{"id":18540,"date":"2016-03-02T00:02:06","date_gmt":"2016-03-02T03:02:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=18540"},"modified":"2016-03-02T08:16:11","modified_gmt":"2016-03-02T11:16:11","slug":"interrupcao-da-dragagem-de-bercos-do-porto-de-santos-prejudica-terminais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/interrupcao-da-dragagem-de-bercos-do-porto-de-santos-prejudica-terminais\/","title":{"rendered":"Interrup\u00e7\u00e3o da dragagem de ber\u00e7os do porto de Santos prejudica terminais"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos dois terminais do Porto de Santos j\u00e1 sentem os reflexos do assoreamento causado pela falta da dragagem de ber\u00e7os do Porto de Santos. O servi\u00e7o foi interrompido em 10 de dezembro do ano passado e at\u00e9 agora n\u00e3o foi retomado, pois a Companhia Docas do Estado de S\u00e3o Paulo (Codesp) n\u00e3o conseguiu recontrat\u00e1-lo. Instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias temem que as dimens\u00f5es de calado dos pontos de atraca\u00e7\u00e3o sejam reduzidos.<\/p>\n<p>A dragagem de ber\u00e7os visa manter as profundidades dos locais onde os navios atracam nos terminais. Dessa forma, as embarca\u00e7\u00f5es podem aproveitar todo o seu calado operacional, que \u00e9 a profundidade m\u00e1xima que podem atingir (o quanto seu casco pode ficar submerso). Quando os ber\u00e7os est\u00e3o assoreados (com sedimentos), ficam mais rasos e os cargueiros n\u00e3o podem \u201cafundar\u201d tanto. Assim, n\u00e3o podem receber tanto peso (ou seja, carga) quanto est\u00e3o capacitados para carregar.<\/p>\n<p>O servi\u00e7o era realizado pela Dratec Engenharia desde 21 de outubro de 2014. No entanto, a empresa se recusou a continu\u00e1-lo e informou \u00e0 Docas. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 foram duas tentativas de contrata\u00e7\u00e3o dos trabalhos. Uma est\u00e1 em andamento.<\/p>\n<p>A Brasil Terminal Portu\u00e1rio (BTP), instala\u00e7\u00e3o especializada na opera\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres e localizada na Alemoa, teve seu ber\u00e7o 1 impactado pela falta de dragagem. Por isso, est\u00e1 com profundidade inferior ao homologado no canal, segundo a empresa.<\/p>\n<p>Em dezembro, um navio conteineiro operou no ber\u00e7o 1. Ap\u00f3s receber a carga, ele ficou com um calado de 14,3 metros e precisou deslastrar (perder \u00e1gua de lastro) para \u201csubir\u201d 10 cent\u00edmetros e n\u00e3o correr o risco de encalhe. A partir de ent\u00e3o, a empresa passou a n\u00e3o utilizar integralmente esse ponto de atraca\u00e7\u00e3o \u2013 no total, ela tem tr\u00eas. Para sua administra\u00e7\u00e3o, essa situa\u00e7\u00e3o reduz em at\u00e9 um ter\u00e7o sua capacidade de movimenta\u00e7\u00e3o \u2013 que, oficialmente, \u00e9 de 2,5 milh\u00f5es de TEU (unidade equivalente a um cont\u00eainer de 20 p\u00e9s) por ano e, na pr\u00e1tica, fica em 1,65 milh\u00e3o de TEU\/ano.<\/p>\n<p>Segundo a BTP, essa restri\u00e7\u00e3o no ber\u00e7o 1 tamb\u00e9m afeta a pr\u00f3pria log\u00edstica do terminal. Atualmente, os navios acabam atracando mais nos ber\u00e7os 2 e 3, mas, muitas vezes, os p\u00e1tios em frente a esses pontos est\u00e3o lotados e as cargas s\u00e3o armazenadas no p\u00e1tio em frente ao ber\u00e7o 1. Nesse cen\u00e1rio, o cont\u00eainer \u201canda\u201d mais pela instala\u00e7\u00e3o, reduzindo a velocidade da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O terminal calcula que o tempo m\u00e9dio do truck cycle (a viagem do caminh\u00e3o entre a quadra do p\u00e1tio e o navio) aumenta quase 50%, de 6,32 minutos para 11,20 minutos.