{"id":18362,"date":"2016-02-22T00:01:23","date_gmt":"2016-02-22T03:01:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=18362"},"modified":"2016-02-21T18:56:00","modified_gmt":"2016-02-21T21:56:00","slug":"como-a-volkswagen-vai-superar-sua-maior-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/como-a-volkswagen-vai-superar-sua-maior-crise\/","title":{"rendered":"Como a Volkswagen vai superar sua maior crise"},"content":{"rendered":"<p>Desde que chegou ao Brasil, em janeiro do ano passado, para assumir a posi\u00e7\u00e3o de presidente da Volkswagen, o executivo sul-africano David Powels, de 54 anos, j\u00e1 emagreceu 11 quilos. Ele poderia ser personagem de capa de revistas de dieta, n\u00e3o fosse o fato de que planejava perder apenas quatro quilos. A explica\u00e7\u00e3o para isso pode estar em outro n\u00famero. A montadora alem\u00e3 vive um dos mais complicados per\u00edodos \u2013 se n\u00e3o for o pior deles \u2013 em suas seis d\u00e9cadas no Pa\u00eds. Em 2015, a companhia vendeu 290 mil ve\u00edculos, 180 mil a menos do que em 2014.<\/p>\n<p>A queda de 38,4% fez com que a marca se tornasse l\u00edder no ranking de perdas entre as quatro maiores do mercado, \u00e0 frente de Fiat, Ford e GM. Em 2016, os n\u00fameros t\u00eam sido ainda mais preocupantes para Powels, convocado para suceder o alem\u00e3o Thomas Schmall, que voltou \u00e0 sua terra natal. Em janeiro, as vendas ficaram 49,5% abaixo do mesmo m\u00eas de 2015, enquanto a m\u00e9dia do mercado foi de retra\u00e7\u00e3o de 36,4%. \u201cA crise atual do Brasil \u00e9 a pior que enfrentei na vida\u201d, reconheceu Powels, em entrevista \u00e0 DINHEIRO. \u201cTemos de acertar a situa\u00e7\u00e3o agora para garantir o nosso futuro.\u201d<\/p>\n<p>Talvez a intensidade da crise tenha surpreendido o executivo, mas Powels n\u00e3o pode ser considerado um novato no assunto. Como um dos homens de confian\u00e7a do conselho de administra\u00e7\u00e3o da Volkswagen, na sede em Wolfsburg, na Alemanha, ele lapidou sua reputa\u00e7\u00e3o ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas por demonstrar habilidade e desenvoltura em mercados hostis. Powels foi vice-presidente de finan\u00e7as da companhia alem\u00e3 no Brasil entre 2002 e 2006. Quando colocou os p\u00e9s na f\u00e1brica da Via Anchieta, em S\u00e3o Bernardo do Campo, o Pa\u00eds sofria uma grave crise de confian\u00e7a e desvaloriza\u00e7\u00e3o do real por conta da elei\u00e7\u00e3o do presidente petista Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Em 2007, a hist\u00f3ria se repetiu em sua volta \u00e0 \u00c1frica do Sul, como diretor geral. Uma pesada desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda local, o rand, combinada com uma marca pouco estabelecida no pa\u00eds, tornou dura a sua miss\u00e3o. Mas ela foi completada com louvor. Ao fim de 2014, antes de desembarcar no Brasil, Powels entregou a marca na lideran\u00e7a do principal mercado do continente africano, com 23% de participa\u00e7\u00e3o, e oito pontos percentuais \u00e0 frente da grande rival Toyota, com a qual tamb\u00e9m disputa a ponta nas vendas mundiais de carros.<\/p>\n<p>Em sua volta ao Brasil, para comandar as opera\u00e7\u00f5es no terceiro maior mercado para a empresa no mundo, o executivo se estabeleceu em S\u00e3o Paulo com a esposa e suas duas filhas, para um per\u00edodo que deve durar entre quatro e cinco anos. Um per\u00edodo que promete ser desafiador. Num setor que registrou queda de 24% nas vendas de autom\u00f3veis em 2015 \u2013 achatando o mercado de 2,8 milh\u00f5es para 2,1 milh\u00f5es de carros \u2013, a Volkswagen foi especialmente afetada. O modelo popular Gol, carro campe\u00e3o de vendas por 27 anos e que parecia uma perp\u00e9tua garantia de bom neg\u00f3cio, caiu para a d\u00e9cima posi\u00e7\u00e3o do ranking em janeiro deste ano.