{"id":19763,"date":"2016-06-09T08:40:03","date_gmt":"2016-06-09T11:40:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=19763"},"modified":"2016-06-09T09:55:05","modified_gmt":"2016-06-09T12:55:05","slug":"19763","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/19763\/","title":{"rendered":"Sucesso do carro el\u00e9trico esbarra em incentivos"},"content":{"rendered":"<p>A Toyota realizou um grande evento de lan\u00e7amento do Novo Prius no Brasil. Trata-se do modelo refer\u00eancia quando o assunto \u00e9 &#8220;carro verde\u201d, isto \u00e9, aqueles movidos exclusiva ou parcialmente a motor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, h\u00e1 nada menos que 5,7 milh\u00f5es de unidades do Prius rodando \u2014 63% de todos os modelos da montadora nessa propuls\u00e3o, que h\u00e1 poucos meses passou de 9 milh\u00f5es de ve\u00edculos comercializados no estilo. Trata-se do modelo mais popular entre os ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos no planeta.<\/p>\n<p>O desempenho no Brasil, por\u00e9m, \u00e9 vexat\u00f3rio: a frota brasileira de Prius \u00e9 0,01% da global, sendo que nosso mercado automotivo est\u00e1 entre os 10 maiores do mundo \u2014 crise \u00e0 parte.\u00a0<\/p>\n<p>Foram apenas 783 vendas desde sua chegada ao Brasil em 2013. Desses, mais de 100 s\u00e3o t\u00e1xis na cidade de S\u00e3o Paulo, onde a prefeitura promoveu um programa de incentivo.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o investimento na tecnologia faz parte de um plano em escala mundial de metas da Toyota \u00a0para reduzir emiss\u00f5es de gases estufa a n\u00edveis pr\u00f3ximos de zero at\u00e9 2050. O primeiro objetivo \u00e9 chegar a vendas anuais de 1,5 milh\u00f5es de h\u00edbridos ao ano, com total de 15 milh\u00f5es at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>No Brasil, por\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil mensurar uma participa\u00e7\u00e3o relevante nessa marca. A montadora espera que nos pr\u00f3ximos cinco anos, 30% de suas vendas no pa\u00eds sejam de carros verdes, algo como 50 mil dos 170 mil ve\u00edculos comercializados ao ano.<\/p>\n<p>Apesar dos benef\u00edcios de rodar mais de 800 quil\u00f4metros por tanque, a briga \u00e9 com seu valor de mercado, que leva um carro h\u00edbrido ou el\u00e9trico para longe dos patamares competitivos no mercado brasileiro.\u00a0<\/p>\n<p>Os mais de 20 modelos desses ve\u00edculos vendidos no pa\u00eds n\u00e3o saem por menos de R$ 120 mil \u2014 pre\u00e7o esse do pr\u00f3prio Prius \u2014, sendo que poderiam custar menos que a metade do pre\u00e7o se aplicada uma pol\u00edtica de impostos competitiva.<\/p>\n<p>&#8220;O movimento do governo para isen\u00e7\u00e3o de impostos existe, mas ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente, nem est\u00e1 clara para os pr\u00f3ximos anos&#8221;, diz Ricardo Bastos, diretor de comunica\u00e7\u00e3o e assuntos governamentais da Toyota do Brasil. &#8220;\u00c9 preciso uma nova pol\u00edtica, que taxe o carro adequadamente.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de dois anos, o prefeito de S\u00e3o Paulo, Fernando Haddad (PT), promulgou um projeto de lei que dava incentivos aos propriet\u00e1rios de carros el\u00e9tricos e h\u00edbridos da capital paulista. Entre os benef\u00edcios aos carros com pre\u00e7o abaixo de R$ 150 mil est\u00e1 a isen\u00e7\u00e3o de metade do IPVA, parte que cabe ao munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Essa metade do IPVA isenta apenas 2% de um total que passa dos 70% de imposto que \u00e9 suplementado no pre\u00e7o de fabrica\u00e7\u00e3o dos carros \u201cverdes\u201d \u2014 como s\u00e3o chamados os ve\u00edculos no estilo.\u00a0<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Haddad dizia em seus discursos que essa era uma lei simb\u00f3lica, para que se aprofundasse o debate sobre isen\u00e7\u00e3o de impostos aos h\u00edbridos e el\u00e9tricos. Mas as conversas pouco avan\u00e7aram.<\/p>\n<p>Pelo seu pre\u00e7o de venda nas concession\u00e1rias, o mesmo valor do Prius, por exemplo, d\u00e1 direito ao comprador de sair com o topo de linha do utilit\u00e1rio RAV4 ou uma enorme picape Hilux em vers\u00f5es intermedi\u00e1rias \u2014 mantendo as op\u00e7\u00f5es apenas dentro da montadora.<\/p>\n<p>Fugindo da japonesa, pode-se adquirir por pre\u00e7o semelhante e sem a caracter\u00edstica amig\u00e1vel ao meio ambiente um Audi A3, Mercedes-Benz C180 Coup\u00e9 ou um BMW 320i Sport, por exemplo, de voca\u00e7\u00e3o mais esportiva e na categoria \u201csonho de consumo\u201d para tantos.