<\/p>\n<p>Segundo a BTP, seu ber\u00e7o 1 enfrenta restri\u00e7\u00f5es na profundidade, afetando a opera\u00e7\u00e3o de navios no local<br \/>Necessidade<\/p>\n<p>O Ecoporto Santos, que fica no Cais do Sabo\u00f3, registrou perda de calado em um dos seus pontos de atraca\u00e7\u00e3o, no Cais do Corte. Segundo a empresa, nenhuma embarca\u00e7\u00e3o deixou de atracar em fun\u00e7\u00e3o da nova condi\u00e7\u00e3o, mas a dragagem de manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como uma necessidade pelo terminal.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Grupo Rodrimar optou por n\u00e3o operar exclusivamente cont\u00eaineres em sua instala\u00e7\u00e3o no Cais do Sabo\u00f3, o que diminuiu as restri\u00e7\u00f5es nas atraca\u00e7\u00f5es e dificuldades com calados de ber\u00e7os no local. No entanto, h\u00e1 limites para opera\u00e7\u00f5es de gran\u00e9is em Outeirinhos, onde a empresa opera outro terminal.<\/p>\n<p>\u201cEm um passado recente, tivemos, sim, dificuldades e deixamos de participar de algumas possibilidades comerciais no segmento de cont\u00eaineres, devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es de calado e dragagem. E nas opera\u00e7\u00f5es de carga a granel e de celulose, ainda encontramos alguma restri\u00e7\u00e3o no cais p\u00fablico na \u00e1rea de Outeirinhos, que atualmente est\u00e1 passando por per\u00edodos de interrup\u00e7\u00f5es devido \u00e0s obras de refor\u00e7o de cais \u2013 o que tamb\u00e9m abalou o calado daquela regi\u00e3o, impactando substancialmente os operadores\u201d, destacou o diretor de Log\u00edstica e Supply Chain da Rodrimar, Willy Maxwell.<\/p>\n<p>J\u00e1 os terminais administrados pela Santos Brasil ainda n\u00e3o sofrem impactos com a interrup\u00e7\u00e3o da dragagem. As opera\u00e7\u00f5es do Terminal de Cont\u00eaineres (Tecon) e do Terminal de Exporta\u00e7\u00e3o de Ve\u00edculos (TEV), instalados na Margem Esquerda, em Guaruj\u00e1, seguem normalmente, sem perda de calado.<\/p>\n<p>Arrendat\u00e1ria de um terminal de a\u00e7\u00facar em Outeirinhos, a Copersucar informou, por meio de nota, que \u201caguarda com expectativa a retomada dos servi\u00e7os de dragagem de manuten\u00e7\u00e3o, pois a amplia\u00e7\u00e3o do calado permitir\u00e1 a atra\u00e7\u00e3o de navios maiores e dar\u00e1 mais produtividade \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de todo o porto\u201d.<\/p>\n<p><strong>Risco<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a Capitania dos Portos de S\u00e3o Paulo (CPSP), o assoreamento pode ser mais intenso em terminais localizados mais ao fundo do estu\u00e1rio, como no trecho entre o Paquet\u00e1 e a Alemoa \u2013 regi\u00e3o onde fica o Sabo\u00f3. O motivo \u00e9 a deposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos vindos do Canal de Pia\u00e7aguera e do Rio Casqueiro, em Cubat\u00e3o.<\/p>\n<p>A cada cent\u00edmetro de redu\u00e7\u00e3o de calado de um navio conteineiro, deixa-se de carregar de sete a oito cont\u00eaineres. Em embarca\u00e7\u00f5es graneleiras, a cada cent\u00edmetro reduzido no calado, n\u00e3o s\u00e3o embarcadas 100 toneladas. A estimativa leva em conta navios dos tipos Cape Size ou Panamax.<\/p>\n<p><strong>Licita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Dratec Engenharia, que interrompeu os trabalhos de dragagem dos ber\u00e7os do Porto de Santos em dezembro do ano passado, foi habilitada para continuar o servi\u00e7o, agora com um novo contrato. No entanto, tr\u00eas empresas que concorreram na licita\u00e7\u00e3o j\u00e1 manifestaram interesse em entrar com recursos, contestando a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente, a Dratec apresentou a quarta melhor proposta de pre\u00e7o \u00e0 Companhia Docas do Estado de S\u00e3o Paulo (Codesp), no valor de R$ 24 milh\u00f5es. A primeira colocada no certame foi a EEL Infraestruturas, que cobrou R$ 22,7 milh\u00f5es pelo servi\u00e7o.