<\/p>\n<p>Em 2015, foram comercializadas impressionantes 100,6 mil unidades a menos do carro. A lideran\u00e7a agora \u00e9 do Chevrolet Onix. \u201cTeremos de rever todos os nossos conceitos, internos e externos, para atravessar esta crise\u201d, diz Powels (leia entrevista ao final da reportagem). Apesar de trope\u00e7ar em algumas palavras, o executivo \u00e9 fluente no portugu\u00eas e quebra a tradi\u00e7\u00e3o da Volkswagen em apontar executivos germ\u00e2nicos para cuidar dos neg\u00f3cios no Brasil, que incluiu nas \u00faltimas d\u00e9cadas os nomes de Wolfgang Sauer, Thomas Schmall e Hans-Christian Maergner, que na sua passagem de tr\u00eas anos pelo Brasil pouco saiu dos cumprimentos na l\u00edngua local.<\/p>\n<p>Dono de uma franqueza desconcertante, tamb\u00e9m se diferencia do perfil padr\u00e3o de executivo de topo da Volkswagen por n\u00e3o ter ascendido em \u00e1reas de produtos e com forte foco em engenharia.\u00a0\u201cTodas as montadoras t\u00eam bons carros. Os produtos e as f\u00e1bricas sozinhas n\u00e3o v\u00e3o diferenciar os neg\u00f3cios do futuro\u201d, diz. \u201cO diferencial ser\u00e1 as pessoas,<strong>\u00a0<\/strong>com a atitude, a motiva\u00e7\u00e3o, a compet\u00eancia, a sua educa\u00e7\u00e3o e os treinamentos que receberem.\u201d O esfor\u00e7o da administra\u00e7\u00e3o deve se voltar para esses temas.<\/p>\n<p>Significa uma grande mudan\u00e7a de foco, que estava na amplia\u00e7\u00e3o de capacidade e vai para a busca de uma melhor capacita\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios. A Volkswagen, como foi comum no mercado brasileiro nos \u00faltimos anos, investiu bastante em aumento de produ\u00e7\u00e3o e agora tem excesso de oferta. A empresa opera atualmente com 50% de sua capacidade, e Powels admite que h\u00e1 um excesso de 400 pessoas no seu corpo de quase 19 mil funcion\u00e1rios no Pa\u00eds. Motivar e requalificar funcion\u00e1rios ao mesmo tempo em que corta o contingente promete ser um grande desafio. \u201cN\u00e3o \u00e9 o nosso estilo jogar pessoas fora, e isso teria grande conflito com a estrat\u00e9gia de valoriza\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A empresa tem optado, em todas as suas f\u00e1bricas, por programas de demiss\u00f5es volunt\u00e1rias (PDV), suspens\u00f5es tempor\u00e1rias de contratos de trabalho e programas de prote\u00e7\u00e3o do emprego (PPE), em que h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20% da remunera\u00e7\u00e3o. \u201cA companhia quis demitir 500 pessoas no ano passado, na f\u00e1brica de Taubat\u00e9, que produz o Gol, o Up! e o Voyage, mas fechamos um PPE e houve suspens\u00e3o do terceiro turno\u201d, diz Hernani Lobato, presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Taubat\u00e9. Com o seu curr\u00edculo, Powels \u00e9 considerado a pessoa certa pelo board alem\u00e3o para liderar num per\u00edodo de a\u00e7\u00f5es como essas, e tem carta branca para fazer as coisas entrarem nos eixos.<\/p>\n<p>A dificuldade \u00e9 que a confian\u00e7a depositada nele pode n\u00e3o ser traduzida em grande apoio financeiro da matriz, que tamb\u00e9m est\u00e1 longe de passar por um momento confort\u00e1vel. Os chef\u00f5es da companhia em Wolfsburg enfrentam problemas t\u00e3o s\u00e9rios quanto os brasileiros, ou at\u00e9 maiores. O maior grupo industrial alem\u00e3o, com faturamento de \u20ac 202 bilh\u00f5es em 2014, o \u00faltimo resultado dispon\u00edvel, passa por uma das maiores crises de imagem de sua hist\u00f3ria, e que pode custar caro aos seus cofres. A companhia responde, desde o ano passado, a acusa\u00e7\u00f5es de fraude em um software que registra o n\u00edvel de emiss\u00f5es de gases em motores a diesel.