{"id":11731,"date":"2015-04-20T09:57:02","date_gmt":"2015-04-20T12:57:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=11731"},"modified":"2015-04-20T09:57:02","modified_gmt":"2015-04-20T12:57:02","slug":"petrobras-paga-por-equipamento-inutil-no-comperj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/petrobras-paga-por-equipamento-inutil-no-comperj\/","title":{"rendered":"Petrobras paga por equipamento in\u00fatil no Comperj"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Alguns conjuntos de vasos, torres e reatores custaram mais de US$ 20 milh\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o enormes, chegam a pesar uma tonelada. Alguns conjuntos de vasos, torres e reatores, custaram mais de US$ 20 milh\u00f5es. Fabricados sob encomenda para o Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro (Comperj), localizado em Itabora\u00ed, receberam tratamento t\u00e9rmico especial para manter um n\u00edvel de press\u00e3o interna. Chegaram ao porto do Rio quarenta e quatro meses atr\u00e1s, em 2011. L\u00e1 ficaram por mais de um ano \u2014\u201chibernados\u201d, no idioma da burocracia.<\/p>\n<p>Depois foram distribu\u00eddos entre p\u00e1tios na Ilha do Governador e em Itagua\u00ed, onde permanecem. O estacionamento custa em m\u00e9dia US$ 360 por hora, com despesa de US$ 3 milh\u00f5es por ano. Alguns chegaram ao canteiro de obras do Comperj, em Itabora\u00ed. Est\u00e3o abandonados.<\/p>\n<p>Metade desses equipamentos, comprados para as unidades de nafta, destila\u00e7\u00e3o e coque, tornou-se in\u00fatil e a Petrobras n\u00e3o sabe qual ser\u00e1 seu destino. Eles contam a hist\u00f3ria de administra\u00e7\u00e3o desastrosa, reconhecida pela companhia estatal e pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o, e permeada por casos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou em 2003, quando a Petrobras anunciou investimento de US$ 6,5 bilh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de um complexo petroqu\u00edmico na Regi\u00e3o Metropolitana do Rio. Passaram-se doze anos, a empresa gastou US$ 21,6 bilh\u00f5es \u2014 232% acima do previsto \u2014, e o Comperj acabou reduzido a uma refinaria de petr\u00f3leo. Produzir\u00e1 combust\u00edveis, mas nem um quilo de petroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p>O enredo de infort\u00fanios ganhou velocidade no segundo semestre de 2006, na campanha de reelei\u00e7\u00e3o do presidente Lula em plena crise do mensal\u00e3o.<\/p>\n<p>A diretoria da estatal expediu uma ordem (c\u00f3digo DIP AB-PQF 178) para imediata licita\u00e7\u00e3o, contrata\u00e7\u00e3o de obras, compra e montagem de equipamentos considerados essenciais ao polo. A Petrobras encomendara o \u201cprojeto conceitual\u201d do parque petroqu\u00edmico, com entrega prevista em tr\u00eas anos. Ainda n\u00e3o possu\u00eda sequer um projeto b\u00e1sico, registram as auditorias da empresa e do tribunal de contas.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de antecipar tudo aconteceu sob orienta\u00e7\u00e3o do presidente da estatal Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli, apoiado pelos diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Renato Duque (Engenharia e Servi\u00e7os). Estabeleceram at\u00e9 uma data, quarta-feira 12 de dezembro de 2012, para entrega da obra do Comperj \u201ccompleta\u201d \u2014 uma imposi\u00e7\u00e3o \u201cfort\u00edssima\u201d, na descri\u00e7\u00e3o feita por Pedro Aramis, chefe do inqu\u00e9rito interno conduzido na Petrobras, em depoimento na Justi\u00e7a Federal, em Curitiba: \u201cIsso deu margem a uma s\u00e9rie de quebras dos padr\u00f5es usuais de trabalho.