00e3o da internet\u00a0para o crescimento do PIB \u00e9 estimada em apenas 2%. No Reino Unido, por exemplo, o impacto \u00e9 de 23%. Os brasileiros usam muito o smartphone, mas compram pouco pela internet \u2014 apenas 3,6% das vendas realizadas pelo varejo s\u00e3o feitas por canais digitais. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o do e-commerce no Reino Unido sobre o total \u00e9 de 13,4%.<\/p>\n<p>Um estudo da consultoria McKinsey, obtido com exclusividade por EXAME, mostra o caminho para o Brasil tentar mudar essa situa\u00e7\u00e3o. Caso o lento grau de avan\u00e7o registrado nos \u00faltimos anos seja mantido, a digitaliza\u00e7\u00e3o acrescentar\u00e1 de 125 a 205 bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 economia brasileira em 2025, algo entre 5% e 9% do PIB \u2014 e continuaremos longe dos pa\u00edses l\u00edderes nessa corrida.<\/p>\n<p>Agora, se o Brasil conseguir acabar com a maior parte das barreiras \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel adicionar at\u00e9 274 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2025, algo como 12% do PIB. Nesse caso, o Brasil come\u00e7aria a ter um peso maior no campo da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Melhorar, rapidamente, o clima para o empreendedorismo \u00e9 o primeiro passo na dire\u00e7\u00e3o certa. O Brasil aparece como 124o colocado no ranking de 139 pa\u00edses com os melhores ambientes para neg\u00f3cios digitais, feito pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. Nossos vizinhos nessa lista s\u00e3o Benim e Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>Como tem uma economia em que a burocracia e os impostos s\u00e3o gigantes, o Brasil acaba jogando fora sua capacidade t\u00e9cnica. H\u00e1 cerca de 1 milh\u00e3o de profissionais de tecnologia no mercado brasileiro, um n\u00famero similar ao da Alemanha e do pr\u00f3prio Reino Unido. \u201cPara elevar a competitividade das empresas locais, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o melhor do que o empreendedorismo\u201d, diz Fabian Salum, professor de estrat\u00e9gias da inova\u00e7\u00e3o na Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral e pesquisador na Fran\u00e7a do Insead, uma das escolas de neg\u00f3cio de maior prest\u00edgio da Europa.<\/p>\n<p>Em termos da efic\u00e1cia dos investimentos p\u00fablicos, o Brasil tamb\u00e9m tem muito que avan\u00e7ar. Pa\u00edses bem-sucedidos nessa \u00e1rea focam os esfor\u00e7os em poucos polos. Por aqui, a regra \u00e9 pulveriza\u00e7\u00e3o. Somente o estado de S\u00e3o Paulo tem cinco centros de excel\u00eancia em tecnologia. Uma an\u00e1lise das experi\u00eancias que d\u00e3o certo mundo afora mostra a import\u00e2ncia da parceria entre o meio acad\u00eamico e as empresas \u2014 outro ponto em que o Brasil est\u00e1 atrasado.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a \u00cdndia \u00e9 um exemplo. Desde os anos 80 o pa\u00eds incentiva as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior de Bangalore, no sul do pa\u00eds, a apoiar sua ind\u00fastria de software. Hoje, 50% das startups do pa\u00eds est\u00e3o instaladas na regi\u00e3o. \u201cTodos os casos bem-sucedidos de salto tecnol\u00f3gico envolveram intera\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas entre governo, ind\u00fastria e academia\u201d, diz Calestous Juma, professor de desenvolvimento internacional e de tecnologia na Universidade Harvard.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, as empresas indianas ganharam dinheiro vendendo produtos e servi\u00e7os a consumidores americanos e brit\u00e2nicos. Uma medida do sucesso dessa estrat\u00e9gia \u00e9 o fato de que 56% dos aplicativos e linhas de c\u00f3digo feitos no pa\u00eds hoje t\u00eam como destino o exterior. Para continuar a crescer, por\u00e9m, o setor percebeu que era necess\u00e1rio investir mais no desenvolvimento do mercado interno.<\/p>\n<p>Para isso, contou, mais uma vez, com a ajuda do governo, que lan\u00e7ou, no ano passado, o Digital \u00cdndia, programa que promete conectar mais de 250 000 vilarejos \u2014 a expectativa \u00e9 que 800 milh\u00f5es de pessoas tenham acesso \u00e0 internet at\u00e9 2025. \u201cAs novas tecnologias est\u00e3o ajudando a \u00cdndia a dar um salto\u201d, afirma Som Mittal, executivo de tecnologia e ex-presidente da associa\u00e7\u00e3o indiana de software.