<\/p>\n<p>Cerca de 11 milh\u00f5es de seus ve\u00edculos em todo o mundo tiveram seus \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o maquiados, algo que sujou a marca VW internacionalmente e que vai resultar em multas em diversos pa\u00edses. O todo-poderoso CEO global Martin Winterkorn pediu demiss\u00e3o e se desculpou publicamente. Em seu lugar assumiu Matthias M\u00fcller, vindo da Porsche. Nos Estados Unidos, a empresa pode ser obrigada a pagar uma multa estimada em US$ 1 bilh\u00e3o, a maior cifra j\u00e1 aplicada a uma montadora. O valor, no entanto, pode chegar a US$ 90 bilh\u00f5es, segundo a legisla\u00e7\u00e3o americana, que prev\u00ea indeniza\u00e7\u00e3o de at\u00e9 US$ 37,5 mil por unidade vendida.<\/p>\n<p>Os problemas v\u00e3o muito al\u00e9m da Justi\u00e7a dos Estados Unidos. Na Europa, enquanto o mercado cresceu 6% em janeiro, a empresa perdeu 4% em vendas. Com isso, o plano de assumir a lideran\u00e7a mundial em 2018, meta definida em 2007, est\u00e1 suspenso por tempo indeterminado. No Brasil, que n\u00e3o utiliza diesel em carros de passeio, o impacto \u00e9 mais restrito. Apenas a picape Amarok traz o sistema fraudado, e os n\u00edveis m\u00e1ximos de emiss\u00e3o de poluentes permitidos pela legisla\u00e7\u00e3o nacional s\u00e3o mais frouxos.<\/p>\n<p>O principal impacto aqui tem sido o dano \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o da marca diante dos consumidores e uma eventual dificuldade em atrair investimentos da matriz, se as multas aplicadas \u00e0 empresa forem muito rigorosas.<strong>\u00a0<\/strong>\u201cErramos e pedimos desculpas pelo erro\u201d, disse Powels. \u201cAcredito que os clientes brasileiros souberam entender, melhor do que os europeus e americanos, que foi algo pontual.\u201d\u00a0No entanto, o esc\u00e2ndalo teve tanta repercuss\u00e3o na Alemanha que se comenta que pode contaminar a imagem de toda a ind\u00fastria \u201cmade in Germany\u201d, baseada na confiabilidade e engenharia de qualidade.<\/p>\n<p>\u201cO caso trar\u00e1 um grande abalo\u201d, diz Arthur Bender, presidente da consultoria de marcas Key Jump. \u201cO consumidor at\u00e9 entende quando acontece uma falha, mas n\u00e3o perdoa quando h\u00e1 dolo.\u201d Tamb\u00e9m a governan\u00e7a da empresa, um exemplo de gest\u00e3o industrial para a economia local, foi colocada em xeque. A Volkswagen \u00e9 controlada por dois cl\u00e3s familiares que, de tempos em tempos, entram em conflito, os Porsche e os Pi\u00ebch, por sindicatos poderosos e pelo governo da Baixa Sax\u00f4nia. Em tempos de paz, o modelo de gest\u00e3o conhecido como de co-determina\u00e7\u00e3o, por dar voz aos trabalhadores e a diversos grupos nas discuss\u00f5es mais estrat\u00e9gicas, produz um ambiente harm\u00f4nico.<\/p>\n<p>Mas, em outros momentos, os embates aumentam e se espalham por toda a empresa. Internamente, poderosos engenheiros d\u00e3o as ordens e t\u00eam a reputa\u00e7\u00e3o de desprezarem tudo o que n\u00e3o tem a ver com o desempenho dos carros, incluindo as queixas dos ambientalistas. