{"id":18229,"date":"2016-02-16T00:00:11","date_gmt":"2016-02-16T02:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=18229"},"modified":"2016-02-16T08:41:13","modified_gmt":"2016-02-16T10:41:13","slug":"agora-a-ficha-caiu-para-a-queiroz-galvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/agora-a-ficha-caiu-para-a-queiroz-galvao\/","title":{"rendered":"Agora a ficha caiu para a Queiroz Galv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo dos \u00faltimos 60 anos, a fam\u00edlia pernambucana Queiroz Galv\u00e3o construiu um imp\u00e9rio com discri\u00e7\u00e3o. Apesar de o grupo Queiroz Galv\u00e3o viver basicamente de obras p\u00fablicas \u2014 \u00e9 dono de uma construtora, uma petroleira, uma empresa de saneamento e outros neg\u00f3cios que, somados, faturam quase 15 bilh\u00f5es de reais \u2014, os irm\u00e3os que controlam a companhia e seus herdeiros mal circulam por Bras\u00edlia e raramente s\u00e3o reconhecidos fora da roda social de Recife.<\/p>\n<p>N\u00e3o costumam dar grandes festas, n\u00e3o t\u00eam jatinhos nem helic\u00f3pteros \u2014 quando viajam, voam em avi\u00f5es comerciais. Esse estilo distante ajudou o grupo a enfrentar o turbilh\u00e3o provocado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. No fim de 2014, um executivo e um ex-diretor da companhia foram presos e a construtora do grupo entrou para a lista da Petrobras em que est\u00e3o empresas que n\u00e3o podem fazer neg\u00f3cio com a estatal.<\/p>\n<p>Apesar disso, os efeitos para a Queiroz n\u00e3o foram imediatos. O grupo chegou \u00e0 atual crise que assombra quase todos os setores da economia brasileira menos endividado do que seus pares. Durante quase um ano, a companhia seguiu operando quase como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n<p>Mas, claro, os neg\u00f3cios estavam sendo afetados. Recentemente, a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ficar mais dif\u00edcil. A\u00ed, sim, a ficha caiu. A construtora encolheu, enquanto a empresa naval, as sider\u00fargicas e a incorporadora passaram a ter preju\u00edzo no segundo semestre de 2015 e, com isso, fecharam o ano no vermelho. Os resultados foram prejudicados pela progressiva queda nas receitas.<\/p>\n<p>A construtora, que responde por 60% do faturamento do grupo, n\u00e3o fechou nenhum novo contrato no Brasil em 2015, o que reduziu 20% de suas receitas, e profissionais ligados \u00e0 empresa esperam uma queda de mais 35% neste ano. Se isso acontecer, a maior empresa do grupo passar\u00e1 a ter metade do tamanho que tinha antes da crise.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ter sido vetada pela Petrobras, resolveu desistir de obras consideradas pol\u00eamicas. \u00c9 o caso da usina nuclear Angra 3, cuja constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo investigada na Lava-Jato. Tamb\u00e9m abriu m\u00e3o de terminar a ponte do Pontal depois que a UTC abandonou o projeto no ano passado (a Queiroz havia ficado em segundo na licita\u00e7\u00e3o e poderia ter assumido a obra).<\/p>\n<p>Por diferentes motivos, as demais subsidi\u00e1rias da Queiroz Galv\u00e3o n\u00e3o v\u00eam conseguindo compensar a queda na receita da construtora. Um dos dois estaleiros dos quais a companhia \u00e9 s\u00f3cia passou cinco meses com as obras paralisadas, j\u00e1 que a principal contratante, a enrolada Sete Brasil, est\u00e1 inadimplente.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o reduziu a demanda por im\u00f3veis e, por isso, a incorporadora parou de lan\u00e7ar empreen\u00addimentos e sofre com a devolu\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis prontos. A subsidi\u00e1ria de petr\u00f3leo e g\u00e1s, que responde por 20% das receitas do grupo, vive uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e o custo de extra\u00e7\u00e3o, a empresa n\u00e3o deve gerar caixa, segundo um c\u00e1lculo da corretora do banco Ita\u00fa \u2014 o que poderia tornar a opera\u00e7\u00e3o invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 atua\u00e7\u00e3o no exterior \u2014 a Queiroz Galv\u00e3o presta servi\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o e engenharia em mais de 20 pa\u00edses \u2014, o grupo deve conseguir manter est\u00e1vel seu faturamento, segundo executivos pr\u00f3ximos \u00e0 companhia (sem o efeito do c\u00e2mbio, a queda seria de 27%). O mesmo acontece com o volume total de contratos em carteira, de 100 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>O lucro, por\u00e9m, dever\u00e1 diminuir 20%. Em raz\u00e3o da alta dos juros, o endividamento da construtora\u00a0do grupo, que equivale a quatro vezes sua gera\u00e7\u00e3o de caixa, preocupa. A fam\u00edlia tomou duas a\u00e7\u00f5es rar\u00edssimas na hist\u00f3ria da Queiroz Galv\u00e3o. Primeiro, fez demiss\u00f5es em larga escala. Entre 2015 e 2016, o grupo ter\u00e1 demitido 3\u2009200 \u2014 somando 7% do total de empregados.<\/p>\n<p>A companhia nunca havia encolhido tanto. Al\u00e9m disso, decidiu vender alguns de seus neg\u00f3cios para fazer caixa. