{"id":12106,"date":"2015-05-07T10:44:59","date_gmt":"2015-05-07T13:44:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=12106"},"modified":"2015-05-07T10:44:59","modified_gmt":"2015-05-07T13:44:59","slug":"privatizacao-do-porto-de-manaus-ameaca-parte-do-patrimonio-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/privatizacao-do-porto-de-manaus-ameaca-parte-do-patrimonio-historico\/","title":{"rendered":"Privatiza\u00e7\u00e3o do Porto de Manaus amea\u00e7a parte do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<p>Desde que o Porto de Manaus foi privatizado e teve a administra\u00e7\u00e3o entregue para a fam\u00edlia do ex-senador Carlos Alberto De\u2019Carli, em 2001, durante a gest\u00e3o do ex-governador Amazonino Mendes, parte do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico de Manaus se perde em meio a impasses, disputas judiciais e obras interrompidas.<\/p>\n<p>As propostas de revitaliza\u00e7\u00e3o e promessas de recupera\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio surgem, mas nunca se concretizam. A justificativa para os planos nunca realizados \u00e9 sempre a mesma: o imbr\u00f3glio judicial. \u00c9 que, depois que o porto foi privatizado em benef\u00edcio dos De\u2019Carli, em 2001, iniciou-se uma longa disputa judicial contra o Estado, que se estendeu at\u00e9 2010, quando o Governo do Amazonas perdeu a \u201cbriga\u201d. Em 2011, a Uni\u00e3o passou a requerer a \u00e1rea e recebeu, na Justi\u00e7a, a administra\u00e7\u00e3o, que ficou a cargo da Companhia Docas do Maranh\u00e3o (Codomar). Esta semana, no entanto, a Justi\u00e7a decidiu, novamente, entregar o Porto de Manaus \u00e0 fam\u00edlia De\u2019Carli.<\/p>\n<p>Enquanto a indefini\u00e7\u00e3o persiste na Justi\u00e7a, patrim\u00f4nios como o Museu do Porto, uma das constru\u00e7\u00f5es mais antigas da cidade e desativado desde 2000, seguem abandonadas, \u00e0 espera de revitaliza\u00e7\u00e3o. \u201cOs turistas procuram o Museu do Porto para conhecer as rel\u00edquias que marcam a hist\u00f3ria desta cidade, mas s\u00e3o surpreendidos quando encontram o pr\u00e9dio com as portas fechadas\u201d, contou uma das funcion\u00e1rias do porto.<\/p>\n<p>Constru\u00eddo no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 pelos ingleses, o pr\u00e9dio\u00a0 possui caracter\u00edsticas medievais, com paredes de tijolos revestidos por alvenaria e 742 metros de \u00e1rea constru\u00edda. Foi a primeira constru\u00e7\u00e3o do conjunto arquitet\u00f4nico do Porto de Manaus conclu\u00edda, em 1903, para servir de Casa de M\u00e1quinas. Em 1981 foi transformado no Museu do Porto.<\/p>\n<p>Um dos funcion\u00e1rios mais antigos do Porto de Manaus, o chefe do Servi\u00e7o Hidrogr\u00e1fico Valderino Pereira, lembrou que, quando estava com as portas abertas, o museu \u201ccolaborou\u201d com estudos e pesquisas importantes para a regi\u00e3o. \u201cO museu foi frequentado na d\u00e9cada de 80. Ainda hoje, estudantes at\u00e9 procuram uma forma de conhecer o museu, mas como\u00a0 suas portas est\u00e3o fechadas h\u00e1 um bom tempo, sem zelo e sem cuidado, o local tornou-se inseguro. Infelizmente esta \u00e9 a nossa realidade: uma hist\u00f3ria que logo ser\u00e1 esquecida se caso nada seja feito\u201d, contou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da restaura\u00e7\u00e3o do museu, a reforma dos casar\u00f5es do Boothline tamb\u00e9m n\u00e3o saiu do papel. As fachadas dos casarios est\u00e3o tomadas por mato e n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quando a revitaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o ser\u00e1 iniciada.<\/p>\n<p><strong>Obras paradas h\u00e1 dois meses<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo antes de sair a liminar da Justi\u00e7a Federal que devolveu a administra\u00e7\u00e3o do porto privatizado da Manaus Moderna para os arrendat\u00e1rios, a reforma se encontrava parada pelo menos nos dois \u00faltimos meses. