{"id":18027,"date":"2016-02-01T00:34:56","date_gmt":"2016-02-01T02:34:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=18027"},"modified":"2016-02-01T07:38:24","modified_gmt":"2016-02-01T09:38:24","slug":"como-nova-york-resolveu-sua-crise-hidrica-com-menos-obras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/como-nova-york-resolveu-sua-crise-hidrica-com-menos-obras\/","title":{"rendered":"Como Nova York resolveu sua crise h\u00eddrica com menos obras"},"content":{"rendered":"<p>As manchetes alardeavam: \u201cA maior cidade do pa\u00eds est\u00e1 amea\u00e7ada pela falta d\u2019\u00e1gua\u201d, \u201co n\u00edvel das represas caiu a 25% e a popula\u00e7\u00e3o teme um racionamento\u201d. S\u00e3o Paulo? N\u00e3o: Nova York \u2013 em 1990. \u00c0 \u00e9poca, a metr\u00f3pole americana encarava a terceira seca consecutiva e discutia solu\u00e7\u00f5es para contorn\u00e1-la. Autoridades e empres\u00e1rios defendiam a execu\u00e7\u00e3o de obras, como a constru\u00e7\u00e3o de novos reservat\u00f3rios. Uma voz, por\u00e9m, discordava.<\/p>\n<p>Para Albert Appleton, ent\u00e3o chefe do departamento de \u00e1guas da cidade, o melhor seria reflorestar os mananciais, consertar vazamentos e conscientizar a popula\u00e7\u00e3o. O incr\u00edvel foi que a solu\u00e7\u00e3o de Appleton venceu a disputa. Nova York comprou terras em Catskills, onde estavam as represas, e passou a recuper\u00e1-las. Tamb\u00e9m pagou a fazendeiros para que conservassem a regi\u00e3o. Por fim, iniciou um amplo programa de troca de encanamentos e redu\u00e7\u00e3o do consumo urbano. O resultado? A cidade nunca mais sofreu com as secas, tem uma das \u00e1guas mais limpas dos Estados Unidos e o consumo caiu em um ter\u00e7o \u2013 ainda que a popula\u00e7\u00e3o tenha crescido 13% nesse per\u00edodo. Para melhorar, o plano custou um d\u00e9cimo do projeto rival. Em setembro, Appleton fez palestras no Brasil, e um livro que narra como ele venceu o debate acaba de ser lan\u00e7ado por aqui (O Homem Que Salvou Nova York da Falta de \u00c1gua, Matrix).<\/p>\n<p><strong>Como o senhor venceu o debate?<br \/>Albert Appleton<\/strong>\u00a0\u00a0 Eu defendia duas ideias relacionadas \u2013 e as duas servem para S\u00e3o Paulo. A primeira era a prote\u00e7\u00e3o dos mananciais, a segunda era a conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua na cidade. Elas prevaleceram porque ofereciam a solu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida, mais barata e mais confi\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Isso bastou para convencer os opositores?<br \/>Albert Appleton<\/strong>\u00a0\u00a0 A ind\u00fastria \u00e9 enviesada, prefere as solu\u00e7\u00f5es que envolvam obras. Mas, uma vez que fizemos as an\u00e1lises, elas n\u00e3o se sustentaram. O ponto central da nossa argumenta\u00e7\u00e3o era o custo-benef\u00edcio. Se voc\u00ea pode gastar US$ 1 para economizar 1 litro de \u00e1gua ou US$ 10 para buscar 1 litro de \u00e1gua mais distante, o que vai preferir? Quando conservamos a \u00e1gua, \u00e9 como se cri\u00e1ssemos um novo reservat\u00f3rio para a cidade.<\/p>\n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o ficou do seu lado?<br \/>Albert Appleton<\/strong>\u00a0\u00a0 Sim, a sociedade civil claramente passou a apoiar aquilo que hoje poder\u00edamos chamar de solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. Mas, claro, n\u00f3s demos muni\u00e7\u00e3o para que ficasse do nosso lado \u2013 ou seja, informa\u00e7\u00e3o. As pessoas se preocupam com a conta d\u2019\u00e1gua. Dissemos que a conta cairia 10%, em vez de subir 40%. A comunidade de ambientalistas tamb\u00e9m teve um papel importante. No fim, a maioria se convenceu de que um sistema de abastecimento moderno era do interesse de longo prazo de todos.<\/p>\n<p><strong>O senhor teve de convencer os fazendeiros?<br \/>Albert Appleton<\/strong>\u00a0\u00a0 Sim. Existe uma antiga tradi\u00e7\u00e3o, nos Estados Unidos, de brigas entre fazendeiros e interesses ambientalistas. E tamb\u00e9m entre fazendeiros e a cidade. Ent\u00e3o, no come\u00e7o, havia uma grande suspei\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Depois, os fazendeiros entenderam que trabalhar junto com a cidade iria benefici\u00e1-los financeiramente. E n\u00f3s entendemos que, se quis\u00e9ssemos proteger as bacias, ter\u00edamos de tornar isso economicamente vi\u00e1vel para os fazendeiros. Foi um entendimento m\u00fatuo. Em cinco anos, 93% deles tinham aderido. Basicamente, o que tivemos de fazer foi superar um passado ruim.<\/p>\n<p><strong>Ou seja, eles foram convencidos com um argumento econ\u00f4mico.<br \/>Albert Appleton<\/strong>\u00a0\u00a0 Sim. Essencialmente, a sustentabilidade \u00e9 uma quest\u00e3o econ\u00f4mica. A mesma coisa vale para a \u00e1gua. \u00c9 um problema de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>Mesmo com o exemplo bem-sucedido de Nova York, as solu\u00e7\u00f5es verdes n\u00e3o s\u00e3o as mais aplicadas no mundo. Por qu\u00ea?<br \/>Albert Appleton<\/strong>\u00a0\u00a0 A ind\u00fastria da \u00e1gua est\u00e1 num momento de transi\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muita discuss\u00e3o no mundo sobre aquilo que se chama de \u201csolu\u00e7\u00f5es do lado da demanda\u201d, o que \u00e9 um jeito bonito de dizer \u201csolu\u00e7\u00f5es sem obras\u201d. Em muitos lugares, isso est\u00e1 se tornando pr\u00e1tica, como na \u00c1frica do Sul, na Austr\u00e1lia. Tamb\u00e9m h\u00e1 muita discuss\u00e3o sobre conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Ent\u00e3o, sim, est\u00e1 acontecendo um momento de transi\u00e7\u00e3o nessa ind\u00fastria. E isso \u00e9 uma coisa boa.\u00a0<\/p>\n<p>Fonte: \u00c9poca Neg\u00f3cios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As manchetes alardeavam: \u201cA maior cidade do pa\u00eds est\u00e1 amea\u00e7ada pela falta d\u2019\u00e1gua\u201d, \u201co n\u00edvel das represas caiu a 25% e a popula\u00e7\u00e3o teme um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":18028,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-18027","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18027"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18027\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18030,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18027\/revisions\/18030"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}