<\/p>\n<p>No entanto, a Companhia Docas reservou apenas R$ 17 milh\u00f5es do seu or\u00e7amento para a atividade. Com isso, foram iniciadas as negocia\u00e7\u00f5es com as concorrentes.<\/p>\n<p>Novamente, a EEL Infraestruturas chegou mais perto do valor previsto pela estatal que administra o Porto de Santos. A firma prop\u00f4s R$ 21,5 milh\u00f5es pelo servi\u00e7o. Contudo, foi inabilitada pela comiss\u00e3o de licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Dratec, ent\u00e3o, reduziu sua proposta de pre\u00e7o para R$ 20,9 milh\u00f5es. Com isso, a firma foi habilitada por t\u00e9cnicos da Autoridade Portu\u00e1ria na \u00faltima ter\u00e7a-feira. Como o pre\u00e7o ainda \u00e9 superior ao estimado pela Docas, a contrata\u00e7\u00e3o precisa ser autorizada pela diretoria-executiva da estatal.&lt;\/CW&gt;<\/p>\n<p><strong>Recursos<\/strong><\/p>\n<p>A dragagem de ber\u00e7os est\u00e1 sendo licitada no formato de preg\u00e3o eletr\u00f4nico. Nele, a etapa de recursos s\u00f3 \u00e9 iniciada ap\u00f3s a fase de habilita\u00e7\u00e3o. Logo ap\u00f3s este procedimento, tr\u00eas concorrentes manifestaram interesse na medida administrativa.<\/p>\n<p>A Metropolitana quer atestar a documenta\u00e7\u00e3o de habilita\u00e7\u00e3o, verificando se existe termo de constitui\u00e7\u00e3o de cons\u00f3rcio devidamente formalizado. Isto porque a proposta comercial da Dratec prev\u00ea a forma\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio e indica reparti\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es, que somente ser\u00e3o admitidas se a empresa mencionada tamb\u00e9m comprovar a sua habilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A DTA Engenharia faz o mesmo questionamento. \u201cA parceria indica a subcontrata\u00e7\u00e3o de parte significativa do escopo do contrato, o que n\u00e3o \u00e9 permitido\u201d, afirma a empresa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a EEL Infraestruturas pretende questionar as etapas do preg\u00e3o eletr\u00f4nico. De acordo com a s\u00f3cia-propriet\u00e1ria da empresa, Cl\u00e1udia Carvalho, houve uma invers\u00e3o de fases no processo. \u201cNo formato preg\u00e3o eletr\u00f4nico, primeiro \u00e9 acertado o pre\u00e7o e depois a documenta\u00e7\u00e3o de habilita\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnica. Eu teria que ser escutada para baixar meu pre\u00e7o, antes da an\u00e1lise t\u00e9cnica. Esta \u00e9 a minha vis\u00e3o\u201d, destacou a executiva.<\/p>\n<p>A Dratec Engenharia tem at\u00e9 amanh\u00e3 para apresentar seus apontamentos aos recursos. O prazo para a decis\u00e3o da Companhia Docas vai at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 9.<\/p>\n<p>Fonte: A Tribuna online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos dois terminais do Porto de Santos j\u00e1 sentem os reflexos do assoreamento causado pela falta da dragagem de ber\u00e7os do Porto de Santos&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18514,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-18540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18540"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18541,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18540\/revisions\/18541"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}