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de funcion\u00e1rios do porto, que afirmam serem os mais prejudicados com a briga da posse administrativa de um dos principais cart\u00f5es postais da cidade, que\u00a0 est\u00e1 abandonado.<\/p>\n<p>Antes do final de mar\u00e7o, os oper\u00e1rios da empresa vencedora da licita\u00e7\u00e3o de revitaliza\u00e7\u00e3o do porto, Laghi Engenharia, haviam suspendido as atividades. Um dos funcion\u00e1rios do porto de Manaus, que preferiu n\u00e3o se identificar com receio de retalia\u00e7\u00e3o, informou que o motivo da liminar era previsto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT).<\/p>\n<p><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O porto de Manaus passou por um processo licitat\u00f3rio para sua administra\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de 2001, \u00e9poca em que Amazonino Mendes era governador do Estado. A empresa da fam\u00edlia do ex-senador Carlos Alberto De\u2019Carli venceu o processo licitat\u00f3rio para admininstrar o porto pelo prazo de 25 anos.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a troca de governo, assumido pelo senador pelo Amazonas, Eduardo Braga, o Estado entrou na Justi\u00e7a para tentar retomar a posse da administra\u00e7\u00e3o. \u201cFoi ent\u00e3o que iniciou uma guerra no porto. O governador da \u00e9poca mandou policiais militares retomarem toda a estrutura, at\u00e9 os funcion\u00e1rios foram coagidos\u201d, lembrou o funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>O chefe do Servi\u00e7o Hidrogr\u00e1fico do Porto de Manaus, Valderino Pereira, relatou que, nesse per\u00edodo em que o porto tinha como guarda a pol\u00edcia, ele passava por constrangimentos quando precisava medir o n\u00edvel do rio. \u201cTeve um dia em que, quando fui colocar os dados no livro de anota\u00e7\u00f5es, um policial encostou a arma na minha cintura, como se eu fosse criminoso. Desde ent\u00e3o resolvi que n\u00e3o retornaria \u00e0 minha sala at\u00e9 que essa guerra tivesse finalizado\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Depois disso, uma liminar repassou a concess\u00e3o do porto para Companhia Docas do Maranh\u00e3o (Codomar). Segundo os funcion\u00e1rios do porto, a empresa que havia ganhado o processo licitat\u00f3rio voltou a recorrer na Justi\u00e7a, ap\u00f3s o governo federal anunciar a reforma para o porto, antes da Copa do Mundo. A Codomar, em parceria com o Dnit, elaborou o projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do porto, avaliado em R$ 200 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA briga \u00e9 de gente grande e sempre sobra para os pequenos. Esper\u00e1vamos que isso pudesse ocorrer, mas paralisar a reforma \u00e9 prejudicar a popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos funcion\u00e1rios do porto, pois somos colocados em risco todos os dias com a forma que foram deixados o pr\u00e9dio e os galp\u00f5es\u201d, disse um funcion\u00e1rio, que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p><strong>Implurb prometeu altera\u00e7\u00f5es no projeto<\/strong><\/p>\n<p>Antes mesmo\u00a0 da paralisa\u00e7\u00e3o da reforma do porto, a C\u00e2mara de Manaus questionou o projeto que n\u00e3o contemplava quest\u00f5es ambientais. O assunto virou tema de uma audi\u00eancia P\u00fablica e o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) garantiu pelo menos oito mudan\u00e7as no projeto b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Fonte: A Cr\u00edtica (Manaus)\/Isabelle Valois<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que o Porto de Manaus foi privatizado e teve a administra\u00e7\u00e3o entregue para a fam\u00edlia do ex-senador Carlos Alberto De\u2019Carli, em 2001, durante a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":6060,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-12106","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12106"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12107,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12106\/revisions\/12107"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}