{"id":12047,"date":"2015-05-04T09:24:11","date_gmt":"2015-05-04T12:24:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=12047"},"modified":"2015-05-04T09:24:11","modified_gmt":"2015-05-04T12:24:11","slug":"baixas-da-petrobras-de-r-446-bi-no-balanco-de-2014-sao-as-maiores-entre-as-petroleiras-globais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/baixas-da-petrobras-de-r-446-bi-no-balanco-de-2014-sao-as-maiores-entre-as-petroleiras-globais\/","title":{"rendered":"Baixas da Petrobras de R$ 44,6 bi no balan\u00e7o de 2014 s\u00e3o as maiores entre as petroleiras globais"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Valor representa mais que o dobro do registrado pela segunda colocada, a brit\u00e2nica BP<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, a inefici\u00eancia e a queda no pre\u00e7o do barril do petr\u00f3leo fizeram a Petrobras liderar (e de longe) as perdas no ano passado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes petroleiras globais que repassam seus dados \u00e0 Securities and Exchange Commission (SEC), \u00f3rg\u00e3o que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos. Em 2014, a estatal contabilizou baixas cont\u00e1beis (chamadas no jarg\u00e3o financeiro de impairments) de R$ 44,6 bilh\u00f5es, mais que o dobro da segunda colocada, a brit\u00e2nica BP, com \u201cajustes\u201d de R$ 22,094 bilh\u00f5es. A conclus\u00e3o faz parte de um levantamento feito pela consultoria Ernst &amp; Young (EY) a pedido do GLOBO. Ao todo, foram analisados os dados de seis empresas de \u00f3leo e g\u00e1s com atividades integradas de explora\u00e7\u00e3o e refino, conhecidas no setor como majors.<\/p>\n<p>Na lista est\u00e3o ainda a francesa Total e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, com perdas de R$ 21,194 bilh\u00f5es e R$ 18,548 bilh\u00f5es, respectivamente. Petrobras, Total e Shell t\u00eam volume de reservas provadas similares, com 13,12 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, 11,52 bilh\u00f5es e 13 bih\u00f5es, respectivamente.As americanas Chevron e ExxonMobil optaram por n\u00e3o registrar baixas em seus balan\u00e7os no ano passado. As baixas cont\u00e1beis ocorrem quando uma empresa precisa ajustar o valor de seus ativos devido a fatores como mudan\u00e7a no c\u00e2mbio, na cota\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo ou, no caso da Petrobras, a m\u00e1 gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, apontam os dados compilados pela EY, somente a Petrobras respondeu por pouco menos da metade dos ajustes, que totalizaram R$ 106,3 bilh\u00f5es em 2014. N\u00e3o entrou na conta o ajuste de R$ 6,2 bilh\u00f5es feitos pela Petrobras exclusivamente por conta dos desvios por corrup\u00e7\u00e3o investigados na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Mas, mesmo nos R$ 44,6 bilh\u00f5es registrados como baixa por outros fatores, h\u00e1 influ\u00eancia da corrup\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que muitos projetos foram paralisados ap\u00f3s as investiga\u00e7\u00f5es terem sido deflagradas.<\/p>\n<p><strong>Refino concentra perdas<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Roberto Santos, s\u00f3cio de auditoria do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY, o valor de perdas lan\u00e7adas em balan\u00e7o varia de acordo com o pre\u00e7o que cada empresa projeta para o barril do petr\u00f3leo a curto e m\u00e9dio prazos e do perfil de ativos, que podem incluir campos de alta produtividade e \u00e1reas de maior risco explorat\u00f3rio. Isso ajuda a explicar o porqu\u00ea de algumas empresas n\u00e3o terem registrado perdas em 2014, quando a cota\u00e7\u00e3o do barril caiu mais de 50% em menos de seis meses. Hoje, est\u00e1 na faixa dos US$ 66.<\/p>\n<p>\u2014 As empresas t\u00eam uma vis\u00e3o de longo prazo e, em alguns casos, esperam que os valores do barril possam subir, o que daria suporte \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do do ativo e, assim, as perdas n\u00e3o s\u00e3o lan\u00e7adas. O fato de a Petrobras ter um n\u00famero maior est\u00e1 relacionado ao fato de a companhia estar passando por dificuldades \u2014 disse Santos, da EY.