{"id":11293,"date":"2015-03-24T09:48:16","date_gmt":"2015-03-24T12:48:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=11293"},"modified":"2015-03-24T09:48:16","modified_gmt":"2015-03-24T12:48:16","slug":"socios-tem-de-colocar-ate-r-1-bi-na-sete-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/socios-tem-de-colocar-ate-r-1-bi-na-sete-brasil\/","title":{"rendered":"S\u00f3cios t\u00eam de colocar at\u00e9 R$ 1 bi na Sete Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Os s\u00f3cios da Sete Brasil ter\u00e3o que fazer aporte de R$ 500 milh\u00f5es a R$ 1 bilh\u00e3o no capital da empresa. Al\u00e9m disso, segundo apurou o Valor, est\u00e1 sendo negociada neste momento prorroga\u00e7\u00e3o, por 90 dias, do vencimento dos empr\u00e9stimos-ponte que seis bancos fizeram \u00e0 companhia, no valor de US$ 3,8 bilh\u00f5es (cerca de R$ 12,23 bilh\u00f5es, na cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar de sexta-feira). Nesse prazo, os s\u00f3cios definir\u00e3o o valor exato da capitaliza\u00e7\u00e3o a ser feita na empresa e os bancos, qual a parte de cada um no risco a ser assumido nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito para a companhia.<\/p>\n<p>As duas medidas visam dar al\u00edvio financeiro \u00e0 Sete Brasil, que foi criada para fornecer sondas \u00e0 Petrobras. Sem receber os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), a empresa vem atrasando pagamento de fornecedores e a constru\u00e7\u00e3o das sondas, a cargo de cinco estaleiros. Al\u00e9m disso, vinha prorrogando, a um custo mais alto que o dos contratos originais, o pagamento dos empr\u00e9stimos-ponte, que vencem novamente nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Seis bancos concederam esse tipo de empr\u00e9stimo \u00e0 Sete Brasil: Ita\u00fa BBA, Santander, Bradesco, Standard Chartered, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econ\u00f4mica Federal. Na sexta-feira, o brit\u00e2nico Standard Chartered entrou com pedido de execu\u00e7\u00e3o de garantias do empr\u00e9stimo, junto ao Fundo de Garantia para a Constru\u00e7\u00e3o Naval (FGCN), administrado pela Caixa.<\/p>\n<p>A cota do banco brit\u00e2nico \u00e9 estimada em US$ 150 milh\u00f5es, um valor bem inferior ao dos outros bancos. Segundo uma fonte envolvida nas negocia\u00e7\u00f5es recentes, o banco brit\u00e2nico decidiu executar sua garantia porque n\u00e3o teria sido inclu\u00eddo nas conversas. H\u00e1 dois problemas com a solicita\u00e7\u00e3o: o FGCN foi criado para cobrir apenas 50% dos empr\u00e9stimos-ponte concedidos \u00e0 Sete Brasil e os recursos do fundo ainda n\u00e3o foram integralizados pelo Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>A Sete Brasil foi concebida em 2010 como uma empresa privada, em meio a um neg\u00f3cio aparentemente sem risco. A sua constitui\u00e7\u00e3o traria duas vantagens para a Petrobras, envolvida na implanta\u00e7\u00e3o de um pesado plano de investimento para viabilizar a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal: manter as sondas fora do balan\u00e7o da estatal, cujo endividamento j\u00e1 \u00e9 o maior do mundo entre companhias petrol\u00edferas; e dar agilidade \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o das sondas, uma vez que, sendo privada, a Sete Brasil n\u00e3o precisa fazer licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O grupo de bancos concordou em conceder empr\u00e9stimos-ponte porque havia garantia de que o BNDES concederia, numa primeira opera\u00e7\u00e3o, cr\u00e9dito de US$ 5 bilh\u00f5es \u00e0 Sete. Os bancos n\u00e3o tinham o que temer porque o risco do financiamento seria do BNDES, uma vez que a institui\u00e7\u00e3o concederia o cr\u00e9dito diretamente \u00e0 Sete. Ademais, outra garantia do neg\u00f3cio estava no fato de a Petrobras ter firmado contrato para encomendar o arrendamento de 29 sondas \u00e0 empresa.<\/p>\n<p>O BNDES aprovou o financiamento em julho de 2010 (ver fac-s\u00edmile acima com a confirma\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito) e deveria ter liberado a primeira parcela em agosto de 2013, mas n\u00e3o o fez. O atraso, num primeiro momento, foi atribu\u00eddo a um suposto excesso de burocracia do banco. Em 2014, com a eclos\u00e3o do esc\u00e2ndalo de desvio de recursos da Petrobras, investigado pela Pol\u00edcia Federal no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, o banco estatal teria decidido n\u00e3o assumir mais o risco dos empr\u00e9stimos \u00e0 Sete Brasil.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o BNDES nunca tornou p\u00fablica a sua decis\u00e3o. Apenas em janeiro deste ano avisou \u00e0 Sete Brasil e aos bancos envolvidos na opera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o faria mais o empr\u00e9stimo diretamente. Na semana passada, ficou acertado que os bancos concederiam os financiamentos com funding do BNDES, assumindo o risco das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O empr\u00e9stimo-ponte \u00e9 concedido por bancos para ancorar o desenvolvimento de projetos de investimento at\u00e9 que as fontes de financiamento de longo prazo sejam definidas. &#8220;O BNDES desmoralizou o empr\u00e9stimo-ponte, que estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre o financiador e o financiado&#8221;, criticou um participante das negocia\u00e7\u00f5es. &#8220;Daqui em diante, que banco vai oferecer empr\u00e9stimo-ponte, se n\u00e3o h\u00e1 a mais garantia de que o financiador far\u00e1 a sua parte?