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por formar novos engenheiros, que passam anos sendo preparados para cargos mais altos, o que d\u00e1 uma forte unidade de pensamento dentro da organiza\u00e7\u00e3o, mas que dificulta para a empresa buscar solu\u00e7\u00f5es inovadoras. Isso tudo precisar\u00e1 mudar, inclusive, no Brasil. E Powels \u00e9 um s\u00edmbolo disso.<\/p>\n<p>O PLANO DE REA\u00c7\u00c3O A estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o da empresa, definida pelo novo presidente, tem seis pontos principais. Um deles \u00e9 uma aut\u00eantica reconstru\u00e7\u00e3o da marca. O slogan que enfatizava que a Volkswagen \u00e9 uma empresa tipicamente germ\u00e2nica, o \u201cDas Auto\u201d, considerado \u201cum pouco frio\u201d por Powels, ser\u00e1 substitu\u00eddo por um conceito tropicalizado \u201cVolkswagen, inspirada na sua vida\u201d. A empresa agora quer ser tamb\u00e9m reconhecida por um design mais arrojado. \u201cVamos mostrar que somos uma companhia do Pa\u00eds, com produtos mais agressivos e mais pr\u00f3ximos dos brasileiros\u201d, diz o executivo.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m envolve uma renova\u00e7\u00e3o bastante necess\u00e1ria do portf\u00f3lio.\u00a0Uma nova plataforma de produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 entrar em opera\u00e7\u00e3o em suas tr\u00eas f\u00e1bricas de carro \u2013 S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais (PR) e Taubat\u00e9 (SP), al\u00e9m da de motores, em S\u00e3o Carlos (SP) \u2013 como parte do investimento de R$ 10 bilh\u00f5es, definido para o Pa\u00eds entre 2014 e 2018.\u00a0Com isso, em at\u00e9 quatro anos, dever\u00e3o chegar ao mercado, pelo menos, quatro produtos novos, que v\u00e3o muito al\u00e9m da renova\u00e7\u00e3o do Gol, que ter\u00e1 uma vers\u00e3o reestilizada, a partir da segunda-feira 22.<\/p>\n<p>\u201cOs produtos est\u00e3o defasados faz tempo e daqui a dois anos pode ser muito tarde para a renova\u00e7\u00e3o, pois ela j\u00e1 poder\u00e1 ter perdido muita presen\u00e7a agora que o mercado tem muitos competidores fortes\u201d, afirma o consultor especialista no setor Fernando Trujillo, da IHS Automotive. \u201cA Volkswagen tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 posicionada no segmento de SUVs, que cresce no Brasil.\u201d Segundo o argentino Jorge Portugal, que chegou em maio para assumir o cargo de vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen, trata-se apenas de um ciclo de produtos e a empresa dever\u00e1 voltar a ganhar participa\u00e7\u00e3o de mercado logo.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos tamb\u00e9m poder\u00e1 servir para Powels colocar em a\u00e7\u00e3o talvez o ponto mais importante de sua estrat\u00e9gia, o aumento da produtividade em suas opera\u00e7\u00f5es. \u201cTemos de melhorar a qualidade de produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cE, especialmente, preparar as pessoas e as f\u00e1bricas para uma nova tecnologia que vem por a\u00ed.\u201d O executivo afirma que a ind\u00fastria automotiva perdeu muita competitividade desde que ele deixou o Pa\u00eds. \u201cN\u00e3o usamos o per\u00edodo entre 2007 e 2012 para investir de forma correta\u201d, diz. \u201cPerdemos essa oportunidade.\u201d<\/p>\n<p>De fato, o setor vai precisar agora aprender a andar com as pr\u00f3prias pernas, j\u00e1 que n\u00e3o poder\u00e1 contar mais com a ajuda do governo com isen\u00e7\u00f5es de IPI, apoio a concess\u00e3o de cr\u00e9dito e outras benesses. \u201cEsse \u00e9 o problema do Brasil\u201d, diz Trujillo. \u201cQuando a ind\u00fastria vai bem, n\u00e3o investe porque n\u00e3o precisa. E, na crise, diz que n\u00e3o tem dinheiro para se atualizar.