{"id":20833,"date":"2016-09-09T00:19:31","date_gmt":"2016-09-09T03:19:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=20833"},"modified":"2016-09-09T09:06:37","modified_gmt":"2016-09-09T12:06:37","slug":"crise-do-transporte-maritimo-faz-outra-vitima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/crise-do-transporte-maritimo-faz-outra-vitima\/","title":{"rendered":"Crise do transporte mar\u00edtimo faz outra v\u00edtima"},"content":{"rendered":"<p>A derrocada cada vez mais prov\u00e1vel de uma das maiores transportadoras mar\u00edtimas de cont\u00eaineres do mundo pode trazer um al\u00edvio tempor\u00e1rio a um setor abatido pela retra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio global. E tamb\u00e9m pode acelerar um processo de consolida\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, a Hanjin Shipping Co. entrou com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial nos Estados Unidos para evitar que suas embarca\u00e7\u00f5es sejam confiscadas por credores. Ela apresentou o pedido no Tribunal Federal de Fal\u00eancias da cidade de Newark, no Estado de New Jersey, onde uma audi\u00eancia preliminar est\u00e1 agendada para amanh\u00e3. Na quarta-feira passada, a empresa j\u00e1 havia entrado com pedido similar na Coreia do Sul. A lei americana garante que as companhias possam proteger seus bens nos EUA dos credores, enquanto procuram vender ou reestruturar seus ativos em seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>O pedido foi apresentado enquanto credores apreendiam navios e operadores de terminais recusavam-se a movimentar cargas da Hanjin, deixando 45 navios da companhia com mais de 500 mil cont\u00eaineres cheios de produtos sem poder atracar.<\/p>\n<p>A Hanjin \u00e9 a maior empresa de transporte mar\u00edtimo da Coreia. Ela tem aproximadamente 60 linhas regulares ao redor do mundo e opera 140 embarca\u00e7\u00f5es de cont\u00eaineres ou gran\u00e9is, segundo documentos entregues aos tribunais. Ela \u00e9 a nona maior transportadora de cont\u00eaineres do mundo, com cerca de 100 milh\u00f5es de toneladas de carga movimentadas por ano.<\/p>\n<p>A quebra da Hanjin seria a maior fal\u00eancia de uma transportadora de cont\u00eaineres da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Apesar de poder trazer al\u00edvio no curto prazo, um poss\u00edvel colapso da Hanjin n\u00e3o deve resolver o maior problema do setor: um excesso de capacidade em torno de 30%, que vem deixando espa\u00e7os vazios nas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A not\u00edcia chacoalhou a j\u00e1 abatida ind\u00fastria, concentrada principalmente na Europa e na \u00c1sia. Em apenas um ano, os donos de navios, que estavam encomendando embarca\u00e7\u00f5es em massa, passaram a transform\u00e1-las em sucata. Os estaleiros foram encolhendo e as grandes empresas v\u00eam formando alian\u00e7as para compartilhar navios, redes e escalas para reduzir curtos.<\/p>\n<p>&#8220;O pedido judicial da Hanjin traz \u00e0 tona o n\u00facleo do problema do setor: um mercado com excesso de oferta, onde navios demais brigam por cargas em um mundo em que o com\u00e9rcio mal cresce&#8221;, diz Basil Karatzas, da Karatzas Maritime Advisors Co., uma consultoria americana.<\/p>\n<p>Uma alta registrada nos valores do frete ap\u00f3s o pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial da Hanjin pode dar algum alento a operadores europeus que ainda contam com algum dinheiro em caixa, como a Maersk Line, da A.P. M\u00f8ller-Maersk A\/S, a CMA CGM SA e a Hapag-Lloyd AG.<\/p>\n<p>Mas as dificuldades da Hanjin tamb\u00e9m significam problemas para as donas dos navios arrendados por ela, como a Danaos Corp., Navios Maritime Partners LP e Seaspan Corp. As tr\u00eas t\u00eam uma exposi\u00e7\u00e3o conjunta de mais de US$ 1 bilh\u00e3o \u00e0 Hanjin, de acordo com executivos do setor.