{"id":18899,"date":"2016-03-28T00:12:51","date_gmt":"2016-03-28T03:12:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=18899"},"modified":"2016-03-27T20:01:34","modified_gmt":"2016-03-27T23:01:34","slug":"odebrecht-conta-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/odebrecht-conta-tudo\/","title":{"rendered":"Odebrecht conta tudo"},"content":{"rendered":"<p>A palavra xepa nada mais \u00e9 do que um resto de comida n\u00e3o consumido. Foi com ela que a Pol\u00edcia Federal (PF) batizou a 26\u00aa fase da Lava Jato, deflagrada na ter\u00e7a-feira 22, um desdobramento da Opera\u00e7\u00e3o Acaraj\u00e9, que prendeu o marqueteiro Jo\u00e3o Santana e sua esposa M\u00f4nica Moura e averiguou o pagamento de propinas. Naquela investiga\u00e7\u00e3o, documentos encontrados com Benedicto Barbosa da Silva Junior, CEO da Construtora Norberto Odebrecht, apontavam a exist\u00eancia de um departamento organizado, dentro do Grupo Odebrecht, utilizado para repasses il\u00edcitos relacionados a obras p\u00fablicas. Sob suspeita est\u00e3o desvios de recursos em contratos da Olimp\u00edada, como a revitaliza\u00e7\u00e3o do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e da Copa do Mundo, como a constru\u00e7\u00e3o da Arena Corinthians, em S\u00e3o Paulo. O \u201cresto\u201d da PF mexeu com os \u00e2nimos da fam\u00edlia Odebrecht. No mesmo dia em que a Opera\u00e7\u00e3o Xepa estava em curso, o Grupo distribuiu uma nota de oito par\u00e1grafos afirmando que decidiu por \u201cuma colabora\u00e7\u00e3o definitiva com as investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato\u201d. Ser\u00e1 uma reviravolta.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas semanas, a c\u00fapula da empresa vinha amadurecendo a ideia de fechar um acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada com a Justi\u00e7a. Em\u00edlio Odebrecht, presidente do Conselho e pai de Marcelo Odebrecht, preso desde junho do ano passado, teria usado todos os argumentos necess\u00e1rios para convencer o filho a aceitar a decis\u00e3o. Teria apelado, at\u00e9, para a quest\u00e3o de que, como pai de fam\u00edlia, Marcelo n\u00e3o poderia deixar os filhos e permanecer na pris\u00e3o. Agora, a quest\u00e3o deixou de ser pessoal e passou a ser de sobreviv\u00eancia para os neg\u00f3cios. Segundo maior grupo privado do Pa\u00eds, com faturamento de R$ 108 bilh\u00f5es em 2014 (\u00faltimo dado dispon\u00edvel), a Odebrecht corre s\u00e9rios riscos. O mercado de cr\u00e9dito est\u00e1 fechado e o endividamento de quase R$ 100 bilh\u00f5es pode ficar insustent\u00e1vel, mesmo para uma organiza\u00e7\u00e3o com atua\u00e7\u00e3o diversificada em 14 \u00e1reas e presente em 28 pa\u00edses.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o da Odebrecht foi criticada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que se apressou em esclarecer que n\u00e3o existe negocia\u00e7\u00e3o iniciada sobre acordos e que a simples revela\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o desejo de falar n\u00e3o resulta em qualquer consequ\u00eancia jur\u00eddica. Mas a decis\u00e3o da empresa tinha objetivos muitos claros: acalmar o clima de instabilidade que tomou conta dos cerca de 130 mil funcion\u00e1rios, que se assustaram com a pris\u00e3o de diretores e secret\u00e1rias; mostrar ao mercado financeiro que a empresa \u00e9 capaz de honrar seus compromissos se colaborar com as investiga\u00e7\u00f5es; e tamb\u00e9m garantir um acordo que possa permitir ao Grupo continuar trabalhando em obras p\u00fablicas, o grande fil\u00e3o para as empreiteiras. A Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU) estava prestes a considerar a empresa inid\u00f4nea, o que a proibiria de celebrar contratos com governos. Mas uma negocia\u00e7\u00e3o iniciada em dezembro, confirmada pela CGU, evitou que o \u00f3rg\u00e3o encerrasse o processo administrativo contra a Odebrecht. At\u00e9 o momento, apenas a Andrade Gutierrez fechou o acordo de leni\u00eancia com a CGU e vai pagar uma multa de R$ 1 bilh\u00e3o para ressarcir os preju\u00edzos da Petrobras com a corrup\u00e7\u00e3o descoberta pela Lava Jato. A Camargo Correa assinou com o Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) o Termo de Compromisso de Cessa\u00e7\u00e3o de Pr\u00e1tica, por conduta anticompetitiva no mercado de obras civis e montagens industriais no setor de \u00f3leo e g\u00e1s. Pagou mais de R$ 800 milh\u00f5es em multas.