{"id":21261,"date":"2016-10-14T00:45:52","date_gmt":"2016-10-14T03:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=21261"},"modified":"2016-10-13T20:33:14","modified_gmt":"2016-10-13T23:33:14","slug":"com-valorizacao-do-real-rentabilidade-dos-exportadores-volta-a-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/com-valorizacao-do-real-rentabilidade-dos-exportadores-volta-a-2011\/","title":{"rendered":"Com valoriza\u00e7\u00e3o do real, rentabilidade dos exportadores volta a 2011"},"content":{"rendered":"<p>A valoriza\u00e7\u00e3o do real fez a rentabilidade das exporta\u00e7\u00f5es regredir quase cinco anos, derrubando, com uma \u00fanica exce\u00e7\u00e3o, as margens de lucro de praticamente todos os setores exportadores da economia, mostra levantamento feito pela Funcex, funda\u00e7\u00e3o que desenvolve estudos sobre com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n<p>O \u00edndice de rentabilidade apurado na \u00faltima pesquisa da institui\u00e7\u00e3o &#8211; 79,7 em agosto &#8211; foi o menor desde novembro de 2011, quando o n\u00edvel ficou em 79,5. Agora com tr\u00eas meses consecutivos em queda, o term\u00f4metro que mede a lucratividade das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras j\u00e1 tinha marcado 79,8 em julho, antes de ter a m\u00ednima renovada no m\u00eas seguinte.<\/p>\n<p>Para chegar a esses valores, a Funcex desconta do pre\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es &#8211; convertido em reais pela taxa de c\u00e2mbio do m\u00eas analisado &#8211; o custo de produ\u00e7\u00e3o do produto embarcado. O resultado \u00e9 uma taxa de rentabilidade que a funda\u00e7\u00e3o calcula para todas as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e, individualmente, a cada um dos 29 setores monitorados.<\/p>\n<p>Em agosto, quando o d\u00f3lar teve, na m\u00e9dia, a cota\u00e7\u00e3o mais baixa em 14 meses, a rentabilidade teve crescimento no comparativo anual apenas no segmento de &#8220;ind\u00fastrias diversas&#8221;, que re\u00fane produtos de pouca representatividade na pauta das exporta\u00e7\u00f5es, como joias, instrumentos musicais, artefatos esportivos, brinquedos e aparelhos de uso m\u00e9dico.<\/p>\n<p>No per\u00edodo, o real ficou mais caro n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, contra quem teve valoriza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o, de 14,9% no comparativo com agosto de 2015, mas tamb\u00e9m frente \u00e0s cestas de moedas dos parceiros latino-americanos (21,5%) e da Europa (16,4%). Para o exportador, isso significa ganhar menos na convers\u00e3o, na moeda brasileira, do faturamento obtido com embarques ao exterior.<\/p>\n<p>Custos<br \/>Contudo, o c\u00e2mbio n\u00e3o traz, por si s\u00f3, a explica\u00e7\u00e3o completa de como a rentabilidade dos exportadores retomou ao n\u00edvel de uma \u00e9poca em que o d\u00f3lar era negociado abaixo de R$ 2,00. Custos de produ\u00e7\u00e3o em alta e pre\u00e7os praticados nas exporta\u00e7\u00f5es em baixa completam a equa\u00e7\u00e3o, cujo resultado, apenas em agosto, reduziu em 14,7% o \u00edndice de rentabilidade das transa\u00e7\u00f5es comerciais com mercados internacionais na compara\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n<p>Em 12 meses at\u00e9 agosto, o balan\u00e7o da Funcex revela aumento de 10,4% no custo de produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os pre\u00e7os ca\u00edram 16,1% como reflexo da desvaloriza\u00e7\u00e3o das commodities e do corte nos pre\u00e7os em d\u00f3lares cobrados pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que aproveitou a margem aberta durante o per\u00edodo de desvaloriza\u00e7\u00e3o do real para ganhar competitividade num mercado global pouco comprador.<\/p>\n<p>O antagonismo nas trajet\u00f3rias de pre\u00e7os e custos foi compensado por uma taxa de c\u00e2mbio vista como &#8220;amig\u00e1vel&#8221; por exportadores durante a maior parte do primeiro semestre, mas que se traduziu em perda de rentabilidade quando a melhora de humor do mercado, ap\u00f3s a troca de governo, conduziu a divisa ao valor mais baixo em mais de um ano &#8211; como aconteceu h\u00e1 dois meses.