<\/p>\n<p><strong>\u201cO PROCESSO ERA MALFEITO\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Costa e Duque deflagraram uma corrida contra o rel\u00f3gio na empresa. Duque distribuiu um mapa dos contratos necess\u00e1rios, com datas previstas para assinatura e prazos apertados de execu\u00e7\u00e3o. Os dois diretores listaram quais empresas seriam convidadas, como demonstram e-mails enviados por Pedro Barusco, gerente-executivo de Duque. Marcaram reuni\u00f5es trimestrais com fornecedores para resolver aumentos nos contratos sem licita\u00e7\u00e3o, classificados como \u201cemergenciais\u201d.<\/p>\n<p>Nos meses seguintes, de 2007 a 2012, a Petrobras assinou tr\u00eas dezenas de contratos do g\u00eanero para o Comperj. Somaram US$ 7 bilh\u00f5es, com 21 empresas privadas \u2014 todas s\u00e3o investigadas em processos por corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A propina era disfar\u00e7ada como \u201ccusto operacional\u201d das empreiteiras, confessou Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Corr\u00eaa, em depoimento \u00e0 pol\u00edcia h\u00e1 tr\u00eas semanas. Repassavam os custos dos subornos \u00e0 Petrobras encobertos como \u201ccustos contingenciados\u201d. Na Camargo Corr\u00eaa, por exemplo, o sistema de or\u00e7amento de obras \u2014 conhecido internamente como Primavera \u2014, admitia varia\u00e7\u00f5es nesse item de at\u00e9 5%.<\/p>\n<p>\u201cEra f\u00e1cil\u201d, disse Leite, \u201cporque 1% do contrato se torna insignificante em um projeto mal or\u00e7ado\u201d. E na Petrobras ficava ainda mais simples, acrescentou, porque \u201co processo era malfeito\u201d no or\u00e7amento, na contrata\u00e7\u00e3o e na fiscaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, ao contr\u00e1rio do que ocorria em outras empresas \u201ccomo a Vale\u201d.<\/p>\n<p>Em parte dos contratos era inserida uma cl\u00e1usula (\u201cQuantidade determinada\u201d) prevendo compra de equipamentos mesmo sem a certeza da sua necessidade. \u201cFuncionava como um cheque em branco para as empresas&#8221;, contou Almir Barbassa, ex-diretor financeiro da estatal, \u00e0 comiss\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Como resultado da antecipa\u00e7\u00e3o nas compras, sem o plano b\u00e1sico de engenharia e an\u00e1lise de riscos, \u201calgumas contrata\u00e7\u00f5es acabaram se tornando in\u00fateis\u201d, segundo o tribunal de contas.<\/p>\n<p>Foi o caso dos equipamentos comprados em 2010 para melhoria da nafta, que serviria de mat\u00e9ria-prima \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de petroqu\u00edmicos. Em 2012, por\u00e9m, a Petrobras redesenhou tudo para usar o g\u00e1s natural extra\u00eddo do pr\u00e9-sal como insumo. Assim, o conjunto de pe\u00e7as adquirido em car\u00e1ter \u201cemergencial\u201d dois anos antes, tornou-se desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A unidade de hidrotratamento de nafta hoje \u00e9 uma inutilidade de US$ 20,5 milh\u00f5es abandonada em Itabora\u00ed. Oito grupos de equipamentos, tamb\u00e9m adquiridos \u201ccom urg\u00eancia\u201d para o Comperj, n\u00e3o t\u00eam mais finalidade, nem destino.<\/p>\n<p>Alguns podem ser usados, quando solucionados problemas nas obras de log\u00edstica para transporte. Mas at\u00e9 \u00e0 montagem, a estatal dever\u00e1 pagar um adicional de US$ 569 milh\u00f5es por \u201celeva\u00e7\u00f5es de custos\u201d, informa o TCU.<\/p>\n<p>Em janeiro, perguntaram \u00e0 ent\u00e3o presidente da Petrobras, Maria das Gra\u00e7as Foster, qual seria o valor de venda do Comperj. A resposta foi seca e enf\u00e1tica:<\/p>\n<p>\u2014 Zero!<\/p>\n<p>(Colaborou Cleide Carvalho)<\/p>\n<p>Fonte: O Globo \/ Jos\u00e9 Casado, Bruno Rosa e Ramona Ordo\u00f1ez<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns conjuntos de vasos, torres e reatores custaram mais de US$ 20 milh\u00f5es S\u00e3o enormes, chegam a pesar uma tonelada. 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