{"id":19509,"date":"2016-05-19T00:00:25","date_gmt":"2016-05-19T03:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=19509"},"modified":"2016-05-19T09:12:51","modified_gmt":"2016-05-19T12:12:51","slug":"polo-naval-do-amazonas-reclama-de-politicas-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/polo-naval-do-amazonas-reclama-de-politicas-publicas\/","title":{"rendered":"Polo naval do Amazonas reclama de pol\u00edticas p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de ser considerado como o segundo maior polo do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a volumes produtivos, com faturamento anual superior a R$250 milh\u00f5es, o setor naval do Amazonas evidencia contrastes estruturais e mostra que est\u00e1 longe do desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Atualmente, apenas 5% do total de 104 estaleiros instalados no Estado utilizam tecnologia industrial inovadora, com equipamentos automatizados. O problema, segundo o Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Naval, N\u00e1utica, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval-AM ), est\u00e1 na falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem o acesso aos financiamentos banc\u00e1rios, aos atrasos nas tratativas da implementa\u00e7\u00e3o do polo naval e nas dificuldades para a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>O diretor do Sindnaval-AM, Ivo Ara\u00fajo, afirma que os estaleiros investem em maquin\u00e1rio e qualifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Mas, mesmo assim, nos \u00faltimos 30 anos pouca coisa avan\u00e7ou no processo de fabrica\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es que ainda hoje s\u00e3o produzidas de forma manual, ou seja, artesanal.<\/p>\n<p>Segundo Ara\u00fajo, a dificuldade em inserir a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica na rotina de trabalho est\u00e1 na inseguran\u00e7a de investir sem visualizar um cen\u00e1rio econ\u00f4mico promissor. \u201cO investimento em maquin\u00e1rio exige a capacita\u00e7\u00e3o do trabalhador porque \u00e9 ele quem vai manusear o equipamento. \u00c9 preciso oferecer treinamento. Por\u00e9m, o setor n\u00e3o tem demanda para fazer tal investimento. Precisamos que o governo do Estado se empenhe junto ao setor privado para captar servi\u00e7os aos estaleiros\u201d, disse. \u201cA \u2018luz no fim do t\u00fanel\u2019 \u00e9 a mudan\u00e7a do governo federal e a demanda que possivelmente ser\u00e1 direcionada \u00e0 regi\u00e3o Norte por meio do Arco Norte para o transporte do agroneg\u00f3cio. Por\u00e9m, isso depende de uma pol\u00edtica social mais atuante do governo do Amazonas\u201d, completou.<\/p>\n<p>De acordo com o gerente de produ\u00e7\u00e3o e projetos do Estaleiro Bibi Eireli, Josinaldo Soares, a longo prazo a metodologia de fabrica\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es teve poucas mudan\u00e7as. Soares relata que a empresa sempre se preocupou em inovar o processo de fabrica\u00e7\u00e3o e uma das tentativas foi a aquisi\u00e7\u00e3o de um maquin\u00e1rio or\u00e7ado em aproximadamente R$20 milh\u00f5es. Entre os equipamentos est\u00e3o: m\u00e1quinas de plasma, de corte e dobra, dentre outros usados para tratamento de superf\u00edcie das chapas de a\u00e7o.<\/p>\n<p>O problema, \u00e9 que por falta de novos contratos e possibilidades de manuten\u00e7\u00e3o, os equipamentos est\u00e3o parados no p\u00e1tio do estaleiro. \u201cO investimento para alcan\u00e7ar a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 alto, o que demanda uma proje\u00e7\u00e3o de contratos para obras futuras, o que n\u00e3o existe hoje. Temos uma m\u00e1quina de plasma que nunca foi usada e est\u00e1 parada. Tamb\u00e9m temos duas m\u00e1quinas de corte e dobra, al\u00e9m de outras para tratamento de superf\u00edcie de chapa de a\u00e7o. Mas, n\u00e3o conseguimos investir sem visualizar retorno \u00e0 frente. Ainda estamos pagando alguns equipamentos\u201d, relatou.<\/p>\n<p>O Estaleiro Bibi ainda tentou investir em uma linha de montagem, o que segundo Soares representa a automa\u00e7\u00e3o de parte do processo de fabrica\u00e7\u00e3o da embarca\u00e7\u00e3o. O maquin\u00e1rio custa R$10 milh\u00f5es. \u201cO fornecedor at\u00e9 facilita a venda. Esse conjunto de equipamentos resultaria na economia na m\u00e3o de obra. Mas, qual a garantia que teremos para honrar esse compromisso?\u201d, questionou Soares.