{"id":20590,"date":"2016-08-24T00:20:26","date_gmt":"2016-08-24T03:20:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=20590"},"modified":"2016-08-23T21:05:51","modified_gmt":"2016-08-24T00:05:51","slug":"petrobras-concentra-exploracao-em-libra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/petrobras-concentra-exploracao-em-libra\/","title":{"rendered":"Petrobras concentra explora\u00e7\u00e3o em Libra"},"content":{"rendered":"<p>Apenas tr\u00eas po\u00e7os, todos restritos \u00e0 \u00e1rea de Libra, no pr\u00e9-sal da Bacia de Santos, est\u00e3o sendo perfurados pela Petrobras no mar brasileiro, neste momento. Este \u00e9 o retrato atual das atividades explorat\u00f3rias do pa\u00eds. Impactado pelos cortes de investimentos da estatal e das demais petroleiras que operam no pa\u00eds, em meio ao cen\u00e1rio de intensifica\u00e7\u00e3o da queda do barril, o setor de explora\u00e7\u00e3o praticamente parou este ano, depois de um j\u00e1 dif\u00edcil 2015, e atingiu no primeiro semestre seus n\u00edveis mais baixos dos \u00faltimos 60 anos.<\/p>\n<p>Enquanto a produ\u00e7\u00e3o brasileira de \u00f3leo e g\u00e1s cresce, sustentada pela entrada em opera\u00e7\u00e3o de novas plataformas no pr\u00e9-sal, levantamento feito pelo Valor, com base em dados da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP), mostra que foram feitas apenas 16 perfura\u00e7\u00f5es de po\u00e7os explorat\u00f3rios, em terra e mar, no Brasil, na primeira metade do ano &#8211; o n\u00famero mais baixo para o per\u00edodo desde 1957.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio da explora\u00e7\u00e3o no pa\u00eds se deve, em grande parte, ao corte dos investimentos da Petrobras, respons\u00e1vel por nove perfura\u00e7\u00f5es entre janeiro e junho &#8211; tr\u00eas delas ainda em andamento e outras seis j\u00e1 conclu\u00eddas. Principal agente do setor, a companhia vem se dedicando praticamente de forma exclusiva ao projeto de Libra &#8211; no segundo trimestre, por exemplo, a empresa n\u00e3o perfurou um po\u00e7o sequer fora dessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Dentro da estrat\u00e9gia de reduzir seu endividamento, a Petrobras decidiu reduzir despesas, focar nos investimentos de retorno mais imediato e postergar projetos explorat\u00f3rios. Recentemente, a estatal obteve o aval da ANP para adiar, para o final da d\u00e9cada, os prazos finais para conclus\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de \u00e1reas como J\u00fapiter, no pr\u00e9-sal; Parque dos Doces, na Bacia do Esp\u00edrito Santo; e de descobertas em \u00e1guas profundas no Sergipe.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de suas atividades j\u00e1 se traduziu no balan\u00e7o do primeiro semestre da companhia, que reduziu em 31% seus aportes em explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, para US$ 6,92 bilh\u00f5es. At\u00e9 o final do ano, a expectativa \u00e9 aumentar um pouco o ritmo dos investimentos, mas ainda assim a previs\u00e3o \u00e9 investir US$ 17,5 bilh\u00f5es em todas as suas \u00e1reas de neg\u00f3cios, um montante abaixo dos US$ 20 bilh\u00f5es inicialmente projetados.<\/p>\n<p>Os cortes nos investimentos em explora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, contudo, n\u00e3o se restringem \u00e0 Petrobras. Fora ela, apenas a Repsol Sinopec, Imetame, Parna\u00edba G\u00e1s Natural e Alvopetro perfuraram algum po\u00e7o em 2016. No mar, apenas um po\u00e7o foi perfurado fora de Libra &#8211; a perfura\u00e7\u00e3o foi feita pela petroleira sino-espanhola, no bloco C-M-539 (G\u00e1vea), na Bacia de Campos.<\/p>\n<p>Segundo o diretor-executivo da Accenture Strategy Upstream, Matheus Nogueira, a retra\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado da continuidade do cen\u00e1rio de restri\u00e7\u00e3o de caixa das petroleiras, em meio \u00e0 queda dos pre\u00e7os do barril.