<\/p>\n<p>&#8220;Como todo mundo, ainda estamos esperando para ver qual ser\u00e1 o resultado final desse caso&#8221;, diz uma porta-voz da Navios.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Hanjin est\u00e1 disseminando temores entre varejistas do mundo todo durante o movimentado per\u00edodo em que fazem estoques para a \u00e9poca de festas de fim de ano. Pode haver &#8220;milh\u00f5es de d\u00f3lares&#8221; em bens presos nos navios, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Varejo dos EUA.<\/p>\n<p>A empresa sul-coreana transporta 3% dos cont\u00eaineres do mundo todo e at\u00e9 10% dos que trafegam entre a \u00c1sia e a Europa. Mas 61 de seus 98 navios s\u00e3o fretados, n\u00e3o pr\u00f3prios. Se a Hanjin terminar liquidando seus ativos em vez de reestruturar a empresa, esses navios acabar\u00e3o absorvidos por outras transportadoras.<\/p>\n<p>E embora o pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial da Hanjin tenha feito com que os fretes para embarque imediato disparassem &#8211; em at\u00e9 40% nas rotas da \u00c1sia para as Am\u00e9ricas, segundo a consultoria Drewry Shipping Consultants Ltd. -, eles n\u00e3o devem se sustentar. Lars Jensen, diretor-presidente da SeaIntel Consulting, em Copenhague, acredita que o efeito da recupera\u00e7\u00e3o judicial da Hanjin no frete seja &#8220;m\u00ednimo&#8221; este m\u00eas e que as tarifas permane\u00e7am abaixo dos n\u00edveis considerados sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Inicialmente, os mais afetados devem ser os varejistas que esperam pelos produtos para o per\u00edodo do fim de ano. Sem saber se ser\u00e3o pagos, portos e operadores da Coreia do Sul, China, EUA, Espanha e outros pa\u00edses t\u00eam se recusado a movimentar as cargas.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os de atraca\u00e7\u00e3o e descarregamento dos navios da Hanjin recome\u00e7aram nos principais portos da Coreia do Sul na sexta-feira, depois que o governo afirmou que as autoridades portu\u00e1rias iriam garantir os pagamentos para os prestadores de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A Danaos tem uma exposi\u00e7\u00e3o de US$ 560 milh\u00f5es \u00e0 Hanjin. O diretor operacional, Iraklis Prokopakis, diz esperar que o tribunal de Seul decida sobre os navios fretados da empresa no fim do m\u00eas. &#8220;Teremos que decidir se fretaremos os navios para outras empresas e cobraremos os preju\u00edzos da Hanjin ou se continuamos com ela com diferentes tarifas de frete, provavelmente menores&#8221;, diz ele. &#8220;\u00c9 um rev\u00e9s, mas n\u00e3o um desastre total.&#8221;<\/p>\n<p>A fabricante americana de artigos esportivos New Balance tem hoje um grande volume de bens em tr\u00e2nsito com a Hanjin e est\u00e1 tentando reaver os produtos, diz a porta-voz, Amy Dow.<\/p>\n<p>Mas executivos do setor dizem que qualquer queixa contra a Hanjin pode levar at\u00e9 dez anos para ter uma solu\u00e7\u00e3o. E, segundo Prokopakis, se a Hanjin for liquidada, &#8220;n\u00f3s n\u00e3o recuperaremos uma parte substancial daquilo que reivindicamos&#8221;.<\/p>\n<p>A Seaspan n\u00e3o respondeu a pedidos de coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>Fonte: The Wall Street Journal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A derrocada cada vez mais prov\u00e1vel de uma das maiores transportadoras mar\u00edtimas de cont\u00eaineres do mundo pode trazer um al\u00edvio tempor\u00e1rio a um setor abatido&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17820,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-20833","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20833"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20834,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20833\/revisions\/20834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}