{"id":20439,"date":"2016-08-09T08:46:08","date_gmt":"2016-08-09T11:46:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=20439"},"modified":"2016-08-09T08:46:08","modified_gmt":"2016-08-09T11:46:08","slug":"logistica-e-tarifas-alfandegarias-sao-os-principais-obstaculos-as-exportacoes-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/logistica-e-tarifas-alfandegarias-sao-os-principais-obstaculos-as-exportacoes-brasileiras\/","title":{"rendered":"Log\u00edstica e tarifas alfandeg\u00e1rias s\u00e3o os principais obst\u00e1culos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>Custo do transporte, tarifas cobradas por portos e aeroportos, demora na libera\u00e7\u00e3o de mercadorias e dificuldades no escoamento da produ\u00e7\u00e3o reduzem a competitividade do produto brasileiro para exporta\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que mostra a pesquisa Desafios \u00e0 Competitividade das Exporta\u00e7\u00f5es Brasileiras, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), em parceria com a Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo (FGV \u2013 EAESP).<\/p>\n<p>O trabalho, \u00fanico no pa\u00eds, apresenta os obst\u00e1culos por n\u00famero de empresas, porte e regi\u00e3o, e n\u00e3o por valor de exporta\u00e7\u00f5es. Essa abordagem evitou que dados de poucos e grandes exportadores impactassem significativamente os resultados.<\/p>\n<p>\u201cA pesquisa aponta que, se o Brasil quiser realmente ser competitivo, \u00e9 necess\u00e1rio reduzir a morosidade e a burocracia aduaneira e alfandeg\u00e1ria, simplificar o fluxo documental e legal do processo de exporta\u00e7\u00e3o e melhorar a infraestrutura log\u00edstica para o escoamento\u201d, diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.<\/p>\n<p>Os exportadores indicaram 62 entraves ao com\u00e9rcio numa escala de 1 a 5, sendo que 1 indicava que o entrave era pouco cr\u00edtico e 5 que o entrave era muito cr\u00edtico. De acordo com a pesquisa, entraves na log\u00edstica, burocracia e custos alfandeg\u00e1rios s\u00e3o os maiores desafios \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, qualquer que seja o porte da empresa ou regi\u00e3o geogr\u00e1fica. O custo do transporte, por exemplo, recebeu nota 3,61, as tarifas cobradas por portos e aeroportos, 3,44, e a baixa a\u00e7\u00e3o do governo em superar as barreiras \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o ficou com 3,23.<\/p>\n<p>\u201cSe olharmos os 10 entraves mais cr\u00edticos por regi\u00e3o, veremos que, de forma geral, os exportadores consideram os mesmos problemas, o que muda \u00e9 o n\u00edvel de criticidade. No Nordeste, os exportadores s\u00e3o mais afetados pelos elevados juros para o financiamento da produ\u00e7\u00e3o. No Centro-Oeste, a situa\u00e7\u00e3o das rodovias \u00e9 o maior problema\u201d, afirma diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi.<\/p>\n<p>Dentro da burocracia alfandeg\u00e1ria, tamb\u00e9m s\u00e3o entraves cr\u00edticos as tarifas cobradas por \u00f3rg\u00e3os anuentes (3,04), excesso e complexidade dos documentos de exporta\u00e7\u00e3o (3,03) e o tempo para a fiscaliza\u00e7\u00e3o, despacho e libera\u00e7\u00e3o de produtos (3,0). Para acessar mercados externos, 37,3% dos exportadores apontam a burocracia administrativa como principal obst\u00e1culo e 36% reclamam da burocracia aduaneira no pa\u00eds de destino. Para um ter\u00e7o dos exportadores, as tarifas de importa\u00e7\u00e3o afetam a competitividade.<\/p>\n<p>Propostas para crescer<\/p>\n<p>Mais de 70% das empresas pesquisadas exportaram nos \u00faltimos cinco anos, o que significa que esses problemas s\u00e3o enfrentados por exportadores experientes. \u201c\u00c9 o melhor retrato que se pode ter dos problemas enfrentados pelas empresas exportadoras brasileiras. Com os dados, queremos fazer propostas e ajudar o governo a acertar no com\u00e9rcio exterior\u201d, diz Abijaodi.<\/p>\n<p>Os professores Juliana Bonomi Santos e Alexandre Pignanelli, do Centro de Excel\u00eancia em Log\u00edstica e Supply Chain (GVcelog) da FGV-EAESP, destacam a estratifica\u00e7\u00e3o ampla dos resultados. \u201cA grande amostra utilizada permite que os resultados sejam avaliados tamb\u00e9m por porte, por regi\u00e3o, e por qualquer combina\u00e7\u00e3o entre essas duas caracter\u00edsticas, possibilitando assim a identifica\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos particulares para, por exemplo, micro empresas da regi\u00e3o Norte ou grandes empresas da regi\u00e3o Sudeste\u201d, destaca Pignanelli.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, \u00e9 necess\u00e1rio ter estrutura para exportar. Ele lembra que a Coreia do Sul, que \u00e9 um pa\u00eds com pouca mat\u00e9ria-prima, exportou, em 2015, US$ 550 bilh\u00f5es em manufaturados.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que o parque fabril \u00e9 t\u00e3o maior do que do Brasil? N\u00e3o. E o Brasil vai exportar em 2016 menos do que 2006. Vai ficar igual a 2015. Significa que n\u00f3s paramos no tempo. Tem que investir em infraestrutura para reduz o custo da log\u00edstica e acabar com o custo adicional gerado pela burocracia, s\u00f3 assim seremos um exportador de peso\u201d, diz o presidente da AEB.