{"id":19445,"date":"2016-05-09T00:01:45","date_gmt":"2016-05-09T03:01:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=19445"},"modified":"2016-05-09T09:31:44","modified_gmt":"2016-05-09T12:31:44","slug":"grandes-petroliferas-desistem-de-projetos-caros-e-complexos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/grandes-petroliferas-desistem-de-projetos-caros-e-complexos\/","title":{"rendered":"Grandes petrol\u00edferas desistem de projetos caros e complexos"},"content":{"rendered":"<p>Da Austr\u00e1lia ao Golfo do M\u00e9xico, as baixas incluem projetos de explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas ultraprofundas, embarca\u00e7\u00f5es imensas usadas como f\u00e1bricas flutuantes de g\u00e1s natural liquefeito e tecnologias que poderiam reduzir drasticamente a emiss\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis. A anglo-holandesa Royal Dutch Shell PLC, a americana Chevron Corp. e a australiana Woodside Petroleum PLC s\u00e3o algumas das grandes empresas de petr\u00f3leo que est\u00e3o cancelando ou adiando projetos ambiciosos.<\/p>\n<p>Um novo exemplo dessa tend\u00eancia foi divulgado na quarta-feira, quando a Shell informou ter registrado queda de 83% no lucro do primeiro trimestre ante um ano atr\u00e1s. A empresa afirmou que vai cortar seus gastos de capital em mais 10% neste ano, para US$ 30 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Para ser totalmente honesto, qualquer novo grande investimento, seja de GNL flutuante, \u00e1guas profundas ou outro est\u00e1 sob uma an\u00e1lise cr\u00edtica muito severa dos n\u00edveis de custo e retorno simplesmente devido&#8221; \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do setor, disse o diretor financeiro da Shell, Simon Henry, numa teleconfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Desde que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo come\u00e7aram a cair, h\u00e1 quase dois anos, a ind\u00fastria petrol\u00edfera j\u00e1 adiou ou cancelou US$ 270 bilh\u00f5es em projetos, estima a consultoria norueguesa Rystad Energy. Grande parte desses cortes est\u00e1 ligada a projetos de alta tecnologia que j\u00e1 foram considerados vitais para sustentar a oferta global de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma reviravolta dr\u00e1stica em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos dez anos, quando a demanda crescente e a redu\u00e7\u00e3o das fontes al\u00e7aram os pre\u00e7os do petr\u00f3leo \u00e0s alturas e levaram as petrol\u00edferas a novas fronteiras de explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importava a que custo.<\/p>\n<p>Segundo a firma de dados IHS Inc., o setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s gastou cerca de 15% menos em pesquisa e desenvolvimento em 2015 &#8211; quando o pre\u00e7o m\u00e9dio do petr\u00f3leo ficou em torno de US$ 50 por barril &#8211; do que em 2014, quando ele foi de US$ 100.<\/p>\n<p>&#8220;Vemos um recuo dos clientes em projetos realmente complexos&#8221;, diz Kishore Sundararajan, diretor de tecnologia da GE Oil &amp; Gas, a divis\u00e3o de servi\u00e7os de petr\u00f3leo da General Electric Inc.<\/p>\n<p>Iniciativas para recriar em outros pa\u00edses o boom da explora\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00f5es de xisto vivido pelos Estados Unidos tamb\u00e9m foram suprimidas por raz\u00f5es pol\u00edticas, geol\u00f3gicas e t\u00e9cnicas, al\u00e9m da queda nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Agora, o foco est\u00e1 cada vez mais voltado para tecnologias que podem reduzir custos e aumentar a efici\u00eancia, \u00e0 medida que as grandes petrol\u00edferas globais continuam cortando bilh\u00f5es de seus or\u00e7amentos e eliminando milhares de empregos.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os subiram para seu n\u00edvel mais elevado deste ano, com o petr\u00f3leo do tipo Brent, a refer\u00eancia internacional, atingindo US$ 48,50 por barril no fim de abril. Mesmo assim, as empresas permanecem cautelosas quanto a entrar em novas \u00e1reas caras e complexas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vamos ver uma alta significativa se os pre\u00e7os do petr\u00f3leo voltarem para US$ 60 o barril&#8221;, disse a analistas o diretor financeiro da petrol\u00edfera brit\u00e2nica BP, Brian Gilvary, em abril. &#8220;Estamos vendo realmente o que podemos fazer em torno das margens do portf\u00f3lio existente.