{"id":11285,"date":"2015-03-23T10:02:39","date_gmt":"2015-03-23T13:02:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=11285"},"modified":"2015-03-23T10:02:39","modified_gmt":"2015-03-23T13:02:39","slug":"principal-polo-naval-do-pais-rio-revive-temor-dos-anos-80","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/principal-polo-naval-do-pais-rio-revive-temor-dos-anos-80\/","title":{"rendered":"Principal polo naval do pa\u00eds, Rio revive temor dos anos 80"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Com demiss\u00f5es nos principais estaleiros no estado, projeto de navipe\u00e7as do governo \u00e9 cancelado<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Um dos setores mais estrat\u00e9gicos do Rio desde o Bar\u00e3o de Mau\u00e1 no s\u00e9culo XIX, a ind\u00fastria naval vive um novo momento de crise e incertezas. No estado, que concentra metade dos estaleiros no pa\u00eds, o n\u00famero de demiss\u00f5es j\u00e1 chega a 4.900 nos \u00faltimos meses e outras 4.200 vagas correm o risco de desaparecer. A crise, reflexo da paralisia dos investimentos da Petrobras por causa dos casos de corrup\u00e7\u00e3o, freou tamb\u00e9m um dos principais projetos do governo estadual, o polo de navipe\u00e7as, que seria em Duque de Caxias. Especialistas veem a ind\u00fastria em encruzilhada semelhante \u00e0 vivida nos anos 1980, quando houve a derrocada dos estaleiros: ou o setor se moderniza e sobrevive com competitividade, sem subs\u00eddios p\u00fablicos, ou est\u00e1 fadado a encolher.<\/p>\n<p>O professor Floriano Carlos Martins Pires Junior, da Coppe\/UFRJ, um dos maiores especialistas do pa\u00eds no setor, afirma que essa ind\u00fastria vive uma encruzilhada igual \u00e0 dos anos 1980.<\/p>\n<p>A crise da Petrobras antecipou um problema que ocorreria: o setor estava precisando de um ajuste estrutural, estava superdimensionado, projetos que n\u00e3o se sustentam sem o subs\u00eddio do governo. O momento agora \u00e9 da busca da efici\u00eancia e da competitividade. A ind\u00fastria naval brasileira poderia at\u00e9 exportar: 85% do mercado mundial \u00e9 dominado por China e Coreia do Sul. O Brasil poderia brigar por parte desses 15%, sobretudo em equipamentos de maior tecnologia embarcada.<\/p>\n<p>Mauro Os\u00f3rio, professor de economia da UFRJ, afirma que os estaleiros respondem por 5% dos empregos industriais do Rio, cerca de 30 mil postos, e t\u00eam sal\u00e1rios acima da m\u00e9dia das demais ind\u00fastrias:<\/p>\n<p>\u2014 O Rio pode at\u00e9 ganhar neste momento se conseguir alcan\u00e7ar um novo patamar de competitividade, por ser um cluster mais consolidado.<\/p>\n<p>Alexandre dos Reis, diretor de Relacionamento de Mercado da Firjan, lembra que metade da ind\u00fastria do setor est\u00e1 no Rio: s\u00e3o 22 estaleiros e 260 empresas de navipe\u00e7as. Ele afirma que, para o setor sobreviver, ser\u00e3o necess\u00e1rios aperfei\u00e7oamentos em gest\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o e cadeia de suprimentos organizada:<\/p>\n<p>\u2014 Apesar dos problemas moment\u00e2neos, ainda existe demanda. Estimamos em 150 navios de apoio necess\u00e1rios at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Com os estaleiros do Rio em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, o polo de navipe\u00e7as \u2014 anunciado em 2012 e com previs\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o de cinco mil empregos com a atra\u00e7\u00e3o de investimentos privados de R$ 1,5 bilh\u00e3o \u2014 foi cancelado. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento do Rio, o polo, que seria instalado em Duque de Caxias, \u201cteve sua localiza\u00e7\u00e3o tornada virtual\u201d. Por isso, o polo ser\u00e1 compreendido em um conceito que n\u00e3o se restringe a um s\u00f3 local.<\/p>\n<p>\u2014 As empresas est\u00e3o em diversos pontos do estado. H\u00e1 muitos distritos industriais no Rio \u2014 disse o subsecret\u00e1rio de Energia, Log\u00edstica e Desenvolvimento Industrial do Rio, Marcelo Vertis.<\/p>\n<p><strong>Mais demiss\u00f5es \u00e0 vista<\/strong><\/p>\n<p>Entre os estaleiros, as demiss\u00f5es assustam executivos do setor. Ap\u00f3s desligar cerca de mil oper\u00e1rios, o estaleiro Brasa \u2014 cujo s\u00f3cio \u00e9 a holandesa SBM, proibida de ser contratada pela Petrobras em fun\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o \u2014 pode ter que cortar mais dois mil oper\u00e1rios, dizem os sindicatos, com o fim da constru\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos para duas plataformas (Maric\u00e1 e Saquarema). Do outro lado, o estaleiro admite que \u201co adiamento de licita\u00e7\u00f5es e a suspens\u00e3o de projetos pode, sim, acarretar mais demiss\u00f5es no setor naval\u201d.<\/p>\n<p>Procurada, a EBE, que aluga espa\u00e7o da Nuclep, em Itagua\u00ed, diz que a falta de projetos \u00e9 o grande motivador das demiss\u00f5es. Mas a empresa diz manter a expectativa do surgimento de novas obras e o aproveitamento dos quase mil profissionais que est\u00e3o sendo dispensados. O mesmo grau de incerteza atinge o estaleiro UTC, em Niter\u00f3i. Segundo Edson Rocha, a empresa teve que demitir 600 oper\u00e1rios que trabalhavam na constru\u00e7\u00e3o de m\u00f3dulos para quatro plataformas, j\u00e1 que o estaleiro n\u00e3o obteve resposta de novas encomendas da Petrobras. Rocha diz que outros 150 funcion\u00e1rios podem ser demitidos. A Petrobras disse desconhecer novas encomendas para a UTC no Rio. A UTC n\u00e3o quis comentar.<\/p>\n<p>No estaleiro Inha\u00fama, j\u00e1 foram demitidos 849 trabalhadores, mas o sindicato v\u00ea o risco de mais tr\u00eas mil demiss\u00f5es, j\u00e1 que a estatal teria decidido fazer parte da convers\u00e3o de duas plataformas na China. A informa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 negada pela Petrobras. Mas se muitos estaleiros promovem demiss\u00f5es em massa, alguns, como o Brasfels, em Angra dos Reis, est\u00e3o mantendo os trabalhadores, na expectativa de que a situa\u00e7\u00e3o seja resolvida.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo \/ Bruno Rosa, Ramona Ordo\u00f1ez e Henrique Gomes Batista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com demiss\u00f5es nos principais estaleiros no estado, projeto de navipe\u00e7as do governo \u00e9 cancelado Um dos setores mais estrat\u00e9gicos do Rio desde o Bar\u00e3o de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":3239,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-11285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11285"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11286,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11285\/revisions\/11286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}