{"id":19358,"date":"2016-05-03T08:18:47","date_gmt":"2016-05-03T11:18:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=19358"},"modified":"2016-05-03T08:18:47","modified_gmt":"2016-05-03T11:18:47","slug":"rentabilidade-na-exportacao-da-industria-cai-74","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/rentabilidade-na-exportacao-da-industria-cai-74\/","title":{"rendered":"Rentabilidade na exporta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria cai 7,4%"},"content":{"rendered":"<p>A valoriza\u00e7\u00e3o mais recente do real frente ao d\u00f3lar j\u00e1 come\u00e7ou a afetar a rentabilidade das exporta\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. O setor manufatureiro teve recuo de 7,4% na margem de ganho dos embarques em mar\u00e7o, na compara\u00e7\u00e3o com mesmo m\u00eas do ano passado. Apesar da valoriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira nas \u00faltimas semanas, a taxa de c\u00e2mbio ainda teve desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal de 18% em mar\u00e7o, na compara\u00e7\u00e3o com igual m\u00eas do ano passado.<\/p>\n<p>De mar\u00e7o de 2015 a mar\u00e7o deste ano, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar subiu de R$ 3,14 para R$ 3,70, pela Ptax m\u00e9dia do Banco Central. Esse efeito do c\u00e2mbio a favor do exportador de manufaturados, por\u00e9m, foi neutralizado por uma alta de custo de produ\u00e7\u00e3o de 10,1% e de redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o de 13,6%.<\/p>\n<p>No acumulado do primeiro trimestre, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o ainda continua com ganho de rentabilidade (4,3%). Isso aconteceu por influ\u00eancia dos dois primeiros meses do ano, quando a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar estava mais pr\u00f3xima a R$ 4, com maior n\u00edvel de desvaloriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar na compara\u00e7\u00e3o com os mesmos meses de 2015. Os dados s\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Centro de Estudos do Com\u00e9rcio Exterior (Funcex).<\/p>\n<p>Para analistas, por\u00e9m, apesar da queda de rentabilidade com a valoriza\u00e7\u00e3o mais recente do real, o d\u00f3lar perto de R$ 3,50 ainda permite aos fabricantes de manufaturados manter os planos de exporta\u00e7\u00e3o. O receio, por\u00e9m, \u00e9 de aprecia\u00e7\u00e3o ainda maior da moeda nacional.<\/p>\n<p>No total das exporta\u00e7\u00f5es houve recuo de rentabilidade tanto em mar\u00e7o, de 12%, quanto no trimestre, de 1,4%, sempre na compara\u00e7\u00e3o contra igual per\u00edodo de 2015. Andr\u00e9 Leone Mitidieri, economista da Funcex, explica que quando se olha o \u00edndice de rentabilidade total, h\u00e1 uma grande influ\u00eancia do setor extrativista, que sofreu grande queda na margem de ganho das vendas ao exterior e tem importante representatividade na pauta de exporta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o consideradas pela Funcex nesse setor a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, de minerais met\u00e1licos e n\u00e3o met\u00e1licos.<\/p>\n<p>A rentabilidade do setor extrativista caiu 36,2% em mar\u00e7o. O forte recuo aconteceu principalmente por conta da queda de 40,4% do pre\u00e7o de exporta\u00e7\u00e3o. A desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal do c\u00e2mbio de 18% n\u00e3o foi capaz de neutralizar a queda de pre\u00e7os. Houve ainda a press\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o de custos, de 10,1%. No trimestre, a queda da margem dos embarques do setor alcan\u00e7ou 29,6%. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real no per\u00edodo foi de 36,6%, com recuo de pre\u00e7os de 42,8% e alta de 11,3% no custo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos segmentos n\u00e3o industrializados &#8211; agricultura e pecu\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o florestal e pesca -, a rentabilidade ainda se manteve em ascens\u00e3o no trimestre, com alta de 5,2%. O custo de produ\u00e7\u00e3o no per\u00edodo subiu 11,2% e os pre\u00e7os ca\u00edram 14,6%. Em mar\u00e7o contra igual m\u00eas de 2015, por\u00e9m, houve recuo de rentabilidade de 5,7%, resultado de 10,5% de eleva\u00e7\u00e3o no custo de produ\u00e7\u00e3o e recuo de 11,7% no pre\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No total dos embarques, o pre\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es caiu 17,8% em mar\u00e7o e o custo subiu 10,2%. No trimestre o pre\u00e7o caiu 19,3% e o custo aumentou em 12%. A alta de custo de produ\u00e7\u00e3o, diz Mitidieri, foi pressionada tanto por insumos importados quanto por sal\u00e1rios e servi\u00e7os, como energia. A eleva\u00e7\u00e3o desses dois custos no trimestre foi de 16% e 12,4%, respectivamente. Os insumos nacionais, tamb\u00e9m importantes na mensura\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o, subiram 11%.<\/p>\n<p>O economista da Funcex estima que, mantido o c\u00e2mbio com d\u00f3lar entre R$ 3,50 e R$ 3,55, haver\u00e1 uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o na rentabilidade das exporta\u00e7\u00f5es, o que pode desestimular os embarques por segmentos menos competitivos. A valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, por\u00e9m, tende tamb\u00e9m a reduzir a press\u00e3o no custo dos insumos importados.