{"id":19455,"date":"2016-05-10T09:19:24","date_gmt":"2016-05-10T12:19:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=19455"},"modified":"2016-05-10T09:19:24","modified_gmt":"2016-05-10T12:19:24","slug":"empresas-renegociam-us-24-bilhoes-em-dividas-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/empresas-renegociam-us-24-bilhoes-em-dividas-no-exterior\/","title":{"rendered":"Empresas renegociam US$ 24 bilh\u00f5es em d\u00edvidas no exterior"},"content":{"rendered":"<p>As empresas brasileiras\u00a0est\u00e3o renegociando mais de US$ 24 bilh\u00f5es em d\u00edvidas\u00a0com b\u00f4nus emitidos no exterior.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 o maior volume de reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos de empresas em um s\u00f3 pa\u00eds, e corresponde a mais de 10% do total de US$ 224 bilh\u00f5es de b\u00f4nus de companhias brasileiras em circula\u00e7\u00e3o no mercado (excluindo bancos), segundo a Dealogic, que compila dados sobre a atividade de mercado de capitais, finan\u00e7as estruturadas, project finance e empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Gol e Oi\u00a0s\u00e3o as empresas que mais recentemente se juntaram a esse grupo, que conta com empresas do agroneg\u00f3cio, como GVO, Usina S\u00e3o Jo\u00e3o, Tonon, Arcalco e Ceagro, as construtoras Schahin e OAS, a Cimento Tupi, a General Shopping e a Odebrecht \u00d3leo e G\u00e1s, entre outras. V\u00e1rias est\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Para analistas, o efeito dessa onda de renegocia\u00e7\u00f5es pode ser equivalente ao ocorrido ap\u00f3s a morat\u00f3ria do Brasil na d\u00e9cada de 1980: anos para retomada da confian\u00e7a e para acesso ao dinheiro mais cobi\u00e7ado e barato no exterior, o dos fundos de pens\u00e3o e das seguradoras.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil ganhou o pr\u00eamio de default no mundo em 2015. Globalmente, no portf\u00f3lio de empresas da Fitch, o Brasil tem o maior n\u00famero de companhias em default&#8221;, disse ao Broadcast, servi\u00e7o em tempo real da Ag\u00eancia Estado, Daniel Kastholm, diretor executivo do grupo de finan\u00e7as corporativas da Fitch Ratings para a Am\u00e9rica Latina.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo ele, esta \u00e9 a crise mais grave para as companhias brasileiras nos \u00faltimos 30 anos, marcada por uma recess\u00e3o extremamente profunda e um elevado conte\u00fado de incerteza pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O pior aspecto para os investidores n\u00e3o \u00e9 o fato de terem de alongar, trocar ou, no limite, at\u00e9 perderem parte do que investiram nos b\u00f4nus, mas a inseguran\u00e7a durante o processo de renegocia\u00e7\u00e3o, especialmente aquelas que se d\u00e3o por meio da recupera\u00e7\u00e3o judicial.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;O processo de reestrutura\u00e7\u00e3o judicial no Brasil n\u00e3o \u00e9 o ideal, pois n\u00e3o \u00e9 conduzido por estruturas legais centralizadas e especializadas, o que resulta em inconsist\u00eancias, n\u00e3o baseadas em precedentes, al\u00e9m de levar muito tempo&#8221;, avaliou Kastholm.<\/p>\n<p>Eduardo Mattar, s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Pinheiro Guimar\u00e3es, que participa de grande parte das renegocia\u00e7\u00f5es de empresas feitas com detentores de b\u00f4nus, diz que os investidores estrangeiros t\u00eam sido surpreendidos por um ambiente espinhoso, enviesado e excessivamente pr\u00f3-devedor nos processos.<\/p>\n<p>&#8220;Os b\u00f4nus foram adquiridos na suposi\u00e7\u00e3o de que a lei de recupera\u00e7\u00e3o judicial, alterada em 2005, seria aplicada. Mas o fato \u00e9 que sua aplica\u00e7\u00e3o a est\u00e1 tornado t\u00e3o ruim quanto era a lei da concordata, vigente anteriormente&#8221;, disse.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo ele, por vezes os ju\u00edzes t\u00eam desrespeitado a pr\u00f3pria lei e as companhias, por entenderem que estar\u00e3o na maioria dos casos protegidas pela interpreta\u00e7\u00e3o de que tudo deve ser feito para salvar a empresa, abusam dos credores.<\/p>\n<h3><b>Prazo<\/b><\/h3>\n<p>Como exemplo, Mattar cita o fato de o per\u00edodo de 180 dias que as empresas t\u00eam para aprovar o plano de recupera\u00e7\u00e3o ser prorrogado, embora a lei diga que \u00e9 improrrog\u00e1vel.\u00a0<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que tem sido alvo de discuss\u00e3o entre advogados nos processos em andamento est\u00e1 relacionada \u00e0s garantias dos b\u00f4nus, pelas quais credores t\u00eam de brigar em v\u00e1rios casos, mesmo que previstas nos contratos.<\/p>\n<p>O Brasil chega a ser complicado at\u00e9 para os investidores acostumados a lidar com empresas que est\u00e3o com a casa desarrumada, os chamados fundos &#8220;distress&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Rafael Fritsch, respons\u00e1vel pela \u00e1rea de cr\u00e9dito da Canvas, especializado em ativos de alto retorno, diz que os pre\u00e7os praticados no mercado secund\u00e1rio por b\u00f4nus de empresas brasileiras em reestrutura\u00e7\u00e3o j\u00e1 espelham essa inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Os b\u00f4nus da Oi, por exemplo, operam no mercado secund\u00e1rio na margem de 20% a 30% do valor de face. &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que se recupere menos de 20% do que foi investido&#8221;, disse Fritsch.\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil tem um dos n\u00edveis mais baixos de recupera\u00e7\u00e3o, de acordo com ele, lembrando que, no exterior, a m\u00e9dia do porcentual de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 o dobro disso.<\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As empresas brasileiras\u00a0est\u00e3o renegociando mais de US$ 24 bilh\u00f5es em d\u00edvidas\u00a0com b\u00f4nus emitidos no exterior.\u00a0 \u00c9 o maior volume de reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos de empresas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18495,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-19455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19456,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19455\/revisions\/19456"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}