{"id":11133,"date":"2015-03-16T09:31:48","date_gmt":"2015-03-16T12:31:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=11133"},"modified":"2015-03-16T09:31:48","modified_gmt":"2015-03-16T12:31:48","slug":"crise-da-petrobras-faz-cidade-fluminense-descer-do-ceu-ao-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/crise-da-petrobras-faz-cidade-fluminense-descer-do-ceu-ao-inferno\/","title":{"rendered":"Crise da Petrobras faz cidade fluminense descer do c\u00e9u ao inferno"},"content":{"rendered":"<p>Quem visita Itabora\u00ed, munic\u00edpio de 227 mil habitantes a 51 km da capital do Rio, encontra uma cidade estagnada \u00e0 esperada da retomada do Comperj, refinaria da Petrobras em constru\u00e7\u00e3o desde 2008 no local.<\/p>\n<p>As den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o levantadas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato paralisaram o empreendimento e levaram a uma onda de demiss\u00f5es. A obra chegou a ter 35.500 trabalhadores no pico das atividades, em agosto de 2013, de acordo com a Petrobras. Em dezembro, eram 23.000. No m\u00eas passado, 10.600. Atualmente, segundo o sindicato local, restam 4.500. Apesar dos cartazes que avisam que n\u00e3o h\u00e1 vagas, oper\u00e1rios desempregados fazem fila na porta dos escrit\u00f3rios de empreiteiras em busca de oportunidade.<\/p>\n<p>A Folha esteve por duas vezes em Itabora\u00ed na \u00faltima semana. O arrefecimento da atividade econ\u00f4mica \u00e9 percept\u00edvel na cidade. Pr\u00e9dios comerciais rec\u00e9m-inaugurados com placas de &#8220;aluga-se&#8221; nas fachadas de vidro espelhado est\u00e3o sem locat\u00e1rios. Hot\u00e9is, que antes hospedavam engenheiros e gerentes da obra, n\u00e3o t\u00eam movimento.<\/p>\n<p>As demiss\u00f5es come\u00e7aram de maneira pontual a partir do in\u00edcio do segundo semestre do ano passado, como reflexo do modelo de gest\u00e3o da ent\u00e3o presidente da estatal Gra\u00e7a Foster, que passou a rever os contratos e represar aditivos.\u00a0<\/p>\n<p>Quando o teor da dela\u00e7\u00e3o premiada do ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, respons\u00e1vel pelo Comperj, veio a p\u00fablico, em outubro do ano passado, a Petrobras congelou os contratos e vieram demiss\u00f5es em massa. A Petrobras tinha contratos com 24 empreiteiras no Comperj em janeiro, 16 das quais investigadas.<\/p>\n<p>O \u00eaxodo rumo a Itabora\u00ed come\u00e7ou em 2006, quando o ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva lan\u00e7ou as obras de terraplanagem de um terreno de mais de 45 km quadrados na cidade, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha a economia movida pelas f\u00e1bricas de cer\u00e2mica e pelo cultivo de laranjas e plantas ornamentais. A popula\u00e7\u00e3o cresceu 21% nos \u00faltimos 14 anos, segundo o IBGE. Estima-se que 70% dos trabalhadores da obra sejam de outros Estados. Muitos ficaram sem ter como voltar depois de perderem o emprego.<\/p>\n<p>A prefeitura estima que 140 ex-funcion\u00e1rios do Comperj estejam sem ter onde dormir na cidade. Entre 2008 e 2011, os gastos com assist\u00eancia social subiram 218%.<\/p>\n<p>&#8220;Vou mandar minha mulher e minha filha de volta para a Bahia e vou procurar emprego em outros Estados. Creio que a situa\u00e7\u00e3o do Comperj n\u00e3o vai melhorar t\u00e3o cedo&#8221;, disse o montador de andaime Jo\u00e3o Batista Moreira dos Santos, 30, demitido em janeiro.<\/p>\n<p>Moreira vive h\u00e1 quatro anos em Itabora\u00ed, onde casou, teve uma filha, hoje com 2 anos, e construiu uma casa. Seu \u00faltimo trabalho foi na Toyo Setal, investigada na Lava Jato. &#8220;A casa \u00e9 pr\u00f3pria, mas a comida n\u00e3o \u00e9.&#8221;<\/p>\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o das obras frustrou o mercado imobili\u00e1rio e reduziu o movimento do com\u00e9rcio. A avenida 22 de maio, a principal da cidade e por meio da qual se chega ao Comperj, \u00e9 um term\u00f4metro da economia local.<\/p>\n<p>Cinco pr\u00e9dios comerciais \u2013um deles com heliponto, duas torres de salas e um hotel\u2013 est\u00e3o prontos, mas sem locat\u00e1rios. A reportagem contou 35 placas de &#8220;aluga-se&#8221; ao longo da avenida.<\/p>\n<p>De acordo com a prefeitura, h\u00e1 4.000 salas comerciais vazias na cidade. O percurso de 20 quil\u00f4metros do centro da cidade ao canteiro levava no passado cerca de duas horas no hor\u00e1rio de pico. Atualmente, s\u00e3o 30 minutos.<\/p>\n<p><strong>Entenda a crise<\/strong><\/p>\n<p>O or\u00e7amento inicial do Comperj era de R$ 6,5 bilh\u00f5es. Hoje est\u00e1 em torno de R$ 13,5 bilh\u00f5es. O primeiro prazo anunciado para sua conclus\u00e3o foi em 2011. A Petrobras chegou a dizer que o empreendimento ficaria pronto em abril deste ano, mas depois da investiga\u00e7\u00e3o, a obra est\u00e1 sem prazo.<\/p>\n<p>Os contratos passam por investiga\u00e7\u00e3o da Lava Jato, do TCU e de uma auditoria interna da Petrobras.<\/p>\n<p>Oper\u00e1rios afirmam que est\u00e3o pagando o pre\u00e7o da corrup\u00e7\u00e3o dos pol\u00edticos e que foram abandonados pelo governo. O soldador desempregado Leno Ferreira Corr\u00eaa, 63, demitido da obra no ano passado, defendeu pris\u00e3o aos corruptos.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos pagando o pato por uma coisa com a qual n\u00e3o temos nada a ver. Se entrarmos no mercado e pegarmos um quilo de arroz, vamos presos na hora. Esses corruptos a\u00ed t\u00eam que ir para a cadeia&#8221;, disse ele, que tem cinco filhas e \u00e9 morador da cidade.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo\/Lucas Vettorazzo<br \/>Foto: divulga\u00e7\u00e3o \/ Comperj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem visita Itabora\u00ed, munic\u00edpio de 227 mil habitantes a 51 km da capital do Rio, encontra uma cidade estagnada \u00e0 esperada da retomada do Comperj,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":4139,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-11133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11134,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11133\/revisions\/11134"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}