<\/p>\n<h3>O peso do l\u00edder<\/h3>\n<p>Nos pa\u00edses ricos, o governo tamb\u00e9m tem um papel aglutinador fundamental. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizou na \u00faltima semana uma confer\u00eancia em que discutia as fronteiras da tecnologia. Obama debateu sobre o uso de carros aut\u00f4nomos, energias renov\u00e1veis e os desafios para chegar a Marte. Suas ideias mostraram um compromisso claro do governo com a ci\u00eancia e com aqueles que est\u00e3o dispostos a correr riscos.<\/p>\n<p>\u201cO governo desempenha um trabalho fundamental, definindo o enquadramento legal e institucional em que o setor privado tem os incentivos adequados para realizar a ado\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o\u201d, diz Klaus Prettner, professor de economia da tecnologia na Universidade de Hohenheim, na Alemanha.<\/p>\n<p>Os exemplos de lideran\u00e7a no exterior contrastam com o que acontece por aqui. Um executivo brasileiro ouvido por EXAME, com experi\u00eancia em multinacionais de tecnologia e atuante em conselhos de administra\u00e7\u00e3o, v\u00ea um cen\u00e1rio desorganizado no setor de tecnologia no Brasil, onde, segundo ele, n\u00e3o h\u00e1 um projeto claro. \u201cNosso Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia tem muito pouca envergadura\u201d, afirma. Se fizer mudan\u00e7as nessa \u00e1rea, o pa\u00eds poder\u00e1 se beneficiar com a nova onda de inova\u00e7\u00e3o que se forma em algumas partes do mundo.<\/p>\n<h3>As novas oportunidades<\/h3>\n<p>O estudo da McKinsey sobre os entraves para a expans\u00e3o da economia digital no Brasil aponta a internet das coisas como uma grande oportunidade para a ind\u00fastria local. Com a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas inteligentes, capazes de reconhecer e avisar o desgaste de pe\u00e7as, as f\u00e1bricas podem reduzir o tempo ocioso com consertos. Nesse caso espec\u00edfico, a McKinsey estima que o Brasil poderia ter um ganho de 25 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2025.<\/p>\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o no setor industrial tamb\u00e9m tem o potencial de estimar demandas com maior precis\u00e3o e ter maior controle do estoque. Somente a melhoria da opera\u00e7\u00e3o da rede de fornecedores e de distribui\u00e7\u00e3o poderia render ganhos estimados em 70 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em meados da pr\u00f3xima d\u00e9cada. Ao ouvir executivos de 151 empresas brasileiras de v\u00e1rios setores, a McKinsey observou que os gestores brasileiros est\u00e3o conscientes dos desafios impostos pela tecnologia em suas opera\u00e7\u00f5es. O percentual dos que mostram essa preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito pr\u00f3ximo do registrado no exterior. A diferen\u00e7a, por\u00e9m, \u00e9 que as empresas brasileiras n\u00e3o investem o suficiente na digitaliza\u00e7\u00e3o. E isso pode ser decisivo.<\/p>\n<p>Cada vez que as empresas brasileiras adiam a aplica\u00e7\u00e3o de recursos, aumenta a dist\u00e2ncia com os pa\u00edses que est\u00e3o na lideran\u00e7a dessa corrida. Na Europa, as empresas consideradas mais avan\u00e7adas em termos tecnol\u00f3gicos viram a receita crescer 18% de 2012 a 2015,\u00a0 um per\u00edodo de forte crise econ\u00f4mica. \u201cA dist\u00e2ncia entre os l\u00edderes digitais e quem est\u00e1 mais para baixo est\u00e1 aumentando\u201d, afirma Patricia Ellen da Silva, s\u00f3cia da consultoria McKinsey. Estudos e an\u00e1lises sobre os entraves brasileiros s\u00e3o o primeiro passo. Mas, para desatar o n\u00f3 da inova\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds precisa de mais a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os smartphones\u00a0est\u00e3o por todas as partes \u2014 nos \u00f4nibus, vag\u00f5es do metr\u00f4, ruas, praias, escolas, salas de reuni\u00e3o, shows de rock, igrejas e jogos de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":20411,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-21373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21373"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21373\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21374,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21373\/revisions\/21374"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}