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o grupo vendeu apenas duas pequenas participa\u00e7\u00f5es em geradoras de energia. Embolsou 68 milh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo um levantamento da consultoria brit\u00e2nica Dealogic. No final do ano, a estrat\u00e9gia mudou.<\/p>\n<p>Sua maior venda foi conclu\u00edda h\u00e1 menos de dois meses, quando a companhia japonesa Itochu comprou 49% da fatia da Queiroz Galv\u00e3o na holding de saneamento \u00c1guas do Brasil por 70 milh\u00f5es de d\u00f3lares. O grupo tamb\u00e9m j\u00e1 colocou \u00e0 venda 49% de sua subsidi\u00e1ria de energia e\u00f3lica, a Queiroz Galv\u00e3o Energia, e ativos no setor de siderurgia.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 uma reserva florestal de 73\u2009000 hectares que fornece madeira para os fornos de produ\u00e7\u00e3o de ferro-gusa, exportados para a \u00c1sia. A gestora canadense de investimentos Brookfield e a fabricante brasileira de papel e celulose Eldorado s\u00e3o os principais interessados. A Queiroz tamb\u00e9m tenta se desfazer de uma participa\u00e7\u00e3o numa empresa de alimentos que produz e exporta frutas para a Europa.<\/p>\n<p>Se conseguir fechar todas as opera\u00e7\u00f5es, o grupo dever\u00e1 embolsar 2 bilh\u00f5es de reais. EXAME apurou que a expectativa da fam\u00edlia \u00e9 conseguir pelo menos 1 bilh\u00e3o de reais at\u00e9 o terceiro trimestre, o que promete ser complicado. \u201cEst\u00e1 dif\u00edcil conseguir pre\u00e7os adequados\u201d, diz um alto executivo do grupo. Procurada, a Queiroz Galv\u00e3o n\u00e3o deu entrevista.<\/p>\n<h3>O papel dos donos\u00a0<\/h3>\n<p>A companhia demorou para sentir a retra\u00e7\u00e3o na economia por tr\u00eas motivos principais, de acordo com analistas e executivos de mercado. Primeiro porque, pelo menos at\u00e9 o momento, os donos e os principais acionistas da Queiroz Galv\u00e3o n\u00e3o foram envolvidos nas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dois executivos que foram presos s\u00e3o Othon Zanoide, ent\u00e3o diretor da Vital Engenharia Ambiental, que pertence ao grupo (ele foi demitido), e Idelfonso Colares Filho, ex-diretor da construtora. Al\u00e9m disso, os dois foram liberados depois de uma semana e ainda n\u00e3o foram indiciados.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o bem dife\u00adren\u00adte da enfrentada por Andrade Gutierrez, Galv\u00e3o Engenharia e Ode\u00adbrecht, cujos presidentes foram presos e indiciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. Al\u00e9m disso, o endividamento do grupo Queiroz Galv\u00e3o \u00e9 menor do que o de suas concorrentes: corresponde a 2,8 vezes a gera\u00e7\u00e3o de caixa \u2014 no grupo Ode\u00adbrecht, por exemplo, a d\u00edvida equivalia a 4,3 vezes a gera\u00e7\u00e3o de caixa no ano passado.<\/p>\n<p>O terceiro motivo \u00e9 o fato de a Queiroz ter um hist\u00f3rico de distribuir poucos dividendos aos acionistas e manter mais recursos em caixa, o que ajuda a ter liquidez num momento de crise, e de poder contar com o patrim\u00f4nio dos donos em per\u00edodos complicados. Em dezembro, a fam\u00edlia Queiroz Galv\u00e3o fez um aporte de 200 milh\u00f5es de reais na construtora.<\/p>\n<p>Entre dezembro e \u00adjaneiro, colocou 270 milh\u00f5es de reais no estaleiro Atl\u00e2ntico Sul junto com suas s\u00f3cias no em\u00adpreendimento, a \u00adCamargo Corr\u00eaa e a HIH Corporation. EXAME\u00ad apurou que os s\u00f3cios podem injetar mais 250 milh\u00f5es de reais no estaleiro ao longo do ano.<\/p>\n<p>Internamente, a Queiroz Galv\u00e3o respondeu \u00e0 Lava-Jato mudando seus processos \u2014 como fizeram, ou prometeram fazer, muitas empresas investigadas. As novidades aconteceram na construtora. Em junho, a empresa contratou um diretor de controle de riscos e normas para revisar os processos de aprova\u00e7\u00e3o de obras e a contrata\u00e7\u00e3o de empresas terceirizadas.<\/p>\n<p>Em janeiro, formou um conselho de \u00e9tica e, em fevereiro, come\u00e7ou a mudar o\u00a0conselho de administra\u00e7\u00e3o\u00a0para incluir conselheiros independentes. O primeiro deles \u00e9 o economista Ma\u00edl\u00adson da N\u00f3brega, ex-ministro da Fazenda. Outros dois devem ser escolhidos at\u00e9 mar\u00e7o, quando a companhia pretende colocar em funcionamento um canal de den\u00fancias an\u00f4nimas de funcion\u00e1rios e fornecedores.<\/p>\n<p>A diretoria jur\u00eddica da construtora tamb\u00e9m avalia fazer um acordo de leni\u00eancia para suspender as investiga\u00e7\u00f5es de cartel na Petrobras, como fizeram a Andrade Gutierrez e a Camargo Corr\u00eaa. A crise pode at\u00e9 ter demorado para pegar o discreto grupo Queiroz Galv\u00e3o. Mas que pegou, pegou.<\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos \u00faltimos 60 anos, a fam\u00edlia pernambucana Queiroz Galv\u00e3o construiu um imp\u00e9rio com discri\u00e7\u00e3o. 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