<\/p>\n<p>&#8220;Chegamos a 2016 com um n\u00edvel de custos altos, pre\u00e7os deprimidos e c\u00e2mbio desvalorizado. Nos primeiros meses do ano, a forte desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial compensava a queda dos pre\u00e7os, mas com a recente valoriza\u00e7\u00e3o (do real), a rentabilidade das exporta\u00e7\u00f5es passou a apresentar resultado inferior na compara\u00e7\u00e3o com meses anteriores&#8221;, afirma Andr\u00e9 Leone Mitidieri, economista da Funcex<\/p>\n<p>O novo cen\u00e1rio introduz um ponto de interroga\u00e7\u00e3o tanto no desempenho das exporta\u00e7\u00f5es, motor dos primeiros sinais de recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, quanto no \u00edmpeto das empresas em investir uma quantidade razo\u00e1vel de recursos em estruturas de exporta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de mercados internacionais.<\/p>\n<p>Pouco mais de 2 mil companhias &#8211; sobretudo pequenas e m\u00e9dias empresas &#8211; voltaram a exportar ap\u00f3s longo tempo ou realizaram neste ano suas primeiras vendas externas no embalo de um d\u00f3lar que, no in\u00edcio do ano, ultrapassou a barreira dos R$ 4,00.<\/p>\n<p>Ainda que o n\u00famero de exportadores ativos &#8211; que realizam opera\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio exterior todo m\u00eas &#8211; venha se mantendo acima de 10 mil empresas, parte delas, principalmente as menores, pode perder viabilidade em mercados internacionais com a moeda americana agora na casa de R$ 3,20.<\/p>\n<p>Segundo Welber Barral, ex-secret\u00e1rio de Com\u00e9rcio Exterior, alguns desses exportadores v\u00e3o absorver per\u00edodos de preju\u00edzo para n\u00e3o abandonar mercados internacionais &#8211; pois depois &#8220;fica dif\u00edcil voltar&#8221; &#8211; ou ocupar melhor f\u00e1bricas ociosas por conta da crise dom\u00e9stica. No entanto, esse \u00e9 um esfor\u00e7o que n\u00e3o se sustenta por muito tempo, destaca o consultor. &#8220;Com o d\u00f3lar nesse patamar, as empresas tentar\u00e3o exportar, mas, sem o retorno de antes, elas deixar\u00e3o de investir em exporta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, diz que as vendas externas perderam atratividade porque o alto custo de produzir no Pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 mais compensado pelo c\u00e2mbio. &#8220;O que era competitivo era o c\u00e2mbio, n\u00e3o as empresas. Elas tinham, na verdade, ganhado uma competitividade tempor\u00e1ria devido \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do real&#8221;, afirma o executivo.<\/p>\n<p>&#8220;Apetite elas t\u00eam, o que falta \u00e9 alimento&#8221;, acrescenta o titular da AEB, uma das entidades que, no fim do m\u00eas passado, encaminhou ao governo pedido por uma al\u00edquota de 5% no Reintegra, como \u00e9 conhecido o programa que restitui impostos pagos por empresas exportadoras. Hoje, o programa oferece uma restitui\u00e7\u00e3o &#8220;simb\u00f3lica&#8221; de 0,1%.<\/p>\n<p>Cautela<br \/>Um estudo divulgado na quinta-feira pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) mostrou que, para 72% das empresas, o medo de a moeda brasileira engatar novo ciclo de supervaloriza\u00e7\u00e3o representa o maior entrave na hora de exportar.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu tivesse que apontar um \u00fanico erro do governo Dilma, apontaria a aprecia\u00e7\u00e3o cambial, que levou o d\u00f3lar a R$ 1,60. Foi quase um suic\u00eddio industrial. O setor exportador foi muito atingido e agora est\u00e1 desconfiado (..) A incerteza cambial \u00e9 um problema que o novo governo ainda n\u00e3o conseguiu corrigir em rela\u00e7\u00e3o ao anterior&#8221;, comenta Thomaz Zanotto, diretor do departamento da Fiesp respons\u00e1vel por assuntos de com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n<p>Segundo ele, o d\u00f3lar voltou a uma cota\u00e7\u00e3o perigosa para a ind\u00fastria. &#8220;J\u00e1 estamos num terreno de sobrevaloriza\u00e7\u00e3o (do real) de 7%. \u00c9 dif\u00edcil dizer qual seria a melhor cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, mas n\u00e3o \u00e9 abaixo de R$ 3,60.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Jornal do Comercio (PE)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A valoriza\u00e7\u00e3o do real fez a rentabilidade das exporta\u00e7\u00f5es regredir quase cinco anos, derrubando, com uma \u00fanica exce\u00e7\u00e3o, as margens de lucro de praticamente todos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18377,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-21261","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21261","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21261"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21262,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21261\/revisions\/21262"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18377"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}