<\/p>\n<p>&#8220;O contexto n\u00e3o mudou muito desde 2015. A Petrobras continua controlando seus investimentos, priorizando projetos com retorno de curto prazo. Quanto \u00e0s demais petroleiras, o tamanho da \u00e1rea explorat\u00f3ria concedida no Brasil est\u00e1 baixo [em fun\u00e7\u00e3o do intervalo de cinco anos sem leil\u00f5es, entre 2008 e 2013] e h\u00e1 a quest\u00e3o dos pre\u00e7os em queda. As empresas t\u00eam vis\u00f5es de longo prazo, mas acabam postergando projetos devido a restri\u00e7\u00f5es de caixa&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Segundo o consultor, no entanto, existe a expectativa de que as atividades explorat\u00f3rias se recuperem a partir de meados do ano que vem. &#8220;A retomada [dos pre\u00e7os] vai acontecer de forma gradual, mas n\u00e3o voltaremos aos patamares anteriores [de US$ 100 o barril]. Em 12 a 18 meses, a previs\u00e3o \u00e9 que a cota\u00e7\u00e3o fique na faixa de US$ 60 a US$ 70 e as empresas voltem a investir mais em explora\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O corte dos investimentos em explora\u00e7\u00e3o tem um efeito imediato sobre a cadeia fornecedora, desde empresas de s\u00edsmica \u00e0s prestadoras de servi\u00e7os e fabricantes de equipamentos de perfura\u00e7\u00e3o. Segundo dados da americana Baker Hughes, por exemplo, o n\u00famero de sondas de perfura\u00e7\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o no mundo atingiu nos \u00faltimos meses os n\u00fameros mais baixos desde 1999.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos efeitos de curto prazo, a redu\u00e7\u00e3o do ritmo explorat\u00f3rio traz consequ\u00eancias tamb\u00e9m para o futuro. Sem investimentos na \u00e1rea, a renova\u00e7\u00e3o das reservas do pa\u00eds pode ficar comprometida e o Brasil pode ter problemas para sustentar o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s no longo prazo.<\/p>\n<p>Os efeitos j\u00e1 foram sentidos pela Petrobras ainda no ano passado, quando a estatal adicionou apenas 16 milh\u00f5es de barris \u00e0s suas reservas provadas &#8211; para efeitos de compara\u00e7\u00e3o, a ExxonMobil, mesmo diante da baixa dos pre\u00e7os acrescentou 1,5 bilh\u00e3o de barris.<\/p>\n<p>A consultoria Wood Mackenzie estima que, devido aos cortes dos investimentos das petroleiras, a expectativa de crescimento anual da produ\u00e7\u00e3o global caiu para 1,4% ao ano, num per\u00edodo de cinco anos, ante a previs\u00e3o de 3,4% ao ano, de 2014. A consultoria destaca que os investimentos globais em explora\u00e7\u00e3o ca\u00edram pela metade desde 2014, para US$ 42 bilh\u00f5es por ano entre 2016 e 2017.<\/p>\n<p>Para o ano que vem, a inten\u00e7\u00e3o do governo brasileiro \u00e9 realizar uma nova licita\u00e7\u00e3o de blocos explorat\u00f3rios: a 14\u00aa Rodada. A ind\u00fastria cobra algumas medidas para que a licita\u00e7\u00e3o n\u00e3o repita o fracasso da 13\u00aa Rodada, do ano passado.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo (IBP), o insucesso do \u00faltimo leil\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 vinculado somente ao cen\u00e1rio de baixa dos pre\u00e7os do barril. Dados do IBP mostram que outros pa\u00edses que tamb\u00e9m optaram por realizar leil\u00f5es, em 2015, conseguiram atrair mais investimentos que o Brasil, como Mo\u00e7ambique (US$ 691 milh\u00f5es), Canad\u00e1 (US$ 1,2 bilh\u00e3o) e M\u00e9xico (US$ 623 milh\u00f5es) &#8211; a 13\u00aa Rodada atraiu investimentos obrigat\u00f3rios de US$ 55,7 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o do prazo de validade do regime aduaneiro especial Repetro, ajustes na pol\u00edtica de conte\u00fado local e maior agilidade no licenciamento ambiental s\u00e3o alguns dos pleitos que comp\u00f5em a agenda da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Fonte:Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas tr\u00eas po\u00e7os, todos restritos \u00e0 \u00e1rea de Libra, no pr\u00e9-sal da Bacia de Santos, est\u00e3o sendo perfurados pela Petrobras no mar brasileiro, neste momento&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":19555,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-20590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20590"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20591,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20590\/revisions\/20591"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}