<\/p>\n<p>O gerente comercial do Estaleiro Bibi, Alessandro Beraldo, tamb\u00e9m considera a import\u00e2ncia do apoio do governo estadual na viabiliza\u00e7\u00e3o de parcerias com segmentos como o das empresas de navega\u00e7\u00e3o a partir da renova\u00e7\u00e3o da frota, o que resultaria em demanda ao setor naval. \u201cAs embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o antigas, muitas s\u00e3o de madeira e precisam ser renovadas para chapa de a\u00e7o, que \u00e9 mais seguro e confort\u00e1vel. Tamb\u00e9m falta apoio para o pessoal da navega\u00e7\u00e3o que n\u00e3o consegue financiar uma embarca\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o do estaleiro atende \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, da Pol\u00edcia Militar Ambiental, ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e ao sistema Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Amazonas (Fieam). O tempo de fabrica\u00e7\u00e3o de uma balsa de carga de 600 toneladas \u00e9 de aproximadamente 40 dias. Enquanto uma embarca\u00e7\u00e3o motorizada, que \u00e9 um empurrador, leva em torno de oito meses para ser entregue. Por meio de nota, a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do governo do Estado informou que aguarda o desembara\u00e7o das a\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da Justi\u00e7a que suspenderam a execu\u00e7\u00e3o do projeto do polo naval, mas que est\u00e1 buscando alternativas para garantir a estrutura\u00e7\u00e3o de um plano de log\u00edstica que contemplar\u00e1 o setor de forma integrada. Na s\u00e9rie de oficinas de trabalho realizada em abril, foram apresentadas propostas dentro de um Plano Estrat\u00e9gico de Infraestrutura com discuss\u00f5es sobre o setor hidrovi\u00e1rio, na estrutura\u00e7\u00e3o de uma Nova Matriz Econ\u00f4mica para o Estado do Amazonas. Essas propostas ser\u00e3o sistematizadas e apresentadas posteriormente para o conjunto da sociedade, e depois para os poss\u00edveis investidores.<\/p>\n<p>Beconal avan\u00e7a em tecnologia e agiliza produ\u00e7\u00e3o Em um outro cen\u00e1rio, bem contrastante com o vivenciado em 95% dos estaleiros no Amazonas, est\u00e3o as empresas que disp\u00f5em dos maquin\u00e1rios tecnol\u00f3gicos mais avan\u00e7ados, como \u00e9 o caso do Beconal Bertolini Constru\u00e7\u00e3o Naval da Amaz\u00f4nia Ltda.<\/p>\n<p>O gerente industrial do Beconal Bertolini Constru\u00e7\u00e3o Naval da Amaz\u00f4nia Ltda., Fl\u00e1vio Silveira, conta que desde que foi idealizado, o estaleiro foi projetado com o que havia de inova\u00e7\u00e3o no segmento de engenharia naval. O Beconal foi implantado como ind\u00fastria h\u00e1 5 anos. No m\u00e9todo de fabrica\u00e7\u00e3o, o estaleiro utiliza a metodologia de processamento de c\u00e9lulas de produ\u00e7\u00e3o, uma teoria que segundo Silveira, tamb\u00e9m \u00e9 usada nas empresas do Distrito Industrial (DI), que permite que o trabalho aconte\u00e7a em linha de produ\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo em que viabiliza a customiza\u00e7\u00e3o do produto. \u201cSe em algum momento decidimos mudar a produ\u00e7\u00e3o de um produto conseguimos alterar a linha com o m\u00ednimo de interven\u00e7\u00e3o poss\u00edvel\u201d, explicou.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as das embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o fabricadas em peda\u00e7os, simultaneamente, em linhas de produ\u00e7\u00e3o distintas. Logo ap\u00f3s, as pe\u00e7as s\u00e3o montadas at\u00e9 darem origem \u00e0 embarca\u00e7\u00e3o. \u201cCada peda\u00e7o \u00e9 fabricado ao mesmo tempo e depois s\u00e3o montados. S\u00e3o esta\u00e7\u00f5es especializadas. O projeto \u00e9 adaptado para ter capacidade de produ\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>A empresa conta com seis galp\u00f5es onde as embarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o confeccionadas. Um s\u00e9timo galp\u00e3o est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o e deve ser inaugurado at\u00e9 o m\u00eas de julho deste ano. Quanto aos maquin\u00e1rios, o Beconal utiliza guindastes; dois rob\u00f4s de plasma que cortam as chapas e tamb\u00e9m retrabalham as sucatas; al\u00e9m de imprimirem o desenho do projeto na chapa. \u201cHoje, os desenhos que circulam na linha de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisam mais serem interpretados porque j\u00e1 est\u00e3o impressos na chapa. O oper\u00e1rio s\u00f3 ter\u00e1 que executar. Ganhamos na produtividade porque ele n\u00e3o precisar\u00e1 medir nada. Podemos estimar que os investimentos alcan\u00e7aram cerca de R$40 milh\u00f5es em maquin\u00e1rio\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Em 2006, o Beconal fabricava uma embarca\u00e7\u00e3o em nove meses e hoje, a empresa entrega quatro balsas mensalmente. O empurrador demorava cerca de um ano e meio para ser fabricado e atualmente \u00e9 conclu\u00eddo um empurrador a cada tr\u00eas meses. funcion\u00e1rios e n\u00e3o sofreu impactos relevantes com a crise econ\u00f4mica nacional. N\u00e3o houve demiss\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>Fonte:Portal Amaz\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ser considerado como o segundo maior polo do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a volumes produtivos, com faturamento anual superior a R$250 milh\u00f5es, o setor&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":19088,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-19509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19509"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19510,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19509\/revisions\/19510"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}