&#8221;<\/p>\n<p>Entre as principais v\u00edtimas da queda nos pre\u00e7os est\u00e3o as f\u00e1bricas flutuantes de g\u00e1s natural liquefeito &#8211; navios enormes que s\u00e3o, na pr\u00e1tica, f\u00e1bricas navegantes capazes de acessar campos remotos. O g\u00e1s natural h\u00e1 muito tempo \u00e9 transportado somente por gasodutos. Em vez disso, as f\u00e1bricas de GNL transformam o g\u00e1s em l\u00edquido, permitindo que o combust\u00edvel seja enviado a mercados em todo o mundo.<\/p>\n<p>Em abril, a Woodside Petroleum desistiu de seus planos de montar opera\u00e7\u00f5es flutuantes em seu campo Browse, na costa ocidental da Austr\u00e1lia, um projeto que teria custado US$ 40 bilh\u00f5es, estimam analistas. A empresa afirma que ainda \u00e9 a favor do projeto, mas que ele n\u00e3o deve ocorrer no cen\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>Os trabalhos nessas grandes f\u00e1bricas flutuantes de g\u00e1s est\u00e3o em andamento desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 nenhuma em opera\u00e7\u00e3o. A queda dos pre\u00e7os e o excesso que est\u00e1 se formando na oferta de g\u00e1s natural est\u00e3o gradualmente matando os planos para novos projetos.<\/p>\n<p>&#8220;Projetos de capital pesado n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis no momento, ent\u00e3o colocar grandes quantias de dinheiro neles n\u00e3o \u00e9 a coisa mais inteligente a fazer&#8221;, disse o diretor-presidente da Woodside, Peter Coleman, em abril.<\/p>\n<p>Tentativas caras para tornar o setor petrol\u00edfero mais favor\u00e1vel ao meio ambiente por meio da captura e armazenamento de carbono tamb\u00e9m acabaram v\u00edtimas da queda dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo. Conhecidos como CCS (da sigla em ingl\u00eas), esses projetos capturam o di\u00f3xido de carbono liberado em processos industriais e o armazenam no subsolo. Tais projetos de CCS s\u00e3o vistos por muitos analistas do setor como cruciais para a preven\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas catastr\u00f3ficas. Muitos outros na ind\u00fastria tamb\u00e9m s\u00e3o defensores ferrenhos da tecnologia.<\/p>\n<p>A Shell e a Chevron est\u00e3o liderando projetos ambiciosos no Canad\u00e1 e na costa da Austr\u00e1lia, respectivamente. Mas novas iniciativas est\u00e3o demorando para se tornar realidade. O CCS continua caro e geralmente dependente de subs\u00eddios dos governos. Em 2015, a Shell voltou atr\u00e1s na proposta de uma f\u00e1brica no Reino Unido, depois que o governo cancelou incentivos de 1 bilh\u00e3o de libras. E a queda nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo exerce uma press\u00e3o adicional sobre qualquer novo empreendimento.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda estamos no in\u00edcio desse tipo de projeto e eles s\u00e3o caros&#8221;, disse em abril o diretor-presidente da Chevron, John Watson, na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que nem todo grande projeto est\u00e1 sendo cancelado. Mas os em andamento sofreram cortes. A BP, por exemplo, informou que espera levar adiante seu projeto Mad Dog, de explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas no Golfo do M\u00e9xico, mas j\u00e1 cortou cerca de 50% do or\u00e7amento original e, mesmo assim, afirma que ainda \u00e9 poss\u00edvel economizar mais.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Austr\u00e1lia ao Golfo do M\u00e9xico, as baixas incluem projetos de explora\u00e7\u00e3o em \u00e1guas ultraprofundas, embarca\u00e7\u00f5es imensas usadas como f\u00e1bricas flutuantes de g\u00e1s natural liquefeito&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18517,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-19445","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19445"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19445\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19446,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19445\/revisions\/19446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}