<\/p>\n<p>A dela\u00e7\u00e3o de Marcelo Odebrecht \u00e9 aguardada com ansiedade pela popula\u00e7\u00e3o e temor pelos pol\u00edticos: qual \u00e9 o efeito catastr\u00f3fico que ela poder\u00e1 causar no Pa\u00eds? Poder\u00e1 resultar na pris\u00e3o do ex-presidente Lula, que recebeu dinheiro da empresa para dar palestras? Ir\u00e1 respingar na presidente Dilma? Um aperitivo do que est\u00e1 por vir apareceu nas planilhas apreendidas com Benedicto Barbosa. Os registros detalhavam, com valores e contas correntes, os repasses para mais de 200 pol\u00edticos, identificados por nomes ou apelidos, e 18 partidos. A respons\u00e1vel pelo chamado Setor de Opera\u00e7\u00f5es Estruturadas, a funcion\u00e1ria Maria L\u00facia Tavares, foi presa no in\u00edcio do m\u00eas e ajudou a PF a desvendar os relat\u00f3rios. Na lista, aparecem tanto petistas, como os ministros Aloizio Mercadante e Jaques Wagner; peemedebistas, como Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da C\u00e2mara e do Senado, respectivamente; e peessedebistas, como A\u00e9cio Neves e Jos\u00e9 Serra. Sozinhos, por\u00e9m, esses documentos n\u00e3o provam nada. Ser\u00e1 preciso cruz\u00e1-los com os dados enviados para o Tribunal Superior Eleitoral para verificar se os eventuais pagamentos foram registrados como doa\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da Lava Jato, a Odebrecht afirma ter identificado a necessidade de implantar melhorias em sua governan\u00e7a corporativa. Para isso, ela diz que vem tomando uma s\u00e9rie de medidas de gest\u00e3o e processos. Com a CGU, por exemplo, foi feita uma consulta, no in\u00edcio deste ano, para entender os procedimentos para a empresa se enquadrar na Pr\u00f3-\u00c9tica, uma ado\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de medidas para promover um ambiente corporativo mais \u00edntegro, \u00e9tico e transparente. No ano passado, 97 companhias se inscreveram e apenas 15 se adequaram, como 3M, Dudalina, Santander e Siemens. A Odebrecht tem at\u00e9 13 de maio para se candidatar. No final do ano passado, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) recebeu uma carta da companhia se comprometendo a seguir os 10 princ\u00edpios do Pacto Global sobre direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. A Construtora Norberto Odebrecht foi aceita em janeiro deste ano. \u201cSeguimos aperfei\u00e7oando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governan\u00e7a\u201d, diz a nota da empresa. \u201cVamos, tamb\u00e9m, adotar novas pr\u00e1ticas de relacionamento com a esfera p\u00fablica.\u201d<\/p>\n<p>O caminho que a Odebrecht seguir poder\u00e1 se transformar num marco para o setor privado nacional. Assim como a Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO), criada por Norberto, fundador e patriarca da fam\u00edlia, se tornou um caso de sucesso de gest\u00e3o e copiado pelos concorrentes, as cartilhas de \u00e9tica e transpar\u00eancia que forem desenvolvidas dentro do Grupo servir\u00e3o de modelo de comportamento a ser seguido na constru\u00e7\u00e3o. \u201cEssa opera\u00e7\u00e3o ter\u00e1 como efeito principal uma mudan\u00e7a de paradigma, com uma melhor governan\u00e7a nas empresas e a dissemina\u00e7\u00e3o e fortalecimento dos mecanismos de compliance\u201d, afirma Jos\u00e9 Carlos Martins, presidente da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o. O economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Rafael Cagnin, concorda: \u201cExiste uma eleva\u00e7\u00e3o da incerteza nesse setor. H\u00e1 uma press\u00e3o para mudar a forma de operar das empreiteiras\u201d.<\/p>\n<p>O desafio da Odebrecht s\u00f3 \u00e9 comparado ao da gigante alem\u00e3 Siemens, que foi considerada culpada, em 2008, de um esquema altamente sofisticado para o pagamento global de propinas em contratos p\u00fablicos. Investigadores americanos e europeus descobriram que a pr\u00e1tica de compra ocorria na \u00c1sia, na \u00c1frica, na Europa, no Oriente M\u00e9dio e nas Am\u00e9ricas, como na conquista do fornecimento de equipamentos de energia na It\u00e1lia, nas obras de infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es na Nig\u00e9ria e nos cart\u00f5es de identidade nacional na Argentina. A estimativa \u00e9 que a empresa tenha desembolsado mais de \u20ac 2,5 bilh\u00f5es em multas, em todos os mercados, para minimizar os estragos causados por sua corrup\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a companhia passou a disseminar a cultura anticorrup\u00e7\u00e3o em todas as suas atividades. Hoje, a empresa afirma ser preciso prevenir, colocando em pr\u00e1tica todas as suas pol\u00edticas; monitorar e controlar se nenhum princ\u00edpio est\u00e1 sendo violado; e responder se qualquer funcion\u00e1rio desrespeitar o programa.