&#8221;, indagou outra fonte.<\/p>\n<p>J\u00e1 a \u00e1rea t\u00e9cnica do banco estatal justifica o bloqueio dos recursos por considerar o fato de que existem, entre os acusados de participar do esquema de corrup\u00e7\u00e3o apurado pela Lava-Jato, empreiteiras que tamb\u00e9m s\u00e3o s\u00f3cias de estaleiros que est\u00e3o construindo sondas para a Petrobras, via Sete Brasil. Al\u00e9m disso, Pedro Barusco, ex-diretor de opera\u00e7\u00f5es da Sete e ex-gerente de servi\u00e7os da Petrobras, \u00e9 um dos envolvidos confessos nos desvios da estatal. Ele revelou, em depoimento \u00e0 CPI da Petrobras, que a Sete cobrava 1% de propina sobre os contratos com a estatal.<\/p>\n<p>Diante do impasse, na sexta-feira, em reuni\u00e3o no Rio, representantes dos bancos e da Sete Brasil come\u00e7aram a analisar a possibilidade de prorrogar, por mais 90 dias, os vencimentos dos empr\u00e9stimos-ponte dos seis bancos envolvidos na opera\u00e7\u00e3o. Se a prorroga\u00e7\u00e3o n\u00e3o for feita, o cr\u00e9dito j\u00e1 concedido vencer\u00e1 novamente, o que pode levar outros bancos, al\u00e9m do Standard Chartered, a exigir a execu\u00e7\u00e3o das garantias. \u00c9 prov\u00e1vel que isso n\u00e3o ocorra, j\u00e1 que, dos bancos que restaram, dois s\u00e3o estatais e os outros tr\u00eas s\u00e3o os maiores privados do pa\u00eds e n\u00e3o t\u00eam interesse em criar atrito com a Petrobras e, portanto, com o governo.<\/p>\n<p><strong>Encomendas<\/strong><\/p>\n<p>A Petrobras encomendou, inicialmente, o arrendamento de 28 sondas \u00e0 Sete Brasil, sendo que oito num primeiro lote. As oito sondas, segundo fontes ouvidas pelo Valor, est\u00e3o praticamente prontas. Com a crise da estatal provocada pelas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, o plano de investimento ser\u00e1 revisto e, provavelmente, o n\u00famero de sondas cair\u00e1, na pior das hip\u00f3teses, para 15 e, na melhor, para 20.<\/p>\n<p>O corte no n\u00famero de sondas a serem alugadas pela Petrobras prejudica a Sete Brasil, mas n\u00e3o inviabiliza o neg\u00f3cio, sustenta um participante das discuss\u00f5es. &#8220;O pr\u00e9-sal est\u00e1 mais produtivo que o esperado. O neg\u00f3cio continua sendo bom&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas de cr\u00e9dito e capital, a Sete Brasil enfrenta dificuldades com os estaleiros. Cinco estaleiros receberam encomendas da empresa para construir as sondas: Atl\u00e2ntico Sul (EAS), Rio Grande (ERG), Enseada do Paragua\u00e7u, EJA e Keppel FELS Brasil.<\/p>\n<p>No caso do EAS, constru\u00eddo em Ipojuca (PE) para atender \u00e0 demanda da Petrobras, os dois s\u00f3cios brasileiros &#8211; Camargo Correa e Queiroz Galv\u00e3o -, envolvidos nas den\u00fancias da Lava-Jato, j\u00e1 manifestaram interesse em sair do neg\u00f3cio. Agora, s\u00f3cios da Sete Brasil querem que tamb\u00e9m o Enseada, estaleiro controlado pela construtora Odebrecht, saia.<\/p>\n<p>A Sete teria feito adiantamentos, a cada um desses dois estaleiros nacionais, de R$ 1,2 bilh\u00e3o. Neste momento, negocia, segundo fonte, &#8220;condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas&#8221; razo\u00e1veis para que ambos deixem de ser seus fornecedores. Entre essas condi\u00e7\u00f5es, os dois estaleiros abririam m\u00e3o da cobran\u00e7a de multas pelo atraso no pagamento das sondas. Em troca, a Sete abriria m\u00e3o de entrar com a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a contra os dois estaleiros, uma vez que, em seu depoimento, Barusco confirmou o pagamento de propinas.<\/p>\n<p>No caso do Enseada, estaleiro da Odebrecht, que tem como s\u00f3cios a OAS e a UTC, empreiteiras tamb\u00e9m acusadas de participar dos desvios na Petrobras, a ideia \u00e9 convencer a empresa a ficar com as sondas encomendadas pela Petrobras. Seria uma forma de &#8220;spinoff&#8221;, em que parte do neg\u00f3cio da Sete seria assumido pela Odebrecht e seus s\u00f3cios no Enseada, estaleiro que n\u00e3o participou do primeiro lote de encomendas da Sete Brasil.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico\/Cristiano Romero e Vera Brandimarte | De S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os s\u00f3cios da Sete Brasil ter\u00e3o que fazer aporte de R$ 500 milh\u00f5es a R$ 1 bilh\u00e3o no capital da empresa. Al\u00e9m disso, segundo apurou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":9254,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-11293","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11293"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11294,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11293\/revisions\/11294"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}