\u201d Se n\u00e3o for bem sucedida em sua atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, a montadora corre o risco de n\u00e3o conseguir exportar, j\u00e1 que os produtos locais ficar\u00e3o muito defasados em rela\u00e7\u00e3o aos carros internacionais.<\/p>\n<p>E a exporta\u00e7\u00e3o deve ser uma das sa\u00eddas para a Volkswagen, assim como para o resto da ind\u00fastria, se segurarem enquanto o mercado interno continua desaquecendo \u2013 a expectativa da Anfavea, a associa\u00e7\u00e3o que representa as fabricantes de ve\u00edculos, \u00e9 de que o mercado registre apenas 2,3 milh\u00f5es de carros vendidos neste ano, longe da capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 5,5 milh\u00f5es. A favor das montadoras est\u00e1 a desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, que aumentou a competitividade nacional. No ano passado, as exporta\u00e7\u00f5es da Volkswagen do Brasil cresceram 35% e a empresa tem o melhor \u00edndice do setor.<\/p>\n<p>Um dos destinos importantes \u00e9 o M\u00e9xico, que prev\u00ea um crescimento de 8% em vendas de autom\u00f3veis em 2016.\u00a0Duas outras grandes preocupa\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria nacional, e, especialmente, da Volkswagen, s\u00e3o a fragilidade das duas pontas de seu processo. A distribui\u00e7\u00e3o e a cadeia de suprimentos est\u00e3o sofrendo muito com a crise. Dentre os fornecedores, a atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ser\u00e1 ainda mais complexa do que nas montadoras, j\u00e1 que possuem menos capacidade de investimento e acesso a cr\u00e9dito. \u201cOs fornecedores menores dependem fortemente de volume.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o para eles \u00e9 pior do que das montadoras por 25% de seus custos serem de pessoal, contra 5% das automotivas\u201d, diz Besaliel Botelho, presidente para a Am\u00e9rica Latina da alem\u00e3 Bosch, a maior empresa de autope\u00e7as do Brasil. \u201cPassamos 2015 apagando inc\u00eandios de fornecedores que j\u00e1 n\u00e3o podiam mais operar. Tivemos de socorrer alguns que quebravam e trocando quem faria o suprimento de ferramentas.\u201d Na ponta das vendas para o consumidor, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 melhor.<strong>\u00a0<\/strong>Em 12 meses at\u00e9 janeiro deste ano, foram fechadas 627 concession\u00e1rias em todo o territ\u00f3rio nacional, o que eliminou 32 mil empregos.<\/p>\n<p>Restaram 7,9 mil delas, que seguem com a corda no pesco\u00e7o.<strong>\u00a0<\/strong>\u201cO investidor e o consumidor est\u00e3o sem confian\u00e7a\u201d, afirma Alarico Assump\u00e7\u00e3o J\u00fanior, presidente da Fenabrave, a federa\u00e7\u00e3o das distribuidoras de ve\u00edculos. \u201cOs bancos t\u00eam recusado 70% das propostas de compra de autom\u00f3vel a cr\u00e9dito.\u201d Esse cen\u00e1rio complica o plano de Powels de fazer a Volkswagen melhorar o relacionamento com os clientes por meio de sua rede de vendas. Com tantas dificuldades, ser\u00e1 dif\u00edcil estancar rapidamente a perda de vendas. E, com isso, tamb\u00e9m conseguir perder apenas os quilos que realmente planeja perder.<\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>David Powels, presidente da Volkswagen<\/p>\n<p><strong>Como avalia o momento atual da ind\u00fastria automotiva brasileira?<br \/>Powels \u2013<\/strong>\u00a0Infelizmente, n\u00e3o aproveitamos o per\u00edodo positivo, entre 2007 e 2012, para aprimorar a produtividade da ind\u00fastria, e por causa disso estamos sofrendo alguns riscos a mais. Perdemos a oportunidade de sermos mais produtivos quando as coisas estavam bem. E agora temos uma crise forte, em que o mercado tem uma queda de quase 50% do volume de vendas. Al\u00e9m disso, os fornecedores de autope\u00e7as est\u00e3o muito fragilizados financeiramente.