<\/p>\n<p>Foi esse compromisso de revis\u00e3o global de processos e pr\u00e1ticas nos neg\u00f3cios que incentivou a subsidi\u00e1ria brasileira da Siemens a procurar, em maio de 2013, as autoridades do Brasil para denunciar um cartel formado para disputar as licita\u00e7\u00f5es dos metr\u00f4s de S\u00e3o Paulo e do Distrito Federal. A multinacional alem\u00e3 fazia parte do esquema. O superfaturamento dos equipamentos teria gerado um preju\u00edzo de mais de R$ 570 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos nacionais. Em seguida, a empresa acertou um acordo de leni\u00eancia com o Cade e se livrou de ser condenada, criminalmente ou administrativamente, em troca da revela\u00e7\u00e3o de todo o esquema il\u00edcito.<\/p>\n<p>A Siemens, por\u00e9m, ficou com fama de dedo-duro. Ap\u00f3s as den\u00fancias, ela foi bombardeada por todos os lados. Concorrentes torceram o nariz para o acordo, enquanto \u00f3rg\u00e3os e autoridades pediam a devolu\u00e7\u00e3o dos valores superfaturados. A oposi\u00e7\u00e3o pressionava e acusava o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de fazer parte do esquema. Ele, no entanto, se defendia, apontando a sua gest\u00e3o como v\u00edtima de um crime. Um ano depois, o presidente da companhia no Brasil, Paulo Stark, em entrevista \u00e0 DINHEIRO, afirmou: \u201cOs poucos que agiram de forma errada fizeram por conta pr\u00f3pria e foram demitidos.\u201d<\/p>\n<p>Para acabar com essa marca pesada sobre ela, a Siemens investiu em campanhas para evidenciar seus pontos fortes e sua tradi\u00e7\u00e3o no Brasil. \u201cMais do que o acordo de leni\u00eancia, a Siemens evidenciou que esse tipo de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o fazia parte da sua natureza\u201d, diz Eduardo Tomiya, diretor-geral da consultoria Kantar Vermeer, especialista em gest\u00e3o de marcas. Por meio de nota enviada \u00e0 DINHEIRO, a multinacional alem\u00e3 afirmou que \u201csua natureza colaborativa e transparente ficou evidenciada nos aux\u00edlios a \u00f3rg\u00e3os como o Cade e o Minist\u00e9rio P\u00fablico.\u201d Os n\u00fameros, no entanto, mostram que a sa\u00edda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Em 2015, a filial brasileira da Siemens acumulou um preju\u00edzo de R$ 29,3 milh\u00f5es, mais que o dobro do ano anterior. A receita caiu 20%, para R$ 3,47 bilh\u00f5es. A essas perdas ainda precisar\u00e3o ser somadas as multas do futuro julgamento sobre o esquema de corrup\u00e7\u00e3o, previsto para acontecer somente em 2017.<\/p>\n<p>Outra empresa envolvida no esc\u00e2ndalo do cartel do metr\u00f4 foi a francesa Alston. A companhia foi acusada de cometer fraudes de R$ 1,75 bilh\u00e3o em contratos firmados para as reformas das linhas 1 e 3 do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo e de moderniza\u00e7\u00e3o de 98 trens da CPTM, entre 2008 e 2009. As investiga\u00e7\u00f5es ainda correm no Minist\u00e9rio P\u00fablico paulista, mas a empresa j\u00e1 come\u00e7ou a mudar. A maior das suas divis\u00f5es de neg\u00f3cios, a de energia \u2013 que tamb\u00e9m foi citada na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato por conta da venda de uma turbina para a Petrobras \u2013 foi vendida para a americana GE, por US$ 4 bilh\u00f5es, em novembro. J\u00e1 a divis\u00e3o de transportes mudou de comando na Am\u00e9rica Latina e hoje tem o franc\u00eas Michel Boccaccio na lideran\u00e7a. \u201cInternamente, temos uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o intensa do nosso c\u00f3digo de \u00e9tica\u201d, diz ele. \u201cLembro disso em todas as reuni\u00f5es, promovemos treinamento e reunimos um grupo para discutir o assunto todos os meses.\u201d<\/p>\n<p>A Alston tamb\u00e9m criou, globalmente, um grupo de embaixadores da \u00e9tica, do qual todos os funcion\u00e1rios podem participar voluntariamente. Os embaixadores assumem a fun\u00e7\u00e3o de divulgar em cada departamento o c\u00f3digo de conduta da empresa e encontrar formas para que ele seja aplicado no dia a dia. Vinte pessoas do Brasil fazem parte do grupo. Para o p\u00fablico externo, Boccaccio passou a fazer palestras comentando sobre o plano de conduta da empresa. Al\u00e9m disso, a multinacional francesa se filiou ao Grupo de Trabalho do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrup\u00e7\u00e3o, criado pelo Instituto Ethos. A Odebrecht n\u00e3o ser\u00e1 a primeira na hist\u00f3ria a ter de mostrar que sua longa estrada \u00e9 mais firme que os buracos e atalhos no caminho.<\/p>\n<p>Fonte: Isto \u00c9 Dinheiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra xepa nada mais \u00e9 do que um resto de comida n\u00e3o consumido. 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