<\/p>\n<p>Na Petrobras, grande parte das perdas ocorreu no segmento de refino. Ap\u00f3s os casos de corrup\u00e7\u00e3o, a estatal, para preservar seu caixa, suspendeu a constru\u00e7\u00e3o do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio (Comperj), em Itabora\u00ed, e da segunda unidade da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, gerando baixas de R$ 30,9 bilh\u00f5es. Em ambos os projetos, mais de 80% das obras j\u00e1 estavam prontas. Comperj e Abreu e Lima s\u00e3o os mais citados na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato.<\/p>\n<p>Por outro lado, em gigantes como Shell, Total e BP, as perdas foram concentradas no segmento de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>\u2014 A baixa cont\u00e1bil \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o desde os anos 1970, quando come\u00e7aram as grandes varia\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo. Mas, normalmente, est\u00e1 atrelada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ao refino, onde as perdas est\u00e3o mais relacionadas a excessos de oferta. As margens de refino podem ser baixas mesmo com o petr\u00f3leo a US$ 100. S\u00f3 isso n\u00e3o justifica o impairment. Na Petrobras, al\u00e9m da corrup\u00e7\u00e3o, a m\u00e1 gest\u00e3o fez a companhia reconhecer uma perda pouco usual na ind\u00fastria \u2014 disse Jos\u00e9 Ronaldo Souza J\u00fanior, professor do Ibmec\/RJ.<\/p>\n<p>Se as refinarias foram o n\u00f3 da Petrobras, no exterior at\u00e9 os campos de g\u00e1s e petr\u00f3leo n\u00e3o convencional nos EUA passam por ajustes. Segundo analistas, o aumento da produ\u00e7\u00e3o americana vem derrubando os pre\u00e7os do petr\u00f3leo, j\u00e1 que os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio se recusam a cortar a produ\u00e7\u00e3o. A Total, por exemplo, reavaliou a gera\u00e7\u00e3o de caixa futura dessas \u00e1reas, assim como as de Venezuela, China e Arg\u00e9lia. O mesmo ocorreu com a Shell, que lan\u00e7ou perdas em campos de g\u00e1s n\u00e3o convencional nos EUA. No refino, a empresa, em raz\u00e3o das baixas margens, registrou perdas devido a planos de \u201creestrutura\u00e7\u00e3o\u201d das refinarias na Europa e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>J\u00e1 na BP parte das perdas est\u00e1 relacionada a campos de petr\u00f3leo no Mar do Norte e em Angola, que tiveram suas previs\u00f5es de reservas revistas diante do pre\u00e7o menor do petr\u00f3leo. Pesou ainda o novo c\u00e1lculo do pre\u00e7o do g\u00e1s adotado pela \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u2014 At\u00e9 as \u00e1reas n\u00e3o convencionais, como o g\u00e1s dos EUA e as areias betuminosas do Canad\u00e1, que eram uma esperan\u00e7a, viraram uma perda. No Brasil, a corrup\u00e7\u00e3o e a inefici\u00eancia elevaram as perdas \u2014 diz o advogado Claudio Pinho, professor da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, destacando que cen\u00e1rio for\u00e7a o corte de custos, a venda de ativos e as fus\u00f5es, como a uni\u00e3o entre Shell e BG.<\/p>\n<p>Santos, da EY, diz que o cen\u00e1rio trar\u00e1 reflexos para os pr\u00f3ximos anos. Para ele, a redu\u00e7\u00e3o nos investimentos e a revis\u00e3o dos planos de neg\u00f3cios das empresas podem reduzir a oferta de petr\u00f3leo:<\/p>\n<p>\u2014 A ind\u00fastria est\u00e1 postergando projetos, o que pode afetar a oferta na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Em nota, a Petrobras disse que as perdas registradas em 2014 n\u00e3o est\u00e3o distantes do que ocorreu na ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Segundo a estatal, as baixas corresponderam a 6,8% do total de seus ativos. A companhia diz que as outras majors registraram baixas que correspondem a entre 5% e 6% do total de seus ativos. As demais petroleiras n\u00e3o quiseram comentar.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo \/ Bruno Rosa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor representa mais que o dobro do registrado pela segunda colocada, a brit\u00e2nica BP A corrup\u00e7\u00e3o, a inefici\u00eancia e a queda no pre\u00e7o do barril&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":10832,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-12047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12047"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12048,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12047\/revisions\/12048"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}