{"id":17627,"date":"2015-12-23T08:47:33","date_gmt":"2015-12-23T10:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=17627"},"modified":"2015-12-21T18:08:37","modified_gmt":"2015-12-21T20:08:37","slug":"corte-de-verba-faz-marinha-suspender-projeto-para-defesa-do-pre-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/corte-de-verba-faz-marinha-suspender-projeto-para-defesa-do-pre-sal\/","title":{"rendered":"Corte de verba faz Marinha suspender projeto para defesa do pr\u00e9-sal"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Falta de dinheiro far\u00e1 submarino nuclear atrasar 4 anos, diz comandante. Or\u00e7amento ficou 30% menor em 2015 e 200 trabalhadores ser\u00e3o cortados<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O corte de recursos devido \u00e0 crise econ\u00f4mica levou a Marinha a suspender o projeto para monitorar o mar territorial do pa\u00eds e proteger os recursos do pr\u00e9-sal, informou o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira.<\/p>\n<p>Um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) estima que a \u00e1rea do pr\u00e9-sal possua ao menos 176 bilh\u00f5es de barris de recursos n\u00e3o descobertos e recuper\u00e1veis de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi afetado pelo corte o projeto do submarino nuclear brasileiro, cuja previs\u00e3o inicial de entrada em opera\u00e7\u00e3o, avaliada para 2025, sofrer\u00e1 um atraso de tr\u00eas a quatro anos, segundo o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira.<\/p>\n<p>\u201cCom or\u00e7amento 30% menor do previsto neste ano, tivemos que refazer o cronograma f\u00edsico e financeiro de uma s\u00e9rie de projetos. Todos os projetos sofreram redu\u00e7\u00e3o de ritmo em diferentes graus\u201d, informou Leal Ferreira a jornalistas em S\u00e3o Paulo. &#8220;Temos que enfrentar esta realidade e dar nossa contribui\u00e7\u00e3o para se adaptar [\u00e0 crise econ\u00f4mica no pa\u00eds]. N\u00e3o podemos desistir e nos desesperar&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>O governo federal bloqueou em maio R$ 69,9 bilh\u00f5es em gastos para 2015. Pela Lei Or\u00e7ament\u00e1ria, a Marinha teria dispon\u00edveis R$ 3,85 bilh\u00f5es para custeio e R$ 2,1 bilh\u00f5es para investimentos neste ano. Com o corte, por\u00e9m, de R$ 2 bilh\u00f5es, restou para investimento R$ 1,3 bilh\u00e3o. Sobraram quase mais R$ 2,6 bilh\u00f5es para custeio.<\/p>\n<p>O projeto para controlar e vigiar a a zona econ\u00f4mica exclusiva brasileira do Oceano Atl\u00e2ntico, chamado de Sistema de Gerenciamento da Amaz\u00f4nia Azul (Sisgaaz), uma \u00e1rea de 4,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, tem investimento estimado de R$ 13 bilh\u00f5es e tinha previs\u00e3o inicial de estar conclu\u00eddo em 2027.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o ocorreu no dia 29 de outubro \u201cdevido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias impostas\u201d, quando uma carta, comunicando oficialmente a decis\u00e3o, foi enviada aos tr\u00eas cons\u00f3rcios concorrentes. O documento n\u00e3o foi divulgado.<\/p>\n<p>Segundo a Marinha, o alerta foi enviado \u00e0s candidatas a contratante principal, sendo elas: Embraer Defesa &amp; Seguran\u00e7a, Odebrecht Defesa e Tecnologia e Orbital Engenharia. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quando o programa ser\u00e1 retomado, o que pode ocorrer \u201cassim que as condi\u00e7\u00f5es financeiras permitirem\u201d.<\/p>\n<p><strong>Invas\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Semelhante ao projeto que o Ex\u00e9rcito possui para vigiar as fronteiras terrestres, o Sisgaaz tem como miss\u00e3o garantir maior seguran\u00e7a mar\u00edtima e a defesa no Atl\u00e2ntico Sul, gerando maior efici\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os brasileiros para a fiscaliza\u00e7\u00e3o de narcotr\u00e1fico e contrabando pelo mar, opera\u00e7\u00f5es de busca e salvamento e tamb\u00e9m impedir que embarca\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses invadam as \u00e1guas jurisdicionais brasileiras.