<\/p>\n<p><strong>As f\u00e1bricas brasileiras da Volkswagen s\u00e3o menos produtivas que as do resto do mundo?<\/strong><br \/>Elas est\u00e3o na m\u00e9dia global de nossas mais de 50 f\u00e1bricas. Mas n\u00e3o estou satisfeito com isso. O meu objetivo \u00e9 lev\u00e1-las para o top dez, entre cinco e dez anos. As unidades de refer\u00eancia est\u00e3o em Pamplona, na Espanha, e em Bratislava, a capital eslovaca.<\/p>\n<p><strong>Por que a Volkswagen, dentre as grandes montadoras, foi a que mais perdeu vendas no ano passado?<\/strong><br \/>Se falarmos de um per\u00edodo curto, voc\u00ea ter\u00e1 essa percep\u00e7\u00e3o de que sofremos mais. Mas, entre 2007 e 2012, mais do que dobramos os neg\u00f3cios. A economia tem ciclos, assim como o setor. E as empresas muitas vezes enfrentam ciclos negativos. \u00c9 assim tamb\u00e9m com os nossos produtos.<\/p>\n<p><strong>Como enfrentar esse momento complicado?<\/strong><br \/>N\u00e3o estamos no Brasil s\u00f3 para abastecer o mercado dom\u00e9stico. Mas tamb\u00e9m para produzir para outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e para o M\u00e9xico. Em 2015, aumentamos as exporta\u00e7\u00f5es em 35%. O Gol ainda tem um mercado forte em muitos pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pode haver uma diminui\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos carros?<\/strong><br \/>A Volkswagen nunca vai ter o carro mais barato do mercado. O objetivo n\u00e3o \u00e9 esse. O conceito \u00e9 fazer o cliente pagar menos durante o ciclo de vida do produto, por meio de um custo de manuten\u00e7\u00e3o menor e um pre\u00e7o de revenda maior.<\/p>\n<p><strong>A empresa poder\u00e1 passar pela crise atual sem recorrer a demiss\u00f5es em massa?<\/strong><br \/>Temos atualmente um pouco menos do que 19 mil funcion\u00e1rios no Brasil e vamos ter de reduzir o contingente em cerca de 400 postos, se for poss\u00edvel. Mas esse n\u00famero depende de como o mercado vai se comportar durante o ano. Vamos tentar resolver o nosso excesso de capacidade com plano de demiss\u00f5es volunt\u00e1rias, programa de prote\u00e7\u00e3o ao emprego e afastamentos tempor\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 o nosso estilo jogar as pessoas fora. Isso teria grande conflito com a nossa estrat\u00e9gia de valoriza\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>A fraude do sistema de emiss\u00e3o de poluentes afetou a credibilidade da empresa do Brasil?<\/strong><br \/>Esse assunto \u00e9 muito cr\u00edtico para todos n\u00f3s da Volkswagen. \u00c0s vezes, as companhias t\u00eam problemas e comentem erros. Erramos, pedimos desculpas mundialmente e o consumidor brasileiro entendeu. N\u00e3o \u00e9 bom que isso aconte\u00e7a, mas vamos sobreviver a essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Isto \u00c9 Dinheiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que chegou ao Brasil, em janeiro do ano passado, para assumir a posi\u00e7\u00e3o de presidente da Volkswagen, o executivo sul-africano David Powels, de 54&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18363,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-18362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18362"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18364,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18362\/revisions\/18364"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}