<\/p>\n<p>Novos mercados<\/p>\n<p>Cerca de 30% das empresas exportadoras pretendem come\u00e7ar ou intensificar sua atua\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos e na Argentina. Os Estados Unidos s\u00e3o o principal mercado-alvo para exportadores de todas as regi\u00f5es. Quando se olha o dado regionalmente, 34,3% dos empres\u00e1rios do Norte gostariam de exportador para os Estados Unidos. No Centro-Oeste brasileiro, apenas para 16,7% querem ir para os EUA. Para a Argentina, querem ir 12,5% dos exportadores do Sudeste e 12,4% do Sul do Brasil.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra ainda que apesar da baixa exporta\u00e7\u00e3o para pa\u00edses da \u00c1sia, Oceania e Oriente M\u00e9dio, h\u00e1 um interesse crescente nesses destinos. Atualmente, 8% das empresas brasileiras atuam nestas tr\u00eas regi\u00f5es, mas 23% dos exportadores visam atuar nestes mercados.<\/p>\n<p>O diretor da unidade de neg\u00f3cios de Gest\u00e3o do Comercio Exterior da Thomson Reuters no Brasil, Menotti Franceschini, lembra que nos \u00faltimos anos, o foco das empresas que operaram no Brasil esteve direcionado para o mercado local, que estava muito aquecido. \u201cPor\u00e9m, em 2015, j\u00e1 come\u00e7amos a notar uma mudan\u00e7a nesse comportamento, quando registrou um aumento de 1.224 novas empresas fazendo neg\u00f3cios no com\u00e9rcio internacional\u201d, explica.<\/p>\n<p>O especialista, contudo, alerta que esse aumento se deu muito por conta das altera\u00e7\u00f5es cambiais e n\u00e3o necessariamente por ganho de competitividade das empresas. \u201cExportar, \u00e9 na verdade, muito mais do que uma oportunidade de alavancar resultados. Trata-se de uma escolha estrat\u00e9gica para empresas que queiram ser mais efetivas e sustent\u00e1veis\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Acordos comerciais<\/p>\n<p>O estudo indica que 23,9% dos exportadores brasileiros querem acordo comercial com os Estados Unidos e 16,1% t\u00eam interesse em um acordo com a Uni\u00e3o Europeia. A assinatura de acordos comerciais ganha for\u00e7a pelos entraves que os empres\u00e1rios enfrentam no pa\u00eds comprador. A burocracia administrativa e aduaneira no pa\u00eds de destino e a presen\u00e7a de tarifas de importa\u00e7\u00e3o s\u00e3o, na vis\u00e3o de ao menos 32% dos exportadores, os principais obst\u00e1culos enfrentados para conseguir vender seus produtos e servi\u00e7os. As medidas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias s\u00e3o, para 20% dos exportadores, um importante obst\u00e1culo a ser vencido.<\/p>\n<p>\u201cOs acordos comerciais s\u00e3o o caminho para se reduzir esse entrave. E os empres\u00e1rios mostraram que querem acordos com EUA, UE e Mercosul\u201d, diz Abijaodi. Para os exportadores do Norte e do Nordeste, as medidas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias s\u00e3o mais relevantes do que a burocracia aduaneira e as quotas de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tributa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Tributos federais e estaduais est\u00e3o entre os que mais impactam as exporta\u00e7\u00f5es. 43,6% disseram que PIS\/Cofins \u00e9 um entrave; 37,2% citaram o Imposto de Renda; 33,5% reclamaram do ICMS. O imposto de importa\u00e7\u00e3o de insumos para exporta\u00e7\u00e3o, IPI e CSLL foram citados por 22,2% dos exportadores.<\/p>\n<p>Entraves internos<\/p>\n<p>A maioria dos exportadores n\u00e3o utiliza instrumentos de financiamento \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es. Na opini\u00e3o de 52% deles, isso ocorre principalmente devido \u00e0 dificuldade de acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre os instrumentos e \u00e0 exig\u00eancia de garantias para financiamentos. Para a CNI, esse dado indica que h\u00e1 espa\u00e7o para a simplifica\u00e7\u00e3o dos regimes de financiamento e para a melhoria na gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o fornecida aos exportadores.<\/p>\n<p>Pesquisa<\/p>\n<p>A pesquisa entrevistou 847 exportadores entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016. Esse total representa 4,17% das empresas exportadoras. A amostra \u00e9 qualitativa e reflete a realidade dos mais de 20 mil exportadores em 2015 com grau de confian\u00e7a de 95%.<\/p>\n<p>Saiba mais<\/p>\n<p>Acesse o site com todos os detalhes sobre a pesquisa Desafios \u00e0 Competitividade das Exporta\u00e7\u00f5es Brasileiras. Fa\u00e7a o download do estudo na \u00edntegra aqui no Portal da Ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Fonte: CNI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Custo do transporte, tarifas cobradas por portos e aeroportos, demora na libera\u00e7\u00e3o de mercadorias e dificuldades no escoamento da produ\u00e7\u00e3o reduzem a competitividade do produto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17870,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-20439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20439"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20439\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20440,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20439\/revisions\/20440"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}