{"id":20172,"date":"2016-07-18T00:47:31","date_gmt":"2016-07-18T03:47:31","guid":{"rendered":"http:\/\/sincomam.org.br\/?p=20172"},"modified":"2016-07-18T10:45:38","modified_gmt":"2016-07-18T13:45:38","slug":"oleo-uma-oportunidade-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/oleo-uma-oportunidade-historica\/","title":{"rendered":"\u00d3leo &#038; g\u00e1s no Brasil; uma oportunidade hist\u00f3rica?"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil passa por desafios sem precedentes. Ao mesmo tempo em que o pa\u00eds enfrenta a maior recess\u00e3o da sua hist\u00f3ria, a Petrobras atravessa grandes dificuldades. Esse contexto, no entanto, traz oportunidades in\u00e9ditas.<\/p>\n<p>Quando a Petrobras foi fundada, em 1953, o Brasil era um pa\u00eds agr\u00e1rio. Durante os \u00faltimos sessenta anos, o panorama mudou. O Brasil tornou-se um pa\u00eds urbano, com um grande parque industrial. No entanto, o setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s continuou sendo dominado pela estatal.<\/p>\n<p>A partir de 2007, a descoberta das reservas do pr\u00e9-sal gerou uma onda de otimismo. Ao mesmo tempo, exacerbou os sentimentos nacionalistas. O Brasil viveu uma intensa discuss\u00e3o sobre as regras a serem aplicadas na explora\u00e7\u00e3o das novas reservas e sobre a distribui\u00e7\u00e3o dos recursos gerados. Os leil\u00f5es de \u00e1reas para explora\u00e7\u00e3o foram interrompidos entre 2008 e 2013.<\/p>\n<p>\/Ao inv\u00e9s de manter o modelo de concess\u00e3o que havia sido exitoso na atra\u00e7\u00e3o de capital e no aumento da explora\u00e7\u00e3o, decidiu-se criar um novo tipo de contrato, tornando a Petrobras a operadora \u00fanica na nova fronteira geol\u00f3gica. As regras de conte\u00fado local foram ampliadas. Como resultado, as oportunidades abertas pelo pr\u00e9-sal deixaram de ser plenamente aproveitadas.<\/p>\n<p>A partir das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014, a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica deteriorou-se fortemente. Investiga\u00e7\u00f5es sobre corrup\u00e7\u00e3o aprofundaram os problemas da estatal e de seus principais fornecedores. O endividamento da companhia aumentou fortemente. A Petrobras foi for\u00e7ada a reduzir investimentos e a baixar previs\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estatal n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica empresa a enfrentar dificuldades. Companhias do setor de eletricidade e de outros segmentos, afetadas pela recess\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e3o colocando ativos \u00e0 venda. Fragilizadas pelas acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, as empreiteiras brasileiras, que ao longo dos \u00faltimos anos haviam diversificado suas atividades, precisam desinvestir.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no setor el\u00e9trico o pa\u00eds come\u00e7a a viver uma mudan\u00e7a: a transi\u00e7\u00e3o de um sistema de base hidrel\u00e9trica para um sistema efetivamente hidrot\u00e9rmico, a altera\u00e7\u00e3o mais importante na \u00e1rea em oitenta anos. A regula\u00e7\u00e3o deve ser ajustada para permitir que essas transforma\u00e7\u00f5es sejam conduzidas de forma eficaz.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso aproveitar o potencial de aumento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. O primeiro passo \u00e9 a revis\u00e3o do modelo de partilha. A seguir, deve ser avaliado o retorno dos contratos de concess\u00e3o para novas \u00e1reas do pr\u00e9-sal. Tamb\u00e9m \u00e9 importante adotar um calend\u00e1rio permanente de leil\u00f5es de \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o que abranja todos os ambientes explorat\u00f3rios. Medidas adicionais incluem a acelera\u00e7\u00e3o dos processos de unitiza\u00e7\u00e3o de descobertas, a ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica mais competitiva de conte\u00fado local e a melhoria dos processos de licenciamento.<\/p>\n<p>A venda de campos menos produtivos deve reanimar a produ\u00e7\u00e3o em \u00e1reas pouco atraentes para a Petrobras, aumentando a gera\u00e7\u00e3o de royalties e impostos. As oportunidades de execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o mar\u00edtima no pa\u00eds devem ser melhor aproveitadas. O enfraquecimento de alguns dos fornecedores tradicionais da Petrobras abre espa\u00e7o para novas empresas. Com a ind\u00fastria buscando reduzir custos, os servi\u00e7os devem ser conduzidos de forma mais integrada e eficiente.