<\/p>\n<p>Resultado? De acordo com n\u00fameros da Anfavea (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores), foram emplacados desde 2006 apenas 2,5 mil carros verdes dentro de uma frota total que gira hoje em torno dos 50 milh\u00f5es de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que o consumidor ainda n\u00e3o se sensibilizou tanto para a quest\u00e3o ambiental ou a autonomia do carro, j\u00e1 que o pre\u00e7o \u00e9 alto\u201d, afirma Antonio Megale, presidente da Anfavea. \u201cAinda assim, d\u00e1 para ver uma leve evolu\u00e7\u00e3o. Entendemos a quest\u00e3o de h\u00edbridos e el\u00e9tricos como algo para o longo prazo: se n\u00e3o entrarmos nesse jogo, ficaremos sempre para tr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>Considerando pesquisas do setor, a expectativa da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Ve\u00edculo El\u00e9trico \u00e9 que circulem de 30 mil a 40 mil ve\u00edculos verdes no Brasil em 2020, o que continua sendo um n\u00famero pequeno. Desconsiderando o crescimento da frota e aplicada essa porcentagem aos n\u00fameros atuais, os carros h\u00edbridos e el\u00e9tricos representam 0,08% do total no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para especialistas consultados,\u00a0a \u00fanica forma de mudar o cen\u00e1rio \u00e9 por meio de incentivo do Estado, com isen\u00e7\u00e3o de impostos e benef\u00edcios aos potenciais compradores.<\/p>\n<p>Acontece que a situa\u00e7\u00e3o atual de crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica dificulta qualquer negocia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o afete o n\u00facleo duro do governo. Tudo indica que a espera ser\u00e1 longa.<\/p>\n<p><strong>TAXA, TAXA E TAXA<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Os carros brasileiros tradicionalmente sofrem com a carga de impostos, mas os tributos incididos em carros verdes s\u00e3o especialmente agravantes. Essa \u00e9 a briga de montadoras desde a chegada da tecnologia em 2006.<\/p>\n<p>O discurso das entidades representativas, como Anfavea e a ABVE, vai na linha de que menor pre\u00e7o daria mais escala ao novo mercado. Com pre\u00e7os mais competitivos, mais motoristas adeririam aos verdes e entenderiam seus benef\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vamos avan\u00e7ar enquanto n\u00e3o houver sensibilidade e movimenta\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico. Precisamos constituir um mercado primeiro, para que antes de cobrar impostos tenhamos a dissemina\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos nas ruas\u201d, diz Ricardo Guggisberg, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Ve\u00edculo El\u00e9trico. \u201cTributar t\u00e3o poucos carros significa nada aos cofres p\u00fablicos. O primeiro passo \u00e9 criar escala, para disseminarmos uma cultura do carro el\u00e9trico.\u201d<\/p>\n<p>Com expans\u00e3o da tecnologia e aumento das vendas, as associa\u00e7\u00f5es acreditam que a capacidade de investimento aumentaria, reduzindo custos de produ\u00e7\u00e3o. Toda essa cadeia baratearia o carro e poderia abrir margem para discutir nova tributa\u00e7\u00e3o no futuro.<\/p>\n<p>Em outubro passado, uma resolu\u00e7\u00e3o da Camex (C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior) isentou do imposto de importa\u00e7\u00e3o os carros el\u00e9tricos, taxa que, at\u00e9 ent\u00e3o adicionava 35% ao valor total do carro.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a em valores foi gritante: o BMW i3 que chegava ao pa\u00eds por quase R$ 220 mil, sai hoje por volta dos R$ 170 mil em sua vers\u00e3o mais \u201cmodesta\u201d. Outros el\u00e9tricos puros, como o Renault Zoe (13 mil euros) ou Mitsubishi i-MiEV (20 mil euros) tem por aqui pre\u00e7os nesta faixa. Nota-se, portanto, que \u00e9 pouco: pode-se comprar cinco carros zero populares com o valor de um desses.<\/p>\n<p>Fora esse \u2014 h\u00edbridos ainda t\u00eam imposto de importa\u00e7\u00e3o de at\u00e9 7% a depender do grau de efici\u00eancia energ\u00e9tica \u2014, pela legisla\u00e7\u00e3o atual, ainda est\u00e3o incididos ainda PIS\/COFINS (13%), ICMS (de 12% a 18%, a depender do Estado), e o IPI, cujo percentual m\u00e1ximo pode chegar a 55%.<\/p>\n<p>Maior inimigo da ind\u00fastria, o IPI est\u00e1 h\u00e1 tempos na mira: o projeto de lei 415\/2012, do senador Eduardo Amorim (PSC-SE) e que prop\u00f5e justamente a isen\u00e7\u00e3o permanente para tais carros, est\u00e1 tramitando na Casa desde 2012.<\/p>\n<p>Na semana passada, uma audi\u00eancia na Comiss\u00e3o de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Controle da Casa disp\u00f4s de debates para que a mat\u00e9ria siga em frente. Seria outro al\u00edvio que derrubaria vertiginosamente os pre\u00e7os e tornaria a tabela de valores mais interessante.