<\/p>\n<p>Em 30 de outubro, o jornal \u201cFolha de S. Paulo\u201d divulgou que navios de guerra dos Estados Unidos realizaram opera\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas na costa brasileira em 2014 sem avisarem \u00e0s autoridades e sem terem sido percebidas. Segundo o comandante da Marinha, o ocorrido se deve a uma diferen\u00e7a de entendimento sobre como o Brasil e os Estados Unidos analisam cl\u00e1usulas da conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre os direitos do mar. Ele minimizou suspeitas de que outras invas\u00f5es podem ter ocorrido.<\/p>\n<p>\u201cEu considero estes meus direitos, de autorizar manobras militares, em especial com emprego de armas, em nossa zona econ\u00f4mica exclusiva. O americano tem uma posi\u00e7\u00e3o diferente, ele acha que a navega\u00e7\u00e3o ali \u00e9 livre e n\u00e3o inclui qualquer restri\u00e7\u00e3o a opera\u00e7\u00f5es militares. \u00c9 a interpreta\u00e7\u00e3o que ele tem e ele tenta for\u00e7ar a ideia de que o ponto de vista dele est\u00e1 coerente\u201d, afirma Leal Ferreira sobre o tema.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um assunto para ser discutido no ponto de vista diplom\u00e1tico e n\u00e3o no \u00e2mbito militar\u201d, diz. \u201cS\u00e3o pequenos pontos divergentes que n\u00e3o podemos transformar em grandes contendas\u201d.<\/p>\n<p>O Sisgaaz, quando introduzido plenamente, permitir\u00e1 ao Brasil identificar navios invasores em toda a sua \u00e1rea de controle, afirma o comandante. Com a suspens\u00e3o do programa, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quando isso ir\u00e1 acontecer.<\/p>\n<p><strong>Submarino a ver navios<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do submarino nuclear, que tamb\u00e9m servir\u00e1 como fator de dissuas\u00e3o para impedir a invas\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras e impor o poder militar brasileiro no mar, tamb\u00e9m foi atingida pelo corte de recursos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do atraso em at\u00e9 4 anos para a sua finaliza\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 corte de 200 funcion\u00e1rios civis em S\u00e3o Paulo e Iper\u00f3 entre o fim de 2015 e in\u00edcio de 2016. Hoje s\u00e3o 3 mil pessoas trabalhando no desenvolvimento &#8211; 1.200 s\u00e3o profissionais qualificados, como cientistas, que n\u00e3o podem ser desvinculados do projeto por possu\u00edrem informa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>O projeto do submarino nuclear brasilerio teve in\u00edcio em 1979 e j\u00e1 consumiu mais de R$ 1 bilh\u00e3o de recursos. &#8220;Fomos afetados pelo corte or\u00e7ament\u00e1rio e tivemos que reduzir o ritmo, mas n\u00e3o paralisou. Em 2015, o esperado era de R$ 320 mil para custeio, e recebemos R$ 250 mil. Esta redu\u00e7\u00e3o significativa deve se manter em 2016&#8221;, afirmou Leal Ferreira.<\/p>\n<p>A Marinha tamb\u00e9m vem emperrando em adversidades para desenvolver a propuls\u00e3o nuclear, pois os pa\u00edses que det\u00eam o conhecimento \u2013 o seleto grupo com assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (EUA, R\u00fassia, China, Inglaterra e Fran\u00e7a) \u2013 n\u00e3o desejam repass\u00e1-los ao Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Com certeza, vai atrasar. H\u00e1 duas dificuldades. A primeira \u00e9 financeira, temos que ter um fluxo de dinheiro constantemente. Porque fazemos contratos para daqui a tr\u00eas, quatro anos, e repactuar um contrato destes sempre fica muito dif\u00edcil, os pr\u00f3prios fornecedores ficam desconfiados. A outra \u00e9 dificuldade t\u00e9cnica, porque estamos desenvolvendo tudo sozinho, sozinho, sozinho. Mas n\u00f3s estamos avan\u00e7ando&#8221;, diz Leal Ferreira.<\/p>\n<p>\u201cQuando eles (outros pa\u00edses) tomam conhecimento que n\u00f3s vamos usar aquele determinado equipamento no programa nuclear, eles pro\u00edbem a venda. Tudo n\u00f3s temos que descobrir por n\u00f3s mesmos. Apesar das dificuldades t\u00e9cnicas, n\u00f3s estamos sempre avan\u00e7ando, at\u00e9 agora n\u00e3o teve nada intranspon\u00edvel. Mas com a redu\u00e7\u00e3o dos recursos, tivemos que reduzir mais&#8221;, salientou o comandante da Marinha.<\/p>\n<p>Fonte: G1 \/S\u00e3o Paulo &#8211; Tahiane Stochero<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de dinheiro far\u00e1 submarino nuclear atrasar 4 anos, diz comandante. 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