<\/p>\n<p>Dado Galdieri \/ Bloomberg<br \/>Como a Petrobras vai reduzir a sua presen\u00e7a no setor de downstream, medidas devem ser tomadas para que n\u00e3o faltem derivados quando o consumo voltar a crescer. Os pre\u00e7os da gasolina e do diesel devem estar alinhados aos vigentes no mercado internacional. O sistema tribut\u00e1rio, especialmente as regras de aplica\u00e7\u00e3o do ICMS, deve ser simplificado. Novos investimentos em log\u00edstica devem ser viabilizados.<\/p>\n<p>Os desinvestimentos da Petrobras permitem vislumbrar uma reforma de grandes propor\u00e7\u00f5es no segmento de g\u00e1s natural, demandando uma nova organiza\u00e7\u00e3o do setor. Terminais de importa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s liquefeito e instala\u00e7\u00f5es para aproveitamento do g\u00e1s produzidos nos campos mar\u00edtimos devem ser constru\u00eddos. A regula\u00e7\u00e3o deve estimular a cria\u00e7\u00e3o de um mercado de g\u00e1s competitivo e aberto, em que pre\u00e7os, condi\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 infraestrutura e tarifas sejam negociados livremente. A regulamenta\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico deve levar em conta as necessidades da ind\u00fastria de g\u00e1s natural. As usinas t\u00e9rmicas a g\u00e1s devem gerar na base. O sistema de leil\u00f5es de energia deve ser revisto.<\/p>\n<p>O setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural tem potencial para atrair capital e alavancar o crescimento econ\u00f4mico do Brasil. O pr\u00e9-sal representa a maior oportunidade reprimida com que conta o pa\u00eds. Para companhias que buscam investir no Brasil, \u00e9 um momento \u00fanico. As mudan\u00e7as est\u00e3o ocorrendo por necessidade, n\u00e3o por escolha. Independente de eventuais percal\u00e7os e adiamentos a tend\u00eancia de longo prazo est\u00e1 posta. \u00c9 positiva para o setor privado. A sa\u00edda da recess\u00e3o e as mudan\u00e7as j\u00e1 em discuss\u00e3o na regula\u00e7\u00e3o devem acelerar esse processo.<\/p>\n<p>O que ocorrer no curto prazo, do ponto de vista regulat\u00f3rio ou no que diz respeito \u00e0 transfer\u00eancia da titularidade de ativos, ser\u00e1 determinante para definir a configura\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira de petr\u00f3leo e g\u00e1s no futuro. Quanto mais para tr\u00e1s ficarem as atuais dificuldades pol\u00edtico-econ\u00f4micas, maior deve ser a aprecia\u00e7\u00e3o dos ativos.<\/p>\n<p>Descartada, por raz\u00f5es pol\u00edticas hist\u00f3ricas, uma eventual privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras, dificilmente outro momento como o que se come\u00e7a a viver agora vai se repetir. O setor de \u00f3leo e g\u00e1s est\u00e1 prestes a atravessar a maior transforma\u00e7\u00e3o desde a funda\u00e7\u00e3o da Petrobras e desde que o pa\u00eds passou a ter uma economia moderna. Investidores capazes de precificar corretamente oportunidades de investimento, ativos e empresas no Brasil t\u00eam diante de si a maior janela de oportunidade em d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>D\u00e9cio Fabricio Oddone da Costa \u00e9 Diretor da Prumo Log\u00edstica S.A. Foi Presidente da Petrobras Bolivia S.A., CEO da Petrobras Energ\u00eda S.A. e Presidente da C\u00e2mara Argentina da Ind\u00fastria do Petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>(Este artigo reflete as vis\u00f5es pessoais, contidas em um trabalho publicado esta semana pelo Atlantic Council.)<\/p>\n<p>Fonte: Valor Economico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil passa por desafios sem precedentes. Ao mesmo tempo em que o pa\u00eds enfrenta a maior recess\u00e3o da sua hist\u00f3ria, a Petrobras atravessa grandes&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":17857,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-20172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20172"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20173,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20172\/revisions\/20173"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}