<\/p>\n<p>Hoje classificados na categoria \u201cOutros\u201d, a maior parte dos carros verdes parte de 25% de acr\u00e9scimo por IPI. A ideia das associa\u00e7\u00f5es \u00e9 criar uma divis\u00e3o espec\u00edfica para essa motoriza\u00e7\u00e3o, isenta do imposto.<\/p>\n<p>\u201cO que vemos \u00e9 que o pa\u00eds entrou em uma \u00a0fase complicada para se falar em ren\u00fancia fiscal. O Brasil est\u00e1 tentando se reequilibrar e, neste momento, essa pauta tem dif\u00edcil tr\u00e2nsito no Congresso\u201d, afirma Megale, da Anfavea. \u201cTalvez equacionando pela efici\u00eancia do ve\u00edculo, seja poss\u00edvel reestruturar todo o modelo, sem perdas para o Estado e incentivando a busca de novas tecnologias verdes para as montadoras\u201d.<\/p>\n<div class=\"info-img-articles\">\n<p class=\"gray\">Oslo, na Noruega: propriet\u00e1rios de ve\u00edculos verdes podem trafegar em faixas exclusivas de \u00f4nibus como benef\u00edcio e ganham toda a estrutura de recarga instalada em casa por conta<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>MODELOS INTERNACIONAIS<\/strong><\/p>\n<p>Quatro mercados internacionais s\u00e3o exemplos para entidades que lutam por incentivos ao carro verde no Brasil. S\u00e3o eles Estados Unidos e Jap\u00e3o, que se revezam na lideran\u00e7a de vendas, o chin\u00eas e o europeu, que cresce em ritmo vertiginoso.<\/p>\n<p>Recentemente, um relat\u00f3rio encomendado pela montadora Nissan constatou que o Jap\u00e3o tem mais postos de recarga para carros el\u00e9tricos puros e h\u00edbridos plug-in (que tem bateria recarreg\u00e1vel que trabalha junto com motor de combust\u00e3o) do que postos de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>S\u00e3o 40 mil totens de alimenta\u00e7\u00e3o contra 35 mil postos. Entram no relat\u00f3rio, por\u00e9m, pontos de recarga particulares, que atendem apenas um usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 2014, a frota de ve\u00edculos el\u00e9tricos plug-in no Jap\u00e3o foi a segunda maior do mundo, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, que tem quase tr\u00eas vezes mais habitantes. De 2009 at\u00e9 setembro de 2014, mais de 95 mil ve\u00edculos el\u00e9tricos plug-in foram vendidos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Agora, o Jap\u00e3o rivaliza com a China, outro pa\u00eds de popula\u00e7\u00e3o infinitamente maior. Por conta dos problemas de polui\u00e7\u00e3o e para depender menos de combust\u00edveis f\u00f3sseis importados, os chineses usaram as mesmas medidas japonesas e norte-americanas para incentivar os compradores.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas pa\u00edses e na Europa foram criadas pol\u00edticas de incentivo que incluem aporte financeiro para compradores de carros verdes, for\u00e7am a importa\u00e7\u00e3o de tecnologias para as f\u00e1bricas para desenvolver a ind\u00fastria internamente e d\u00e3o benef\u00edcios no dia a dia do propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Grande exemplo est\u00e1 em curso na Noruega, onde, al\u00e9m de uma pol\u00edtica de isen\u00e7\u00e3o de impostos que chega a tirar 16 mil euros do valor do carro, os propriet\u00e1rios de ve\u00edculos verdes podem trafegar em faixas exclusivas de \u00f4nibus como benef\u00edcio e ganham toda a estrutura de recarga instalada em casa por conta.<\/p>\n<p>Outra particularidade do pa\u00eds \u00e9 que motoristas frequentemente encontram pesadas tarifas para transporte de carro em balsas, ped\u00e1gios urbanos e estacionamento. Todos esses custos foram zerados para donos de h\u00edbridos e el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>At\u00e9 2015, 50 mil ve\u00edculos el\u00e9tricos circulavam na Noruega \u2014 20 vezes mais que o Brasil. Em linhas gerais, os carros verdes j\u00e1 representam 25% dos emplacamentos de carros zero-quil\u00f4metro no pa\u00eds, um recorde mundial.<\/p>\n<p>O resultado mostra como medidas semelhantes \u00e0s de pa\u00edses onde o carro el\u00e9trico cresceu d\u00e3o frutos, se bem adaptadas. As montadoras pretendem, em um segundo momento, debater com o governo que tipos de incentivo podem ser aplicados \u00e0 realidade brasileira. A prioridade, no momento, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria, mas esse passo \u00e9 fundamental para o crescimento do mercado.<\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Toyota realizou um grande evento de lan\u00e7amento do Novo Prius no Brasil. 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