<\/p>\n<p>Mitidieri destaca, por\u00e9m, que a varia\u00e7\u00e3o de custo do insumo importado est\u00e1 bem abaixo da desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal do c\u00e2mbio. Isso pode ser explicado, em parte, pela queda em d\u00f3lar dos pre\u00e7os das importa\u00e7\u00e3o. Segundo dados da pr\u00f3pria Funcex, o pre\u00e7o m\u00e9dio do total das importa\u00e7\u00f5es brasileiras caiu 8,7% em mar\u00e7o e 10,5% no trimestre.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Augusto de Castro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), a valoriza\u00e7\u00e3o mais recente do real para um n\u00edvel perto de R$ 3,50, apesar de reduzir a rentabilidade dos embarques, n\u00e3o deve desestimular a exporta\u00e7\u00e3o de manufaturados. A exporta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, avalia, deve se manter este ano influenciada fortemente pelo embarque de autom\u00f3veis de passageiros, que cresceu 56,51% de janeiro a mar\u00e7o contra igual per\u00edodo do ano passado, para US$ 1,02 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Os embarques de autom\u00f3veis cresceram para v\u00e1rios destinos no primeiro trimestre do ano, segundo dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (Mdic). A Argentina foi o principal destino. A venda de carros para os argentinos subiu 45% no trimestre, contra iguais meses de 2015, para US$ 807,29 milh\u00f5es. Embora em valor bem menor, os embarques para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina tamb\u00e9m se destacaram.<\/p>\n<p>Castro lembra que o setor automotivo consegue se beneficiar mais rapidamente com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial porque tem facilidade para deslocar a produ\u00e7\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o mercado externo \u00e9 uma alternativa importante para desovar produ\u00e7\u00e3o em um momento de retra\u00e7\u00e3o do mercado dom\u00e9stico para v\u00e1rios segmentos industriais.<\/p>\n<p>Neste momento, diz Castro, ningu\u00e9m considera mais um d\u00f3lar a US$ 4 ao fim deste ano, mas algo mais pr\u00f3ximo de US$ 3,50, embora haja receio de valoriza\u00e7\u00e3o ainda maior do real por conta da crise pol\u00edtica. &#8220;O novo c\u00e2mbio exige um esfor\u00e7o muito maior do exportador na composi\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, mas hoje as ind\u00fastrias que tentam exportar querem trocar figurinhas mesmo sem ganhar muito, porque elas n\u00e3o querem reduzir mais o n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Silvio Campos Neto, economista da Tend\u00eancias, tamb\u00e9m diz que o efeito da valoriza\u00e7\u00e3o mais recente do real n\u00e3o deve afetar o desempenho das exporta\u00e7\u00f5es no curto prazo. Os contratos s\u00e3o assinados a prazos mais longos e o efeito da oscila\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio \u00e9 mais lento. Ele destaca que ind\u00fastrias de v\u00e1rios setores ainda est\u00e3o neste momento reatando contatos para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 algo que ainda est\u00e1 acontecendo e as empresas n\u00e3o abortariam esse processo por um c\u00e2mbio com d\u00f3lar perto de R$ 3,50, que na verdade reflete uma nova situa\u00e7\u00e3o de pr\u00eamio de risco decorrente da expectativa de mudan\u00e7a de governo.&#8221;<\/p>\n<p>Para o economista da Tend\u00eancias, as exporta\u00e7\u00f5es poder\u00e3o apresentar rea\u00e7\u00e3o mais clara a partir do ano que vem. Para este ano, a tend\u00eancia mais evidente, diz, \u00e9 a forte redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es e sua contribui\u00e7\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o de um super\u00e1vit comercial. A Tend\u00eancias, afirma Campos Neto, mant\u00e9m a estimativa de super\u00e1vit comercial de US$ 41,8 bilh\u00f5es (pelos crit\u00e9rios do Mdic) para este ano.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es da AEB v\u00e3o pelo mesmo caminho. Com estimativa anterior de super\u00e1vit de US$ 29,5 bilh\u00f5es, Castro diz que o saldo deve passar dos US$ 40 bilh\u00f5es, porque as importa\u00e7\u00f5es mant\u00eam queda maior que a esperada. Mesmo com a valoriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar, por\u00e9m, ele mant\u00e9m expectativa de alta de 2,5% na exporta\u00e7\u00e3o de manufaturados. Na exporta\u00e7\u00e3o total, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de estabilidade em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado.<\/p>\n<p>Para Castro, a leve recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de algumas commodities deve contribuir positivamente para o saldo da balan\u00e7a ao menos nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Ele exemplifica com o min\u00e9rio de ferro, que foi comercializado em mar\u00e7o \u00e0 m\u00e9dia de US$ 25,6 a tonelada. Em abril, at\u00e9 a quarta semana, a m\u00e9dia subiu para US$ 32,6. Para Castro, essa rea\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os deve se sustentar pelo menos at\u00e9 o fim do primeiro semestre. A d\u00favida fica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda metade do ano.<\/p>\n<p>Na soja, diz, h\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o parecida de pre\u00e7os. O gr\u00e3o, que era comercializado a US$ 198,20 a tonelada em mar\u00e7o, em m\u00e9dia, passou a ser vendido a US$ 168,70 a tonelada na m\u00e9dia at\u00e9 a quarta semana de abril.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A valoriza\u00e7\u00e3o mais recente do real frente ao d\u00f3lar j\u00e1 come\u00e7ou a afetar a rentabilidade das exporta\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. 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