{"id":20984,"date":"2016-09-23T08:53:54","date_gmt":"2016-09-23T11:53:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=20984"},"modified":"2016-09-23T08:53:54","modified_gmt":"2016-09-23T11:53:54","slug":"eleicao-mais-pobre-cidade-mais-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/eleicao-mais-pobre-cidade-mais-limpa\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00e3o mais pobre, cidade mais limpa"},"content":{"rendered":"<p>Se elei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 mesmo a festa da democracia, essa, por enquanto, anda meio esvaziada. Quem estava acostumado com campanhas barulhentas, cheias de bandeirinhas, santinhos e agita\u00e7\u00e3o em ruas e pra\u00e7as, j\u00e1 notou a diferen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>A reportagem do jornal\u00a0<i>O Estado de S. Paulo<\/i>\u00a0visitou alguns endere\u00e7os que, nas elei\u00e7\u00f5es de 2012, eram repletos de &#8220;vida eleitoral&#8221; &#8211; mas que hoje n\u00e3o guardam vest\u00edgios de nenhuma disputa.\u00a0<\/p>\n<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o e a falta de recursos e de interesse s\u00e3o as explica\u00e7\u00f5es mais plaus\u00edveis para esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Em 2012, o Vale do Anhangaba\u00fa, no centro de S\u00e3o Paulo, estava enfeitado com bandeirinhas do ent\u00e3o candidato do PMDB Gabriel Chalita.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o era dif\u00edcil encontrar militantes panfletando ou pisar em algum santinho. Hoje, s\u00f3 moradores de rua, eventuais turistas e testemunhas de Jeov\u00e1 ocupam a \u00e1rea.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca (2012), ganhei um dinheiro distribuindo papelzinho de vereador. Dessa vez, n\u00e3o apareceu ningu\u00e9m oferecendo nada&#8221;, afirmou o morador de rua Ant\u00f4nio Jesus, de 45 anos.<\/p>\n<p>Outra pra\u00e7a que respirava elei\u00e7\u00e3o h\u00e1 4 anos era a Jos\u00e9 Boemer Roschel, na Cidade Dutra, zona sul. Nessa pra\u00e7a concentrava-se a propaganda pol\u00edtica de diversos vereadores que mantinham (e ainda mant\u00eam) escrit\u00f3rios pol\u00edticos na regi\u00e3o, como Goulart, Milton Leite e Tatto.\u00a0<\/p>\n<p>Ao circular pelo local, o cidad\u00e3o era afogado por bandeiras e cavaletes de Haddad, Russomanno e Serra (candidatos na \u00e9poca) e muito material dos j\u00e1 citados vereadores.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Nem parece que vai ter elei\u00e7\u00e3o neste ano, n\u00e9? Moro aqui perto e vivia reclamando da bagun\u00e7a. Dessa vez, quase n\u00e3o se encontra nada. De vez em quando, aparece um gato pingado com uma bandeira&#8221;, comenta a dona de casa F\u00e1tima Loure\u00e7o Dias, 52 anos.<\/p>\n<p>Avenidas como a Teot\u00f4nio Vilela, na zona sul, e a Guilherme Cotching, na zona norte, tinham suas cal\u00e7adas e canteiros centrais totalmente dominados por cavaletes (com a cara de candidatos sorridentes).\u00a0<\/p>\n<p>Os pedestres sofriam e a paisagem urbana era totalmente comprometida. E hoje?<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea n\u00e3o me falasse dos cavaletes, eu nem ia lembrar que eles existiram. Era imposs\u00edvel andar nas cal\u00e7adas por causa deles&#8221;, lembrou o comerciante da Avenida Guilherme Cotching Mauro T\u00e9rsio Silva, 41 anos.<\/p>\n<h3><b>Regras<\/b><\/h3>\n<p>N\u00e3o foi por consci\u00eancia urban\u00edstica que nossos candidatos diminu\u00edram suas a\u00e7\u00f5es de rua. A lei eleitoral sofreu altera\u00e7\u00f5es significativas.\u00a0<\/p>\n<p>Foi vedada picha\u00e7\u00e3o, inscri\u00e7\u00e3o a tinta, coloca\u00e7\u00e3o de placas, faixas, estandartes, cavaletes, bonecos e pe\u00e7as afins em locais em que o uso dependa de permiss\u00e3o do poder p\u00fablico, ou que a ele perten\u00e7am.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi proibido ao candidato ou comit\u00ea distribuir na campanha brindes, camisetas, chaveiros, bon\u00e9s e etc. Soma-se a tudo isso o mais importante: o dinheiro diminuiu.\u00a0<\/p>\n<p>As doa\u00e7\u00f5es de pessoas jur\u00eddicas foram proibidas e os recursos para gastar com propaganda ficaram mais modestos.<\/p>\n<p>Em 2012, os dois candidatos que hoje tamb\u00e9m est\u00e3o na disputa (Russomanno e Haddad) fizeram campanhas onerosas. Russomanno, segundo dados do TSE, gastou R$ 4,4 milh\u00f5es (valores da \u00e9poca); e Haddad, R$ 64, 2 milh\u00f5es (tamb\u00e9m valores da \u00e9poca).\u00a0<\/p>\n<p>No caso de Haddad, os gastos com gr\u00e1fica ultrapassavam, em 2012, os R$ 2 milh\u00f5es. Hoje, a campanha declara ter gasto menos da metade disso, R$ 933.392 (gastos por materiais impressos).\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 Russomanno declara ter gasto nesta campanha com material impresso R$ 169.800. Em 2012, os gastos com gr\u00e1fica e produtos de comunica\u00e7\u00e3o visual foram praticamente o dobro dos declarados nesta elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O coordenador do curso de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da FESPSP, Humberto Dantas, diz que uma elei\u00e7\u00e3o &#8220;quase secreta&#8221; pode ter um efeito positivo. &#8220;Uma elei\u00e7\u00e3o assim vai obrigar o eleitor a pesquisar mais, prestar mais aten\u00e7\u00e3o e tentar se informar melhor&#8221;, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>Para o tamb\u00e9m cientista pol\u00edtico Cl\u00e1udio Couto, professor da FGV, a frieza da elei\u00e7\u00e3o municipal tem suas ra\u00edzes na superexposi\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es nacionais, como impeachment, Lava Jato e at\u00e9 Olimp\u00edada.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 dilu\u00edda. Talvez o quadro mude na \u00faltima semana. Esta \u00e9 uma elei\u00e7\u00e3o diferente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Fonte: O Estado de SP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se elei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 mesmo a festa da democracia, essa, por enquanto, anda meio esvaziada. 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